Mensagem Póstuma
A saudade é um animal que corre em círculos pela casa. Não morde, apenas arranha portas que já deviam estar trancadas. Dentro do peito, a boca do animal é uma chama azul. Alimento-o às vezes, por não saber esperar o fim do fogo. Mas aprendendo, deixo o bicho dormir sem abrir a porta.
A saudade tem cheiro, tem peso, tem pulso, ela me abraça quando menos espero, e me faz lembrar que sentir é humano, só não deixo que ela me afogue, eu respiro fundo e sigo carregando memórias.
A saudade existe porque a alma não
esquece o que foi verdadeiro, ela dói, mas também afaga, e eu aceito essa dualidade
com maturidade, pois amar sempre
deixa marcas.
A saudade não é a ausência de um corpo, mas a presença fantasmagórica de um tempo que não se resigna, é a memória
em brasa, o passado que se recusa
a ser apenas pó.
Vence quem transforma o luto em ofício diário e converte a saudade em canção que constrói pontes invisíveis.
A saudade canta com uma voz que ninguém ensina, vem das feridas do tempo, e transforma ausência em uma música que dói.
Quando a saudade alcança, não nos dá esperança, só dá pancada, vem sem aviso, acerta o peito, desorganiza o fôlego e nos lembra, com brutal delicadeza, que houve amor onde hoje só mora o vazio.
A saudade não chega devagar,
ela atravessa a porta como quem tem direito. Não traz esperança, não oferece consolo, só deixa o impacto seco de quem já perdeu. É memória sem afeto, é amor sobrevivendo em forma de dor.
A saudade é uma moeda que não se desvaloriza. Troco por lembranças, por músicas, por fotos. Com ela compro consolo quando falta companhia. Às vezes a moeda pesa, mas é firme e confiável. E guardo ainda mais quando o cofre do peito treme.
A saudade é uma onomatopeia que ninguém consegue pronunciar, um eco de passos que nunca chegam a tocar o chão do corredor. Escrevo o teu nome no vidro embaçado, esperando que o frio traduza em som o que o peito tenta, mas falha em organizar. No fim, resta apenas esse vocábulo estranho, um balbucio oco, a onomatopeia de um adeus que não teve coragem de fazer barulho.
A saudade de quem partiu deve ser vivida como uma Sonata ao Luar: calma, profunda, levemente triste, mas infinitamente bela e reconfortante para a alma. O luto não é o fim do relacionamento, é a transformação dele em uma presença invisível que nos acompanha em cada gesto de bondade. Honre os que se foram vivendo a vida que eles gostariam que você vivesse: com coragem, com brilho e com amor. Eles vivem em cada nota que você toca com intenção e com a memória do que foi vivido.
- Tiago Scheimann
Há em mim um homem que sofre em silêncio, observa com profundidade, recorda com saudade e reza com esperança. Talvez seja por isso que minhas palavras nasçam das cicatrizes: porque algumas dores só encontram descanso quando se tornam literatura.
- Tiago Scheimann
Ao som de rubel. "Quando bate aquela saudade"
Era exatamente esse som
que havia
todas as vezes
que você voltava pra mim.
Mas ERA.
Hoje, não existe mais esse som.
Mesmo você voltando.
Com teu jeito doce.
Suas brincadeiras bobas.
Teu cabelo encaracolado.
Teus olhos brilhantes e lindos.
Teu carinho e teu amor.
O amor guardado.
A saudade enorme.
Já não moram em mim.
Desde quando você partiu,
segui minha vida.
Assim como você.
Seguimos caminhos diferentes.
E por acaso nos reencontramos
nesse velho amor bobo.
Mas nada resta pra mim.
Saudade? Não.
Amor? Não.
Carinho? Não.
Nada.
Apenas um sentimento
inexplicável.
Sem sentido.
Sem explicações.
Apenas... nada.
Então já não adianta
voltar a ler um livro
que eu já sei o final.
Saudade
por Marcio Melo
Saudade são pessoas.
É um tempo onde momentos vividos marcaram profundamente a vida,
com gente importante que significava tudo.
Saudade de abraços, de sorrisos.
De casa, família e amigos.
De mesa farta, de festas repletas de felicidade.
Ah, que saudade...
Só de lembrar do tempo que abriu um espaço que nunca se fechou.
Eram momentos.
E a vida é feita de momentos que valem a pena lembrar.
Ruas de terra.
O cheiro de mato molhado.
O pé de manga que eu subia, lá de cima parecia que eu estava voando.
Os tios e tias.
As brincadeiras com amigos, primos, primas, irmãos correndo.
Era uma alegria que contagiava.
Cada brincadeira era uma conquista
que ficou registrada na memória
pra um dia lembrar suspirando e chamar de saudade.
Que saudade.
✨️💕"...saudade...daqueles momentos...guardados num tempo...que não volta atrás...saudade...aperta meu peito...tira meu ar...me faz chorar...saudade...apenas saudade...do brilho do seu olhar...saudade... "💕✨️
*A Presença Que Virou Saudade*
Enquanto a pessoa incrível tá ali, perto, sendo porto seguro, muitos não valorizam.
Acham que sempre vai estar disponível.
Aí traem, mentem, enganam... e só quando perdem é que limpam o espelho e enxergam quem tinham do lado.
Por quê?
Porque valor, pra alguns, só aparece na ausência.
É imaturidade.
É ego.
É achar que grama do vizinho é sempre mais verde.
Quando a fome bate e a porta se fecha.
_Van Escher_
"Almas na UTI"
Existem milhões internados.
Entubados na saudade.
Em coma induzido pelo
"por que comigo?".
E o prontuário tá errado: luto amoroso.
Quando o CID correto é: vítima de 171 afetivo.
Van Escher
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