Me Deixa que hoje eu To de Bobeira
Escrever poesia
Foi a forma tardia que eu encontrei
Pra contar aos meus filhos
meus irmãos
e principalmente
Àqueles que não me conhecem
Coisas que eu vivi
Que gostaria de viver
e principalmente
As coisas que eu nunca vi
Não passei e não senti
Eu precisaria viver mil vidas
Pra poder escrever tudo isso
e tudo isso ser verdade
Eu as escrevo simplesmente
Pra poder expressar
e principalmente
Não deixar que fuja
Aquela inspiração que me invade
lentamente, sorrateiramente
Em algum lugar da mente
Que eu nunca vou saber qual é
Dizem que o Poeta mente
Creio que seja verdade
Mas eu às vezes acho
Certas mentiras muito lindas
e acredito que serão bem vindas
Nas almas e no coração
De muita gente que as vai ler
E dizer pra si mesmas
Que o Poeta fez um bom serviço
Pois elas sim, sentiam tudo isso
Mas não sabiam como dizer.
Um dia eu sonhei em saber
Tanta coisa, só pra saber
Muita coisa, só por saber
Saber o que eu queria
Saber que não sabia
Um dia eu desejei esquecer
tanta coisa que não me cabia
muita coisa que eu não esquecia
Tanta coisa que eu quis saber um dia
Agora eu só queria saber querer
Tanta coisa que eu gostaria
de te dizer que eu não sabia
Tanta coisa que eu jamais diria
jamais faria, jamais queria saber
Eu queria saber esquecer
Queria saber querer
Querer esquecer tudo que um dia
Por não saber o que eu sabia
Eu queria saber
Se eu soubesse voar
Eu não sei se voaria
Eu acho que eu queria
Somente entender a vida
Se eu entendesse a vida
Eu não sei se a viveria
Creio que eu queria apenas
compreender a mim mesmo
E se eu me conhecesse
eu acho que não queria
Ser amigo de mim mesmo
Se eu pudesse me ignorar
creio então, que eu aceitaria
O dom de voar e sumiria
Eu queria só saber
Caminhar corretamente pela vida
E que a vida fosse um pouco mais
Que uma mera superfície plana
Eu queria poder superar
Todas as limitações
A que está submetida
A minha humilde condição humana
e todas as fraquezas nela inseridas
Eu queria conhecer e saber lidar
Com a força existente em mim
Antes do fim desta vida
Eu queria viver o tempo que ainda tenho
Vivendo o Sonho de Conhecer a Deus
O Deus que existe nos meus sonhos
E que às vezes me permite saber
Que é sim, possível voar
Pois Ele já me presenteou algumas vezes
com essa sensação incrível
e me ensinou que o tempo
Apesar de impiedoso e inexorável
É necessário pra que a gente aprenda
a remover a venda que existe
nos olhos humanos, e é
inerente à Condição Humana
Eu não digo o tempo mundano
Que faz compreender
as horas e as semanas
Existe outro tempo, além deste plano
Um tempo que vem de Deus
Que tem me ajudado a tentar compreender
Que cada pedra
Que eu, com respeito, carreguei
e cada dor que um dia me derrubou
Agora se traduzem
numa espécie de compreensão
Que de mim se assenhora
E me faz saber de onde eu vim
E que as dores que eu senti
eram sim, necessárias
Pra que eu não passasse pela vida
e a visse desaguar um dia
Num Oceano de incompreeensão
e a tivesse vivido como um reles pária
Carregando sensações imaginárias
Eu já compreendi que Outra Coisa existe
Porém ainda não sei o quê preciso fazer
e a maneira correta de pedir e receber
Tudo isso às vezes me faz sentir
Um pouco triste ao fim do dia
Quando se aproxima a hora de ir dormir
Eu quero te dizer algumas coisas
Pra te fazer pensar, se quiser:
Por que será que há cores tristes
Se elas são as mesmas
A alegrar-lhe os olhos taciturnos
Quando vistas no Arco-íris
Será que a sua incompreensão
Alguma vez lhe permitiu saber
Que existem Arco-íris noturnos
Projetados pela tênue luz lunar
Eles estarão sempre lá
Nas noites passadas e futuras
Pois sempre haverá
beleza e alegria
Nas noites mais escuras
dos quartos sem janela
e até mesmo não havendo um teto
Por todo lugar onde olhar
Se atentar para o fato
de que neste Mundo e nesta vida
Quase tudo é abstrato
e seus olhos
Enxergam somente
Aquilo que for tridimensional
Tudo existe em igual proporção
Mas nada é concreto
Esta vida é mera ilusão
Seus olhos até hoje
Enxergaram aquilo que teu coração
deu de fato como certo
Porém, sob esta óptica
Teu coração também não existe
Esta existência, na verdade
É somente uma ilusão exótica
Que Deus usou
para explicar as suas dores
Enquanto ainda enxergares
cores tristes
Alegria e tristeza
São somente ilusões
Que juntamos aos pares
depois dividimos meio a meio
E vem do mesmo lugar
De onde tudo veio
Um lugar onde é tudo perfeito
Creio que sou eu
A criar a imperfeição
Quando vejo as coisas
do meu jeito.
Tem horas
em que apenas
os ponteiros andam
O tempo, este pára
A rede onde eu me deito
Idem, permanece inerte
E eu estou tão distante...
Caminhando na paisagem
daquele quadro que faz anos
Se move torto
Na parede à minha frente
Porém, todos esses anos
Se passaram em um instante
No momento em que o tempo parou
Não faz mal, tá tudo igual
O movimento, o tempo, a paisagem
Tudo faz parte da eterna viagem
Permeada de sombra e luz
Vida ou não
Eu procuro sempre segurar os meus sonhos nas mãos, se as mãos estiverem ocupadas eu os ponho nos bolsos, quando tenho sono eu os guardo embaixo do travesseiro, quando eu acordo, eles fugiram. Talvez eu os tenha sonhado...
Quando me vires rindo
Não penses que está tudo lindo
Pois, talvez eu esteja só mentindo
Sempre propenso a me esquecer
Há coisas que eu até aprendo
Me arrependo e desaprendo
Começo tudo de novo
Eu faço a prova dos nove
e fico fora
Me movo pelas calçadas
Vou-me embora
Sobra o nada
A minha conclusão, perante a vida
é que somente me iludo
Eu queria que estivesse tudo bem
As coisas estão indo muito aquém
Uma dor aguda me desconforta
Uma revolta calada e muda
Se desbota a cada dia que passa
Nada fazem, desde que eu
também não faça
Eu abro a porta e pergunto ao vento
de quantos momentos há de se compor
tudo isso, essa total ausência
de compromisso e comprometimento
Será que existe alguma
Anuência do Universo
Pra que tudo isso ocorra ou, antes,
Não ocorra?
Melhor escorregar num papelão
ou brincar de gangorra
Viver qualquer alegria, realmente ativa
Antes que um dia eu morra
e não viva.
Por mais que eu seja visto
como incompreensível
Por este mundo complicado
Eu creio que vou morrer
Sem também compreendê-lo.
Por mais que cada gesto meu
Repleto de amor e desprendimento
seja, a cada dia mais
repelido somente com indiferença
Eu creio que vou morrer
Sem levar comigo qualquer sentimento
de vingança, ingratidão ou ofensa
Por mais que eu saiba
O quanto de tristeza vou sentir
Por distorcerem aquilo que eu digo
Simplesmente
Por não haverem prestado
A mínima ou a devida atenção
é a vida
Tudo isso me vem do coração
e eu não vou me calar
mesmo sabendo que eu digo
Em português
A quem só lê javanês
E mesmo que nada esteja igual
e eu esteja sempre
Nos fundos do quintal deste mundo
eu vou permanecer pra sempre lá
e tenho certeza
Que um dia haverão de me procurar
pra me dizer
Que finalmente a minha piada
inteligente e sem graça
realmente, anos mais tarde
Fez muita gente rir
Principalmente pelo fato
de eu não estar mais aqui.
Acontece de vez em quando
E eu sempre me surpreendo
Ao me ver procurando
Um rosto conhecido
Ou uma paisagem do meu passado
Numa figurinha qualquer
daquelas
Que sempre vinham no chiclete
Meu pensamento
Flutua que nem fumaça
Numa tarde aborrecida e sem graça
e o meu coração se derrete
Um anjo se senta ao meu lado
E me leva pra lugar qualquer
Onde não há nenhum homem
Nenhuma mulher
Somente um lugar gramado
Pinheiros na Estrada
Nenhum dinheiro
E nem nada assim
Olhando a cor de cada árvore
Eu penso no quanto
A gente pode ser livre
e não é
Até perceber
Que já se faz tarde na vida
Uma tarde aborrecida
Pois
Quando a gente nem vê
Anoitece
é assim que acontece
de vez em quando.
Não sei dizer
Quantos anos vivi
E creio que ninguém saiba
Eu acho que nada explica
Aquela coisa pequena
Pura e boa
Que em dado momento
a gente vive como coisa à toa
Mas...por mais que o tempo passe
Ela fica:
Minha mãe ao meu lado
Nós dois escorregando num Tobogã
A primeira vez
Que eu vi cada irmã
A namorada me dizendo
Que estava tricotando pra mim
Uma touca de lã
Esses pequenos pedaços
de coisas alegres e bonitas
Que não deixamos escritas
é que definem quem somos
E vão morrer junto com a gente um dia
Pois se desta vida algo se leva
Não é rancor nem sofrimento
Porém, aquilo que a alma eleva
Resume e faz valer uma vida
Mesmo que dure
Somente um momento
Quem sou eu
Eu não sei
Às vezes , querido por Deus
Perseguido pelos reis
desde que eu estou aqui
A vida tem sido assim
Um golpe a cada dia
Vem fazer doer-me hoje
As dores, que antes não sentia
A Garrafa sobre a mesa
No copo, somente tristeza
Uma dor a cada dia
Um gole de cada vez
Quando eu nasci
Meu pai me deu um nome
Que o Mundo
Sempre tentou tirar de mim.
E enquanto eu crescia
Minha mãe me ensinava a amar
e me esquivar das coisas ruins
todo dia
Mas o Mundo ainda tentava
Tirar tudo isso de mim
Porém, antes disso tudo
Antes mesmo que eu nascesse
Deus dotou-me de um escudo
E antes de eu ter um nome
Ele me deu o dom de ser um homem
Antes que eu soubesse o que é amor
Ele me preparou
Pra enfrentar as dores deste Mundo
Com um largo e profundo sorriso
Deus dotou-me de uma luz
Que os olhos ruins deste Mundo
Não enxergam
Há pessoas que não vivem
Vagam feito cegas
Estragam-se e esmagam-se
Mas as Coisas de Deus são assim
E no fim
Essa luz
Não apagam
Tampouco a tiram de mim
Prosseguem tentando...delirantes
Porém, hoje
Essa luz brilha mais do que antes
E não há quem a tire de mim.
As folhas se foram
Antes mesmo que chovesse
Eu fico assim
Em companhia de mim mesmo
Os mesmos pensamentos
Aqueles
Que o coração não esquece
Dessa maneira
Me resta uma tarde inteira
A pensar em luzes
E Seres Angelicais
Criaturas Divinas
Anjos
Com cara de menina
Que vivem longe de mim
E todos os demais
Que me rodeiam
Aranha tecendo teia
Marimbondo
Fazendo ninho na areia
de vez em quando
A natureza grávida
Escondendo a beleza vindoura
Nas pupas e crisálidas
Borboletas
São como Anjos que vem de longe
Mulheres lindas e iluminadas
Que brilham na escuridão
Algumas possuem uma certa luz
Que desperta algo dentro de mim
E me deixa sem rumo...
Sem chão.
Mesmo assim
Me refaço...me aprumo
Me imagino
dentro do seu abraço
desfaço esses pensamentos
Prossigo no meu caminho
Preciso ir viver ainda
deixar essas coisas de lado
Meu Deus
Eu vi um anjo iluminado
Uma borboleta linda!
Se eu pudesse cuidar do mundo
Como quem guarda um jardim
Se eu pudesse escolher as sementes
Se eu fosse um bom jardineiro
Ou algo semelhante
Plantaria um jardim de verdade
E cultivava somente verdades
E o melhor que houvesse
do amor e da amizade
Mas, por mais sementes que se espalhem
Muita coisa falha, abaixo do Céu
Muita coisa falta em meu jardim
Assim como falta
Um maior entendimento
Pra que todo mundo soubesse
Que neste jardim
Onde quase nada cresce
Poderá nascer a qualquer momento
Aquilo que há de varrer deste mundo
Todos os jardins do mundo.
Quando alguém
Me diz que me entende
Eu olho pra pessoa
Plenamente consciente
de estar na presença
de alguém que está mentindo
Pois nem eu mesmo me entendo
Tem dias que eu olho pro espelho
E faço cara de paisagem
Fingindo estar de passagem
de vez em quando
Me aparece um iluminado
Que não entendeu nada
e me censura
Tem dias que eu gosto da vida
e outros que apenas a aturo
e juro que penso
em um dia
viver apenas de silêncio
creio eu ser a melhor forma
de não ser mal interpretado
Por um mundo que me dita normas
Quando na verdade
Não entendeu quase nada,
Eu tenho um amigo
Que sempre andou comigo
Acordava atrasado
e era muito atrapalhado
Coitado, meu amigo enviesado
Quando criança
Nunca soube jogar bola
Jamais foi bom em dança
Jamais foi bom em nada
Não era bom de briga
Nem tinha namorada
Na vida Militar, coitado!
Não era bom soldado
Não era bom atleta
Bom marido ou bom poeta
Jamais teve jeito pra nada
Pois trazia no peito
Um coração
Totalmente desprovido de ambição
e comia o pão da ilusão
Tinha como companhia um violão
Mas, pra não destoar
Também
Não cantava muito bem
Porém
Ele era um bom amigo
e sempre andou comigo
Não deu no jornal
Ninguém veio dizer
Mas eu sei
Que as pessoas solitárias
Podem muito bem
Acabar eternamente
Com essa solidão
Que de longe parece
dolorida e constante
Mas quando se olha de perto
e pra dentro
Percebe-se
Que quase todo mundo
Esconde em si
Um deserto bem maior
Enfeitado
De algo que já não existe
E vive num mundo
Insano e delirante
Recheado
de uma esperança cortante
Um diamante às avessas
Torna-se carvão
Um coração repleto e completo
Rodeado
da pura, boa e velha
Solidão.
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