Metade
O trabalho não vale nada, não há dinheiro que chegue, se faz o dobro em troca da metade. O que produzem nossos países? Braços baratos. A realidade se torna uma piada de humor negro: “É preciso apertar o cinto”. “Não posso. Comi ontem”.
Sonhos,quem realizou metade deles?
Acredito que ninguém,mais sonhar não é errado,errado é não tentar realizar os sonhos.
Quando tiveres uma lágrima de tristeza parte-a ao meio, dá-me metade e chorarei contigo. Quando eu tiver um sorriso de alegria, dou-te por inteiro para poder te ver sempre feliz.
Dizermo-nos adeus rouba-nos metade da alma.
E odiamos almas estreitas, sem bálsamo e sem estímulo, feitas de nada e abandonadas ao destino.
O destino, que destino nos está destinado?
Recordações e memórias do que poderíamos ter vivido...
Do ciúme sem sentido, o som do teu sorriso, o desejo e o teu carinho; o abraçar com certeza e beijar com vontade.
Recordações da felicidade, de ser feliz de verdade...
Nunca me digas adeus...
Metade de mim quer voar,
a outra metade não sabe que possui
asas...
Verdades se perdem,
sentimentos se confudem,
certezas são vagas...
Dentro de mim tem um outro eu,
é esta dualidade que me preocupa.
Metade de mim quer partir,
a outra metade insiste em ficar...
Eles matam gente aos milhões nas guerras e dão medalhas por isso. Metade das pessoas deste mundo vai morrer de fome enquanto a gente fica por aí sentado vendo TV.
Mesmo fazendo tudo errado, eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que eu sou, se você não estiver por perto.
Crônica para os Amigos
Meus amigos? Escolho pela pupila.
Meus amigos são todos assim: metade loucura, metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Deles, não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas, angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que se acocora e espera a chegada da lua cheia. Ou que espera o fim da madrugada, só para ver o nascer do Sol.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas próprias injustiças cometidas. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro, quero também a alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade graça, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo e risada só ofereço ao acaso. Portanto, quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia vença.
Não quero amigos adultos, chatos. Quero-os metade infância, metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto. Velhos, para que nunca tenham pressa.
Meus amigos são todos assim: metade loucura, metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter cor no presente e forma no futuro.
Nota: Uma adaptação desse texto, publicado em 23 de setembro de 2003, vem sendo repassada como sendo de diversos autores, entre eles Marcos Lara Resende ou Oscar Wilde.
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