Me Perdoa mas eu Tentei
Eu quero aquilo que interrompe o funcionamento normal das coisas.
o tipo de acontecimento que faz os velhos instintos parecerem obsoletos. que invade sem violência, mas quando vai embora leva junto a pessoa que existia cinco minutos antes.
não procuro conforto.
conforto conserva.
eu quero uma força que torne meus antigos refúgios inutilizáveis, que faça meus excessos perderem o gosto sem que eu precise travar guerra contra eles. quando a mudança é verdadeira, o esforço vira detalhe.
quero desaprender naturalmente.
como quem esquece um idioma porque encontrou outro mais bonito para pensar.
quero ser confrontado por algo que me obrigue a crescer na mesma velocidade em que destrói minhas desculpas. que embaralhe minhas certezas até eu não reconhecer mais o mapa que passei anos desenhando.
e, quando tudo terminar, que não reste a satisfação de ter vencido.
quero restar diferente.
há transformações que parecem acidentes.
as melhores sempre foram destino disfarçado.
porque existe um ponto em que insistir na antiga versão de si mesmo deixa de ser fidelidade.
e passa a ser desperdício.
ou talvez não.
talvez eu queira exatamente o contrário.
que nada me alcance fundo o bastante para exigir uma reconstrução. que tudo passe como passam os estranhos na calçada: vistos por um instante, esquecidos na esquina seguinte.
quero permanecer intacto.
que meus hábitos sobrevivam a qualquer novidade. que minhas convicções envelheçam comigo. que nenhuma experiência seja convincente o suficiente para mudar a direção dos meus passos.
não quero perder o gosto pelas velhas fugas.
nem descobrir um idioma novo se isso significar esquecer o primeiro.
prefiro os mesmos erros pela intimidade que construí com eles.
prefiro reconhecer o teto das minhas limitações do que correr o risco de descobrir que ele nunca existiu.
há uma tranquilidade quase elegante em jamais ser surpreendido.
em nunca precisar rever.
em nunca precisar ceder.
no fim, talvez a maior ambição seja essa:
atravessar a vida sem deixar que ela atravesse de volta.
Há quem diga que esquecer é questão de tempo. Eu desconfio. O tempo só aperfeiçoa a memória; ensina ela a usar máscaras melhores.
Sem perceber, eu continuo te procurando.
Não em fotos. Essas eu já conheço de cor. Te procuro nas coisas que nunca te pertenceram, mas que aprenderam teu idioma.
Quando o primeiro acorde de Arctic Monkeys atravessa o silêncio, meu peito ainda olha para a porta, como se alguma parte de mim acreditasse que certas músicas continuam sabendo o caminho de volta. Oasis faz pior: transforma saudade em paisagem. É como caminhar por uma rua antiga onde ninguém mora mais, mas todas as janelas permanecem acesas.
Eu te encontro nos livros que compro sem motivo. Há sempre uma frase que teria arrancado um sorriso teu, e, por um instante, leio em voz baixa para alguém que já não está. Fecho a página como quem fecha uma conversa interrompida.
Também te procuro nas pessoas.
Não porque elas se pareçam contigo. Seria injusto com elas e impossível contigo. Mas existe um gesto, um silêncio, uma maneira de inclinar a cabeça enquanto escutam, um riso que dura meio segundo a mais... e, por um instante vergonhoso, meu coração pergunta se finalmente te encontrou de novo. Nunca encontrou. Eram apenas desconhecidos carregando pedaços que a minha memória decidiu roubar.
Há cidades que conspiram.
Volto a lugares onde estivemos e eles insistem em manter tua ausência exatamente onde você a deixou. A mesa continua pequena demais para duas pessoas. A calçada ainda sabe a direção dos nossos passos. O vento atravessa a mesma esquina com a mesma delicadeza, como se ignorasse que agora sopra apenas contra um corpo.
É estranho viver assim.
Como alguém perseguido por um fantasma que não assombra a casa, mas os detalhes. Um perfume na rua. Um casaco da mesma cor. Uma música tocando ao fundo de um café. A dedicatória esquecida na primeira página de um romance. Nada é suficiente para trazer você de volta, mas tudo parece suficiente para lembrar que um dia esteve aqui.
Talvez seja esse o verdadeiro peso de amar alguém.
Não é sofrer pela ausência da pessoa. É perceber que ela contaminou o mundo inteiro. As músicas deixam de ser só músicas. Os livros deixam de ser só livros. As ruas deixam de ser ruas. Tudo passa a existir em dois tempos: antes de você e depois de você.
E eu sigo vivendo.
Converso, sorrio, conheço rostos novos, aperto outras mãos. Mas existe uma parte de mim que continua fazendo comparações em silêncio, como quem procura uma constelação específica num céu cheio de estrelas. Não porque as outras sejam menores, mas porque meus olhos aprenderam, há muito tempo, exatamente onde repousava aquela luz.
Talvez um dia eu pare de te procurar.
Ou talvez não.
Talvez algumas pessoas não terminem quando vão embora. Elas apenas se espalham. Ficam escondidas entre acordes, páginas, esquinas e olhares alheios, transformando o mundo inteiro numa coleção discreta de lembranças.
E o mais cruel é que ninguém percebe.
Só quem continua procurando.
Eu tenho medo da química que precisa ser fabricada.
Daquelas conexões que chegam com manual de instrução, onde cada palavra é escolhida, cada gesto é calculado, cada demonstração parece uma tentativa desesperada de convencer o coração de que existe algo ali.
Eu odeio esse amor que precisa ser empurrado ladeira acima, como se duas pessoas tivessem que carregar uma montanha nas costas para provar que vale a pena.
Porque o que é verdadeiro não pede tanto esforço para existir.
Não deveria parecer uma apresentação, uma entrevista, uma prova de merecimento. Não deveria ser preciso implorar para que alguém enxergue a beleza daquilo que você entrega.
Existe algo triste em tentar transformar faísca em incêndio usando apenas as próprias mãos. Em soprar uma chama que nunca quis nascer, acreditando que talvez, se você cuidar o bastante, ela finalmente escolha aquecer você.
Mas algumas coisas não são destinadas a queimar.
E talvez a maior crueldade seja perceber que você não estava errado por sentir. Você só estava tentando encontrar profundidade em um lugar onde talvez existisse apenas superfície.
Eu não quero mais a química construída no desespero, a proximidade criada pela insistência, o carinho que aparece porque alguém tem medo de perder e não porque realmente quer ficar.
Eu quero o tipo de encontro que parece uma lembrança antes mesmo de acontecer.
Aquela paz estranha de não precisar convencer ninguém.
De não precisar mostrar mil versões suas para provar que existe algo bonito aí dentro.
Porque o amor que precisa ser forçado pode até parecer intenso, mas no fundo carrega uma pergunta silenciosa:
“Se eu parar de tentar, ainda existe alguma coisa aqui?”
E eu cansei de procurar respostas em lugares onde eu sempre precisei gritar para ser ouvido.
Cada limite me obrigou a descobrir uma força que eu ainda não conhecia. Cada perda ampliou minha profundidade, e cada erro despertou uma consciência mais lúcida sobre quem sou.
A pessoa que me tornei não nasceu do caminho perfeito, mas do caminho possível. Foi justamente nele, entre desafios, recomeços e imperfeições, que aprendi a construir, sustentar e honrar a minha própria essência.
Título: Protesto
Até quando eu vou ligar minha TV e ver mais um inocente morrer?
Até quando eu vou ver que, lá no morro, mais uma bala encontrou um corpo?
Corpo esse que sempre foi explorado e morreu sem dignidade, com seu sangue escorrendo no asfalto.
Até quando o negro trabalhador vai ser confundido com bandido e traficante?
Até quando o sistema da injustiça vai afastar o preto e pobre para a periferia?
Até quando eu vou ouvir os gritos de uma mãe que chora pelo seu filho?
Filho esse que o sistema julgou estar envolvido com coisas que essa mãe repudiou desde o início.
Sei que parece clichê, mas nem todo morador é do tráfico, pode crer.
Lá em cima tem um povo que luta pra sobreviver entre o esgoto,
Vive situações difíceis de se crer e ainda se ergue pra um futuro poder ter.
Tem gente que luta só no trabalho,
Outros ousam e, além do trampo, estudam no busão lotado.
Por isso eu te pergunto: até quando essa violência vai acontecer?
Quero um lugar melhor pro povo viver!
Talvez exista quem coleccione cartas. Eu colecciono silêncios que nunca tiveram coragem de pronunciar o meu nome
A INVEJA DO MEU EU: -- Ao entrar, a cena me paralisou: ela estava sentada à mesa com duas crianças. Um garotinho de três anos e uma menina de seis. O que me aterrorizava não era a presença deles, mas a verossimilhança brutal que compartilhavam comigo. Nos gestos pausados, na inclinação do rosto e no brilho do olhar, eram versões latentes de mim mesmo.
Lembrei-me do meu verdadeiro lugar: sempre defendi a ideia de que todos os personagens e lugares que sonhamos são imposição dos nossos desejos e vontades; cada pessoa é nada mais que um reflexo de nós mesmos.
Juliano Assis
NINGUÉM PRECISA ACREDITAR NA MUDANÇA DE NINGUÉM. A MUDANÇA DO SEU PRÓPRIO EU, JÁ É O SUFICIENTE PARA SER OBSERVADA ATRAVÉS DO SEU PRÓPRIO AUTOCONHECIMENTO.
Eu tenho uma mania engraçada. Toda vez que eu digo algo no sentido de brincadeira ou zoação, no final da frase eu tenho que dizer "nossa" de uma forma bem rápida e abafada. Tipo quando você faz "hum", um som com a boca fechada, mas usar "nossa" no lugar.
Não sei quando foi que isso começou, mas parece alguma forma de garantir que a pessoa entendeu que é uma brincadeira? Kkk não sei.
Eu trato o meu corpo duramente e o obrigo a ser completamente controlado para que, depois de ter chamado outros para entrarem na luta, eu mesmo não venha a ser eliminado dela.
Metamorfose
Eu trilhei vários caminhos
Já tive vida severa
Eu vivia a reclamar
Mas dominei minha fera
Hoje eu vivo bem melhor
Mudei, não sou mais quem era.
Santo Antônio do Salto da Onça/RN
23/11/2023
Às vezes rindo sozinho
Sem saber qual o motivo
Eu fico sem entender
Mas dá pra vê que estou vivo.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
09/04/2024
Quando estou meio perdido
E triste, sem alegria
Eu me encontro e me alegro
Nos braços da Poesia.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
10/04/2024
Eu não busco a perfeição
Procuro a simplicidade
Pra eu poder atingir
A minha totalidade.
Santo Antônio do salto da Onça RN
24/04/2024
Energias negativas
Delas eu sou desprendida
E das coisas impossíveis
Enfrento, sou destemida.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
26 Março 2025
Papai foi a minha base
Mamãe a sustentação
Se eu sou o que eu sou hoje
Tenho muita gratidão!
Sem eles como meu guia
Eu sei não conseguiria
Esta minha ascensão.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça/RN
10/08/2025
Eu já peguei trem errado
E fiz uma descoberta
Quando achei tá enganado
Cheguei na estação certa.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
Eu acho muito bonito
E também muito decente
Ver alguém ajudar outro
Desinteressadamente.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
07/09/2025
