Medo de Falar
As pessoas podem até amar seu jeito de falar, mas é pelo seu jeito de escutar que elas vão amar falar com você.
Ontem precisávamos e queríamos aprender a falar, hoje, precisamos e devemos aprender a escutar, senão amanhã seremos somente ruídos.
Feio não é se abrir na internet…
Feio é um mundo tão abarrotado de gente, mais disposta a falar do que a escutar.
Quando alguém se arrisca a desabafar online, muitas vezes não está buscando atenção — está buscando Sobrevivência.
Chegar a esse ponto pode ser, sim, a última tentativa de encontrar um ouvido disposto a escutar, um olhar que não julgue, um coração que ainda tenha espaço para acolher.
Vivemos em tempos muito difíceis, em que quase todos têm voz, mas poucos têm paciência.
Todos opinam, mas poucos compreendem.
Quase todos estão prontos para responder, quase ninguém está disposto a ouvir.
E ouvir, nos tempos de hoje, virou quase um ato de Misericórdia.
Um gesto tão simples, mas tão raro: Parar, Respirar e Permitir que o outro exista na sua dor, sem ser Ridicularizado ou Diminuído.
Porque, no fim das contas, o Desabafo Online não revela a fraqueza de quem fala — mas a ausência de empatia de quem não quer ou não sabe ouvir.
E isso, sim, é tão Feio quanto Medonho.
Não há desperdício maior que falar de civilidade para os apaixonados pelos que usam o nome de Deus e da igreja para se esconder, aparecer e se promover.
A civilidade exige algo que a idolatria jamais consegue oferecer: senso crítico.
Quando uma pessoa se apaixona por figuras, líderes ou discursos a ponto de abdicar da própria capacidade de questionar, a verdade deixa de ser um valor e passa a ser apenas um detalhe, e muito inconveniente.
Ao longo da história, muitos aprenderam que símbolos religiosos possuem um enorme poder de mobilização.
Por isso, não são raros aqueles que transformam a fé em palco, a devoção em marketing e a espiritualidade em instrumento de autopromoção.
Escondem interesses pessoais atrás de discursos piedosos, vestem a aparência da virtude e utilizam o respeito que as pessoas têm pelo sagrado como uma espécie de escudo contra críticas e questionamentos.
O problema se agrava quando admiradores confundem reverência com submissão intelectual.
Nesse momento, qualquer análise equilibrada passa a ser interpretada como perseguição, qualquer crítica se torna blasfêmia e qualquer evidência contrária é descartada em nome da lealdade ao personagem admirado.
A civilidade, que pressupõe diálogo, responsabilidade e coerência, perde espaço para a paixão acrítica.
A fé autêntica não deveria temer perguntas…
Pelo contrário, deveria acolhê-las.
Quem confia na verdade não precisa esconder-se atrás de slogans, nem transformar líderes em figuras intocáveis.
A maturidade espiritual se revela justamente na capacidade de separar a mensagem do mensageiro, os princípios das conveniências e a devoção sincera dos interesses disfarçados de santidade.
Talvez uma das maiores tragédias de qualquer sociedade seja quando a aparência de religiosidade passa a valer mais do que a prática dos valores que ela proclama.
Nesse cenário, a compaixão cede lugar ao fanatismo, a humildade dá lugar ao exibicionismo e a busca pela verdade é substituída pela defesa incondicional de pessoas e grupos.
A civilidade floresce onde existe honestidade intelectual.
E a honestidade intelectual começa quando alguém encontra coragem para admitir que nem todo aquele que fala em nome de Deus está a serviço dos valores que afirma defender.
Afinal, o sagrado não se mede pelo volume dos discursos, pela quantidade de seguidores ou pela visibilidade dos púlpitos, mas pela coerência entre aquilo que se prega e aquilo que se vive.
Filho, não dá para falar desse ser singular sem lembrar de luta, insistência e resiliência. Sua história envolve tantos episódios, tantos capítulos, tantos contextos da natureza humana. Há coisas que se podem ver, outras que se podem acessar, mas há também aquelas que só se revelam quando se olha para além da superfície.
E eu me pergunto: onde você bebeu essas goladas de força e resistência que fizeram de você esse sol? De onde vem essa luz que ilumina o seu avesso e escapa pelos seus poros, mesmo quando a vida insiste em testar sua força?
Talvez seja justamente aí que esteja a sua maior virtude: na humanidade que você carrega. E talvez a sua grandeza esteja nessa espécie de santidade que não se anuncia, não se veste de perfeição, simplesmente existe.
Você é luz porque, mesmo atravessando sombras, não deixou de iluminar.
Antes de falar eu penso, antes de agir eu reflito. Se ouviu meu grito porque foi necessário. Se ouviu meu silêncio porque foi respostas. Em cada palavras pronunciadas, em cada atos praticados teve uma medida exata e pensada.
As feridas foram tão frequentes que aprendi a sempre guardar tudo o que sinto, a não falar demais por saber que ninguém vai se importar, a ficar de longe por saber que ninguém vai me notar.
Quando precisar
Não precisa escolher palavras bonitas para falar comigo.
Nem encontrar uma razão especial.
Se algum dia o mundo parecer pesado demais,
se a noite ficar longa,
se houver coisas que você não consiga contar a ninguém,
venha.
Não prometo ter respostas para tudo.
Às vezes, tudo o que alguém precisa
é de outra pessoa que permaneça por perto.
E quando a vida lhe trouxer uma alegria inesperada,
quando alguma coisa fizer seu coração sorrir,
venha também.
Quero conhecer suas tristezas,
mas também quero celebrar suas pequenas vitórias,
rir das suas histórias
e guardar com você aqueles momentos
que a gente gostaria de congelar no tempo.
Não importa a distância,
nem a hora,
nem o motivo.
Há pessoas que a vida coloca em nosso caminho
e que, depois de algum tempo,
já não precisam de explicação.
São presença.
E, se um dia você precisar de uma,
lembre-se de mim.
Não porque eu possa resolver o que dói,
mas porque talvez eu possa tornar
o caminho um pouco menos solitário.
Quando precisar, venha.
Eu estarei aqui.
Palavras criam o futuro. Quem não as controla, perde o comando da própria vida. Falar com intenção é construir o amanhã.
Você foi como segurar na mão do diabo,
Que logo me soltou,
Quando comecei a falar em língua de anjos.
