Memória de Elefante
Saudade é um sentimento profundo e único, que envolve a ausência e a memória. É a nostalgia de momentos vividos, a falta de pessoas queridas e o desejo de reviver experiências que deixaram marcas no coração. É a mistura de tristeza pela distância e alegria pelas lembranças, um lembrete constante de que aquilo que amamos sempre permanecerá conosco, mesmo quando não está presente fisicamente.
Fale! Pois o passado é o veneno da memória, que precisa sair pela boca para
não envenenar nosso coração.
"--...Lembrem-se que, quando deixar este 'plano', você irá sozinho. Toda sua memória virá à tona... Nos momentos ruins você não chamará por sua mãe, irmão, cônjuge e\ou filhos. Você chamará por Deus; O mesmo sairá de dentro de você." E agora?
Tudo passa, tudo se esconde em mim.
Da memória, uma tela se desenha,
lugares onde nunca pisei,
ecos de um passado que não é meu.
Sofá gasto, mofo que invade o silêncio,
tristeza que habita os cantos escuros.
E a selva, vasta e imensa,
tribos, índios, sombras que me cercam.
Pindorama, terra de águas e verdes,
animais que correm, horrores que calo.
Lugares que não são meus, mas me tocam,
fragmentos de um mundo que habita em mim.
Antes dos beijos selvagens,
antes das trilhas tortuosas,
sinto o ar inflar meus pulmões,
o cheiro da mata, o pulsar da vida.
Corro com os medos, com os gritos,
mil vozes que ecoam dentro.
E, no fim, retorno ao meu centro,
à casa que sou, ao silêncio que me completa.
Deixo a tela cair,
queimando o inútil, o que não me serve.
Renasço do fogo, limpo, livre,
pronto para sentir, para ser.
Trazer na memória e no coração as lembranças daqueles que amamos é a forma de tê-los sempre presentes.
Devia ter trago flores enquanto a tive, não quando sua presença se tornou uma memória, quando seu "te amo" se tornou um "adeus" ou um "espero que fique bem".
Meu físico, cheiros, cores, calor, texturas de coisas, gostos e afins que se fixam na memória ou trazem-na por lembranças, alcançadas por processo físico também, alterando o estado do meu ser nestes prazeres dos sentidos. Sentimentos e emoções lidos ou escritos na memória e entendidos como o não físico, mas ainda que não tocados pelas minhas mãos, da criação à sua consumação, pura natureza física do meu ser, mesmo que apenas memórias, sentimentos e emoções.
As lágrimas de um homem revela o adeus de um amor que ficou na memória; de quem nunca esqueceu que a saudade ainda é: a esperança de que um dia nos reencontraremos num futuro de esperança que está por vim!
Vou esperar você me
procurar em algum
lugar da sua mente,
mesmo que seja
na memoria de
curto prazo(...)
Não deixarei
morrer os momentos
que vivemos e nem
os segundos que nos
separa(...)
As vezes brigamos com
a nossa própria consciência,
armazenamos as coisas
boas na memoria de longo
prazo e nos esquecemos
que a memoria de curto
prazo é a que nos fazem
sofrer menos(...),
Ainda estar escrito na memória o nosso último encontro, borracha nenhuma apagará os dias que eu te amei.
Tudo passa, tudo passará.
Da memória surge uma tela em mim,
cheia de lugares onde nunca estive:
coisa inglória, sofá horrendo, mofo e tristeza.
E a selva amazônica
— tribos, índios, saqueadores —
aparece nessa tela onde nunca estive:
Pindorama de águas, verdes, animais e horrores.
Cheio desses lugares onde nunca estiveste,
poderíamos algo materializar:
tempos antes de beijos silvestres,
e depois trilhar vias tortuosas.
Sentir pulmões e diafragmas
inflar de ar, o cheiro da mata;
correr com bichos assustados,
mil cantos, berros,
e, ao fim, sentir-se voltar para casa.
Joguemos então a tela
e o sofá no crematório das inutilidades.
O frio que passou permanece na memória,
tardinha que se instala suave no sul silencioso.
As galinhas, quietas, empoleiradas no terreiro,
guardam o segredo do silêncio profundo.
Ao longe, as rodinhas de chimarrão desenham círculos de histórias,
enrolado até o pescoço, me perco em lembranças que sussurram.
Saudade dos tempos de ciranda, de pique-esconde,
onde o mundo era feito de risos e sonhos simples.
Na distância do tempo, só o doce permanece,
o sabor da esperança que ainda repousa no peito.
Vejo, nas crianças, a alegria que não se apaga,
juntas, cantando, rodando, tecendo futuros invisíveis.
A memória salva quase tudo. A memória guarda quase todas as coisas. Mas é o coração que sabe o que ou quem valeu a pena; e ele sabe muito mais sobre você do que ela.
De todas as paisagens ,
aquelas que teus olhos contemplam e que tua memória registra será sempre a mais bonita ...
As pessoas, na sua imensa maioria, são pouco inteligentes, não têm muita memória e estão afogadas num dia a dia horroroso.
Como podem ser inesquecíveis tempos que aos poucos se vão perdendo na memória, soprados por novos e eternos minuanos? Lembrar é uma necessidade. No fundo, lembrar está aquém e além da razão.
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