Martyn Lloyd Jones
Se você pensa que é a sua vida virtuosa que faz de você um cristão, está tornando a ficar debaixo da lei. Mas é inútil fazê-lo por esta razão. Se você tornar a colocar-se debaixo da lei, estará condenando a si próprio, pois "nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado." Se você quiser tentar justificar-se por sua vida e por suas obras, você estará indo direto para a condenação, porque as melhores obras do homem não são suficientemente boas aos olhos de Deus. Todos fomos condenados pela lei - "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". "Não há um justo, nem um sequer".
Por que somos como somos? Por que há tantas falhas em nossas vidas, e tanto pecado? A resposta acha-se aqui: simplesmente não conhecemos a Deus! "Pai justo", disse o Senhor Jesus, "o mundo não te conheceu; mas eu te conheci" "Oh", disse Ele, "se eles tão somente te conhecessem, não viveriam como vivem, mas não te conhecem!" Eles falam de Deus, e argumentam, mas não O conhecem. "Pai justo, o mundo não te conheceu." Mesmo conosco, que somos cristãos, o problema é que não conhecemos a Deus. Esqueçam das suas fórmulas, esqueçam-se de si próprios, e daquilo que os está mantendo na fossa. Não é esse o seu problema. A sua natureza é corrupta, e se vocês se livrarem desse problema particular, terão alguma outra coisa contra o que lutar. O verdadeiro problema é que não conhecemos a Deus. Os homens que buscavam a Deus e buscavam a Sua face é que foram mais santos. O de que necessitamos primordialmente não é de alguma experiência, é deste conhecimento de Deus, dos atributos de Deus - Sua glória, Sua inefabilidade, Sua santidade, Sua onipotência, Sua eternidade, Sua onisciência, Sua onipresença. Se eu e você simplesmente tivéssemos a percepção de que onde quer que estivermos, e o que quer que fizermos, Deus nos estaria vendo, isso transformaria as nossas vidas!
(...)Como se argumenta no grandioso capítulo nove da Epístola aos Hebreus, há o fato de que o ensino geral de Moisés, com tudo mais que ele apresentou, foi tão-somente um expediente temporário. Bem, precisamos falar sobre isso com absoluta clareza. Era nestas coisas que os membros do Sinédrio se gloriavam, e eles estavam rejeitando Cristo. No entanto, examinem aquilo em que eles se apegavam! Vejam a lei. Uma parte de todo o problema deles era que não percebiam que a Lei não pode salvar ninguém. A Lei só nos pode dizer o que fazer; não pode dar-nos o poder que nos capacitaria a fazer o que ela diz. Por isso o apóstolo Paulo escreve aos romanos sobre "o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne..." (Romanos 8:3). Moisés se levantara diante do povo e praticamente dissera: "Cumpram estes mandamentos, e vocês serão salvos". A Lei deixa conosco: "Não matarás. Não adulterarás. Não cobiçarás". "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda o teu entendimento e de todas as tuas forças, e a teu próximo como a ti mesmo." Tudo ótimo, mas você pode fazer isso? A Lei diz: "Faze isto, e viverás". Mas ninguém pode fazer isso. Portanto, como já vimos, a Lei nos deixa condenados, sem esperança e desamparados, e nos diz que precisamos ser libertados.
Sábio é o homem que sempre pensa. Não age baseado apenas no instinto ou no impulso ou no desejo. Não, ele insiste em aplicar-se ao pensamento, à razão e à meditação.
Quando o ego tem a ascendência, ele sempre joga com os nossos sentimentos. O ego não pode resistir a um verdadeiro exame intelectual.
A minha necessidade não é de conhecimento, mas de poder. Posso saber o que é certo, mas a questão é: como poso fazer o que é certo? O conhecimento da lei não me capacita a guardá-la e a cumpri-la. Mas, diz o apóstolo Paulo, eu tenho um Evangelho que não é assim. Este Evangelho funciona. Ele tem sucesso.
Se você passar muito do tempo de que você dispõe numa atmosfera mundana, verá que o fio da sua vida espiritual ficará embotado. Não há nada de errado, inerentemente, em ver televisão ou ouvir rádio, mas se passar muito tempo fazendo isso, é certo que não será capaz de orar muito bem, e que perderá o gosto pelas Escrituras.
Quando você se julga forte, e provavelmente invencível, quando você acaba de ter uma grande vitória, corre o perigo de achar que nada mais é necessário, que você se tornou um cristão de tal maneira forte que imagina que pode resistir facilmente. Você se esquece da exortação que diz: "Aquele que cuida estar de pé, olhe, não caia."
Se tentarmos combater o diabo e estes poderes unicamente em termos da nossa sabedoria e do nosso entendimento, inevitalmente seremos derrotados.
A maior dificuldade acerca da vida cristã é que as pessoas correm em busca do experimental antes de terem entendido a verdade. O experimental é decorrência do entendimento da doutrina, da verdade.
Estar debaixo da Lei significa que você tem que tentar justificar-se na presença de Deus por suas ações, por suas próprias obras, por seus feitos. A Lei é sempre uma coisa que chega ao homem e lhe diz: "Faze isto, e viverás." É o oposto da justificação pela fé.
O homem que é escravo do pecado e de todos os seus poderes não pode crer; portanto, o simples fato de que um homem crê no Evangelho é prova de que ele foi "libertado do pecado".
Só existem duas posições: ou estamos em Adão, ou estamos em Cristo. Não há posição intermediária. Você não poderá ser um salvo sem estar ligado a Cristo, sem estar em Cristo. E, assim como não há posição intermediária, assim também não pode haver processo progressivo nesse ponto.
Você e eu não temos que estar olhando nossa vida passada; nunca devemos ficar olhando para qualquer pecado que tenhamos cometido no passado, de modo nenhum, a não ser para louvar a Deus e engrandecer a Sua graça em Cristo Jesus. Eu o desafio a fazer isso. Se você olhar para o seu passado e este o deixar deprimido você deverá fazer o que Paulo fez. “Eu fui blasfemo”, disse ele, mas não parou aí. Disse em seguida: “Sou indigno de ser pregador do Evangelho”?
O que na verdade ele diz é exatamente o oposto: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério” (1 Tm 1:12). Quando Paulo olha para o passado e vê seu pecado, não fica recolhido, de castigo num cantinho, a dizer: “Não presto para ser cristão; fiz coisas horríveis”. Nada disso. O que tudo isso produz nele, o efeito que lhe causa, é levá-lo a louvar a Deus. Ele se gloria na graça de Cristo, e diz: “Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus” (1 Tm 1:14).
O tipo mais confortável de religião é sempre uma religião vaga, nebulosa e incerta, cheia de fórmulas e rituais. Não me surpreende que o catolicismo romano atraia certas pessoas. Quanto mais vaga e indefinida a sua religião, mais confortável ela será.
Somente pessoas que entenderam a verdade, desejam obedecê-la. A tragédia das outras é que nunca a entenderam realmente.
