Mesma Moeda
Quando tu quereres duas coisas com a mesma intensidade, e não as ter comitantemente;
Delibere a que tu mais necessita.
Janeiro de 2000
A mesma mente que se compara à uma terra fértil própria para o cultivo, conforme forem os estímulos, poderá vir a ser um campo minado!
031023I
Não tem como advir frutos de uma relação, onde a mesma, não fora sedimentada sob o domínio da razão.
291222
Quando faz muito frio, é comum lembrarmos do calor, da mesma forma que quando está muito quente, desejamos o frio. Na vida, sempre lembramos de algo que já tivemos quando o que temos no momento não nos faz bem.
Hoje me sentei no mesmo banco, peguei o mesmo barco, atravessei a mesma praia e toquei na mesma areia. Olhei as mesmas paisagens, mas os carros não buzinaram como da última vez que fomos juntos. Senti sua falta ao meu lado, hoje andei nos lugares que frequentamos daquela vez que fomos juntos. Pois tudo o que eu queria era ter suas lembranças mais presentes na minha vida.
Comecei a ver a mesma pessoa em vários cemitérios durante algumas pautas em enterros e velórios. Num segundo momento, depois que eu me liguei que era a mesma pessoa, achei que estava vendo uma entidade, pois ninguém perde tanta gente, todo mês, e está em todos os enterros. Como observava que essa pessoa nunca estava conversando com ninguém, sempre sozinha, comecei a ficar curioso. Do cemitério do Irajá ao São João Batista, ele estava lá, até que resolvi investigar. Me aproximei e, com um cigarro, perguntei se ele teria um isqueiro para me emprestar. Não tinha. O nome dele é Bernardo e me chamou atenção porque ele tem apenas 25 anos. Isso me fez achar que poderia ser um espírito. Ele é diferente do cara que fica com a camisa do Brasil e os cartazes de protesto perguntando onde está o Amarildo, que todo mundo conversa e conhece. Ele é muito discreto. Como respondeu que não tinha como me ajudar a acender o cigarro, iniciei a conversa dizendo que já havia reparado que ele estava em outras capelas, em outras pautas. De cara, ele me deixou meio espantado ao responder que tem uma catedral que ele sempre vai, mas não sabia o nome e que havia esquecido o bairro naquele momento. Perguntou se eu era repórter. Quando respondi que sim, ele disse que o avô havia trabalhado com "um tal de Mário Alves", que teria sido muito importante para imprensa num determinado momento. Perguntou qual área eu trabalhava e respondi: geral! Ele respondeu: não gosto! Disse que dos jornais só lia as colunas sociais e que despertavam sua curiosidade as notas sobre casamentos, aniversários, formaturas e ENTERROS. O certo é que, através dessa leitura precursora, Bernardo fica a par das missas e enterros, e diz que nunca falta quando são os mais interessantes. Diz que procura sempre ficar longe da imprensa quando é alguém famoso para "não tirar a atenção do personagem principal, que deve ser o morto". Depois corrige a informação dizendo que essa é a postura que adota em todos os enterros, pois todos são iguais. Disse coisas que me chamaram atenção, como: "está vendo como a gente chega hoje nos cemitérios? Uma falta de respeito! Antigamente, contratavam bondes especiais, que conduziam os 'convidados' até os cemitérios." Tudo bem, percebi rápido que a cabeça do Bernardo não bate bem. Mas, ao mesmo tempo, concluí que ele não é bem um louuuucoo, louuuco, louuucooo, mas está fora e dentro ao mesmo tempo do normal, tipo uma questão de lua. Enquanto ele fala, dá umas mastigadas na língua, esmagando-á entre os pré-molares. Ele balançava a cabeça de forma esquisita, as vezes, "chifrando" o vento sempre que a gente sentia bater no rosto. Piscava constantemente o olho esquerdo. Na face, por todo o lado, discretos cortes faciais, quase imperceptíveis, dependendo da luz do sol. Em que pese, porém, essa mistura de sequelas, Bernardo, ainda sim, por estranho que pareça, é um rapaz simpático e muito, muito educado mesmo. Reparei que estava um pouco sujo, embora com um terno bem lavado com uma ombreira que o engolia. Já reparei ele mexendo em algumas coisas nos cemitérios, fazendo sinais como se estivesse limpando os objetos. Perguntei sobre isso e ele respondeu que se todos entrassem nos cemitérios como se fossem donos do local, podendo mexer em tudo, aceitaríamos melhor a morte e também preservaríamos os cemitérios em melhores condições. Bem estranho... Contou que por várias vezes já foi expulso de dentro das capelas em momentos de velório mais reservados. Mas ressaltou também que, brigando ou não, sendo expulso ou não, aquilo era um dos centros de interesse da sua vida. Contou que, assim como os cemitérios, adora as praças. Perguntei se teria alguma especial, e ele responde: todas. Disse que a igreja é sua "obsessão", e que se pudesse limpava os altares e as imagens todos os dias, mas que deixou de entrar nas igrejas faz tempo porque não gosta de padres. "De nenhum deles!". Foi incisivo, mesmo educado, ao dizer que não iria tocar neste assunto e ficou vermelho, muito vermelho, até aparecer os traços de veias pulando em sua testa. Fiquei em silêncio e ele foi se acalmando novamente, tudo numa fração de cinco segundos que, pra mim, observei como um take em câmera lenta. Pra cortar o clima, disse que ia acender um cigarro com um rapaz que estava ao nosso lado fumando e, depois disso, quando virei novamente, ele simplesmente não estava mais ali. Em determinado momento, conversando com ele, encostei rápido a mão em seu ombro, pra ter a certeza de que não era tipo Ghost. Era real. Enfim, cheguei agora em casa e, pensando ainda sobre tudo isso, acendi uma vela e fiz uma oração pedindo muita coisa boa pra esse rapaz. Paz pra ele, paz pro Bernardo.
Da mesma forma que as dores musculares fazem parte do desenvolvimento do corpo, as dores mentais também servem para amadurecer nossa alma.
A classe alta continua a mesma - sempre ganhando mais no vai-e-vem. De pai pra filho vai passando, quando tudo já não tem. Mas de todas essas classes, a pior é a classe média, pois, mesmo próxima do povo pobre, cultuam os ricos com inveja.
A história nunca é a mesma. Algumas, bem floreadas, são as que reinam nos jardins. Mas, passado o tempo, suas folhas são cortadas e as partes secas caem espontaneamente. É o destino e fim da história. Existem muitas histórias que não estão, mas que deveriam estar orvalhadas de grandeza; sempre em capa de revistas.Sem perceber que o cartaz, tal como o tempo, é fugaz. E na perda da velocidade, vai sozinha com a saudade para as lembranças. Pode assim, ao peso da dor, o escritor compor textos de alegria? Pode outro festejando o amor escrever em versos a dor e a nostalgia? A história do escritor sempre vai existir. Mesmo aquelas dos escritores mestres do fingir. Eles sim, talvez... Eles que, ao peso de uma dor pungente e triste, ainda fazem o leitor rir. Seriam capazes de tanta falsidade ao dizer em palavras o que não estão sentindo? Como abandonar inspiração e narrar falsa sensação embora ciente de que está mentindo? Vejo sempre nelas, até nas não tão belas, algo agradável. Seja o tom, a expressão, a inteligência, a afabilidade, enfim, a simpatia e admirável atitude que demonstram em relação à sinceridade assumida, naturalmente, por meio dos sentimentos. Mas vou selecionar as salvadoras e que me fazem voltar o verde à natureza. As histórias de águas redentoras e que trarão mais fartura e riqueza. Vou procurar as histórias criadas por irrigações celestes, mas que na terra investiram suas vidas em prol do escritor. Histórias que lembram a fome no Nordeste e a falta de água no sertão agreste. Histórias de um povo que sofre há varias gerações. Histórias de um povo que se tornou presa fácil daqueles que iludem com a prometida solução do açude.
Buraco de minhoca 🪱
Estou aqui para falar
O deslize é só nosso!
Para todos
E para mim mesma
A vida está um caos
Sei
Não posso passar um pano
E pensar que tudo vai ficar limpo
Para o agora éimpossível!
Mas olhe
Pensando bem
É possível sim
Vou sussurrar no seu ouvido
O que é preciso para tudo acabar
Não se espante
Na real
Estou bem
Tudo parece que vai desabar
Será que é possível?
Estou sem forças
Acho que agora vou esperar o fim
Não se espante
Na real
Estou bem
Ei, olha para mim
O universo é grande
O tempo não volta
E se voltar,
Vou pegar carona
Nesse buraco de minhoca
Talvez para ir em outro lugar
Ou,
Lembra?
O espaço e o tempo?
Quem sabe, voltar ao início de tudo
E quem sabe
Mudar algumas coisas
Chorar pouco
Só o suficiente
Para lubrificar os meus olhos
Abraçar mais
Até os meus braços doerem
Beijar muito, muito!
Até a minha saliva secar
Colar o meu corpo no seu
Até sentir o prazer
E morrer por alguns segundos!
Dizer muitas vezes
Um bilhão de vezes
EU TE AMO
Agora e sempre
Agora e até a eternidade!
Não se espante
Na real
Estou bem🙂
Emoções são mais perigosas do que um sentimento. Emoção é de momento e a mesma quer ir depressa, já sentimentos aguarda seu tempo para fazer estrago.
Um verdadeiro amor não permite fração, tem ser total, completo e absoluto, trafegando com a mesma intensidade em dois sentidos.
Se não for assim, não é amor, não sendo amor terá frustração, dor e perda de tempo.
No universo as formas se repetem e essa ocorrência nos mostra que somos todos de uma mesma natureza.
