Memória
Carrapichos
Quando criança me arreliavam, pareciam olhos a me observar.
Grudentos agarravam nas meias brancas, na “conga” azul.
Hoje sinto saudade de tudo que não gruda mais.
O vento também leva os carrapichos...
...e que em minha campa seja escrita minha história, não por temor de ser esquecido, apenas recebendo a rotulagem que enfim me é de mérito.
Em lágrimas ela segurou minhas mãos e disse: - Isso passa, tudo passa e ainda vais lembrar e rir disso tudo.
Como gostaria que ela estivesse aqui agora para darmos essa risada que ficou guardada na memória...Mãe não deveria passar...
A rememoração, assim como as telas de Rembrandt, é sombria sem deixar de ser festiva. Os rememorados vestem suas melhores roupas para a ocasião e ficam sentados sem se mexer. A memória é um estúdio fotográfico de luxo numa infinita Quinta Avenida do Poder
O que você viveu ou aprendeu, será sempre seu!
Isto, ninguém te rouba, pois o cofre será a sua memória.
"...Poucas coisas me pertencem.
Os olhos que me deixaste na sombra.
Aquele beijo soprado no eclipse.
O dia em que te bordei em meu peito.
Poucas coisas me seguem.
A estrada em que teus pés me nasceram.
Tua voz chamando quando eu amanheço,
Com a memória acessa de tuas mãos..."
Carlos Daniel Dojja
In Fragmento Poema Inventário
Das Grandezas
Gosto do tamanho de algumas coisas.
O voo de uma borboleta ao entardecer.
O pouso do pássaro num raio de sol.
Teus pequenos passos dançando na terra.
Uma gota despindo-se numa flor.
Aquela brisa que umedeceu teu beijo.
O olhar que perpetrou a sombra.
A última cantiga deixada na noite.
Em não me querendo modesto, a deslumbrar dimensões,
Não faço apologia da métrica ínfima.
Meço-me pelo sentir desterrado.
O que me segue, cabe em meu sonhar a andar.
Minha sensação de grandeza se emaranha de singelezas.
Como a memória da água, por entre rios, a retornar a nascente.
Como quando nos sabemos finitos, refazendo-nos começos.
E se é tão grande, como os olhos que se traduzem no peito.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Tua Chegada
Quando enternecida te encontro,
Vejo-a inteira na luz perpassada.
Acolho teu corpo de grão amadurecido,
Estendido sobre minha procura.
O tempo fez com que ressurgisses,
Recoberta com o brio reconstituído do sentir.
Desdobrei teus passos sobre minha espera.
E a memória acendeu-se em tua vinda.
Assim, misturei-me em tua sina.
Gravei na face, o raio anunciado em tua chegada.
Clamei, na profundeza do existir,
Para que teu tempo, no meu, fosse infindo.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Versar
Indagação
E se todas as matas tombarem.
Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas.
Todas as nuvens perderem o céu.
Se a terra for pisada pelo fogo,
E a lua, o sol, o vento, não mais encontrarem os homens.
Quando não mais amanhecer a natureza da vida,
Qual o dia que ficará, para os que perderam a memória do mundo?
Mãe
Mãe é mão estendida por entre o tempo.
Cantiga que ressoa no ir e vir do percurso.
Acalanto que fica na vivência erguida.
Braço estendido para além do sim e do não.
Embora se cresça em tamanho e fazeres,
Mãe é farta em entremear escolhas,
Deixando-nos o amar sem punição,
Que nos faz ser em cada acolhida.
Mãe é terra que em nós frutifica,
Tornando-nos sementes de superação.
É voz que fica na memória sentida,
Tramada de ternura no balbuciar da vida.
Mãe é ventre que embala o que nasce.
Que do pão se reparte mesmo que falte,
Como fermento de amor que sempre fica.
Mãe é palavra maior, que se entrelaça no coração.
"...Trago em mim um desoculto apreço de desejar-te,
Mesmo quando me falta teu lábio tecido na palavra.
Insisto em desapressar o tempo e a esculpir tua memória..."
Assim como os objetos, os livros são portais para o passado. Quando mergulhamos em suas páginas, somos transportados para outras épocas, outras vidas e outras perspectivas. Cada palavra escrita por um autor é como uma cápsula do tempo, contendo pensamentos, emoções e experiências que podem ressoar conosco de maneiras profundas e transformadoras. À medida que lemos, as histórias e ideias se misturam com as nossas próprias, criando um diálogo contínuo entre passado e presente. Os livros, assim como os objetos, têm o poder de nos lembrar quem éramos, quem somos e quem podemos nos tornar, enriquecendo nossa jornada através do tempo e do conhecimento.
A vida, em algum momento, chegará ao fim. E quando partirmos, que fique um legado — uma obra que inspire, um exemplo que permaneça na memória daqueles que continuam.
Pense em um momento específico em que uma amizade lhe trouxe alegria ou entusiasmo. Use essa memória como inspiração para pontuar coisas que você aprecia em um amigo.
A pessoa que mais está ocupada é quem mais pode resolver algo pra você. Porque ela tem o cérebro malhado. Pessoas ocupadas valorizam e aproveitam seu tempo. Elas não se preocupam em fazer coisas ótimas, mas coisas possíveis.
Memórias não devem ser desfeitas. Elas nos mostram lições que devem ser guardadas e usadas quando necessárias.
