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Sepultei? Não! Pra sempre enterrei
bem enterrado
no buraco mais fundo
um amor maior que o mundo.
Cobri-me com um preto véu,
desci a ladeira
num passo lento,
joguei suas lembranças ao vento...
Um corpo na cova,
como se fosse desova
de quem não serve pra nada mais...
com o corpo foram-se as provas
de um amor que não se fez jamais.
Enterrei... enterrado,
coberto de terra
um cadáver...
um mau cheiro exalado.
Ir por aí...
você sempre tem essa opção...
ou não.
Subir a montanha mais íngreme,
descer ao vale mais profundo,
chegar ao topo do mundo,
cair no buraco mais fundo,
sair... ou não.
Você sempre tem mais de uma opção:
não ser igual a todo o mundo...
ou não...
Ir por aí
sem plano, projeto,
sonho... ilusão...
viver sua vida
... ou não.
Queria ser diferente
irradiar paz, alegria a toda gente...
Queria ser a força sempre presente,
queria ser como aquele que não esconde o que sente.
Queria ser humilde,
aceitar a mão...
Queria...
aceitar facilmente todos os nãos.
Queria
dar a mão
pra quem precisa de ajuda e direção.
Queria, num estalar de dedos,
mandar embora todos os medos.
Eu sei... minha hora vai chegar
desde sempre está marcada
quem garante que não será a hora errada.
A decisão não é minha...
Talvez, por mim, jamais tomaria tal decisão,
ou a tomaria na hora errada
ou antes da hora... ou depois da hora
quando a nunca coisa que resta é ir embora.
Há hora certa?
Verei o sol amanhã?
Quem garante?
A única garantia: alguém não o verá...
Quem será?
Sempre acreditei que tinha tudo pra ser feliz
que era feliz com tudo que tinha.
E era feliz... acho que era...
Até descobrir que não tinha tudo,
nem era feliz com o não tudo que tinha.
Faltava você.
E quando encontrei você, descobri:
Não tinha você... faltava você.
O que eu tinha? Uma tristezinha tristinha
que eu não sabia que tinha
até saber que você eu não tinha.
Sempre contra a corrente
usando o vento a favor...
cada momento é diferente
a ferramenta sempre a mesma
quando quer...aonde quer que for...
Me afogando num mar sem águas..
do lado avesso
a imagem do que não sou
na contramão...
- como Michelangelo -
vendo as coisas que os outros não veem
remando contra a maré ... vermelha
sem rumo, nem prumo
em passos certos...
outros incertos.
Até que de repente...
um giorno de felicità
não havia nada contra,
nada do avesso,
era a mão certa
apenas não havia me dado conta
de que desde o começo estava certa...
Seja girassol....
volte-se sempre para o sol
para o lado iluminado
escolha o lado melhor.
É só focalizar
o lado bom
o sucesso
o positivo...
afinal você está vivo.
Há o lado ruim,
o fracasso,
o negativo,
afinal você está vivo...
Então... lute, frustre-se,
torture-se, sofra
quando o sol estiver escondido atrás das nuvens...
mas, lembre-se de que
são só nuvens...
passageiras
e que na vida há o positivo e o negativo
e você está vivo...
ah! as nuvens são passageiras.... vão passar
e a você cabe apenas aceitar...
e ser sábio e tanto um como o outro aceitar
Meus pés...
me conduzem...
me levam... me trazem
seguem...sempre que é preciso
param... sempre que preciso.
Meus pés... são valentes,
são corajosos,
sempre que é preciso...
Meus pés... são independentes...
Sabem que, às vezes, é disso que preciso.
Meus pés,
mesmo doendo,
mesmo sabendo,
que o coração está sofrendo...
suavemente
me levam,
arriscam um passo,
mais um... mais outro,
se for preciso...
Meus pés sabem do que preciso.
Estou correndo, sempre correndo
é uma ideia me corroendo
quero chegar rápido lá na frente
e pra chegar, tenho de ser persistente.
Lá no futuro está meu aqui e agora
num ponto que estou fixando
algo que quero
e está demorando.
O que me aguarda?
O que estou esperando?
Ou o que sequer estou imaginando?
Não sei... só sei que seja lá o que for
vai me encontrar sozinha... vazia
no anseio de lá chegar vou perdendo pedaços
a cada passo me desfaço...
Hoje só amanhã
quanto desperdício
e eu sei disso desde o início.
Então, me diga, o que faço?
Adeus, bye bye, ciao
nem sempre quer dizer pra sempre.
E eu acreditei,
concordei,
nos seus olhos olhei,
nem chorei.
Verdade, despedida não quer dizer que é pra toda a vida, pra nunca mais...
pode ser até breve, até a qualquer momento, até logo mais.
Claro, concordei
e ainda falei: qualquer tempo sem você é tempo demais...
e pensei: o nosso adeus é até nunca mais.
Sempre parece que falta algo...
que o momento está incompleto.
E o coração fica suspenso,
de esperança repleto,
fica na espera do momento completo,
do dia perfeito,
do ponto final.
Do ideal.
E você insiste em não querer lembrar...
Desista, você sempre lembrará.
Sou inapagável... é inegável
como fiquei marcada em sua vida...
indestrutível... indelevel...
estou tatuada no seu coração.
Então, nem tente não.
Claro, não precisa confessar.
Confissões não precisam vir à tona.
Mas, eu sei, no fundo, bem no fundo...
você não suportaria não lembrar.
Quem sabe se você ouvisse mais
comprenderia mais.
As palavras nem sempre são necessárias
às vezes são contrárias à melhor das intenções.
Silêncio... silencia
ao menos por um dia.
Ouça, preste atenção
palavras trocadas
depois de faladas
não dá mais pra trocar não.
Não é possível haver um nada antes do tudo que há.
Tudo o que no mundo existe sempre existiu.
Tudo existiu exatamente do jeito que existe...
existiu, existe e existirá.
Nada mudará... nada mudará em nada,
e menos ainda o tudo se transformará em nada.
É enganosa a nossa visão, a nossa percepção...
o passar do tempo, o passar no tempo
tudo pura ilusão.
Eu acredito em tudo.
E, no nada, só acredito vendo.
Minha mãe sempre me falou que quando eu crescesse eu iria Saber das coisas.
Só não imaginei que esse dia chegaria e que o Saber viria acompanhado de responsabilidades e angústias.
Fórmulas Matemáticas não podem ser inventadas, apenas descobertas, pois sempre estiveram lá no aguardo daqueles que tentam alcançar o Infinito usando a linguagem do Criador.
Nem sempre é possível, mas é melhor praticar a Justiça, pois a terra onde a Injustiça é plantada pode ser demasiadamente fértil e tornar a colheita mais abundante do que se pode suportar.
Amor Só
Sempre estive só
Nunca quis enxergar
Todo amor que existe
Só em meu peito há.
Sempre estive cego
Ouvi à todos e deixei
De querer e passei à aceitar
Logo consequentemente implorar.
O amor se tornou veneno
Que foi me servido dia após dia
Perdi o paladar, qualquer esmola
Era considerado uma sina.
Sempre estive só
Mas nunca podia dizer
Ou aceitava o sistema
Ou a porta estava aberta.
Era proibido discordar
Desejar, querer ou até implorar
A maior lei sempre foi
Que eu sempre tinha que aceitar.
O amor me fez refém
E hoje foi o resgate
Talvez eu não me recupere
Desse imenso desgaste.
