Medo da Loucura
Faça.
Mesmo cansado
Mesmo quebrado
Mesmo machucado
Mesmo com medo
Só não desista
Faça tudo que puder, mas faça.
PILARES
Às vezes quando o que temos é o que nos traz medo tememos pelo que Temos e pelo medo;
Às vezes quando o que temos é só um segredo
O que temeremos?
Nada vale tanto espanto
O mundo tem suas pilastras;
Nada fica solto ao vazio,
Temos cabos e andaimes
O mundo tem um fundo de verdade nas suas mentiras
O mundo tem suas pilastras,
O que nos sustenta é exatamente o que nos faz cair...
O que nos sustêm são as abstrações
Amor, ódio,paixão, esperança, alma ,
O ar que respiramos e fé...
Nada fica solto no vazio,
Ou melhor o vazio fica solto no nada...
Temos pilares que nos sustentam
E o que nos sustem é o que nos faz cair e ninguém vive sem isso... ;
Nem nesse mar de olhar
Porque olhar assim é tomar posse
Mas esta solidão me arrebanha o medo,
E nesse tomar, como se fosse paixão;
Porque olhar assim é invasão
E todo meu quintal é só segredo;
Então tudo o que vês não sou eu,
Eu sou tudo o que não vês;
Podes imaginar?
REFLEXO
Eu quero esquecer o passado
Mas tenho medo
Eu quero esquecer o medo
Mas tem o passado
Eu quero esquecer o sorriso
Vermelho do palhaço
Mas tem o espelho
Eu quero esquecer o vampiro
Mas não tem reflexo no espelho
Eu quero esquecer que sou fraco
Mas tenho meus complexos
sou fraco, caio de joelhos
Eu quero esquecer a lua
mas tem a janela como uma moldura
Tem o lago prateado com a sua candura
tem o seu reflexo
Tem o lobisomem que resistiu ao folclore...
.Tem a estrofe de um soneto feito uma tocaia
Tem a lembrança de tua saia
Ao vento tem este querer imenso...
CONFIDÊNCIA
Conta-me teus segredos,
Teus sonhos, o que tanto almejas...
De que, tu tens medo, me dizes
Como são teus dias,
Que música ouves,
Que filme assistes
À quem te confidencias
Como dormes, como acordas,
Tens pesadelos?
Como caminhas,
Conta-me teus segredos,
Quais são tuas dores,
O que te confunde,
O que te deprime,
O que te exaspera,
Que são tuas fobias
O que te apavora
Conta-me teus segredos
De que gostas
Teu prato preferido, o que bebes
Um drinque, um aperitivo,
O que te seduz, se abre comigo
Revistas, jornais, livros, o que lês?
Rubens, Millôr, Machado de Assis?
O que preferes, drama, épico, clássico
Quem sabe, um bom poema,
Um soneto de amor,
Algo bem apaixonado
que te deixe a imaginar
e a querer saber
as vontades, os desejos,
os traumas da pessoa amada...
O MEDO
O que me conduz é o medo...
Os lobos uivam e os poetas
Colhem flores numa pedreira,
Os pensadores repousam
E meditam sobre trilhos,
Eu sei que do outro lado do rio,
Que sou eu mesmo,
Tem um dragão, uma fera um vulcão...
É o meu melhor lado,
Deste lado tem um sorriso,
Tem a sensualidade e a escuridão...
As vezes os lobos comem os poetas,
Mas as flores colorem penhascos
E os pensadores continuam suas meditações...
As vezes o trem dilaceram os pensadores
Mas os poetas escrevem e florescem a vida...
Deste lado tem um sorriso
Que não passa de um disfarçe
Tem a sensualidade,
Que não deixa de ser uma armadilha...
E tem a escuridão que nos tira a noção do perigo...
E o que me conduz é o medo...
Não tenho medo de grandes estrelas
De uma forma ou de outra
Eu ajudo a construir o céu e o inferno
Sou passageiro como um cometa
E como as desilusões sou eterno
sempre tive medo
de confissões mais íntimas,
cumplicidade de palavras doces
e acreditar nesse pulsar voraz
deste velho coração ...
MARROM
A aeronave me esperava imponente
Eu demente de medo
Se algo de ruim acontecer
Não conte meus segredos;
Um dia perceberão que sou o grande poeta desse país,
Comentarão AMORAMORA
Mas então brincarei com os anjos...
Depois de uma existência pobre
Diga a alguém que muito amei
E que meus sentimentos e ressentimentos são nobres
Que além disso, acreditar na humanidade
E a loucura me fez poeta....
Queria ter falado mais de amor, mas é tão difícil,
Os edifícios tolhem os horizontes,
Os nascentes e os ocasos,
Não comente sobre mal resolvidos casos
Eu te amo demais, eu amo todos vocês,
Perdoem o mal jeito e a minha insensatez
Eu devia ter sido mais forte, eu devia ter tido mais sorte
A aeronave me espera imponente,
Publiquem meus poemas decentes
Desfrutem escondidos dos poemas indecentes,
Mas não comentem este lado marrom
Façam-no acreditar que eu era bom
A minha grande frustração é o país sem leis
E a corrupção me faz desejar ter nascido francês
A aeronave me espera imponente...
ESQUARTEJADOS
saboreou seus dedos
lembrando o medo
das seis da tarde quando ele regressava
investigou suas golas, espionou suas etiquetas
roeu falange, falanginha e falangeta
lavou seu tênis e seus testículos
lembrou momentos bonitos
que já pareciam longe
quando fingia chupar seu sangue
e morder sua glande
fez picadinho do coração
ao som de um violino e um violão:
''mas não me olhe assim,
nem pense que eu sou ruim
e nem sou revanchista
eu só quero o céu do teu olhar
no olhar do meu céu
e me enganar que você foi fiel"
"eu rejeito o amargor desse fel
e esta angústia cruel
de imaginar-me traída...
e parecia absurdo
o ar de pânico do cadáver todo duro
com os olhos fixos e arregalados
depois vamos pra serra,
depois da serra elétrica
e da imperfeita métrica desse poema "
depois do último raio do crepúsculos
relaxa os músculos
vamos pra serra, depois da serra elétrica
vamos pra caverna dos esquartejados
te disse que nosso amor era pra sempre e infinito
terei esse olhar aflito terei teus gritos
terás companheiros: Osmar, Raul e Benedito
Perdoa! A fila anda...
Não tenho medo mais da solidão,
já enganei meu coração
que posso ser feliz sem teu amor
se as noites são vazias eu penso assim,
e penso, assim eu vivo esta ilusão.
ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo
de clima ou de temperatura
o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva
o medo que eu tenho não tem olhos nem ouvidos
ainda é cedo pra ter medo, mas o medo que tenho acorda tão cedo
sem noção de emoção ou sentimento, sem segredos nas periferias
