Mais que uma Mao Estendida

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Construíram uma ponte para ligar dois países, mas esqueceram de libertar o povo que não pode atravessá-la. Afinal, de que serve uma ponte para quem vive preso dentro das próprias fronteiras?

Você é como uma manhã de inverno sem neve: triste e decepcionante.

Ser decepcionado por alguém é uma experiência que todos enfrentam em algum momento da vida. A primeira vez costuma ser inesperada, quase como um choque. A decepção chega de surpresa, porque ainda acreditamos na imagem que criamos da pessoa. Na segunda vez, já não há o mesmo espanto: é um aviso. Um sinal claro de que algo não está em equilíbrio. Porém, quando a mesma situação se repete mais de duas vezes, já não estamos mais diante de um simples erro do outro, mas diante de uma escolha nossa.

É duro admitir, mas a insistência em permanecer em um ciclo de decepções revela mais sobre o que aceitamos do que sobre o que nos fazem. Quando alguém mostra repetidamente quem é e ainda assim escolhemos ficar, a dor que sentimos deixa de ser apenas consequência do comportamento alheio. Passa a ser também o resultado de nossa permissão silenciosa. Nesse ponto, não se trata mais apenas do outro, mas do limite que colocamos , ou não colocamos em nossa vida.

Decepções que se repetem são lições não aprendidas. Elas carregam a mensagem de que precisamos olhar para dentro de nós mesmos, identificar o porquê de tolerarmos atitudes que ferem, e entender que não merecemos menos do que respeito e verdade. Continuar em um vínculo que machuca é como insistir em uma porta que já demonstrou estar fechada. A cada tentativa, a frustração aumenta, e o coração se desgasta.

É natural querer acreditar que as pessoas mudarão, mas a transformação não acontece pelo nosso desejo. Cada um só muda quando reconhece a própria necessidade. Enquanto isso não ocorre, a escolha de permanecer se torna um fardo que carregamos sozinhos. Por isso, compreender o valor do “basta” é um ato de coragem. Ele não representa desistência, mas sim a defesa da própria dignidade.

O coração pede, em silêncio: “me escolha desta vez”. Escolher-se significa priorizar a própria paz, mesmo que isso implique deixar para trás quem gostaríamos que tivesse ficado. É doloroso, mas também libertador. Quando aceitamos que não temos controle sobre os atos do outro, mas temos total controle sobre o que permitimos em nossa vida, damos um passo rumo ao amadurecimento.

A repetição da decepção serve como um espelho. Mostra-nos nossas próprias fragilidades, nossos medos de estar só, nossas esperanças insistentes. Mas também nos convida a romper o ciclo, a reescrever a história a partir de uma decisão consciente. Afinal, permanecer onde não há reciprocidade é se condenar a reviver a mesma dor inúmeras vezes.

Aprender a se escolher é, portanto, uma prática de amor-próprio. É entender que a verdadeira lealdade deve começar dentro de nós. Quando decidimos dar prioridade ao que nos faz bem, abrimos espaço para relações mais saudáveis, autênticas e respeitosas.

Ser decepcionado não é o fim. É um chamado para enxergar a verdade, para aprender sobre limites e para crescer. A vida não se resume àqueles que nos ferem. Pelo contrário, ela se expande quando entendemos que merecemos vínculos mais sinceros. E, quando escolhemos a nós mesmos, não perdemos , ganhamos de volta a liberdade de viver em paz.

Por André Luiz Santiago Eleuterio.

Conquistar o mundo inteiro é apenas uma fração de segundo que se eterniza na história; a verdadeira glória, no entanto, não está em dominar impérios, mas em governar a si mesmo e atravessar a pedra que há no meio do caminho.

Uma instituição pode reconhecer todos os direitos de um indivíduo e, ainda assim, negar-lhe o direito informal de existir dentro dela.

Jeremias 32:40

E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.

“A aliança de Deus não é temporária: Seu amor permanece, Seu cuidado continua e Sua presença nunca abandona”.

Lucas 17:24

Porque, como o relâmpago, que faiscando desde uma parte do céu, resplandece até outra parte do céu, assim será também o Filho do homem no seu dia.

"Brilhante como o relâmpago, inevitável como o Seu dia. Oh! Maranata, ora vem, Senhor Jesus."

Eu não espero reciprocidade. Uma mente madura consegue compreender que cada pessoa tem sua própria maneira de pensar, agir e demonstrar o que carrega dentro de si. Mas também entende que existe uma diferença entre não esperar nada em troca e aceitar relações, ambientes ou situações em que apenas um lado se dedica.

Existe uma reflexão que diz que não são as cercas que mantêm as ovelhas no aprisco, mas a qualidade do pasto. E essa ideia vai muito além das relações afetivas. Ela se aplica às amizades, à família, ao trabalho, às relações profissionais e a todos os espaços dos quais fazemos parte.

As pessoas não permanecem verdadeiramente porque são obrigadas, porque têm medo de partir ou porque alguém exige sua presença. Elas encontram motivos para permanecer quando existe respeito, reconhecimento, confiança, cuidado e valor naquilo que compartilham.

Isso não significa fazer o bem esperando uma recompensa, tratar alguém bem esperando vantagens ou oferecer algo apenas para receber o mesmo de volta. Significa compreender que toda relação saudável precisa de condições para existir, crescer e fazer sentido para quem dela participa.

Não podemos exigir que todos tenham os mesmos valores, a mesma disposição ou a mesma forma de demonstrar consideração. Cada pessoa oferece o que pode e o que escolhe oferecer. Entretanto, também temos o direito de avaliar onde estamos investindo nosso tempo, nossa energia, nosso conhecimento e nossa dedicação.

A maturidade está em não precisar cobrar constantemente aquilo que deveria fazer parte de uma relação saudável, mas também em não confundir generosidade com obrigação de aceitar qualquer coisa.

Isso vale para quem permanece em uma amizade, para quem se dedica a uma família, para quem veste a camisa de uma empresa, para quem acredita em um projeto e para quem escolhe caminhar ao nosso lado. Lealdade não se sustenta apenas por compromissos assumidos, assim como dedicação não se mantém indefinidamente em ambientes que não reconhecem seu valor.

No fim, talvez a grande questão não seja como convencer alguém a ficar, como fazer alguém retribuir ou como exigir mais comprometimento. Talvez seja compreender o que estamos construindo, que tipo de ambiente estamos oferecendo e se aquilo que pedimos aos outros também existe naquilo que entregamos.

Porque cercas podem manter alguém dentro de um espaço, mas é a qualidade daquilo que se encontra nele que dá sentido à permanência. E isso não se aplica apenas às pessoas que passam pela nossa vida, mas também aos lugares que ocupamos, aos projetos que abraçamos e aos valores que escolhemos sustentar.

é UMA luta por dia.
E SE QUISER.


há dias em que viver
é um verbo empurrado pr’amanhã.


a gente acorda no ontem,
carregando restos que viraram peso,
pendurando no corpo memórias mal digeridas,
ressacas de um tempo que não soube parar.
corre no hoje,
com o coração batendo metas,
com a cabeça tropeçando nas horas,
com a alma tentando lembrar que ainda é manhã
mas já se cobrando como se fosse tarde.
e só entrega no depois –
no depois que nunca chega inteiro,
porque quando chega
já virou mais uma tarefa vencida,
mais um alívio breve,
mais um acúmulo na agenda da exaustão.
o corpo levanta,
mas a alma ainda dorme –
ou melhor,
a alma continua trabalhando
enquanto o corpo finge que descansa.


tudo exige,
cobra,
grita,
empilha tarefas como quem empilha pedras
nas cachoeiras ‘marasmas’.


não há pausa,
não há freio,
não há colo.
só uma esteira que gira
e gira
e gira,
até que vem a vertigem
e a gente esquece
de onde veio
e sequer sabe
pra onde vai.


a vida virou isso:
uma dialética sem síntese.
uma luta sem trégua.
uma demanda que gera outra,
e mais outra,
e mais outra…
até o infinito de um dia comum.


preciso acordar amanhã cedo.
[são 2h37 da madrugada]
e o sono se recusa a vir deitar comigo.


e mesmo o descanso
[quando vem]
chega culpado,
envergonhado,
pedindo licença
num lugar onde o silêncio é luxo
e o cansaço é fraqueza.


mas ainda assim,
às vezes,
há brechas.


um café que se toma mais lento,
uma rega nas plantinhas com amor,
um vento no rosto,
um canto de passarinho
que rompe o pedido de pressa.


nessas fissuras do tempo,
a gente lembra:
sentir cansaço também é estar vivo.
não dar conta também é verbo.
parar também é verbo.
existir não é produção.


e talvez a revolução
seja, primeiro,
descansar.


então,
amanhã,
lutarei apenas UMA luta,
E SE QUISER.

O Estado Manejador parte do reconhecimento de que o desenvolvimento de uma sociedade não depende exclusivamente da liberdade dos agentes econômicos, nem da capacidade interventiva do poder público, mas da qualidade das instituições que organizam as condições de interação entre indivíduos, empresas e organizações.

Às vezes, a gente entende algo horrível e simples:
Nunca nos apaixonamos por uma lembrança.
Não nos aferramos ao passado.
Estávamos apaixonados por alguém que ainda estava vivo, alguém que ainda ria.
Só que já não nos corresponde.

EU NÃO PRECISO PARECER, PRECISO SER.

Não sou uma pessoa que se acha melhor do que ninguém. Gosto da simplicidade, da sinceridade e das relações verdadeiras.

Não sou amigo de todos, porque não confundo educação com intimidade, nem digo que gosto de alguém quando não é de verdade.

Não gosto de usar as pessoas e valorizo profundamente quem também não me usa. Acredito que as relações devem ser construídas com respeito, reciprocidade e verdade, nunca por interesse ou conveniência.

Com o tempo, aprendi a olhar além das palavras. Afinal, falar bonito é fácil; difícil é demonstrar caráter nas atitudes, lealdade nas ausências e sinceridade quando não há nada a ganhar.

Não espero perfeição de ninguém, apenas verdade. Não preciso de muitos ao meu lado, mas faço questão de que os que estejam sejam de verdade.

Porque, no fim, não é a quantidade de pessoas que passa pela nossa vida que importa, mas a sinceridade de quem escolhe permanecer nela.

Que o meu rastro seja o sorriso de uma criança protegida e o silêncio de um animal que não sofre mais.

Uma música pode não mudar o mundo inteiro, mas pode mudar completamente o mundo de alguém.

Uma canção que nasce no silêncio tem o poder de transformar multidões.

O pecado original é uma manobra narrativa para culpar a criatura pelos erros do Criador.

O ser humano é uma fagulha do Absoluto, presa numa experiência criada por um agente limitado.

Ao invés de comprar uma bolsa, compre na bolsa.

Você é uma obra de arte feita manualmente por Deus (...) Você é uma obra-prima exclusiva e feita sob medida.

Rick Warren
Uma vida com propósitos (2002).

O silêncio para o sábio é uma arma, porém para o tolo é um alvo