Me Disseram

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“O Amor Que Restou”


Disseram-me: o que é o amor para ti?
E eu fiquei sem resposta,
perdido em lembranças,
pois amei demais e cada gesto,
cada toque,
se tornou ferida aberta no peito.


Ela respondeu com a frieza
de quem se protege:
o amor não existe,
é ilusão, só sabe ferir.
E naquele instante, eu senti o eco
de todos os abraços que não me salvaram.


Ainda assim,
há uma chama teimosa,
que insiste em buscar calor
no que resta de ternura.
Mesmo sabendo das dores,
eu ainda tento
entender o que é amar,
mesmo que seja sofrer.


E se amar é ilusão,
que seja minha ilusão,
pois cada lágrima derramada
tem perfume de você.
Mesmo ferido,
mesmo quebrado,
eu guardo a esperança
silenciosa de um amor
que não dói só na lembrança.

Disseram-me que muitos foram testados.
Uns enlouqueceram.
Outros não aguentaram.

Eu consegui.
Consegui o quê? Não sei.

Só sei que urrar no travesseiro
não me matou.
Me ensinou a ter fé.

Me chamaram de especial.
De escolhida.

Se é pra escrever,
eu escrevo.
Se é pra botar pra fora,
eu boto.

Tô aqui.
Viva.
Inteira.
E isso basta.

Van Escher

Disseram que era política.
Mas era medo.

Medo do pobre virar gente.
Medo de não ter mais
quem limpe o chão.

O ódio tem CEP.
E tem preço de mão de obra.

Jesus andou com pescador.
O Brasil crucifica
quem dá rede pro pescador.

Van Escher

Disseram que ia virar Venezuela.
O osso virou carne.
Disseram "gripezinha".
O cemitério lotou.
Disseram que mulher não merecia nem...
E no palanque gritaram o quê?
Eu vi.
Eu ouvi.
Eu não esqueci.
E se lembrar é loucura,
então me interna com a verdade.

Van Escher

Disseram "gripezinha"
e o pobre morreu sem ar.

Disseram "operação militar"
e a criança virou número.

Riram do osso.
Cuspiram no maltrapilho.
Chamaram de "dano colateral".

O último da fila do leito
é o primeiro da fila da glória.

O pobre humilhado
é o exaltado de Deus.

Lucas 6:20-21:
"Bem-aventurados os pobres,
porque vosso é o Reino.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados."

Van Escher

⁠Um dia me disseram que veneno só faz mal quando a gente engole... ok só esqueceram de uma coisa... eu sou de escorpião meu bem... aqui o veneno é no ferrão, sem dó nem piedade ... mexe com quem tá quieto que eu te mostro...com quantos paus se faz uma canoa..

Um dia me disseram que o mundo ia acabar. E não é que eu acreditei?

Disseram para Helena Vigiar o Vovô Nino
Era 14 de setembro de 2014, um lindo sábado de muito sol e calor. A família estava reunida no sítio dos sogros de Nino, Swami e Aurialda, para comemorar antecipadamente o aniversário da vovó Lívia, seu Bem. O sítio era um verdadeiro refúgio ecológico, com aceroleiras carregadas, dois pequenos lagos e uma variedade de animais: gatos, cachorros, galinhas, patos, papagaios, maritacas, lebres e, de vez em quando, até alguns veadinhos. Era daqueles lugares em que a natureza parecia fazer questão de estar presente em todos os cantos.
Helena, sua primeira neta, tinha acabado de completar um ano. Ela adorava passear com o vovô Nino pelo sítio e, assim que chegava, já queria ir jogar pão velho para os peixes e os patos. O problema é que ela também gostava de comer o pão que deveria alimentar os bichinhos. Como o vovô Nino sempre foi meio estabanado, sua esposa e sua enteada viviam dando-lhe broncas. Chegaram, inclusive, a recomendar à pequena Helena: “É melhor você cuidar do seu vovô Nino!” Eles achavam aquilo engraçado, mas não imaginavam que, naquele mesmo dia, Helena teria motivos de sobra para levar o conselho a sério.
Perto da hora do almoço, o vovô Nino resolveu colher acerolas para Helena. Como ela ainda era pequenininha, ele a pegou no colo, puxou um galho carregado de frutas e começou a ajudá-la a colher. Estava encantado com aquela cena, vendo a netinha colher as acerolas, quando, ao abaixar um galho maior, deparou-se com uma cobra enorme, esticada tranquilamente sobre ele. Qualquer pessoa sensata teria soltado o galho na mesma hora e se afastado. O vovô Nino, porém, teve uma ideia que, olhando para trás, parecia bastante questionável: resolveu mostrar a cobra para Helena. Só não pensou em um pequeno detalhe: talvez a cobra não estivesse interessada em participar daquela experiência educativa com o vovô e a neta.
Quando chegaram em casa, Helena correu para contar à mãe, com a sinceridade e a inocência de uma criança de apenas um ano: “O vovô mostrou a COBA!” A mãe ficou apavorada e, conhecendo muito bem o avô que tinha, tratou logo de confirmar suas suspeitas: “Eu falei que é preciso vigiar o vovô Nino! Ele é um perigo para a Helena!” Diante de uma acusação tão bem fundamentada, o vovô Nino não teve nem como apresentar sua defesa.
Mas a aventura daquele sábado ainda guardava outra surpresa. Helena havia comido tantas acerolas durante o passeio que, ao entardecer, começou a vomitá-las. Resultado: mais uma rodada de broncas para o vovô Nino. Naquele dia, ficou difícil saber o que havia sido mais perigoso: a cobra encontrada no galho ou a quantidade de acerolas que a netinha resolveu comer. De qualquer maneira, ficou provado que um simples passeio para colher frutas poderia render uma história para a vida inteira.
Apesar das broncas — e talvez até por causa delas — o vovô Nino nunca deixou de fazer suas brincadeiras com Helena. Afinal, algumas das melhores lembranças da vida não nascem de momentos perfeitamente planejados, mas justamente dessas pequenas aventuras, das situações inesperadas e das trapalhadas que, com o passar dos anos, acabam se transformando nas histórias que mais gostamos de contar.
Esta é uma das muitas histórias que o vovô Nino gosta de contar para Elisa, irmã de Helena, suas duas deusinhas. E Helena, até hoje, adora ouvir a história daquele vovô que, em um belo sábado de setembro, saiu para colher acerolas e acabou apresentando uma cobra à própria neta. Talvez seja por isso que, quando alguém fala em “vigiar o vovô Nino” , ele prefira não perguntar muito sobre o assunto.
Peregrino Nino Carneiro

O Amor Que Não Precisa de Nome

Talvez o amor não seja aquilo que disseram que ele era.


Talvez não seja promessa,
nem posse,
nem certeza,
nem a obrigação de permanecer.


Talvez o amor seja simplesmente
quando duas almas se encontram
e alguma coisa dentro delas reconhece:
“eu conheço você.”


Mesmo sem nunca terem se procurado.


É o carinho que chega sem pedir licença,
a palavra que encontra exatamente
o lugar onde doía,
o silêncio que não constrange,
a presença que não pesa.


É poder olhar para alguém
e desejar que ela fique bem,
mesmo quando a vida não permite
que tudo seja como gostaríamos.


É admirar a existência do outro
sem querer aprisioná-la.


É respeitar sua história,
suas cicatrizes,
seus medos,
suas imperfeições...
e ainda assim enxergar beleza.


Talvez seja isso que chamamos de amor:


não o que diz “você é minha”,
mas o que sussurra:
“eu sou feliz porque você existe.”


Um amor que não precisa cobrar,
não precisa provar,
não precisa possuir.


Um amor que simplesmente sente.


E quando sente,
cuida.


Quando cuida,
liberta.


Quando liberta,
permanece.


Porque há amores que não precisam morar
na mesma casa,
na mesma cidade,
nem sequer no mesmo mundo.


Há amores que encontram
um pequeno universo para existir
e, dentro dele,
duas pessoas conseguem ser
inteiramente verdadeiras.


Sem armaduras.


Sem medo de serem vistas.


Sem precisar explicar
por que aquilo é tão bonito.


Acredito que o nosso seja isso.


Um amor que não chegou fazendo barulho.


Chegou devagar.


Sentou-se entre nossas conversas,
misturou-se às nossas risadas,
entrou nas nossas noites,
nas nossas palavras,
nas nossas descobertas...


e quando percebemos,
já havia criado morada.


Não sei que nome o tempo dará a isso.


E, pela primeira vez,
acho que nem preciso saber.


Porque há sentimentos
que diminuem quando tentamos defini-los.


E este...
eu prefiro sentir.


Puro.


Verdadeiro.


Inteiro.


Sem exigir nada além daquilo
que duas pessoas podem oferecer
quando simplesmente se fazem bem.


Talvez seja esse o amor
em seu sentido mais amplo:


não aquele que prende alguém à nossa vida,
mas aquele que agradece à vida
por ter colocado alguém nela.

Quando disseram que era impossível, eu silenciei as dúvidas, escutei a minha fé e segui adiante. E foi nesse passo de coragem que Deus abriu caminhos onde antes só havia portas fechadas.

Com apenas um olhar, disseram tudo e selaram um pacto em segredo.

"Disseram que era o fim, mas é só o sinal dos tempos, a infância ainda vigia o adulto e a maturidade ganha um brinde silencioso."

“Certa vez, disseram-me que eu teria apenas 5% de chance de sobreviver e que, caso vencesse a morte, não voltaria a falar nem a andar. Sobrevivi. Falo. Ando. Por isso, minha gratidão a Deus não nasceu do que me contaram; nasceu do que vivi. Há experiências depois das quais a fé deixa de ser apenas crença e passa a ser memória.”

Amizade Verdadeira
Uma vez me disseram que amizade verdadeira é aquela que te aproxima mais perto de Deus, é aquela que te ensina a andar no caminho certo, é aquela que te ajuda, te socorre, puxa tua orelha, briga com você e te ama... Uma vez me contaram que devemos valorizar cada momento perto de uma amiga verdadeira, que devemos agradecer aos céus pela sua existência. Bom, agora que entendi o que me disseram, agora que parei pra pensar em tudo isso, sabe porque? Porque um dia ela vai embora, e um dia ela vai casar, vai ter filhos, vai formar sua própria vida, mas amizade nunca vai acabar.

Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.


Não me escondo
me transbordo.
Não me quebro
me reconstruo.


Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami .


Expilei fúria
saboreei raízes
enguli certezas
e devorei sobrevivência...


Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que
diante das tempestades
eu sou um tsunami.


Sepultei mortos
dentro de mim
afoguei segredos
nos meus mares
que nunca
tocaram a praia...


Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.


Eu não grito
Eu não fujo
Eu não peço abrigo


Eu me desfaço
em águas calmas
e me refaço
em ausência serena


Sou o eco
do que foi varrido
sou o vazio preenchido
depois da perda
sou o que se encontrou
e que permaneceu
mesmo quando
quase tudo se perdeu...


Eu não passo
eu marco
eu fico.
Então,
por isso digo
e repito:


Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
✍ @MiriamDaCosta

Disseram que eu deveria ser firme, previsível, inteira.
Mas escolhi ser movimento.
Entre certezas prontas e verdades impostas, prefiro a dúvida que ensina e o caminho que se refaz.

Não carrego o passado como âncora, nem o futuro como promessa.
Aprendi que existir é atravessar, não permanecer.
O erro me molda mais do que o acerto, porque nele há aprendizado, humildade e humanidade.

Não busco aplausos, nem lugares de destaque.
Meu valor está na travessia silenciosa de quem entende que chegar nem sempre é o objetivo.
Há beleza em não possuir, em não reter, em não se prender.

Enquanto o mundo cobra perfeição, escolho transformação.
Enquanto pedem raízes fixas, escolho asas conscientes.
Desapegar não é descuido, é maturidade.
É saber que algumas coisas passam porque cumpriram seu papel.

No fim, não sou feito de certezas,
sou feito de escolhas.
E a mais honesta delas é continuar mudando.

Coitado do café...


Já me disseram que café faz mal,
que ataca a gastrite e escurece os dentes.


Mas vou te contar um segredo...


Maldade faz muito mais mal.
Problemas atacam a gastrite.
Preocupação tira o sono.
E tristeza escurece até os sorrisos mais bonitos.


O café?
Ele só acorda a gente para a vida.


Coitado do café...
Tem tanta coisa pior por aí que ninguém pensa em evitar!

Nunca se deve misturar cristianismo com política. Os primeiros cristãos não disseram isso em vão.

Os bajuladores disseram a Golias: ‘Você é grande e imbatível’, mas Deus disse a Davi: ‘Golias é grande e fácil de derrubar.’

Um dia me disseram que o maior feito de um professor é ser esquecido. Esquecido o motivo, não a presença. Esquecida a data da prova, não a sensação de alívio ao entregar a folha. Esquecido o conteúdo exato da matéria, mas jamais o timbre da voz que disse confiar num aluno que às vezes nem tinha essa confiança dentro de casa. Ser professor é, de fato, virar memória afetiva. É instalar-se na alma do outro como uma mobília invisível. Ninguém aponta para o peito e diz: “Devo minha felicidade àquela aula de história do dia 15 de maio”. Não. A gratidão é mais sutil, mais entranhada. É um tempero. O aluno se transforma e, anos depois, não saberá dizer onde começou a metamorfose, mas o professor estava lá, no casulo. Nas minhas palestras para professores, eu sempre ressalto essa herança, esse valor que não cabe no holerite. A gente nunca pode esquecer o nosso tamanho, mesmo quando tentam nos diminuir. É uma profissão de solidão assistida. Os pais podem não valorizar, afobados em educar os filhos para o sucesso, esquecendo-se do ser. O poder público pode não valorizar, míope, preocupado com as estatísticas que apagam os indivíduos. A sociedade pode não valorizar, com sua pressa e sua idolatria ao que é instantâneo. Mas um professor... ah, um professor sempre saberá reconhecer a importância de outro professor. É um reconhecimento de trincheira. Um olhar cúmplice que atravessa o pátio da escola e diz tudo. Um professor vê no outro a voz rouca no fim do dia, a mancha de caneta nos dedos, a paciência remendada com afeto, a esperança teimosa de acreditar num futuro bom. Dos futuros que carrega no coração. Porque ser professor é ser um artesão do tempo. É ter a coragem de ser a ponte. E é no olhar de quem escolheu no presente a tarefa de explicar o passado, que mora o brilho inconfundível desse futuro que muitos nem sabem que desejam. Feliz dia do professor.

Edgard Abbehusen, escritor, pedagogo e palestrante.