Mensagens de Sol
“Quando o segundo sol chegar “ eu posso não estar aqui, mas, aqui terá partículas da minha pessoa. O que vem depois? Não sei. Quem sabe ?
No casamento, amizade,
Ou amor
O acordo deve ser
Unilateral,
Se assim não o for,
Não haverá solidez.
SONHO AZUL:
Meus olhos te veem
Como o sol a brilhar.
Meu coração te absorve
Como o pulsar do sangue...
Meus ouvidos te ouvem
Como a praia escuta o mar.
Meu olfato te sente
Como a abelha poliniza o ar.
Minhas mãos? Ah, minhas mãos!
Te afagam como o vento ao mar.
E tua pele a transluzir
Me reluz teu âmago.
No meu sonho azul
De te amar.
Série: Minicontos
1964
Sonhos seriam bisonhos, amores infortúnios. O sol a refletir o tempo. A primavera retarda ante a volta do canhão...
O HOMEM DO MAR
O indolente navegante que veleja Além-Mar – Sol a pino
Nutre-se no vazio do tempo insolente e fugaz dos mares tênues
Sob o vento a seduzir as flâmulas.
Que aportam órfãs mães por seus amores
E suas viúvas a sonhar em solitários portos
Sobre o tremular das águas no sal de sua íris
Ah, insensato homem do mar!
Você só tem as águas salgadas do mar e o vento!
Que emana os eflúvios dos corpos sedentos daquelas que perecem solitárias
Aos portos incólumes destes mares glaucos.
O UNIVERSO NÃO TEM PRESSA
Para que tanta pressa?!
Nem o sol, nem a lua.
Esse mal não lhes convém
Giram lentamente o tempo todo!
Por estarem acima
Refletem os mares e lagos
Aquele a quem pressa lhe faz bem
Seus passos serão sedentos.
Ah! Pra que tanta pressa?
Se o tempo que ainda resta
São sonhos que não veem.
LUSCINIA
Sob o sol ainda brando da aurora
A sutileza dos ventos pacífica sua cópula sobre a copa das árvores em bulicio.
Tinhosa, a clorofila põe -se em rosa pros acordes dedilhar.
Seu canto magestoso me embala a versejar.
Prefiro a lira do seu canto
A copla de seus versos
Suas rimas seu trovar.
O mais celebre dos poetas
Se fazia destoar.
MEDO DE MORRER
Eu tenho medo de morrer.
Porque só em pensar que não vou mais ver o nascer do sol
Acordar com o abraço dos netinhos.
Comungar a natureza em sua leve brisa da manhã.
Se eu pudesse falar com Deus, uma proposta lhe faria.
Uma pequena troca...
Eu abriria mão de um ano de minha vida para ele me deixar voltar uma noite na minha infância.
Na casa de mamãe onde tudo era possível, mesmo que na medida exata.
Todos nós cantávamos à mesa para uma ceia nutrida de carinho e afeto.
O cheiro de café na trempe viaja comigo.
Mas àquela hora só os adultos tinham acesso
Mamãe achava pouco e fervia uma chaleira de flor de laranja
Que era para a gente dormir cedo
Éramos sete, às dezoito horas, Paim no auge de sua devoção religiosa nos obrigava a rezar
Logo todos também religiosamente teriam que ir dormir.
Sem sono, começávamos a brincar no escuro do quarto e mamãe comecava a contar histórias de Trancoso para despertarmos só no outro dia.
Por fim, perguntava-lhe.
Por que as mães precisam nos deixar?
MISTÉRIOS
A noite, assim como o mar à noite.
Realçam-se de mistério e telúrica.
O sol se encolhe saindo de cena
Para as estrelas surgirem na ribalta.
Permitindo que a orquestra das ondas
Rebente à praia sobre mar bravio
Deflorando com fulgor as marés
Dócil ao campo gravitacional da mãe lua
Salpicando medo em seu resplendor
Lançando aos passantes
Os mistérios de seus encantados
Para um novo alvorecer.
Que fosse assim, mas sem destruir,
Por mais que errei, sei, reconheço,
Dia sem sol, noite sem lua, sombrio.
Torturem-me, comiserem-me, dó.
Moribundo, inebriado com o cálice
Dos estroinianos, casualidade, quiçá.
Se um dia quiseres voltar, esqueças
Da razão que um dia não foi em vão.
Rosa, anjo de lume, airosa, minha ébano.
Sempre indulgente, que se inspira, branda.
Opulenta de bondade, generosidade.
E por egoísmo, martirizo-te sem perceber,
sem entender, por amor, amor fugaz, célere.
Bálsamo! Acalenta-me, finda a minha excitação.
A inconstância dos bens do mundo
Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia
Se formosura a Luz e, por que não dura
Como beleza assim se transfigura
Como o gosto da pena assim se fia
Mas no Sol, e na Luz, falte firmeza,
Na formosura não se dê constância.
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância
Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.
Falta uma parte te tudo.
Ainda me sento no alto do monte para ver o por do sol, mas ele parte todos os dias tão triste quanto eu.
O forte vento intempestivo, roubou a beleza e o perfume dos tomilhos selvagem que nós perfumáva.
A brisa é tão fria e cortante quanto a sua partida.
A volta pra casa é solitária e insegura.
O que eu fiz?
Cadê a ternura da noite?
Elas têm sido longas e amedrontadoras.
O amanhecer se apresenta com o som dos pássaros, mas não ouço a sua voz,
o seu bom dia, o seu eu te amo.
Falta-me uma parte, falta-me você.
Esteja em paz, esteja com Deus.
Sonhei que a lua não se apagava, que às estrelas não se escondiam, que o sol não nos castigava, e que os nossos destinos, estavam alinhados.
Cada boca que se abre, para proferir palavras de amor.É como se dela, emana-se o próprio Sol.Tamanha é a luz que esse ato proporciona.
Passar do lado do mal, para o bem é tão fácil.Como sair no jardim, aqui, no Brasil e se expor ao SOL.
E a chuva cai por dentro, do meu peito como o canto de um colibri.E lá fora o Sol renasce como se fosse simples ser feliz.Seja mais vivo, a tanta coisa bonita no mundo saiba aproveitar.
