Marta Medeiros o que os outros Vao Pensar
Penso em pensar um pensamento pensativo titular no plural singular diferente eremonopsicofilosofante ao estilo do Pauleremonopsicofilosofante.
Pensar é um risco contínuo, porque cada conclusão abre espaço para novas dúvidas, e não existe ponto final nesse processo, apenas pausas temporárias antes de recomeçar.
Talvez um dos maiores riscos da Preguiça de Pensar seja nos apaixonarmos pelos que fingem que o fazem.
Ler o lado bom ou o lado ruim
dos impactos da Humanidade
e pensar que tudo o quê se
faz tem impacto de verdade.
Expressar sobre o quê é belo,
aquilo que dói ou falta não
significa querer disputar
com quem quer que seja.
É estar a Ilha das Flores
o maior desaguadouro
resistindo e pedindo socorro.
Expressar um pensamento é
também uma forma de existir,
para continuar a seguir de pé.
Pensando bem... As vezes, pensar demais faz a gente pensar que pensa bem, só porque pensou bastante sobre o que estava pensando.
Falar sem pensar
não é necessário,
Provocar também não,
se for flertar com
o quê é arriscado,
Melhor colher Pitombas,
deixar o quê é confuso de lado,
E fazer o caminho com cuidado
tornando cada novo passo
diário seguro e pacificado.
Não quero que concorde
comigo sem antes aprender
a pensar por si próprio,
sem antes de saber quem
é a Aguia-careca, o Quetzal e o Condor,
sem antes de você saber
que você é filho do Gavião-real,
sem antes de você saber
quais são os territórios ultramarinos
no Hemisfério Ocidental,
sem antes de saber qual é
o cerne da Doutrina Monroe,
sem antes de saber quem
mais rasgou o Direito Internacional,
sem antes de relembrar
que avisei que o Deus da Guerra
poderia dançar dentro
da América do Sul,
sem antes de saber que a situação
é fluída e pode vir se espalhar,
sem antes de relembrar,
que não era preciso esperar
uma guerra para aprender
a amar de verdade a nossa terra,
não antes de saber que não
sou grande coisa na vida - apenas poeta.
Filosofia: pensar é um ato perigoso
Pensar até o fim sempre flerta com a loucura. Friedrich Nietzsche foi chamado de insano não por ter perdido a razão, mas por tê-la levado longe demais — a um ponto onde as convenções morais desmoronam. O pensamento radical assusta porque dissolve as narrativas que sustentam o poder, a religião, a moral de rebanho.
O mundo prefere a razão morna, funcional, administrável. A lucidez verdadeira é incômoda: ela revela o vazio por trás dos discursos, a fragilidade das verdades oficiais, a teatralidade das instituições.
Geralmente, o último gole de vinho não é meu.
Ele pertence aos que suportaram pensar até o fim.
A Oscar Wilde, pela inteligência como arma contra a hipocrisia.
A Hemingway, pela ética seca diante do absurdo.
A Rimbaud, pela violência precoce do gênio e pelo abandono.
A Flaubert, pela disciplina quase cruel da forma.
A Voltaire, pela lucidez ferina,
por ter combatido a estupidez com ironia
quando a coragem ainda era possível.
E o último dos últimos,
quando o vinho já não promete nada,
vai para Baudelaire.
Porque ele soube que a beleza não nasce da pureza,
mas do atrito entre o tédio e o abismo.
Depois disso,
o copo vazio.
O silêncio.
E a noite continua,
como sempre.
A critica é uma forma de nos melhorar, mas muitas vezes é algo desnecessário e deixa-nos a pensar...
Se estiver a pensar que estou a pensar no que estou a pensar mas que mais ninguém alguma vez há de conseguir pensar no que estava pensar que estava a pensar no que estive a pensar, o tempo passa e penso... fogo em quê que estava mesmo a pensar há pouco?
Seria muito confortável pensar com a cabeça dos Sequestradores de Mentes, mas prefiro o caos da minha Autonomia.
Seria de fato confortável como uma poltrona que abraça o corpo e acaricia a consciência.
Não haveria dúvidas, nem o peso das escolhas.
As opiniões já viriam prontas, embaladas em slogans, mastigadas por vozes eloquentes que prometem pertencimento em troca de obediência.
Pensar daria trabalho; repetir, nem tanto.
Os Sequestradores de Mentes oferecem mapas prontos para quem tem medo de se perder ou se encontrar.
Transformam complexidade em palavras de ordem, divergência em ameaça e reflexão em fraqueza.
E, pouco a pouco, a autonomia vira um luxo dispensável.
Mas há algo profundamente humano no caos de pensar por si.
A autonomia não é confortável.
Ela é inquieta.
Obriga-nos a rever certezas, a admitir contradições, a mudar de rota sem plateia nos aplaudindo.
Quem escolhe a própria cabeça como morada precisa conviver com o silêncio das decisões solitárias e com a responsabilidade pelos próprios erros.
Ainda assim, prefiro o caos da minha autonomia.
Prefiro o desconforto de construir minhas convicções ao conforto de terceirizá-las.
Prefiro a dúvida honesta às certezas emprestadas.
Prefiro tropeçar nas minhas próprias ideias do que marchar seguro sob a sombra das ideias alheias.
Porque, no fim, o caos da autonomia pode até me desorganizar — mas é ele que mantém viva a liberdade de ser inteiro e a graça de poder conviver comigo mesmo.
A peça
mais ignorada da
era moderna:
a Liberdade de Pensar Por Conta Própria.
Na vitrine da era moderna, a peça mais ignorada não é rara nem cara: é a liberdade de pensar por conta própria.
Ela não falta — é caprichosamente deixada de lado.
Troca-se o esforço do pensamento pelo conforto da opinião pronta, o risco da reflexão pelo abrigo das certezas emprestadas.
Pensar dói, cansa e nos expõe.
Concordar, não.
Vivemos tempos em que repetir é mais seguro do que questionar, e discordar já até virou afronta.
A liberdade de pensar exige silêncio, tempo e coragem — três luxos considerados improdutivos numa época que recompensa barulho, velocidade e alinhamento.
Quem pensa por conta própria, normalmente desagrada.
Não serve bem a rótulos, não marcha em fila, não ecoa slogans.
Por isso, essa liberdade é tão evitada: ela nos cobra muita responsabilidade.
Obriga-nos a sustentar ideias sem muletas, a errar sem terceirizar culpas e a rever posições sem chamar isso de fraqueza.
Talvez o maior sinal de maturidade não seja ter opinião sobre tudo, mas saber quando ela realmente nasceu de dentro — e não do medo de não pertencermos à manada.
Na era dos excessos de informações e das verdades fabricadas, pensar por conta própria virou um ato de resistência extremamente silenciosa.
E, ironicamente, um dos poucos espaços onde ainda é possível ser realmente livre.
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