Memória
É isso o que eu sou.
Uma menina com a memória horrível, que esquece o indispensável e eterniza o inútil.
MÃE.
Mãos tremulas,visão falhando,memória confusa.
Quase noventa anos de idade,mais de sessenta de mãe.
Mãe,sinto uma enorme saudade de tudo o que a senhora
foi para mim.Nosso Pai do Céu está te levando aos poucos.
Lembras uma vela,cuja cera derreteu no prato,mas,um
pedacinho do pavio ainda mantém a chama acesa.
Quando a chama se apagar,saiba que levarás de mim,
tanto,mas,tanto amor,que peço a Deus que me reabasteça,
se não,vai faltar para os que aqui ficarem...
Para minha mãe,Maria Conceta.
um pedacinho do pavio ainda mantém a chama acesa
.
O tempo é um filtro que só deixa passar as palavras puras, próprias para consumo.
Memória é para o passado assim como a imaginação é para a alma viva das estações, dos momentos oníricos e da brutal realidade do ser.
Só quem convive com a solidão aprecia uma verdadeira companhia.
Angústia que nasce da beleza é como o filhote de pássaro, que nasce despejado, frágil e se transforma em um lindo flamingo rosa.
O pensamento criativo flerta com o infinito, mas não pode ultrapassar a atmosfera.
A escova de dente é como uma mãe lambendo o rosto de seu filhote — no caso, é a saúde bucal.
O vazio sobra
Aquilo que se fragmentou
O desejo alcança
O além da esperança.
Ela esperava o sol esfriar para aquecer o café. Esperar o sol esfriar é torná-lo sujeito onisciente, para o momento certo de aquecer o café — convite para que a comadre se aproxime e compartilhe esse momento.
Melflorar — mistura de mel e florescer. Quando o mel está no ponto de ser colhido e reiniciar o ciclo.
Impermanência é acompanhar o crescimento de um filho em todas as suas etapas.
Cheiro de flor, sem jardim por perto, pode ser a memória chorando por olfato e afeto — e o mistério, entre a ciência que explica e a alma que pressente, segue intacto.
Algumas vezes me encontro folheando as páginas da minha memória, hoje acordei tarde, me olhei no espelho pensei em você. Um vestígio de amor escorreu em meu rosto, então lavei-o sabendo que naquele momento eu estava lavando, decepção, desgosto, e solidão. Minha razão logo entrou em cena me dizendo "não engane seu coração pelo desejo do seu olhar. Pois o olhar não vê sentimentos, não presume o dia de amanhã. Você perdeu tempo, muitas vezes o manjar agradável ao olhar não demonstra o veneno escondido. Boa noite.
Os mortos nada sabem.
Sua memória foi entregue ao esquecimento —
diz a Escritura.
E quem somos nós para discordar?
No silêncio do cosmos, onde as galáxias se afastam uma das outras como ilhas que se recusam a olhar para trás, há algo mais do que matemática.
Há o rastro invisível dos que partiram,
não como almas flutuando em paz,
mas como o frio que fica depois do fogo.
A energia escura — essa força que ninguém vê, mas que empurra o universo para além de si —
não é viva, nem pensante.
Ela é o testemunho do que foi.
É o lamento que não se ouve.
É a sombra do esquecimento.
Nada nela pulsa.
Nada nela deseja.
Ela apenas está.
Como os mortos.
E por mais que pensemos que o universo cresce,
na verdade ele se afasta.
Foge.
Se alonga para escapar daquilo que não consegue mais sustentar:
a presença da ausência.
O fim da memória é mais pesado que qualquer buraco negro.
E é esse peso,
esse nada,
que faz tudo se mover.
No fim, talvez o universo inteiro seja só isso:
um grande cemitério de luzes antigas,
sendo empurradas pelos mortos que já não sabem de si,
mas ainda forçam o espaço a nunca mais ser o mesmo."**
“O escudo que carrego”
Não é apenas metal pintado em vermelho, prata e azul..
É memória, é alma, é o reflexo de tudo que me tornei..
Carregar o escudo é carregar a mim mesmo —
os traumas, os pesos, as dores que ninguém viu,
e ainda assim, caminhar com a coluna ereta,
como quem sabe que nunca deixará de lutar..
O escudo não é arma de ataque,
é proteção — é o abraço que eu nunca recebi,
a muralha que ergui quando os gritos vieram,
quando portas se fecharam na minha face,
quando o amor foi calado em nome da dor..
Ele representa aquilo que falta no mundo:
o homem que escolhe proteger ao invés de ferir,
que entende sua força mas prefere o equilíbrio,
que mesmo em pedaços, se recompõe
e ergue novamente o símbolo que escolheu segurar, o símbolo de ser verdadeiro, justo..
Sou o adulto que escutou a criança que fui..
Sou o filho que entendeu o que os pais não puderam dar..
Sou o herói não pelos músculos ou feitos,
mas por me levantar quando todos esperavam que eu caísse..
O escudo é minha promessa silenciosa:
de jamais ferir o inocente,
de honrar a justiça que nasce do afeto,
de caminhar firme mesmo em um mundo que tenta me dobrar..
Porque eu sou como ele —
resistente, cheio de marcas,
mas ainda inteiro..
E mesmo que o mundo jamais me reconheça,
eu saberei: eu fui escudo, não espada..
E isso é ser herói, é cuidar..
**🌤️ Bom dia, amor da minha vida...**
Acordei com seu cheiro na memória e o desejo de ter você aqui.
A distância dói, mas nossa conexão vira viagem —
só de olhos fechados, já entro no *quarto que inventamos*,
onde o mundo some e só existem seus braços.
Te quero como um refúgio...
**Nosso esconderijo particular é onde o tempo para.**
❤️🔥 *Saudade é só o nome do fogaréu que você acendeu em mim.*
A memória não se restringe apenas àquilo que lembramos, mas a tudo aquilo que o tempo nos permitiu preservar como legado. Ela nem sempre nasce do afeto, do consenso, como afirma Halbwachs, mas das relações de poder que atribuem a memória novos significados. Já a história, que figura no tempo como antítese da memória, sujeita-se à vontade de quem a seleciona, de quem a escreve. Assim, nessa relação dialógica entre a memória e a história, cabe ao espírito inquieto do pesquisador penetrar os silêncios, questionar os vestígios e avaliar tudo aquilo que a história legitimou como digno de permanecer em arquivos, bibliotecas e museus nacionais.
Somos folhas, água, vapor e memória. Somos corpo que pede colo e alma que encontra sentido em rituais simples.
ANSEIOS
Dizem que a saudade não conhece o tempo — ela tem nome, rosto e voz. Mora na memória de um sorriso sereno, onde a felicidade se revela no brilho de um desejo escondido, na vontade silenciada pelo limite do “não poder”. O tempo, esse velho tirano, transforma os prazeres em miragens — quanto mais se espera, mais se deseja. E o gostar cresce junto, como quem alimenta a fome com promessas. Ah, tempo cruel! Nos amarra aos impulsos, mistura o amor com a dor até ficarmos sem ar. Às vezes, age como um remédio lento, tratando feridas deixadas por paixões que não voltaram. No fim, o desejo é só a ausência vestida de sonho — sonho que ainda não se libertou do cárcere da alma.
Talvez a memória não seja mais do que olhar as coisas até o limite.
O corpo tem memória…E o que o cérebro esquece e a alma silencia, por vezes causam dores que nem a “morte consegue matar”! O silêncio da dor reverbera infinitamente pela eternidade, e seus gritos, mesmo abafados podem ser ouvidos até pelos seres mais incautos, surdos , mortos e loucos… A injustiça grita, não se cala com a morte! A lei do retorno vence e será cobrada até o último centavo, não importa o tempo, a dimensão , ninguém foge da justiça de Deus! Ninguém! Seja crente , seja cético! Janice Cisne
A tristeza está para o oceano assim como a memória está para o rio de sensações que deságua nas sinapses.
Guardo tudo.
No escuro do peito.
No canto mais febril da memória.
Onde tua ausência me beija de costas.
Tua respiração ofegante ainda queima meu pescoço.
Teu beijo, aquele, que arrepia a alma,
volta em silêncio nos meus delírios.
Teu toque ainda incendeia minha pele…
mesmo quando não está.
E tua ausência…
ah, tua ausência…
ela sussurra no meu ouvido
com a tua voz.
Com o teu calor que não vem.
Com a lembrança do que nunca nem sequer, começou.
A gente sabe e sente quando é pra ficar
Quando o toque marca, não dá pra negar
E a memória roda, roda, roda em loop
Não para até continuar a história
"O Mal de Alzheimer é o câncer da alma, pois no labirinto da memória, o amor é a bússola que sempre aponta para casa do Altruísmo"
