Mais que uma Mao Estendida

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Ponha uma pedra pesada em cima dos julgamentos de quem não se importa contigo e siga em paz o teu caminho. Deus te fez em beleza, obra prima de Suas Mãos. Diante disto, o que mais importa? Ser feliz, em paz, em gratidão, em harmonia... e surdo... a tudo que não constrói.

Uma mulher não deve sequer olhar
para um homem que não é capaz
de fazer o mínimo para estar ao seu lado.

Quem sabe apenas sua parte sobre uma questão, nada sabe sobre ela.

A foto é literalmente uma emanação do referente. De um corpo real, que estava lá, partiram radiações que vêm me atingir, a mim, que estou aqui; pouco importa a duração da transmissão; a foto do ser desaparecido vem me tocar como os raios retardados de uma estrela. Uma espécie de vínculo umbilical liga a meu olhar o corpo da coisa fotografada: a luz, embora impalpável, é aqui um meio carnal, uma pele que partilho com aquele ou aquela que foi fotografado.

Amar de verdade é esquecer um pouquinho de si mesmo. Se você já se esqueceu num cantinho como uma criança de rua, carente por causa do amor, não se culpe. Você só mostrou, ainda que seja difícil mostrar alguma coisa nesse mundo de aparências, falsidades e medos, que você tem coragem para amar. Parabéns, mas chega. Se não houver troca, chega, porque amar sozinho é solitário demais, abandono demais, e você está nessa vida para evoluir, não para sofrer.

É preciso rebolar para atrair uma multidão. Se eu só ficasse lá parado, cantando, sem me mexer, as pessoas diriam que poderiam ficar em casa, ouvindo os meus discos. É preciso montar um show para as pessoas.

Elvis Presley

Nota: Em entrevista

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida.

Estou num dia em que me pesa, como uma entrada no cárcere, a monotonia de tudo. (...)
O mundo é coisas destacadas e arestas diferentes; mas, se somos míopes, é uma névoa insuficiente e contínua.
O meu desejo é fugir. (...) Desejo partir (...) para o lugar qualquer (...) que tenha em si o não ser este lugar. Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias.

Ela, volta e meia, era uma mulher.

Clarice Lispector
Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

Nota: Trecho do conto A mensagem.

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Tem uma coisa que ninguém sabe: Meu coração vai continuar sendo dele, mesmo que o tempo passe.

Ele, a quem eu nada podia dar senão minha sinceridade, ele passou a ser uma acusação de minha pobreza.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Os grandes amigos.

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A neve cai. Há uma mulher nua no meu quarto. Os olhos pousados na carpete cor de vinho. Tem dezoito anos. E os seus cabelos são lisos. Não fala o idioma de Montreal. Não se quer sentar. Não parece ter a pele arrepiada. Ficamos os dois a ouvir a tempestade.

O que te deixa vulgar não é uma roupa curta. Vulgar é ter o cérebro do tamanho de um shorts e achar isso bonito.

Em Minas, não se aborrecia tanto, por quê? Não achou solução ao enigma, uma vez que o Rio de Janeiro tinha mais em que se distrair, e que o distraía deveras; mas havia aqui horas de um tédio mortal.

Machado de Assis
Quincas Borba (1891).

Não pode existir guerra santa, isso é uma contradição em termos...

O dia apresentava como que envolvido por uma névoa branco-acinzentada e chegava a lembrar o famoso fog da Inglaterra. No ar pairava uma coisa mágica que só os ingleses também sentem como uma coisa natural, que faz parte deles, que nasceu com eles. Eu caminhava absorto e atento ao mesmo tempo, completamente envolvido por tudo o que estava à minha volta, e ao mesmo tempo completamente tomado pelo ambiente que me envolvia em seu clima a cada instante, me levando a esquecer que existia qualquer outra coisa que não fosse aquilo. E foi nesse estado que de repente fui tomado de surpresa e "volta à realidade", por um barulho alto, estridente e agressivo pela surpresa com que se fez ouvir. Parei como um gesto de defesa e precaução instintivo, sentindo o coração acelerado e o sangue correndo em todo o meu corpo, me colocando todo em posição de ataque contra o que havia se intrometido em minha privacidade de uma maneira tão inconveniente.

E qual não foi minha surpresa ao deparar com um ser nunca visto por mim nem parecido, em qualquer parte do mundo ou em qualquer coisa. Era como um velho de longas barbas brancas, nu, magro, mostrando as costelas que lhe pulavam no corpo. Os cabelos longos e lisos caídos pelas costas e braços finos e ossudos, um sorriso meio sarcástico dentro de um ar inteligente (gosto muito de pessoas com ar inteligente) e um olhar azul onde se poderia ver claramente uma segurança e uma certeza de saber que ali o que podia conduzir as coisas era ele, e não eu como sujeito fraco e medroso com o fato de temer o inesperado.

- Ei, você também é um inesperado para mim (disse ele como se eu tivesse dito qualquer coisa a esse respeito), pois nunca o vi antes e você invadiu o meu ponto.

Quase sem conseguir balbuciar qualquer palavra, respondi:

- Que... Que é você?

- O que você quiser que eu seja - respondeu-me como se isso fosse fácil para mim de entender.

Depois de alguns segundos, sentindo aquela presença que me fixava e transmitia milhões de sentimentos nunca antes experimentados por mim, tentei entabular uma conversa..

- Olha, não estou entendendo nada, não sei como nem de onde você apareceu, mas o que é que você quer?

- Ora - disse o velho -, como já disse, você entrou no meu ponto. Eu estava descansando aqui quando você me pisou me ignorando completamente. Voê acha que pode sair por aí pisando nas pessoas, como se elas não existissem?

- Mas eu não o vi. Não havia nada aqui a não ser essa àrvore, algumas pedras e grama...

- E você diz que isso é só? Eu sou isso tudo. Eu sou a grama deste lugar e estando em contato com a árvore sou também um pedaço dela, e as pedras também me compõem.

- Ora, mas isso existe em todo esse lugar, e até agora não havia ninguém reclamando nem comigo nem com ninguém. Onde estão os outros?

- Ah, eles normalmente quando vêem vocês (humanos) se aproximando, ou se escondem embaixo da terra ou voam e ficam esperando que vocês passem para que possam voltar aos seus devidos lugares. Mas eu já estou velho e me cansa muito todo esse exercício de subir e descer. Vocês deveriam sentir mais as coisas em volta de vocês, não acha?

- Sim, sim, você está certo, mas realmente estamos acostumados a fazer isso como se fosse nada.

- Ah, ah, aí que está. Vocês não querem se aperceber do que existe por que é muito mais cômodo desconhecer do que tomar consciência, não é? isso implica cuidado, cautela, respeito e consideração, e pra vocês, já pude notar que é bastante dificil. Oh, vocês são tão complicados. É só uma questão de despertar os sentidos e desenvolvê-los, já que eles fazem parte de vocês.

Mas sente aí. Não há ninguém por perto no momento.

Aceitei o convite e sentei ao lado daquela figura que se espalhou pelo chão como uma sombra-água, sem forma e descontraída.

Seus olhos agora estavam fixos numa folha que lhe roçava os lábios, e comeu-a inesperadamente.

- OK, venha comigo. - E, sem me dar tempo para pensar, levou-me com ele para sua forma, para seu mundo.

(1977)

Meu temperamento mudou: tornei-me caprichoso, difícil e irritável. Parecia-me que uma única virtude me dispensava de todas as outras. Odiava-te por não conseguires proporcionar-me a calma com a qual havia contado e que não pedia, embora fosse o que mais desejava obter.

Uma mulher tomou um trem e foi-se embora muito infeliz, como devem ser as mulheres que tomam trens.

Uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim.

Caio Fernando Abreu
Cartas: Caio Fernando Abreu. Florianópolis: HB, 2016.

E o ser humano pode tolerar uma semana de sede, duas semanas de fome, muitos anos sem teto, mas não pode tolerar a solidão. É a pior de todas as torturas, de todos os sofrimentos. Cada um de nós é responsável por aquilo que sente, e não podemos culpar o outro por isso.