Mais que uma Mao Estendida
Durante sua vida, Wesley viajou mais de 402.336 quilômetros e pregou mais de 40.560 sermões.
Word and Table: Recovering the Evangelical and Sacramental Legacy of John Wesley — Firebrand
As vezes, a vontade de morrer e mais forte do que estar vivo. Mas depois lembro que todos estamos mortos por dentro
Eu tive erro há mais de 30 anos, tive acertos menos 15 anos, tive muita sorte por ter família e amigos próximo a mim, e sou grato a Deus por tudo.
Muitas vezes você deverá dar dois ou três passos pra trás, para andar cinquenta pra frente.
Seu porto seguro e a família, que faz toda a diferença quando precisamos recalcular a rota ou celebrar as vitórias.
Ricardo Colares Viga
Por mais que aparente, eu não sou um pássaro. Posso saber bem imitar o canto de alguns, porém, realmente não sei o que querem dizer.
Carta IV — A Solidão: Reflexão sobre a solidão e o tempo
Mais oito anos haviam se passado, e as rugas no meu rosto tornavam-se evidentes; os meus ossos perdiam cada vez mais a força; o tempo revelava-me o cansaço. A solidão sufocava-me como espinhos na garganta; os meus lábios secaram como um rio sem água; a sede matava-me aos poucos.
Já não havia urina no meu organismo. Tentei beber as minhas próprias lágrimas, mas também secaram. Os ratos já não me alimentavam; agora alimentavam-se da minha carne. Meus cabelos caíam sozinhos como folhas de uma árvore, e a minha pele amolecia como mingau. Os meus olhos enchiam-se de fadiga; sofria de insónia. O corpo produziu bactérias que me corroíam por dentro.
Quis suicidar-me, mas não encontrava forças para fazê-lo. Já não restou dedo algum nas minhas mãos: devorei-os todos para terminar de vos escrever esta carta.
O fundo das paredes oferecia um profundo silêncio. Ainda assim, era meu desejo voltar a ouvir, só mais uma vez, o grito alegre das crianças na aldeia de Kandembe; o canto dos pássaros na floresta de Mayombe; o canto do galo nas madrugadas; o sorriso das senhoras quitandeiras no mercado de Kalukembe.
Infelizmente não pude concretizar esse desejo. As correntes no meu pescoço e as grades que me prendem não me permitem realizá-lo. Aliás, já não me resta muito tempo. A solidão tornou-se um vício que se alimentava da minha penúria e dos traumas da minha lembrança. Quanto mais próximo dela eu me encontrava, mais perto me sentia da morte.
Talvez…
Será que devo arrepender-me das minhas escolhas?
Será que fui ingénuo ao preservar os meus ideais?
Será este o preço a pagar por ser diferente deles?
De que vale estar livre do calabouço, se lá fora continuarei a ser escravo?
De que adianta recuperar a voz, se lá fora me haverão de retirá-la?
De que vale livrar-me destas correntes, se lá fora existirão outras algemas à minha espera?
Aqui, ao menos, ainda posso falar, pensar alto e questionar.
E lá fora?
Não me haverão de censurar por pensar?
Não me haverão de açoitar por falar?
Não me irão condenar por contestar?
Não me irão matar por questionar?
A dúvida, o ceticismo e o remorso ganharam espaço na minha mente e no meu coração.
Tentei conversar com as paredes, mas elas não possuíam ouvidos. Procurei perguntar aos espíritos daquela masmorra, mas já haviam partido. As caveiras ao meu redor exigiam silêncio. E as únicas coisas que ainda podiam dialogar comigo eram a morte e a solidão.
No fim das contas, até a mais bela cebola apodrece. E quando chega ao estado de putrefação, o que resta são apenas traços do quão desejável ao paladar ela já foi. [...]
A natureza concebe-nos esbeltos, diferentes e, às vezes, sentimos aquela sensação de que "somos os únicos". Mas o que ela própria ilustra transcende as nossas efémeras opiniões. Pois, afinal, todos partilhamos, unanimemente, da mesma realidade: temos prazo de validade.
Não me ligues. Desligue.
Só percebi ontem que as pessoas "realmente" envelhecem.
A cada dia que passa as relações humanas tornam-se mais complexas - até as ALMAS GÊMEAS estão
se tornando
ALMAS ALGEMADAS.
Há pais que passam a vida inteira chamando de amor aquilo que, na verdade, é a mais refinada forma de sabotagem. Blindam os filhos contra a dor, contra a disciplina, contra o “não”, contra as consequências… e depois se espantam ao descobrir que criaram adultos incapazes de enfrentar a própria existência. Quem elimina todos os obstáculos do caminho do filho não facilita a caminhada; elimina o caminhante. No lugar de consciência, instala dependência. No lugar de caráter, conveniência. No lugar de responsabilidade, vitimismo. E, quando os pais já não conseguem sustentar o peso que criaram, a vida apresenta uma conta que nem dinheiro, nem patrimônio, nem herança conseguem pagar. Porque a pior pobreza não é faltar recursos; é faltar estrutura para existir sem alguém que continue sustentando aquilo que a educação nunca construiu.
Não há ato mais irresponsável do que transformar um filho em um eterno dependente e chamar isso de amor. Amor que poupa da disciplina não ama; enfraquece. Amor que livra das consequências não protege; incapacita. Amor que compra silêncio, evita conflitos e remove cada obstáculo não educa; domestica para a dependência. Pais assim não criam homens e mulheres livres, mas adultos que esperam ser sustentados financeiramente, emocionalmente e moralmente por alguém. Quando os pais já não estiverem presentes, esses filhos descobrirão, da forma mais cruel, que ninguém herda competência, caráter, responsabilidade ou maturidade. Tudo aquilo de que foram poupados na infância a vida cobrará na idade adulta, com uma diferença devastadora: a infância admite desculpas; a realidade, não. Educar não é facilitar a vida dos filhos. É impedir que eles se tornem incapazes de viver sem os pais. Quem não compreende essa diferença pode deixar patrimônio, imóveis e dinheiro, mas terá falhado na única herança que realmente importa: formar um ser humano capaz de permanecer de pé quando não houver mais nenhuma mão para segurá-lo.
Os pais que mais poupam os filhos costumam ser os mesmos que mais empobrecem o futuro deles. Poupam do esforço e colhem a preguiça. Poupam da disciplina e colhem a indisciplina. Poupam das consequências e colhem a irresponsabilidade. Poupam da frustração e colhem a revolta. Poupam da realidade e colhem adultos que vivem em guerra contra ela.
Toda vez que um pai faz pelo filho aquilo que o filho já deveria fazer por si mesmo, não demonstra amor; decreta uma pequena falência da educação. E falências morais não aparecem no extrato bancário, aparecem no caráter.
Há pais obcecados em deixar herança, mas completamente desinteressados em deixar herdeiros. Acumulam patrimônio enquanto desperdiçam princípios. Financiam confortos enquanto hipotecam consciências. Protegem o corpo dos filhos e abandonam a formação da alma.
No tribunal da vida, a sentença é implacável: a conta que os pais poupam na infância é a conta que os filhos pagarão na maturidade. Porque toda proteção que substitui a educação deixa de ser amor e passa a ser uma dívida. E dívidas educacionais não vencem no banco; vencem na consciência, na dignidade e na incapacidade de caminhar sem alguém empurrando por trás.
Quando os pais têm mais medo de desagradar os filhos do que de fracassar como educadores, a infância vence, a maturidade perde e a família inteira paga a conta.
Enquanto o mundo procura maneiras de tornar a vida mais confortável, eu procuro maneiras de tornar a consciência mais incontornável; porque civilizações não entram em decadência quando lhes falta riqueza, mas quando lhes sobra justificativa para abandonar a verdade.
“O escravo mais eficiente não é aquele que tem correntes nos pés; é aquele que carrega correntes na mente e chama isso de liberdade.”
Vamos repensar?
Kant — “Ouse saber.”
“Ousar saber é mais do que buscar conhecimento; é ter coragem de abandonar certezas confortáveis. A maior prisão do homem não é a falta de inteligência, mas o medo de pensar diferente da maioria.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
Pascal — “O homem é apenas um caniço, o mais fraco da natureza; mas é um caniço pensante.”
“O homem não é grandioso apenas porque pensa; é grandioso quando usa o pensamento para superar seus próprios limites. Uma mente brilhante sem consciência pode criar progresso externo e destruição interna.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
Darwin — “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”
“Adaptar-se é necessário, mas adaptar-se a tudo pode ser o início da perda da própria essência. Sobreviver exige flexibilidade; evoluir exige discernimento.”
Carlos Eduardo Balcarse
Vamos repensar?
Michel Foucault — “O poder está em toda parte.”
“O poder mais perigoso não é aquele que obriga o corpo, mas aquele que convence a mente. A maior prisão é aquela em que o prisioneiro acredita estar livre.”
Carlos Eduardo Balcarse
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