Mensagem de Dor
As marcas do passado sempre trarão à tona as idênticas circunstâncias daqueles traumas que quando do ato se agiu da mais pura boa-fé.
"Caminhando"
Os meus pés cansaram nesse caminho
Onde encontrei muito espinho
Mas a esperança batia forte
A esperança convenceu que teria sorte
Reparei que a cada passo
A linha de chegada parecia mais distante
Pensava: O que faço?
Decidi, deste caminho já é o bastante
Neste caminho nenhum respeito e consideração encontrei
Só desprezo, descaso, mentiras e enganação achei
Esse caminho já era
Será que outro caminho me espera?
Queria que a caminhada não tivesse sido em vão
Queria ter cruzado a linha de chegada, fazia questão
Desse caminho que muito gostava
Mas invisível neste caminho estava
A esperança engoli
Muitas coisas sofri
Outro caminho vou seguir
Outro caminho a ir
Vida que segue
Ferida para cicatrizar
Dor que não se mede
Bora para frente caminhar
"Às vezes é necessário fazer uma pausa, recolher-se internamente para se auto-observar, reconhecer a ferida, vivenciar a dor e depois permitir-se curar."
" você finalmente aprendeu?
Acho que não, né?
Se está mais uma vez chorando..
Deixe de ser boba.
Quando vai entender que essa pessoa se foi?
Okay, não foi por qualquer motivo banal.
Vamos lá minha amiga, levante!
Encare as coisas com mais força.
Há de achar uma cura.
Se não tiver, vai ser uma lembrança que com o tempo não te machuque."
" contante meu bem?
Você tem meu coração, minha cabeça e todo o meu ser. E ainda insiste em tirar o que restou.
Você partiu cara!
Me joguei em teus braços, e você se foi. Tirou de mim o que mais amava. Você, e eu mesma"
Tempos Idos
Ainda uso a coroa de espinhos quebrada
Lembrando-me dos bons e velhos dias
Aqueles que tivemos durante a jornada
Antes de nos perdermos por estas vias.
Me diga, por favor, o que aconteceu?
Estou acabado e tomado pela dor.
Se o homem que fui se perdeu
E restou somente este triste trovador.
Tentando recuperar meu velho amor,
No labirinto secreto do esquecimento,
Me calo em meu próprio rancor
E me guia somente um pensamento:
No brilho dos teus olhos, como arrebol
Eu sempre te amarei, faça chuva ou sol.
Devaneio
Eu me tornei demoníaco e cruel,
Perdi as chaves de nosso céu.
Quebro os portões ainda com esperança,
E destruo cada vez mais a confiança.
A busca de poder dominou a carcaça,
Antes o que era homem, hoje desgraça.
Sou o péssimo exemplo julgador e
Sigo com meus pecados, sem amor.
Mais um copo tragado com ansiedade,
Dos menos tolos, aprendi com a idade,
Aguardo que quem sabe um dia,
Possa ser metade do homem que seria.
Migalhas
Assim torna-se impossível o simples ato de dizer
Palavras não são ditas, os beijos não são dados,
Os amores são perdidos e os corpos velados,
Nada mais que cinzas, dores e prazer.
Lágrimas adoçam o amargo da boca,
Nos jogos de Deus, eu vadio, tu louca,
A timidez se vai com uma taça, e
Em nosso leito o que é puro se desgraça.
Como dois não dividimos apenas o manto
E as migalhas brilhantes do céu impuro,
Mas compartilhamos planos e amores do futuro.
Quando cai o alvorecer rubro no firmamento,
Você lua tímida nega-me o sorrir,
Eu como sol me vou, só admiro o que queria sentir!
REGRESSO INDESEJADO
Lá vem a poesia novamente.
Nas mãos, açoite, cabresto e rédeas.
Tanto tempo sem me importunar!
Temo não ser somente uma visita.
Vejo em seu olhar de carrasco
Que ela veio para se alojar
E me trazer à lembrança
Tanta dor e sofrimento.
Morto
Sinto que perdi um pedaço
Talvez
É difícil manter o quebra cabeças
Montado
Sempre exibido a todos.
A moldura não é firme
As peças não se seguram sempre
As pancadas, toques, quedas
Fotos
Desgastam a forma completa.
Fecho os olhos e
Cubro meus ouvidos
Vejo e ouço meu interior
Vomito
Sou muito podre para meus sentidos.
Uma parte de mim morreu hoje
Tentei reanimá-la
Sem sucesso
Acho que perdi minha melhor parte
A parte que me amava.
Lar
Se a casa é onde nos sentimos bem,
Faço ao seu lado minha morada.
Jamais passarei fome ou frio, além
De estar no coração de minha amada.
E pelo seu feitiço deveria ser queimada,
Tal qual as bruxas há anos atrás.
Fez-me um servo em sua jornada
Sou um escravo, mas vivo em paz.
Quando quiser me assassinar, se despeça
Não consigo viver sem teu carinho.
Mas me mate, e que não seja depressa,
Prefiro ser torturado, que estar sozinho.
Poço
Os arranhões na parede do poço
Mostram como tentou subir um dia,
Não conseguiu pela culpa, embora moço,
Poderia chorar até transbordar, e sairia.
Sucumbe aos delírios da solidão,
Cansado, machucado e um dia caído,
Busca ao longe ajuda, sorriso ou mão
Alguém que lembre que tenha vivido.
E na corda que poderia subir
Resolve apertar o nó do pescoço,
Mas a tristeza não deixa voar e cair.
Transbordando as lágrimas de desgosto,
E os arranhões na culpa do moço,
Mostram a parede, embora no poço.
Está doendo. Odeio esse sentimento. Queria poder fazer alguma coisa. Gosto muito desse garoto, mas agora não posso fazer nada. Nunca mais vou gostar de alguém. Por que eu quis ser adolescente? Foi um erro.
Fomos muito ingênuos
Procuramos um no outro coisas que não podíamos encontrar
Perdas que nada tinham a ver com aquela relação
Eu fui verdadeiro e te vi de verdade
Nossas almas se encontraram, nuas e desarmadas
Vi em você a pureza de um coração
Que preferiu se endurecer porque não queria perder mais nada
Por menor que fosse, por mais desimportante
Você viu em mim o cuidado
A juventude que você negou a si
Os erros que não se permitiu cometer
A fé que você sentia que nunca existiu
Foi amor
Foi paixão, foi fogo e queimou
Você diz que ainda me ama
Mas te desafio a entender que você amava
A pessoa que se permitiu ser ao meu lado
Abraços quentes
Uma dor no estômago
O vento que arrepiava em sua garupa
As noites em silêncio
A mensagem não lida
O celular desligado
O amor ligou
Mas não encontrou você do outro lado da linha.
Das minhas desilusões amorosas
Sinto como agudas adagas cortando minha alma, Sangrando à já esquálida alma.
As lágrimas descem, molhando essas feridas
Lágrimas como o mais amargo fel , que cai no abismo dessas feridas
Duplicando me as dores mais infindas
Coração bate descompassado
Triste por não haver mais motivos para bater
Olhos calados,
Ouvidos mudos, que nem mesmo a própria dor as ouve
Corpo fraco, sem a rigidez para se estar de pé.
Meus ossos foram quebrados,
Meus sonhos triturados.
Ao que distante via, hoje se abraça à mim, a solidão!
Faço me amigo de minhas lágrimas, duras como a rocha, mas que expressa o que os olhos já não veem mais.
"Nem sempre carregamos nossas cicatrizes na pele... muitas vezes, as carregamos na alma, tornando-as invisíveis ao mundo!"
No Silêncio da Solidão
No silêncio profundo da solidão,
Ecoa uma melodia sombria,
O coração solitário busca em vão,
Por uma luz que o guie noite e dia.
As sombras dançam em torno, frias,
A alma anseia por uma mão amiga,
Mas na vastidão das horas vazias,
A solidão persiste, triste e antiga.
AQUI E AGORA
Eras em pleno inverno, que então
Da minha poesia, um dia, partiste
E ela, coitada! vazia, fria e triste
Vagueia pela poética com ilusão
Assim nos seus versos a emoção
Suspira, nubla e não mais existe
Quando resiste, como nunca viste
Chora, lamenta, cheia de paixão
Tão louca está, que não conheces
Mais, o rumo do tempo de outrora
Aqueles versos tais doces preces
E, tão ainda viva, a prosa implora
A saudade geme, e não esqueces
Como se fosse hoje, aqui e agora!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/08/2023, 19’43” – Araguari, MG
