Me faço
E o que eu faço com as palavras?
O que faço com o desejo incontrolável de escrevê-las, de dizê-las?
E o que eu faço com as inspirações imprevisíveis?
Com a busca incansável por respostas, com o não-contentamento que permanece?
O que eu faço com as indagações, suposições, com os pensamentos sempre surgindo, descompassados e ansiosos em serem perpetuados?
O que eu faço com a necessidade intermitente de saber, e tornar a saber depois que já se sabe?
O que eu faço com a busca pelo eu, pelo eu do outro, e pela "re-busca" e novas buscas do meu ser?
Com o desejo de estar sempre buscando o inatingível?
O que eu faço com o fato de me tornar cada vez mais introspectiva, vendo que o universo lá fora é bem menor do que o universo interior que cada um carrega?
E o quanto é gostoso e viciante descobrir que não se pode chegar ao fim?
O que faço com as palavras... todas elas que surgem do nada, e do nada se vão, para depois retornar com mais força?
É assim... dias de silêncio, dias de vazio, dias de branco. Dias e dias, dias de buscas, dias de perguntas, dias de respostas, dias de perguntas com respostas, dias de respostas sem perguntas.
O que eu faço com as palavras?
Eu as deixo livres. Elas são o que são, e eu sou apenas instrumento...
apenas mais um instrumento, à espera da próxima reflexão.
Do próximo rascunho, do próximo eco, da próxima inquirição.
- E agora, o que eu faço com estas lágrimas?
- Use-as para regar o teu jardim. Amanhã terás novamente a primavera.
Eu sou tão desgraçada que até os versos que faço pra ti, vem alguém e leva embora, pra oferecer pra outro alguém; como se fosse possível, alguém senão tu sentir, todo amor que neles tem.
Eu não sou o primeiro nem vou ser o último em nada do que eu faço, fiz ou farei. Saber disso me consola e ao mesmo tempo, me aborrece. Sei que há vários que pensam como eu, agem como eu, vivem como eu. Se posso me gabar de algo? Sim, de uma coisa: mesmo que os sentimentos não sejam exclusivamente meus, as palavras são minhas.
Até agora ainda não encontrei á mim mesmo meu pai, o que eu faço...
Onde quer que estejas lá no céu, paraíso diga alguma coisa pai, senhor Jesus Cristo, tu és o meu salvador eu creio em ti.
No calor do seu abraço, eu não sei o que eu faço, fico preso numa rede solene, que me puxa pro seu coração que é uma fonte de amor perene, que mata a sede da minha paixão.
O meu coração, de saudade padece e não te esquece, eu não sei o faço, se eu pudesse eu
voaria na imensidão do espaço, pra te dar um beijão e um forte abraço.
A multidão vai, a multidão vem, eu faço parte da multidão também,
Cada rosto tem uma história de labuta, e não tem vitória sem luta.
VIVVER TRANQUILO
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Para evitar mais uma dor
Faço ouvidos de mercador.
Se ela diz: faça isso, faço aquilo
E eu finjo que obedeço
Viver em paz não tem preço
É melhor viver tranquilo
Ela merece... eu mereço
Cuidar do nosso amor!
MELHOR COISA QUE FAÇO
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Tem um ditado que diz:
quem com porcos se mistura
Farelos há de comer
Daí optei pela clausura
Pra poder me proteger.
Melhor coisa que faço
Sozinho no meu espaço
Evito me aborrecer!
SE VAI TER LEITOR...
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NESTE EXATO MOMENTO
escrevo sem rumo. Faço isto de caso pensado. Talvez queira me pôr à prova. Até onde sou capaz de escrever de improviso?
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LEMBRO AGORA
do mestre Machado de Assis quando diz: palavra puxa palavra. Sem querer querendo vamos espichando as palavras e quando dar-se fé... o texto está pronto.
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UMA COISA EU SEI:
a escrita de improviso fica muito mais próxima da fala.
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MEU PROFESSOR DE TEATRO DIZIA:
o corpo puxa a fala.
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E DIGO EU:
se o corpo puxa a fala, a fala puxa a escrita.
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NESTE EXATO MOMENTO
percebo que o meu escrito tem rumo. O texto tá bem arrumadin.
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SE VAI TER LEITOR...
... aí são outros quinhentos!
....
02.05.2024
