Mais que uma Mao Estendida

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Se a contagem de motivos pra segurar
Sobrar dedos,
Larga a mão.

Eu vi quem prometeu segurar minha mão,
Soltar, e ir embora sem aceno.
Aprendi que nem toda chegada vira morada.

É melhor ter um passarinho na mão, do que dois voando.

A oração fervorosa do justo move a mão que move o mundo.


Sermons on Several Occasions, Sermão XII, p. 215.

Alone again...
como é possível
viver sozinho?
Viver sem alguém
pra segurar a mão... e pra preencher
o espaço vazio do coração?
Viver assim,
viver bem mal assim bem não faz não..

As tempestades vão tentar nos sacudir, os dias difíceis vão tentar nos distrair, mas a minha mão continuará entrelaçada à sua, firme, quente e presente. Porque amar você não é apenas um sentimento passageiro, é uma escolha diária, profunda e irrevogável. É saber que, enquanto eu tiver pulsação, você nunca caminhará sozinha.
_Enzo Ruchell_

Quem passa o tempo julgando quem estende a mão para ajudar a sair da dificuldade está, na verdade, cavando o próprio caos sem perceber a destruição que causa.

"Boca promete o céu, mão constrói o chão."

Mesmo sangrando, estende a mão também.

Eu não quero ser o furo em quem me estende a mão.

A recuperação começa quando o viciado entende que a mão que o levanta está no final do seu próprio braço.

— Douglas Santos - Os Viciados Estão Sozinhos! Pare de se fazer de vítima.

Se você não pode ajudar, não segure a mão de quem pode.

Por muito tempo eu quis ficar; tentei de tudo, abri mão dos meus sonhos, até envelheci.

Se o que querem te dar for migalhas, deixem que coloquem em sacolas e joguem onde nenhuma mão possa alcançar.

O sofrimento ocupa um espaço imenso. Abrir mão das dores é enfrentar os vazios.

Não se diminua para caber na vida outro, nem abra mão de sonhar para caber numa determinada realidade. Não é porque você está acostumado com o que vive, que precisa abrir mão do que deseja.

Há dias em que algo dentro da gente desperta como quem encosta a mão numa ferida antiga e, pela primeira vez, não recua. Vem uma lucidez quieta, dessas que não fazem barulho, mas deslocam tudo por dentro. Uma compreensão branda de que a vida é feita de tentativas — algumas inteiras, outras tortas — e que não há vergonha alguma nesse descompasso.

Fiquei pensando no quanto a gente insiste em sustentar a pose de quem acerta sempre, quando, na verdade, o amor se constrói é na hesitação. No passo em falso. No gesto que sai pela metade, mas ainda assim diz tudo. Amar é caminhar sabendo que o chão cede, que o corpo treme, que o coração desobedece. E, mesmo assim, continuar.

Há algo de profundamente humano em admitir que não damos conta de tudo. Que tropeçamos nos próprios medos, que às vezes derrubamos o que queríamos proteger. Essa honestidade silenciosa — a de reconhecer nossas bordas — abre um espaço onde o outro pode respirar sem performance, sem armadura, sem exigência de perfeição.

No fundo, acho que a beleza está nesse acordo invisível entre dois inacabados: a permissão de ser falho sem ser abandonado. A coragem de mostrar a rachadura e confiar que ela não será usada como arma. O abrigo construído não pelo acerto, mas pela delicadeza de tentar de novo — e de novo — mesmo sabendo que não existe garantia alguma.

E talvez seja isso que mais me atravessa: a percepção de que falhar não nos faz menores. Às vezes, é justamente o que nos torna verdadeiros. Porque só quem aceita o próprio desalinho consegue amar com profundidade — e permanecer, apesar das quedas, com uma força que não se aprende, apenas se vive.

Ela chega e tudo muda,
Meu coração começa a acelerar,
Eu cumprimento, beijo a sua mão,
E nem sei direito o que falar.


Ela me olha com aquele brilho,
Como se tivesse achado algo raro,
Me chama de amor, de baby, de vida,
E eu fico ali, todo sem jeito.


O jeito dela mexe comigo,
Até quando ela não fala nada,
Só de ter ela perto de mim,
Já muda completamente a minha história.


E eu nem preciso entender tudo,
Só sei que gosto quando ela está aqui,
Porque no meio de tanta gente,
É com ela que eu sempre quero estar.

A PRIMEIRA CARIDADE.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Se nunca estendeste a mão ao desvalido,escuta o que o silêncio tem para dizer:há um reino invisível, augusto e escondido,que somente o amor consegue entrever.

Não julgues caridade como um gesto de grandeza,nem moeda lançada ao acaso, por piedade;é muito mais que esmola, aparência ou nobreza:é repartir de si mesmo a própria humanidade.

É ver, no rosto alheio, o espelho da existência;é compreender que a dor não escolhe condição;que o pobre e o poderoso, em muda contingência,sangram o mesmo sangue sob o mesmo coração.

Caridade é um olhar que devolve o horizonte,quando a esperança dorme à beira do abandono;é ser humilde fonte a dessedentar a fronte de quem fez do sofrimento o seu mais longo trono.

É visitar o enfermo sem prometer milagres;é ouvir o aflito sem cansar-se de escutar;é converter as mágoas em discretos altares,onde a paz aprende, enfim, a germinar.

É perdoar primeiro quando a injúria floresce; calar o orgulho, enquanto o amor toma a palavra; pois toda alma que perdoa silenciosamente tece uma coroa que nenhum tempo deslavra.

Não perguntes quem merece teu afeto ou teu cuidado; o sol não escolhe os campos onde espalhar claridade.Também o coração nasceu predestinado a iluminar sem cálculo: eis a bula, caridade.

Talvez não possuas ouro, palácios ou fortuna; talvez teus próprios dias conheçam solidão; ainda assim, há uma riqueza mais oportuna: oferecer ternura com a sinceridade de irmão.

E descobrirás, então, num júbilo profundo,que quem socorre o outro também se recompõe; porque o amor, quando cresce para aliviar o mundo,ergue primeiro aquele que o dispõe.

Assim, se hoje ignoravas essa divina ciência, leva contigo apenas esta singela verdade: nenhuma vida empobrece quando reparte a essência; todo coração que ama se multiplica para eternidade.

Amor puro é aquele que torce pelo seu crescimento, celebra suas vitórias e segura sua mão em cada tropeço.