Mais que uma Mao Estendida

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TE ESQUECER EM PARIS

Nos becos da velha Paris;
Nos braços de uma mademoiselli qualquer,
Refiz minhas noites de solidão
E consumei o ato de amar quem me quer.

Monet ainda teimava em acompanhar-me;
Aquele refinado impressionismo já não me convence mais.
Perdi-me nos longos bares de whisky barato
E lá morri toda noite buscando um pouco de paz.

Eu vi o outono chegar e levar as últimas folhas secas
E ainda vi o inverno gelado nevar a minha cabeça.
Eu vi meu corpo envelhecer amiúde e chorei;

E um dia vi as luzes se apagarem atrás de mim
E a última nota do violino se despediu.
Percebi que ainda havia tempo de recomeçar e voltei.

A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta.

Fernando Pessoa
Erostratus. in: Páginas de Estética e de Teoria Literárias. Lisboa: Ática, 1966.

Embora saibamos que a morte é uma parte da vida,
Parece que jamais estamos preparados o suficiente,
Quando aparece bem na nossa frente, se encarrega,
Carrega doente e desaparece com a gente da gente!
Guria da Poesia Gaúcha

Imagina tu, leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos Impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das coisas. Tal era o espetáculo, acerbo e curioso espetáculo. A história do homem e da Terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim, – flagelos e delícias, – desde essa coisa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo.

Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás Cubas (1881).

Se um jacaré arrancasse o braço esquerdo de um otimista, ele poderia dizer em uma voz agradável e esperançosa, "Bem, isso não é muito ruim, eu não tenho mais o braço esquerdo, mas pelo menos ninguém vai me perguntar se eu sou canhoto ou destro" mas a maioria de nós diria algo mais nas linhas de, "Aaaaaah! Meu braço! Meu braço!".

La fora uma garoa fina e insistente, aqui dentro, nossa, um diluvio

A vida é uma escola onde o diploma é o atestado de óbito.

Uma vez que se privou o homem da verdade, é pura ilusão pretender torná-lo livre. Verdade e liberdade, com efeito, ou caminham juntas, ou juntas miseravelmente perecem.

A vida é como um quebra-cabeças, sabe?
Muitas vezes encontramos uma peça muito semelhante com a que procuramos. Então você a encontra e tenta encaixá-la no espaço vazio. Até que ela se encaixa. Fica apertada, diferente talvez, mas se encaixa. Só que dura pouco tempo. Pois aquela não é verdadeira peça. Nunca irá se encaixar com perfeição. E você pode acabar estragando-a, sem querer. Então você se dá conta disso apenas no fim da montagem. Retira a peça errada com tristeza. Sim, tristeza. Pois a peça, mesmo errada, parecia por um instante ótima ali, ao invés do espaço vazio. Mesmo assim, retira ela. Começa a procurar pela peça verdadeira. Sacode a caixa pra ver se ela está ali, perdida. Procura no chão. Procura em todos os lugares possíveis. Procura no meio das outras peças. Procura. Procura. E não acha. Então você decide não montar mais. Deixa o quebra-cabeças de lado. O tempo passa e você decide voltar a montá-lo. Distribuí as peças conforme as cores e vê o vazio daquela peça ainda ali. Não sacode a caixa. Não procura no chão. Não procura no meio das outras peças. Não faz absolutamente nada. Apenas olha e a vê bem ali, na sua frente. Ela se encaixa perfeitamente no espaço. A verdadeira peça. Naturalmente. Sem força. Sem empurrões. E você pergunta a peça porque ela tinha desaparecido. A peça responde que não havia desaparecido. Sempre esteve ali, na sua frente. Esperando ser notada. Esperando ser vista. Não era uma questão de procura. Era uma questão de paciência. O mesmo acontece com o amor. Você procura, procura e procura. Encontra peças erradas que fingem se encaixar. No entanto, a sua peça verdadeira está lá. Em algum lugar. Esperando que você pare de procurar e olhe com calma. Olhe pra frente. Talvez o seu amor esteja bem perto de você. Pode ser que você o já conheça ou não. Pare de ir atrás das borboletas por um momento. E pare de enfeitar o jardim. Apenas fique ali, observando. Deixe o tempo passar. Às vezes quem corre demais não é visto.

Se a vida não facilitar, colocando um mar entre você e seu sonho, construa uma ponte.

Se uma pessoa me disser que é errado ter esperança, eu responderei que ela está errada, todas as vezes.
Eu poderei responder isso para sempre.

O que faz uma mulher ser diferente, não é o tom da maquiagem... seus atos e atitudes, definem o brilho de sua
imagem.

Borbulhante

Guardei meu poema dentro de uma bolha de sabão.
Como não ficar seduzida
Pela circunferência lisa e transparente,
Onde o arco-íris passeia docemente,
E morre de amores pela espuma colorida?

Acomodada na nova moradia,
O poema suspirou e adormeceu.
Quando acordou já não mais me pertencia.

A bolha de sabão se deslocara
E o poema apaixonado que eu criara
Descobriu de repente que era teu.

Busco uma explicação para minhas crises existenciais!
Logo percebo que todas aquelas que vivi me trouxeram muitas coisas a favor... Se todos parassem em algum momento para se julgar e ver o que acontecendo ao seu redor, perceberam suas falhas e suas deficiências, no sentido próprio da palavra, pois assim podemos analisar e querer-se corrigir... Pois uma hora temos que engolir nosso orgulho, para perceber que nem todos nossos atos são 100% corretos e em alguns casos totalmente errados! Para assim correr atrás dos seus delitos e tentar remediar aquilo que talvez possa ser desfeito. Às vezes esses pensamentos rígidos com sigo mesmo trazem também Novos horizontes e sentimentos que antes passará despercebido. Ou ate mesmo podem expor para nós a dura e magnifica realidade, que faz perceber que não se deve querer moldar tudo ao seu favor e muito menos cobrar algo de pessoas que não são capazes de entender a complexidade da sua essência! Então que venham diversas outras crises e autocorreções para que assim me ajudem a compor cada vez mais meu SER....

Após tomar uma decisão que não lhe permite voltar atrás, a aceitação é o único conforto.

Quem gosta liga no dia seguinte, manda uma mensagem de "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite". Quem gosta dá um sinal, nem que seja de fumaça. Quem gosta se importa, se importa com o seu sentimento, se importa com o seu dia, se importa com aquilo que é importante pra você. Quem gosta fica, nem é necessário pedir, implorar, quem gosta fica, porque quer ficar. Quem gosta mostra que gosta, faz questão de demonstrar. Quem gosta não fica falando que gosta só pra você se sentir melhor, quem gosta faz com que você se sinta bem naturalmente. Quem gosta volta e pede desculpas, mesmo não sendo o culpado. Quem gosta renúncia. Quem gosta não se arde em ciúmes. Quem gosta é humilde. Quem gosta é sincero. Quem gosta, gosta de você pelo o que você é e não pelo o que você tem.

Toda a vida é uma escravidão:
Estamos todos ligados à fortuna: para uns a cadeia é de ouro e frouxa, para outros é apertada e grosseira; mas que importa? Todos os homens participam do mesmo cativeiro, e aqueles que encadeiam os outros, não são menos algemados; pois tu não afirmarás, suponho eu, que os ferros são menos pesados quando levados no braço esquerdo. As honras prendem este, a riqueza aquele outro; este leva o peso de sua nobreza, aquele o de sua obscuridade; um curva a cabeça sob a tirania; a este sua permanência num lugar é imposta pelo exílio, àquele outro pelo sacerdócio. Toda a vida é uma escravidão. É preciso, pois, acostumar-se à sua condição, queixando-se o menos possível e não deixando escapar nenhuma das vantagens que ela possa oferecer: nenhum destino é tão insuportável que uma alma razoável não encontre qualquer coisa para consolo.”
(Da Tranquilidade da Alma)

Eu tenho uma ideia de quem quero ser e tenho uma visão do meu próprio sucesso.

Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Cai no álbum de retratos.

Para tudo existe uma solução. Se acreditar, ótimo. Não acredita? Sinto muito.