Mensagens de reflexão para encarar a vida de outra forma
Às vezes rosa
Às vezes chumbo
Às vezes mar
Às vezes mundo
Todo dia vida
Às vezes prosa
Às vezes verso
Às vezes má
Outras o inverso
Sempre vida
Às vezes isso
Às vezes disso
Às vezes esse
Às vezes desse
Eis a vida
Às vezes queima
Às vezes arde
Às vezes longe
Às vezes tarde
Sempre, todo dia
Vida mesmo
Só de vez em quando
Edson Ricardo Paiva.
Há momentos
Que valem uma vida
Como andar na chuva
Olhar pra cima e perceber
Um raio de Sol que a invadiu
Chove dentro de você
É preciso uma miragem
Uma fagulha frágil
Um sonho em forma de mensagem
Num milagre, a lucidez
Era preciso uma visão
Que talvez não te venha jamais
Não dessa forma sucinta
Veja, chove no papel
E o presente é uma tinta que o borra mais
É querer ouvir a própria mente
Enquanto a mente, propriamente, não se cala
Há momentos
Que podem valer uma vida
Um pensamento que te aguarda há muito
Paciente, lá no fundo do quintal
Até que a mente se aquiete
E pense até ser ouvida
Por enquanto é tudo que lhe resta
No entanto
Esse momento vale uma vida.
Edson Ricardo Paiva.
"Há duas coisas na vida que não se pode evitar
A primeira é o pensamento
E a outra é quem te diga o que pensar"
Edson Ricardo Paiva.
"Tem horas que a vida
Não é que ela parece
Que perdeu todo sentido
Tem horas que eu olho pro mundo
E a impressão que eu tenho
É dela nunca ter tido''
Edson Ricardo Paiva
"Quando a vida convida a chorar
Não rejeite o convite...e chore
Pode ser que melhore
E depois de melhor, então ria
Veja que talvez
Amanhã seja outro dia"
Edson Ricardo Paiva
Há sonhos
Que não tem vida e nem vontade própria
Nem jamais terão
Os sonhos hão de ser a própria vida
E tudo se ajeita, quando bem sonhados
Quando as frases são refeitas
A vida chega a ser a imagem
Quase que perfeita dos melhores sonhos
E que seja feita a nossa vontade
Sinta-se à vontade pra querer
A nossa natureza humana é toda feita de desejos
Ou seja deixada de lado
Pois vida sem sonhos
é vida sem vida...é só verdade
E, de verdade em verdade
São sonhos em melodia que nos trazem à vida
De vez em quando
Uma brisa leve chega e diz:
Seja feliz, mas seja breve
Porque a vida é algo urgente
E a gente precisa, logo após a prece
Voltar bem depressa à realidade
O sonho sem vida
Pra sempre há de ser um sonho só
E a vida, quando carece de um sonho
é quase nada
Nem sempre é preciso
dormir para sonhar
Mas o ato de acordar
É imprescindível
Pra poder viver a cada sonho
E que seja feita a vontade
De todo aquele que bem sonhar
Embora uma montanha possa desviar
Um mar do seu caminho
Não existe cordilheira
Que separe um sonho da sua hora.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje
Eu escrevo pra falar em brumas
Algumas ocultam, sem muito enlevo, a arte da vida
E as trazem de volta
A dizer de coisas que nos fogem
Que se vão na distração dos tempos...tempos correm
Até que um dia os ponteiros parem
e ponham um espelho à nossa frente
Pra que, enfim, a gente se encare
E sem que haja mais tempo, nem mesmo para uma prece
Comece a fazer um inventário
Acerca da própria existência
Nas quatro folhas do trevo da rude vida
Uma delas foi a coragem, talvez a sua falta
Outra o caminho, a miragem que ilude
Mais uma outra, o carinho ausente
A exibir os seus dentes, seus cortes
A folha derradeira, foram as escolhas
O tempo revela que a vida não atende a pedidos
Nenhuma delas foi sorte.
Edson Ricardo Paiva.
"Que sejamos gratos e felizes
Por não saber a verdade da vida
Pela nossa humanidade
Que busca e que erra
Seja fonte de calor a luz do Sol
Não da verdade"
Edson Ricardo Paiva.
A vida só faz sentido
Se a gente puder vivê-la
Dizer o que há de bom e bonito
Gritar pro mundo sem medo
Quando, na verdade
Felicidade é ter
Um ouvido...e um lindo segredo
O tempo perdido e passado
Arrepender-se de todo e qualquer pecado
Até mesmo dos que nem sonhou
Só falar pro espaço, estrelas, nuvem
A noite posta no céu, janela aberta
O véu que se abre, mas você não olha.
A vela acesa, que tem hora certa pra apagar
Falar pra quem nem as ouça
Os pés no caminho, essa vida descalça
Tá tudo bem, não tem problema
Eu faço mais um poema
Vou novamente me recolher
Ao silêncio dos meus pensamentos
E tem sido assim desde o princípio
Pra depois sentir arrepios
Porque não há nada a ocultar
Além da ausência
de uma tão sonhada paz
Que, às vezes é tanta, que faz ruido
E me abraça com seus braços frios
Sonhar, quisera tivesse um sonho
Divagar, sumir, recolher as folhas
Coração só sabe bater
e é isso que ele bem faz.
Edson Ricardo Paiva.
"Cada longe que essa vida inflige
Será sempre igual às asas
Que Deus não permitiu-nos
Que as tivéssemos
Cada estrela que esse imenso céu te mostra
Confinada num quadrante, distante de alicerces
Cuja distância, proporcional
Será sempre igual à sua vontade de alcançá-las
Fincar numa delas teu mastro
Olhar bem nos olhos de Deus
Ser um astro entre as estrelas, infringir
Exercer a elas o mesmo fascínio que elas exercem
Rir de todo aquele que nasceu, sem domínio do voo
Assim como eu
Naquela hora boa em que se percebe
Que, se a gente não recebe asas quando nasce
Isso não foi à toa, o Criador divide a vida em dois
Então a gente nasce antes, as asas vem depois."
Edson Ricardo Paiva.
Me pergunto se imaginaria
Numa tarde qualquer
Limpando a fuligem da vida
Não saber-lhe a causa
Sem querer saber-lhe a origem
Nunca mais fixar-me no assunto
Eu, a vida e os calendários de papel
Papel que queimou quase sem razão
Pela simples razão de ser feita de papel a vida
Hoje, rabiscada e corroída
Já não dá pra entender quase nada
Coração se cala de papel passado
Que de tão passado se queimou, virou fuligem
Ao tentar deixar lá no passado da gente
É que então se percebe
Irremediavelmente junto a nós
Para um dia cavalgarmos juntos
Numa estrela sem céu
De outro céu sem estrelas
Mais um, de tantos que a vida deu
Quão distante a alguma madrugada
Rumo a uma tarde qualquer
Limpando a fuligem
Sem sequer saber se me perguntaria.
Edson Ricardo Paiva.
Vida, meu chão
Assoalho meu, brilhante
Preciso de ilusão por onde eu piso
Energia renovada
Excetuada essa alegria
Escondida atrás das cortinas do tempo
Termina que resulta em nada
É só pura realidade
É preciso ter coragem
Pra atirar tantos duendes à lareira
E enxergar que atravessou a vida inteira
Pisando sobre um chão feito de estrelas
Iguais àquelas lá do céu
Eram tudo, a vida inteira, folhas
E tempos e ventos e telhados
Velhas telhas
Nada que nos faça diferentes, nem melhores
Que as folhas e as abelhas
O chão de estrelas
Tinha o mesmo formato das calhas
Por onde escoa a chuva, que carrega as folhas
Parecia ser bonito
Parecia haver escolhas
Parecia até ser boa
Mas estava desde sempre tudo escrito
Era tudo uma ilusão sem chão que se cumpria à toa e bem
Iludir-nos
Era a parte que nos cabia.
Edson Ricardo Paiva.
"A Beleza da vida
É o Sol lá no céu
Numa noite de chuva
É saber sentir
Quando não houver"
Edson Ricardo Paiva.
A gente tenta entender
Tem horas que parece até
Mas a vida, essa é senhora do silêncio
Dona da verdade
Na paz dessa oportunidade de calar ou não
E de novo a gente morre
De novo e de novo e de novo
Morre dessas coisas que te vem do coração
E que te corre sem sangrar
Que te sangra sem que se perceba
Te vai numa oração que também morre
Sem subir aos céus
Oculta atrás de um véu
Na tristeza que outra vez se oculta
Na beleza das palavras por dizer
Que na verdade, elas também são ditas
No segredo da oração que não se escuta
Mortas, mas também bonitas.
Edson Ricardo Paiva.
Pra que eu seja o autor da minha vida
E se a vida fosse o meu almoço, que eu preciso preparar
Como se eu tivesse uma panela de barro e só
Um jarro de água, apenas
E muita paciência, em pequenas porções
Viver qual se fosse um pássaro, um velho passarinho
Asas cansadas
Nada além de um breve canto
Um leve pranto
Nada de longas canções
Um fino fio de luz de lua
Talvez um tanto mais tênue
Luz de estrela, que eu, na minha ingenuidade
Nem perceberia a diferença ou quem me deu
Pra que seja eu, autor da minha história
Preciso lidar com a dor, a saudade
e o cansaço, em pequenas porções
E em grandes manhãs frientas
Friorentas margens de rios
Saber ser só, nas solidões que a vida traz
E fazer disso sempre o meu melhor
Jamais, jamais permitir
Que o jarro se quebre
Que a luz se apague
Que um dia vazio se torne em vida vazia
Ou que a dor e o cansaço me entreguem
Me vençam, carreguem
Sem que tenha sido eu
O autor de toda essa balbúrdia.
Edson Ricardo Paiva.
A galinha que um dia conheceu a companhia da águia, sentir-se-á uma águia pelo resto da vida, mas a sua natureza sempre a conduzirá à companhia dos frangos e ali ela vai ciscar e cacarejar como galinha, pois foi o que o Divino prescreveu para os da sua laia.
Edson Ricardo Paiva.
A vida era
Toda ela, um vaso de alabrastro
Um prazo que não venceria
O Sol na chuva, era alegria
Era a felicidade, a verdade sobre a mesa
Um astro de primeira grandeza
Era harmonia
Comedida em seus excessos
Ah, essa era a vida, ela excedia
Não era, ela não era não
Era uma mão que se escondia
Oculta com propriedade
Tangia as cordas da vida
De modo tão perfeito
A justa forma ela imitava
A gente se iludia tão perfeitamente
O vento leve, o tempo breve
O espelho que não se mostrava
Era a vida uma centelha
Um prazo que nos vencia
Ele venceu
Essa era a vida
Este sou eu.
Edson Ricardo Paiva.
Esqueça a vida e cresça
Essa história começa
Quando o deus-Sol questiona a Deus
Se deveria concentrar sua atenção
Mais ao atol, perdido no infinito
Ou se ao varal onde, estendidos meus lençóis
À luz do dia refletiam sonhos tão bonitos
Invisíveis aos olhos de ver
A dúvida da estrela
O olhar de Deus
Sonhos de linho
Espinho que se pisa sempre que se pensa
Estar vivendo a vida como a vida quer
Esqueça a vida e viva e deixe
Que um feixe assim, de luz, ilumine
Seu sonho esquecido, indivisíveis sonhos meus
A luz do dia, vida uma oração
Eu sei que o mundo me esqueceu
Porém, Deus não.
Edson Ricardo Paiva.
O inverno vem
E o frio trouxe uma versão profunda
das coisas invisíveis que essa vida tem
Pois, quando a estrada foi florida
Cada qual tinha as mãos dadas
Numa ilusão acompanhada
O inverno vem
E frio traz uma versão vazia em nossas casas
Os velhos bancos de madeira
Há muito se tornaram cinzas
No calor da fogo há companhia
Verdadeira e quase que tão passageira
Quanto as mãos que seguraram velhas mãos
Não tem mais quadros na parede
Não há porque encher os cântaros
O inverno carregou também a sede
Ainda resta alguma coisa
E ela só presta pra queimar
Dentro em bem pouco
Quando anoitecer no quarto morno
Do forno triste desse inverno interminável
Que existe sim, pra todos nós
Dentro de cada um
Esperando apenas pelo escurecer.
Edson Ricardo Paiva.
Outro dia eu sonhei
Sonhei que não sonhava
E que a vida era verdade
E que eu podia dar bom dia
A tudo que a vida esconde
Mas que ali não se escondia
E dei bom dia à escuridão
A toda escuridão
Que, não à toa, se oculta
A toda ilusão que morria
Era o lado bom da vida boa
Na paz da desilusão
Dei bom dia, não ao tempo passado
Nem ao dia que caminha ao nosso lado
Minha voz dava bom dia ao tempo
Outro tempo
Aquele que voa e se despede
Se despe de nós todo dia
Numa voz calada nos diz
Que ele não se prende a nada
Só flutua
Sonhei com a verdade nua
Que desejava um bom dia
E toda promessa esquecida
E toda palavra que não foi cumprida
Que sempre foi só palavra
Mais nada
Sonhei que a verdade mentia
Dei bom dia à toda solidão advinda
Dei bom dia ao ódio escondido
Dei bom dia ao lado sórdido da vida
E todo silêncio aguardando
Pra deixar de ser silêncio
Penso que só sonhei
Amanheceu
E ainda está tudo do mesmo jeito
Sonhei que hoje era o dia.
Edson Ricardo Paiva.
