Mensagens Noturnas
Sereia no mar
do seu silêncio,
do mistério,
A noite ainda não
caiu e as luzes
sequer foram acesas,
Para escapar do que nem
ouvi mergulho em poemas.
Orar um Adixá,
tocar estrelas,
ouvir as lendas,
ler os poemas
da noite profunda
e a acalantar a liberdade
que pede continuidade.
Noite de Lua Cheia,
dá até para ouvir
as almas dos aguadeiros
tirando água da Bica
de São Pedro,
É minha doce Olinda,
cheia de mistérios
e de muita poesia.
Nesta noite
latino-americana
de angústias
devastadoras
e urgentes,
não consigo
fechar os olhos
sem pensar
nas dores
crescentes
do ombro
do General
injustiçado
que na pessoa
dele venho
contando
a saga de todo
um povo que
como ele
vem sendo
perseguido.
Saber de
tanta gente
que se foi
e de quem
como ele
segue na vida
resistindo
me traz
ainda mais
para perto;
sei de gente
que o peito dói,
mas segue em
frente sorrindo.
Só não quero
saber de quem
compactua
torturando
e mentindo;
porque gente
assim até Deus
se desinteressou.
De poetisa
ao antigo poeta
da rebelião
que na calada
da noite
eu sei que
me lê,
e que 'vendeu'
a alma
em troca
do mundo
deixando
a poesia
à revelia
e conseguiu
na vida
se perder:
confio que
o Comandante
lá do céu
nos vê.
Não era para
ser assim,
e nem ter
sido assim,
ter falado
o quê não
devia sobre
o General,
você nunca
mais será
o poeta
de antes
para mim.
Ver inimizades
onde nunca
houveram
para se
segurar
naquilo
que passa
não é útil
para mim,
para ninguém
e para você,
preferia vê-lo
anunciando
a pacificação
que renova
e prospera.
Muitas vezes
escrevo além
da conta,
e falo até
o quê não devo;
é uma forma
de me defender
do mundo
que nos faz
brutos por medo.
O meu coração
mora onde
o povo está
nesta noite
de agonia
privado
de proteção
e amparo;
pois falta luz
deixando-me
em todos
os estados,
em milhões
de pedaços
e preocupada
com quem
está preso
e com quem
está solto
passando por
essa covardia.
Não há como
ir descansar
tranquila,
Alí em estranhas
circunstâncias
morreu vítima.
O calvário
da tropa
e do General
injustiçado
não faço ideia
até hoje
quando termina.
A noite caiu fria,
e continuamos
Da mesma forma,
estamos sem
nenhuma notícia.
A caminhada pede
união para ver
Aonde estão
as estrelas
Que auxiliarão
as nos guiar
Até o amanhecer.
As letras fazem
a companhia,
Os poetas sentem
a agonia,
Somos a pacífica
resistência
contra a tirania.
No alto da meia-noite
das verdades ditas
após a Primavera
para vencer o mundo,
porque o importa
tem a ver com caridade.
Neste continente onde
não se legitima,
e de quem não se ajuda;
não sei o quê o futuro
reserva para nós.
Não há jogo, e muito
menos negação
da realidade histórica;
Há um desejo que tudo
não tenha passado
de um simples pesadelo.
Na tentativa de abrir
o caminho do coração
para que se cumpra
a liberdade em noite
sem canção de encorajar,
não perco a inspiração
porque acredito
no raiar justo do dia.
É com equilíbrio
de trapezista,
doçura nos lábios,
e na busca teimosa
pela justa saída,
peço que persista.
É de ação poética
que se faz música,
que se dá
sabor à vida.
É noite de Lua Azul
no Sul do meu Sul,
serenamente aqui
na nossa bela Rodeio,
que encanta divinamente
o nosso amoroso peito.
Cercados pelo verdejante
Médio Vale do Itajaí
o qual pertencemos
sob a hemisférica bênção
e toda a Divina proteção
das noites das eternas luas:
o desejo vem se tornando
imparável e solene ritual.
Reconheço com os olhos
fechados que em nós existe
a rota típica dos apaixonados
em levitação consagrada
para alçar voo com destino
certo rumo ao amor de devoção.
Faltam seis dias
para a Lua Cheia,
Você nem sabe
que hoje é noite
de Lua Crescente
que está com
uma cor diferente
embriagada
pela fumaça
do Deus da Morte
que está fazendo
da nossa Pátria
uma terra arrasada,
A Lua vista da janela
do meu quarto
aqui em Rodeio
do Médio Vale do Itajaí
distrai o meu luto
e o meu horror profundo
porque nascemos
num país que tínhamos
tudo e por 'n' razões
podemos acabar
não tendo mais nada
se uns continuarem
insistindo nos velhos maus hábitos.
É noite de Lua Cheia
e alvíssima que
não tem como ser
capturada no céu
da minha gentil Cidade
de Rodeio que fica
no Médio Vale do Itajaí
aqui em Santa Catarina,
É fato que o pulmão
da minha amada Pátria
pelo fogo se contorce
porque segue a queima
que de cinzas nos encobre,
e o nosso horror só aumenta
de tal maneira que não cabe
somente num simples poema.
A Lua Cheia desta
noite foi vista muito
breve porque foi
toda vestida de cinzas
da notória tragédia,
Profundamente dorida
tem me feito todos
os dias mais entristecida,
Tenho profundo receio
de não vir a encontrar
o futuro do mesmo jeito.
A noite desce
Calmamente,
E eu livre de rigores
- caí em poesia
Simplesmente.
Escrevo para mim,
Para satisfazer-me,
E envolvendo-te
Intensamente
Apaixonando-me
Por ti para sempre,
É desafiador!...
Só tenho o tempo,
Para zelar por nós,
E por nosso amor,
Sinto a fragrância
Na mais alta nota.
Desenho a rota,
Alguém tem de crer,
Num caminho leve,
- Imediatista -
Amar de verdade
Requer grande zelo:
ORIGINALIDADE!
Um sonho lirial
numa noite fria,
Nas veias do hibisco
cor de alegria,
O amor sincero
está circulante,
O teu olhar
cor de diamante
Fazendo-me tua
vera amante.
Das celestes
miragens,
Dos poemas
paisagens,
Eu deitada mirando
o teu colo,
- Eis o mais lindo sonho
Ainda não
realizado,
Sendo ao mesmo tempo amor
E toda a magnitude poética
Em pleno resplendor!
Um sonho sem igual
por ti plantado,
Um descanso de amor
por mim sonhado,
Talvez seja até exagerado,
Não nego:
Eu só tenho olhos para você!
Um sonho doce e celestial
De pura verdade
e resplandecência,
Dos poetas desse mundo,
Os homens não têm clemência,
Nos resta é ter paciência.
Quem crê no amor
já nasceu poesia,
Espera confia e desafia,
Em linhas celebra a vida,
Que une e também desalinha,
Enfrenta o deserto, e sempre acredita.
Fazes-me bailar
na noite de cristal,
Sou o teu beijo imortal,
a tua poesia,
Talvez a mais fatal:
a tua profecia.
Harpa celestial
afinada na tua mão,
A mulher nascida
para viver de paixão.
Uma crônica, um verso,
um soneto total,
Nascidos em uma noite
de cristal,
Escritos nos passos
da cortesã,
Típicos do baixo
meretrício,
Ufano-me disto
e daquilo sensual...
Oculta, louca e
indescritível fantasia
Que galopa
cuidadosamente...,
Toco sem perdão,
em carinhos
- repletos e libertos
Além de morar no coração,
Ocupei toda a tua mente,
inteiramente.
Doçura, leveza
e espiritual alegria
Que canta
simplesmente...,
A canção que sai
da mente
Para os lábios
docemente,
E que encanta
o meu coração
Pela sinceridade
evidente.
A noite chegou sorrateira,
E sem fazer barulho,
A brisa e seus meneios,
Tomam conta de tudo;
É noite, olhe para cima!
A Lua sereníssima,
As estrelas te imitam,
Todas bordadeiras...,
Vejo aves noturnas,
Gentis e faceiras,
Deus é o segredo!
A noite chegou agradável,
- serena -
Pelos fios bem entrelaçados,
Através das mãos da bordadeira,
E da grandeza da sua alma,
De menina e de estrela,
Que à todos ilumina!
Ao fundo ouvindo um violão,
Uma canção de Renato Russo
Vozes bendizendo:
"Quem um dia irá dizer
Que não existe razão
Para as coisas
Feitas pelo coração".
E assim segue a bordadeira
Cantando o refrão,
Com paz e fé no coração;
A bordadeira existe,
É crença feminina
No amor e na vida,
Alma forte e decidida.
Não menos delicada,
Não menos ternura,
Tão radiosa,
Bordadeira de Salinas,
Borda tão lindamente,
Encantando simplesmente,
Bordando o seu destino infinitamente...
Noite estrelada,
Aqui em Balneário,
Brisa macia,
Alma amainada.
Caminhei até o jardim,
Para ouvir o silêncio,
Que habita em mim,
Sozinha assim...
Crendo que está escrito,
- nas estrelas-
O amor e o destino,
Estão no nosso caminho.
Noite estrelada,
Alma desacorrentada,
Desapegada,
Flutuando libertada.
A noite traduzida em pele de felina
Chegará só dizendo sim,
-altiva-
Para te fazer inteiramente meu,
No meu colo macio como cetim.
Chuva em noite que o luar enfeitiça,
Aqui dentro faz sol,
-ilumina-
Para te fazer inteiramente seduzido,
Doce e entretido.
Aqui no meu corpo tem mar,
E no meu coração tem amor,
Em mim há todo o mel,
Os meus lábios têm sabor do nosso céu.
Paira a noite em Balneário,
Acendem as luzes da ribalta,
As estrelas saúdam o céu,
Pincelado por Pedro Américo,
Olhos de Rosana
– topázios- cor-de-verde-mar
E das magias estrelares,
-riscando a tela
Com cores orantes,
Trazidas de lugares distantes,
Que percorreram trajetos,
- lugares jamais antes conhecidos
Ousaram desertos e Compostela.
Cores nascidas dos silêncios,
Das mil e uma noites,
Dos mistérios – sentinelas,
Que não se intimidaram
Nem por anos e nem por guerras.
Linhas sinuosas e premeditadas,
Que riscaram as ditaduras,
E sorriram para as repressões,
Linhas que enfrentaram o trem da morte
– e irmãs da sorte.
Cores que enfeitiçaram as realezas,
Tecelãs de mil sutilezas,
E que com toda essa bagagem pairam,
Na leveza de ser da noite,
E levantam com a gala da alvorada.
