Mensagens de Morte de um Irmão
Num instante, um hiato de sombras gélidas,
me sufocam numa transição final.
Com um breve suspiro, inesperadamente,
sem palavras, fechei os olhos e adormeci.
Minh`alma viaja ao pólo oposto
hesitante tento impedir o passo
Mas, com cautela e um compasso lento
atravesso um sinistro limiar.
Poderoso vento vem ao meu encontro
vejo esplêndida veloz luz que se aproxima
e os meus olhos se ofuscam…flutuo…
Pasma ao ver o resplendor da glória de Deus
a minha`alma agora anela ao inexprimível.
Uma grande porta se fecha atrás de mim.
Se a dor é um mecanismo de defesa e sobrevivência humana, como pode a mesma dor direcionar ou até empurrar a criatura humana no vale sombrio do suicídio?
A dor da perda é realmente algo insasiavel
é algo tão estranho é um sentimento imutavel
não imaginamos essa dor até sentirmos de verdade
porque nunca queremos que as coisas boas acabem
o fim, pode significar um novo recomeço
novos erros, novos acertos, nova vida!
a vida nem sempre é servida como o prato mais caro daquele restautante chique
como também nem sempre é sofrida como a guerra do vietnã
não pense no amanhã como um compromisso, muito menos como um serviço
pense nele como o recomeço que não pode ser feito hoje
nunca é tarde para mudar, nunca é tarde para perdoar, nunca é tarde para sorrir
mas como irei sorrir, se não estarei mais aqui?
carrego a solidão e todo seu peso em meu corpo
e como a escultura de "David" de Miguel Ângelo
corro o risco de ruir e desabar por esse peno não aguentar
são tantos anos sem resposta achando que vivo numa icognita
pouco tempo me resta até encontrar a resposta
pois esse peso, está fechando minha porta.
Se sou eu digno de ter-te terei-vos, mas não te quereis lá, é como desejar o vento e abraça-lo, traz-me teu cheiro, mas não teu corpo, pois quero viver de ti, e não morrer pelo mesmo.
Há quem se enriquece por meio de privação e economia, e acaba ganhando isto: Quando ele pensa que já pode descansar e aproveitar seus bens, não sabe que logo vai chegar o tempo de morrer e deixar tudo para os outros.
(Eclesiástico 11, 18-19)
O senhor Mário Quintana que me perdoe, mas não é tão bom morrer de amor e continuar vivendo. São belas palavras carregadas de todo um sentimento destruidor. Não desejaria tal coisa nem ao meu pior inimigo. O amor que cura é o mesmo que destrói. Morrer de amor e continuar vivendo é morrer todos os dias presa a uma ilusão que te faz desejar realmente estar morta.
SONETO SOLENE
Memorar. Um ano. Que importa o ano? Talvez
somente para lembrar os suspiros de tua ida
do silêncio invasor na casa após a tua partida
pra morte, igual, desfolho outonal em palidez
Fatal e transitório, a nossa viveza é vencida
pelo sopro funesto, ao sentimento a viuvez.
Julho, agosto, setembro, vai-se mês a mês
ano a ano e outro ano a recordação parida
Da saudade filial, que dói numa dor doída
de renovação amarga e de vil insipidez
que renasce na gelada ausência sofrida
No continuar, o vazio, traz pra alma nudez
chorada na recordação jamais esquecida...
Neste soneto solene: - a bênção outra vez!
Luciano Spagnol
julho, 2016
Cerrado goiano
Um ano de morte de meu pai.
A vida só vale apena quando é feita com reticências (...), porque o ponto final (.) é só quando a morte chegar. Pelo menos neste ciclo...
O remorso é a pior de todas as guerras que podemos travar com nossa mente. É a impotência que temos perante o tempo, é a revelação de passados desastrosos, é a confirmação de atitudes irreparáveis.
Não existe felicidade, porque sempre existirá o tempo, sendo assim seu passado sempre renascerá diante dos seu olhos, em lembranças permanentes que sugaram aos poucos, toda a sua vontade de viver.
"O coração quando para, o corpo morre. O cérebro quando para, morre o espírito ainda que a alma viva."
Eu estava aqui em casa deitado quando me veio um pensamento na mente "Porque temos medo?" então resolvi refletir sobre isso e descobri uma resposta e decidi compartilhar.
O maior medo de todos é a morte e desse medo vem seus derivados (todos os outros medos) se você for pensar todos os medos que você sente se originam do medo da morte.
Então eu a vi, não estava mais como antes
Olhei para ela e foi como se eu visse o presente, passado, e o futuro, mas que pena, a melancolia tomava conta dela, foi a cena mais triste que já pude presenciar
fui cada vez mais se aproximando e conforme ia, ela corria, e lá estava ela, a vida, dando adeus a mim e lá se foi, correndo sem paradeiro, olhei para trás e vi andando calmamente a morte e não dava mais tempo, então, morri!
A um momento na vida que tudo parece simples, que por mais que não queremos temos que nos desapegar, chegou o momento de ir sem olhar para trás, não há tempo para despedidas, e nem para o medo, o trem já está saindo e precisamos viajar. Não há companhia apenas a certeza do reencontro, chegamos sós e iremos sós apenas a estrada e a luz no caminho apontam o final.
E, enquanto Jmmanuel falava desta maneira, os principais sacerdotes e os escribas e os membros do supremo concelho espumavam todos com raiva, e o açoitaram tão severamente que ele caiu no choro. E, uma vez em que o haviam açoitado e zombado dele, retiraram-lhe o seu manto, e puseram-lhe de volta apenas as suas vestes de baixo, e o conduziram dali para fora, de modo a pregá-lo num tronco de árvore. E então eles puseram sobre o seu ombro direito um pesado tronco de uma árvore, com duas hastes inclinadas acima, e que formava uma forquilha, de modo que ele, sozinho, teria que carregar este grande peso; até o local de sua própria morte.
Prometi a mim mesmo, todo santo dia, mentalizar (como mantra) uma fração do espírito iluminista: - Le roi est mort. Vive le roi!
