Matei Voce dentro de Mim

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As coisas só começam a fluir, quando a gente permite que isso aconteça. Eu estou confiando em mim de novo, me permitindo, porque eu sei que posso muito, mereço muito! E como é bom eu finalmente me dar essa segunda chance, depois de ter dado tantas pra quem nem valia a pena.

Sempre tive pena mim mesmo, porque não tinha sapatos até um dia que encontrei um homem que não tinha pés.

Ai de mim! Que vazio horrível sinto em meu peito! Quantas vezes digo a mim mesmo: "Se pudesses uma vez, ao menos uma vez, apertá-la contra o coração, esse vazio seria desfeito."

Em mim, não vejo começo nem fim

Era exatamente isso que eu queria para mim. Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade.

Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.

O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio.

Porque eu estou ainda muito inseguro de mim mesmo, e não acreditando absolutamente que alguém possa me curtir bem assim como eu sou. Eu não tenho quase experiência dessas transações, me enrolo todo, faço tudo errado — acabo me sentindo confuso. Tudo isso é tão íntimo, e eu já estou tão desacostumado de me contar inteiramente a alguém, tão desacreditando na capacidade de compreensão do outro, sei lá, não é nada disso, sabe? Conviver é difícil — as pessoas são difíceis — viver é difícil.

Se o amor é pecado, jamais serei inocente, pois jurei a mim mesmo te amar eternamente.

Sou o veneno, o mel e o sal...o ódio, o amor e o mal! Me descreva como quiser, receba de mim o que merecer...

Para mim o arco-íris não brilha mais.Nossas promessas foram por água baixo como a chuva.Passou pelos ralos se debatendo como ratos desesperados.E sumiu no horizonte como vapor.

Eu não faço questão de ser aceito, se eu for só ignorado pra mim já está bom.

Enviar trechos bíblicos para mim é como enviar pornografia para um senhor de 96 anos: eu lembro daquilo, já gostei, mas não provoca nenhuma reação mais em mim há muito tempo.

A gente se mata sem razão...
Em cada decepção é parte de mim que se vai!
Então vamos vivendo sem rumo e morrendo aos poucos...

Dias difíceis passaram por mim, nada acontece de graça, enfim...

Tenho deixado pelo chão muitas sementes de mim e colhido pouco do que brotou de outras pessoas, porque sei que a cada mudança de estação sou mais o que doei do que aquilo que recebi, sem esperar por gratidão.

Caso alguém queira saber sobre mim, diga que pinto poesias,
não gosto de desalegrias e amo a paixão.
Nos traços de uma pintura imagino a saudade
e todo o amor que invade o sentimento de um coração

Sou eu que erro em confiar nas pessoas, ou são as pessoas que erram ao mentir para mim?

Eu vi minha vida ramificando-se diante de mim como a figueira verde da história.
Na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro era Constantino e Sócrates e Átila e outros vários amantes com nomes exóticos e profissões excêntricas, outro ainda era uma campeã olímpica. E, acima de tais figos, havia muitos outros. Eu não conseguia prosseguir. Encontrei-me sentada na forquilha da figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia optar entre um dos figos. Eu gostaria de devorar a todos, mas escolher um significava perder todos os outros. Talvez querer tudo signifique não querer nada. Então, enquanto eu permanecia sentada, incapaz de optar, os figos começaram a murchar e escurecer e, um por um, despencar aos meus pés.

Sylvia Plath
The Bell Jar. New York: Bantam Books, 1972.

Talvez eu exija um pouco demais do mundo ou de mim mesma; ou talvez eu não tenha que justificar minha solidão com exigências.