Marido Desligado de Fernando Pessoa
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Quem sem descanso apregoa a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba por ser às vezes virtuoso.
Nós dois? - Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?
A maioria das mulheres quase não têm princípios: conduzem-se pelo coração e, quanto aos seus costumes, dependem daqueles a quem amam.
O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.
Admiramos o mundo através do que amamos.
A ambição sujeita os homens a maior servilismo do que a fome e a pobreza.
Em grande parte, os maridos são como as mulheres os fazem.
Não existe vício que não tenha uma falsa semelhança com uma virtude e que disso não tire proveito.
Noturno
Lá fora o luar continua
E o trem divide o Brasil
Como um meridiano
Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971
Seja no que for, apenas poderemos ser julgados pelos nossos pares.
Agrada-nos o homem sincero, porque nos poupa o trabalho de o estudarmos para o conhecermos.
Para o homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Ele não sente o nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver.
O tempo, que fortalece as amizades, enfraquece o amor.
O nosso bom, ou mau procedimento, é o nosso melhor amigo, ou pior inimigo.
Condenados à morte, condenados à vida, eis duas certezas.
O fim da vida não é a felicidade, mas o aperfeiçoamento.
O amante é um arauto que proclama onde existe o mérito, o espírito ou a beleza de uma mulher. Que proclama um marido?
A avareza começa onde termina a pobreza.
Para aparecerem no jornal, há assassinos que assassinam.
Os homens são poucas vezes o que parecem; eles trabalham incessantemente por parecer o que não são.