Mensagens de Morte
A morte é a possibilidade extrema que encerra todas as outras possibilidades e, justamente por isso, confere gravidade à existência.
Filosofar talvez seja aprender a contemplar a morte sem permitir que ela transforme a vida em mera antecipação do fim.
Amar alguém é afirmar, contra a evidência da morte, que aquela existência não pode ser reduzida à condição de algo passageiro e descartável.
O homem é uma criatura dividida entre a lucidez que lhe anuncia a morte e o desejo indomável de que sua existência não termine no silêncio.
O homem teme a morte, mas deveria temer também sobreviver às próprias convicções depois que os fatos já as sepultaram.
Temer a morte como certeza é uma forma de arrogância diante do desconhecido; ninguém possui conhecimento suficiente para transformar o mistério em sentença.
O homem verdadeiramente livre não organiza sua existência em torno do medo da morte; procura compreender a vida com intensidade suficiente para não desperdiçá-la.
“O homem não teme a morte da carne; teme a morte daquilo que chamou de ‘eu’. Porque, quando o personagem morre, a consciência revela que a maior mentira que ele sustentou foi acreditar que precisava ser alguém para finalmente ser.”
“Todos nascemos sentenciados à morte; por isso, a maior rebeldia da existência é viver de tal forma que o fim encontre uma vida que valeu a pena.”
“Todos estamos condenados ao mesmo destino: a morte. Mas alguns cumprem a sentença apenas sobrevivendo; outros a transformam em legado. A diferença entre existir e viver está no que fazemos enquanto o tempo nos executa.”
“Todos estamos sentenciados à morte; portanto, que a nossa maior sentença seja fazer da vida uma obra tão intensa que nem o fim consiga anulá-la.”
Vamos repensar?
Nietzsche — “Deus está morto.”
“O maior perigo não é a morte de Deus, mas a morte da capacidade humana de buscar sentido. Uma sociedade sem valores superiores não se torna livre; pode apenas se tornar perdida.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
Heidegger — “O homem é um ser para a morte.”
“A consciência da morte não deve gerar medo, mas despertar. Quem entende que o tempo é finito deixa de sobreviver automaticamente e começa a existir intencionalmente.”
Carlos Eduardo Balcarse
O Silêncio do Tempo e a Ilusão do Mundo
A morte nos revela a face mais realista da nossa passagem por este plano. Quando partimos, os primeiros dias são cheios de lamentações, homenagens e palavras bonitas. No entanto, o tempo é um rio que não para de correr. Passada uma semana, alguns meses ou um ano, o mundo segue o seu curso, os sorrisos voltam e a nossa existência vai sendo lentamente guardada nas gavetas do esquecimento. Quase ninguém mais fala ou lembra que um dia estivemos aqui. As raras exceções são os nossos pais, cujo amor sagrado desafia a própria morte e nos acompanha para sempre. Compreender essa efemeridade é o maior despertador para a alma: se o mundo nos esquece tão rápido, por que passamos a vida inteira abrindo mão de quem somos para tentar agradá-lo? De que adianta viver para os outros, se no final o que resta é apenas a prestação de contas entre a nossa alma e o Criador? Viva para Deus, viva para quem te ama de verdade e pare de se anular por um mundo que amanhã não se lembrará do seu nome.
O maior arrependimento que uma pessoa tem após estar próximo da morte é não ter acreditado que ela um dia chegaria e perceber que não viveu como gostaria.
