O Amor Que Não Precisa de Nome Talvez o... Humberto Fornazier

O Amor Que Não Precisa de Nome

Talvez o amor não seja aquilo que disseram que ele era.


Talvez não seja promessa,
nem posse,
nem certeza,
nem a obrigação de permanecer.


Talvez o amor seja simplesmente
quando duas almas se encontram
e alguma coisa dentro delas reconhece:
“eu conheço você.”


Mesmo sem nunca terem se procurado.


É o carinho que chega sem pedir licença,
a palavra que encontra exatamente
o lugar onde doía,
o silêncio que não constrange,
a presença que não pesa.


É poder olhar para alguém
e desejar que ela fique bem,
mesmo quando a vida não permite
que tudo seja como gostaríamos.


É admirar a existência do outro
sem querer aprisioná-la.


É respeitar sua história,
suas cicatrizes,
seus medos,
suas imperfeições...
e ainda assim enxergar beleza.


Talvez seja isso que chamamos de amor:


não o que diz “você é minha”,
mas o que sussurra:
“eu sou feliz porque você existe.”


Um amor que não precisa cobrar,
não precisa provar,
não precisa possuir.


Um amor que simplesmente sente.


E quando sente,
cuida.


Quando cuida,
liberta.


Quando liberta,
permanece.


Porque há amores que não precisam morar
na mesma casa,
na mesma cidade,
nem sequer no mesmo mundo.


Há amores que encontram
um pequeno universo para existir
e, dentro dele,
duas pessoas conseguem ser
inteiramente verdadeiras.


Sem armaduras.


Sem medo de serem vistas.


Sem precisar explicar
por que aquilo é tão bonito.


Acredito que o nosso seja isso.


Um amor que não chegou fazendo barulho.


Chegou devagar.


Sentou-se entre nossas conversas,
misturou-se às nossas risadas,
entrou nas nossas noites,
nas nossas palavras,
nas nossas descobertas...


e quando percebemos,
já havia criado morada.


Não sei que nome o tempo dará a isso.


E, pela primeira vez,
acho que nem preciso saber.


Porque há sentimentos
que diminuem quando tentamos defini-los.


E este...
eu prefiro sentir.


Puro.


Verdadeiro.


Inteiro.


Sem exigir nada além daquilo
que duas pessoas podem oferecer
quando simplesmente se fazem bem.


Talvez seja esse o amor
em seu sentido mais amplo:


não aquele que prende alguém à nossa vida,
mas aquele que agradece à vida
por ter colocado alguém nela.