Marcella Fernanda
Eu sempre tão minha e, de repente, nem sei de quem sou. Sou sua, lutando pra ser de outros, querendo me ter de volta. E nessa de não ser de ninguém ao certo, vai me restando solidão.
Não quero adivinhar, achar, supor, quero ouvir de você que eu não tô louca, que a gente tem sim futuro. Quero claro no escuro, de confusão, basta as minhas.
Mas não tô aqui pra julgar ninguém. Só queria deixar um recado, um aviso, um lembrete muito importante: Liberdade é uma via de mão dupla, meu bem. É aí que a história complica. Querer curtição de segunda à segunda é fácil demais, usar das vantagens, desculpas e cartas de toda essa historinha só pra si, mais fácil ainda. Difícil é ver quem se gosta nos braços de outro alguém, sendo livre. Foda é ver seu amor presa e feliz em outra história, sem esse papinho pra boi dormir. Eu topo tudo, mas com direitos iguais pros dois lados, até o meu tempo e meus limites. Quer ser livre? Seremos todos. Mas, repito, todos! Sem um na balada e outro na cadeira, guardado com um lacinho vermelho. Então pra fixar, vou repetir o recado: Liberdade é uma via de mão dupla! Vê se não esquece.
Quando eu digo que tá tudo bem se você não for, não tá tudo bem, eu queria muito que você fosse, mas entendo, como sempre, sua indisponibilidade pra mim.
Fim é uma coisa muito complicada. Nosso compromisso acabou, digo, teoricamente falando. Mas nossa história mesmo tá longe do fim. Namoro não é estar em um relacionamento sério no facebook, amor é muito mais do que todas essas futilidades que as pessoas fazem tanta questão. Pra gente não ter fim, rompemos o compromisso e nos livramos do peso que ele traz junto. Essas expectativas, cobranças, essa dor por nada. A gente sempre foi mais que isso, sempre foi superior a essas coisas pequenas, gente pequena, ao mundo que nunca quis nos ver juntos. Mesmo separados, estamos juntos. Se isso não é amor, o que mais pode ser? O maior e mais bonito que já ouvi falar. E é por isso que dá medo. Medo disso tudo enfraquecer por causa de um status, medo da gente perder as forças contra quem não consegue ver a gente feliz. Medo da gente se perder na própria história, de um jeito que não dê pra se achar mais. Medo de, no fim das contas, perder o presente mais bonito que a vida me deu, porque quis mostrar pro mundo, não soube o tempo de guardar só pra mim.
Se doar mais e cobrar menos ou cobrar mais e se doar menos ? É mais forte quem termina ou quem perdoa ? É mais inseguro quem precisa ter uma pessoa ou quem precisa ter várias ? É muita pergunta pra pouca resposta. Mas sabe, talvez eu nem queira saber as respostas. Só pergunto pra não me sentir tão passiva, indefesa. Não admito ser invadida sem ao menos questionar.
Se eu for sua hoje, me deixa te fazer todo carinho do mundo, amanhã já sou carinho pra outro, abraços sem laços. Sem laços, sem nós, aprendi.
Hoje eu tô afim de voar também, bem alto. Então faz assim, entra e fica a vontade, mas deixa a porta aberta.
E que se dane você, que se dane essa voz que grita na minha cabeça sempre falando de como tudo vai dar errado. Desliguei o celular, me desliguei do medo.
Até hoje, vou te contar, eu penso na mensagem que você nunca mandou, nas coisas que você nunca me disse. Ainda espero, em silêncio e relutante. Lembro da gente nas músicas que você nunca me dedicou. Sinto saudade de você, que nunca foi meu. Do nós, que sempre foi eu. Saudade da coisa mais linda que já me aconteceu, mas que na verdade, nem chegou a existir. A loucura mais sensata da minha vida, ou a sensatez mais louca, quem sabe? Amei muito e de verdade, não nego. Ele ou uma idealização, não posso distinguir ao certo, mas era amor e isso não é contestável. E hoje eu me pergunto, com a minha vida seguindo tão bem e a ausência despercebida num canto, se ainda amo. Nada mudou, além de mim, e tudo parece tão diferente, tão distante, tão fora de mim e dessa vez, acredite quem quiser, por repulsa minha. Mas creio que seja um quase ou pós amor, muito carinho, alguma coisa menor e bonita assim. Porque, seja lá o que ainda resta, é quieto e não grita mais nos meus silêncios, nos meus ouvidos. Não me tira o sono, não me tira o juízo, a paz. Não é espaçoso, muito pelo contrário, compacto. Dizem que o amor é assim, calmo, sereno, brisa. Mas eu não acredito nesse amor que não invade, não vira do avesso, não desarruma. Não consigo imaginar o amor batendo na porta, comportado no sofá. Esperando você oferecer um copo d’água, café, bolo. Com licença, por favor, muito obrigada. Não o meu amor, não comigo. Meu amor pula a janela, põe os pés no sofá e pede mais uma almofada. Reclama que tá com fome e abre a geladeira pra ver o que tem de bom. Rouba o controle, muda o canal, faz bagunça. Meu amor é tempestade, terremoto, erupção. Brisa, comigo, só o fim, só sem mim. Sereno, deixo claro, só meu adeus.
Se eu for embora, não preciso tocar alarme, dar mil avisos prévios ou fazer cena de novela mexicana, batendo a porta. Você vai me ver saindo aos poucos, cruzando a porta em silêncio e vai ser a última vez que vai me ver tão de perto.
Mas tudo bem, queria te dizer que, graças a você, aprendi a nadar. Era questão de sobrevivência, eu tive que aprender. Hoje sou melhor e você? Vai ser sempre o peso dos barcos, que triste. Não te desejo o mal, porque sua vida já é vazia demais e não tem mal pior que esse, alguém que não sabe viver.
Ando cheia de vazios ultimamente. Tentei comer alguma coisa, mas não era fome. Aí comecei a ler um livro, mas não era tédio. Tava precisando de alguém, só podia ser isso. Então fiquei com um cara, mas não era carência. Ou era tudo junto, não sei. Só sei que as coisas me enchem ou me faltam demais e eu não consigo achar um equilíbrio. Não tô dando conta de mim e ninguém mais dá também. Ás vezes ten
ho um corpo, ás vezes uma alma, mas nunca os dois. E pela metade assim não me basta, pouco nunca me roubou a solidão. Na cabeça passam mil filmes, tenho milhares de conversas comigo mesma todos os dias, ensaio falas que nunca são ditas, quase enlouqueço. Ou já enlouqueci. O coração vai batendo cansado, sem motivo pra acelerar. Talvez eu precise de alguém pra ocupar os pensamentos e todo o resto. Talvez eu só esteja em crise e precise melhorar minha relação comigo mesma, me conhecer mais a fundo. Ou conhecer novas pessoas, sair da rotina. Só sei que eu preciso de alguma coisa e preciso pra ontem. Me tira dos dias iguais, da medida de sempre, caminho de sempre, do nada. Me tira da linha, que eu sei o caminho de volta. Quem sabe eu volte em breve ou não volte mais.
Nunca fui de me arriscar e sair pisando em falso, andando onde não tem chão. Mas você parece ser firme e eu quase me jogo, apesar dos pesares. Porque eu te olho e vejo tanta coisa linda, mas vejo principalmente minha possibilidade de felicidade.
Agora você pode continuar saindo com outras garotas e fazer o possível pra tudo parecer familiar, como quando éramos nós. Leva no mesmo lugar, diz as mesmas coisas, faz os mesmos carinhos, mas deixa eu te contar: nenhuma delas nunca vai ser metade de mim, desiste disso.
