Mario Quintana Frases de um Amor Corespondido
A verdade última não é um castelo, é uma cabana de madeira. Não quer imponência, quer abrigo. Quem a busca com diploma encontra apenas pedra e pó. Quem a busca com fome encontra lenha e fogo. E ali, no calor simples, a alma aprende seu ofício.
Não há redenção sem um preço que se paga em silêncio. A voz pede espetáculo, mas a terra exige humildade. Quero pagar com gestos que ninguém registra. Com a moeda singela de cuidar de dias sem holofotes. E assim entendo que remissão é trabalho debaixo do pano.
A vontade de desistir é um animal que aparece ferozmente. Eu o observo, ofereço água e digo seu nome. Nomeá-lo enfraquece o monstro e devolve-lhe forma humana. Com isso, a desistência perde parte de seu reino. E eu continuo, passo a passo, com pés que querem aprender.
O arrependimento é um espelho que desafia a ação futura. Olho-o, aprendo a não repetir a cena que me arrependeu. Não quero expiar para sempre, quero transformar decisão. Por isso deixo o arrependimento virar combustível, não prisão. E sigo com mapas novos, desenhados por cuidado e costume.
A integridade é um pequeno altar que levo no bolso. Não a exponho para que se veja, guardo-a para que funcione. Ela me lembra decisões quando o mercado pede atalhos. Ser íntegro é preferir a estrada estreita e firme. E assim chego ao fim do dia com pouco peso na consciência.
No fim, o que resta são rotinas que nos salvam do abismo. Rituais simples, um café, uma carta, um olhar, fazem ponte. Construo essas pontes com mãos gastas e coração atento. Elas não garantem paz eterna, mas oferecem travessia. E atravesso, sabendo que, por ora, já é suficiente.
O fracasso é apenas um nome elegante para o aprendizado que custou mais caro. Transforme cada erro em maestria.
O compromisso, na verdade, não é uma linha reta, é um círculo vicioso de partidas e retornos. O eterno não se encontra na ausência de mudanças, mas na ousadia de reiniciar o abraço mesmo sabendo que todo amor carrega o seu próprio inverno intrínseco.
Tentar manter a chama acesa na chuva de novembro não é um teste de força, mas de teimosia cega. O verdadeiro amor reside em aceitar que a cera vai escorrer, que a luz vai ser trêmula, e mesmo assim, continuar protegendo a pequena vigília com o corpo.
Nós dançamos no salão da incerteza, buscando um contrato de fidelidade que a vida jamais assina. A impermanência é o único voto irrevogável, e a tragédia começa quando tentamos convencer o outro de que o para sempre é um lugar e não um movimento.
O pedido de tempo não é um hiato, é uma confissão: o desejo de afastar a vulnerabilidade antes que ela se torne um argumento de separação. É a fuga estratégica da intimidade que nos desnuda, deixando apenas o eco da pergunta: quem está fugindo de quem?
Se a vontade de me amar existe, que ela seja um rugido e não um sussurro envergonhado. A hesitação é um freio de mão puxado na subida, e eu não posso carregar o peso do teu "e se" enquanto tento te salvar da tua própria maré baixa.
Todos clamam por um tempo a sós, um ritual sagrado para recalibrar a alma e reajustar o mapa interno. Mas há uma linha tênue entre o cuidado e a autossabotagem, o isolamento excessivo não cura, apenas congela a ferida e nos faz esquecer que o calor nasce do atrito de duas presenças.
A entrega total é um salto de olhos fechados no escuro, onde a única garantia é a ausência de garantias. Toda a magnificência de amar reside justamente no tremor da possibilidade de que tudo se dissolva, quem se contém, evita a queda, mas perde o voo.
Se a chuva de inverno promete não durar para sempre, é porque há um ciclo implacável de renovação em curso. A escuridão, embora vasta, é apenas uma ausência temporária, não é preciso ignorá-la, mas usá-la como a tela nítida para o desenho exato da luz que o amanhã trará.
Todo fim não é um vazio, mas um terreno aplainado para uma construção de propósito muito mais sólido. O ciclo de amantes que chegam e partem nos ensina que, acima de tudo, o único amor duradouro é aquele que se aprende a dedicar à própria reconstrução.
A tempestade é um teste de volume. Abaixe o volume da dúvida e aumente a potência da sua verdade. Você já sobreviveu a 100% dos seus piores dias.
Um coração ferido ainda sabe amar, mas ama com olhos atentos, não entrega tudo de uma vez, mas também não fecha as portas, ama com sabedoria.
O ego é um espelho sujo: mostra apenas uma versão distorcida do mundo. Se não o limpares, viverás no reflexo de uma mentira que tu mesmo criaste.
Somos feitos de escolhas. Se você escolhe ser vítima, o mundo lhe dará um palco. Mude o roteiro: a sua liberdade reside na sua reação.
