Meritocracia
Chego em casa. Quase as oito. Exausto, morro no chuveiro. Penso que devia economizar água, inevitavelmente o pensamento voa para outras causas, o comportamento apático do governo para o desperdício dos grandes donos de industrias. A fadiga do corpo permanece. Esqueço de esquecer de pensar. Saio do banho. Sonolento, visto uma roupa limpa, ainda pensando, agora no ódio indecente em um comentário que li no facebook sobre uma greve estudantil. Tomo um café e me sento em minha cadeira dura, na verdade muito dura. Abro o sistema escolar e vejo todas as tarefas pendentes, a nota baixa em física me relembra o quão ruim sou nas matérias exatas. Levo as mãos à cabeça ao me lembrar que quero cursar letras ou filosofia, mas ambas não garantem qualquer segurança financeira. Volto-me para a tarefa escolar, uma lista de matemática, não consigo fazer sequer uma questão, nem sei o nome da matéria. De fato me disperso em todas as aulas, o assunto não me é interessante. Amanhã tem prova. Queria escrever um poema, mas isso não vale ponto. Tudo precisa valer algo para ser feito. Queria ver um filme, porém me forço a estudar quando me lembro de outro comentário no facebook e percebo que, caso eu não passe em uma faculdade federal, mas um aluno do Bernoulli sim, alguém pode dizer que não me esforcei o bastante, afinal a meritocracia não falha. Passou uma reportagem no fantástico, sobre um menino pobre que está cursando medicina. Tento fazer mais um exercício. Apago. Acordo alguns minutos depois, assustado, um pouco desesperado. Preciso de pontos na matéria, não sei nada. Deixo tudo para última hora sempre. Não tenho todo tempo do mundo. Em dias como hoje, eu peço um pouco de paz, de calma. Uma ambição tola: poder levar a vida no meu ritmo sem preocupações. Sem lembrar que ainda ontem vi um menino catando comida em um lixo de praça e sua mãe estava do lado. Em dias como esse, eu adoraria não ter esse incômodo por tudo que me parece errado. Apenas me bastaria não ser visto como outro comunista preguiçoso de conversa fiada. E se esse texto não servir para nada, amor me perdoa.
Pobre Rafaela Silva, em um país que qualquer mérito próprio é prontamente transferido para instituições, organizações e ideologias. Agora o exemplo dela é o exemplo de cada teoria, cada partido, cada movimento, cada politica. A vitória dela é um "tapa na cara" da direita, da esquerda, do machismo, do feminismo, da meritocracia... cada um usa a vitória dela como se de fato fosse sua. Ela deve as primeiras feministas, assim como deve aos primeiros militares, deve a esquerda pelas politicas de inclusão e pelo fim da meritocracia, deve a direita etc...
De repente ela deve a uma nação, não somos nos que devemos à ela por seu esforço, exemplo e dedicação, por conquistar uma medalha pra uma coletividade de sedentários que até ontem não sabiam sequer da existência da mesma e não possuem um pingo de patriotismo. E não querendo usar a vitória dela pra confirmar uma teoria minha, uso a reação da sociedade, diante da vitória de um indivíduo, para confirmar a teoria do "viés de confirmação", de David McCraney; "é ver o mundo através de um filtro uma compilação sobre pensamento irracional e autoilusão."
Somos uma coletividade de preguiçosos, vestindo o mérito alheio como se de fato fosse nosso.
As diversas inteligências são latentes, à espera da junção da PREPARAÇÃO com a OPORTUNIDADE. Então, jamais se esqueça que você tem o POTENCIAL: tente mais vezes até você conseguir fazer melhor hoje do que fez ontem; e amanhã queira ser/fazer mais e melhor do que fizer hoje... gradual e naturalmente, sem sofrimentos, pois!
A celeridade da imaginação e a firmeza de direção derrubam a ideologia igualitária: para que exista igualitarismo, não pode haver meritocracia – e vice-versa.
Burguesia e aristocracia: como explicar paraquem pratica sequestro e assalto à mão armada sobre a meritocracia?
O mérito nasce do fazer por merecer, do esforço genuíno, reconhecido dentro das condições reais de cada um; já a meritocracia parte da ideia de que todos podem vencer, basta querer — independentemente do ponto de partida.
Ainda que zerássemos as desigualdades sociais e econômicas, diferenças morais, éticas e de caráter seguiriam desafiando a ideia de meritocracia.
Honrar sua história contribui com sua capacidade para reconhecer a diferença entre privilégios, meritocracia e superação.
"Se nós conseguimos, todos podem conseguir"
Uma verdadeira falácia!
Exceções à regra só provam a grande desigualdade social e racial brasileira oriundas basicamente dos processos históricos ligados à escravidão.
Não é justo dar um Fusca a Maria e uma Ferrari a Luzia.
E achar que vencer a corrida é uma questão de meritocracia.
Vencer a pobreza é a tarefa econômica de uma família pobre. O problema é que o processo envolve 3 gerações, e significa que o homem deverá tomar boas decisões e investir tempo e trabalho que vão melhorar a vida dos filhos e netos, não a sua própria.
Para essa tarefa, é preciso um compromisso e um amor familiar transgeracional que só a mentalidade conservadora é capaz de oferecer.
Não troque sua liberdade por um prato de comida. Aprenda a caçar, pescar, plantar, cozinhar E SEJA LIVRE!!
A glória quando alcançada através da persistência é inefável. Sabe-se que foi entregue por Deus, mas tem a sua meritocracia.
"competição é a lei da selva , cooperação é a lei da civilização" sim necessária no sistema capitalista, que na verdade é um grande fracasso, um valor dele é meritocracia, mas nem isso ele garante , as pessoas podem ser capaz, talentosa, esforçada, mas pode morrer na miséria, existem diversos genios que morreram, van gogh, mozart, Nicolas tesla, etc. Mas o ser humano, tem necessidades, desejos, vontades, que devem ser supridos , independentemente de suas capacidades. Sinceramente eu admiro muito mais esse homem (Eduardo marinho), do que esses bilionário por aí, pra mim esses caras são a escória da humanidade. Porque querem esse sistema que perpétua, miséria ,e pobreza.
O reinado pode ser por herança, mas o respeito e honra de um rei, só virá por conquistas e merecimento;
A ascensão social de alguns negros pobres da periferia não é a regra, mas uma exceção diante de um ambiente extremamente desigual.
Isso não invalida o descaso histórico do Estado brasileiro, os efeitos da escravidão, e a necessidade das políticas de reparação social, tampouco valida a ideia de meritocracia.
