Mais que uma Mao Estendida
Busque-me, discípulo
acha-me naquela estação
entre inverno e verão
Ama-me como uma noiva
recém casada; aonde foi
o teu amor?
Enxerga-me outra vez, como
pôde se esquecer? Com os
teus olhos, jamais irá me ver.
Enxerga-me, pois, de olhos fechados.
Procura-me ver, com o teu coração
e me verás novamente, sentirás outra
vez.
Em sua nudez eu não aponto para a tua vergonha exposta, mas cubro-a com novas vestes, vestesde linho branco. Duvide de reis, questione governos, não acredite em tudo que se ouve
Mas como podes duvidar do meu perdão? Como podes questionar meu amor? Como pôde, se esquecer da cruz que tornou do órfão, mais uma vez, filho?
Permita-me cativar-te, não te escondas de mim.
Revele-se, confesse... pois sou o amor restaurador, e desde que encontrou meus pés, esse meu amor
Te encontrou.
Medidas protetivas salvam vidas,podem impedir uma tragédia anunciada.Que a proteção chegue antes da violência,e que nenhuma vida seja perdida por uma ameaça ignorada.
Se existe medo, procure ajuda.Se existe ameaça, não fique em silêncio.Sua vida tem valor,seu corpo merece respeito,e você merece viver sem medo.
Helaine machado
Hoje, 1º de setembro; amanhã 2, depois 3.... Uma cronologia do tempo importante para quem tem boletos a pagar. Para outros que também têm boletos, mas esperança, objetivos e metas consistentes em sonhos de evolução: sejam bem vindos!
Dar forma ao pensamento por meio das palavras é um ato de resistência contra o esquecimento. Uma ideia registrada em um livro é uma voz que continua sussurrando séculos depois de o autor ter silenciado. Mais do que deixar riquezas, o nosso maior desafio é garantir que o pensamento humano continue respirando através das histórias que decidimos contar.
(Marcelo S. Cruz)
Uma ideia registrada em um livro é uma voz que continua sussurrando séculos depois de o autor ter silenciado."
— Marcelo Cruz
nossa liturgia.
Entre nós há uma distância
que nenhum mapa saberia medir,
porque não se mede em léguas
o que duas almas precisam conter
quando nasceram querendo se encontrar.
Há cidades entre nossos passos,
noites inteiras entre nossas mãos,
e uma espécie de silêncio
que aprendemos a chamar de prudência
para não chamar de paixão.
Tu sabe.
Eu sei.
E talvez seja justamente isso
o que torna tudo tão difícil
não há dúvida que nos salve,
nem inocência que nos proteja.
Há apenas essa certeza mútua,
quieta e quase cruel,
de que se fosse fácil,
nós já teríamos vivido tudo.
Porque há um amor reprimido
morando no intervalo das palavras,
um incêndio educado pela distância,
uma vontade que baixa os olhos
toda vez que o desejo ameaça dizer seu nome.
E quando penso em ti,
não penso somente no encontro.
Penso naquilo que viria depois dele
a demora dos dedos,
o repouso da cabeça junto ao peito,
o abraço que não teria pressa de acabar,
como se nossos corpos finalmente descobrissem
uma língua que a boca jamais aprendeu.
Talvez nossas mãos já se procurem
sem que saibam.
Talvez, em alguma noite distante,
quando o sono demora e o quarto se cala,
tu também imagine minha presença
chegando devagar,
como quem atravessa a escuridão
sem querer acordar a saudade.
E eu te imagino fazendo o mesmo.
Dois desejos separados por quilômetros,
dois corações fingindo serenidade,
duas vontades absurdamente próximas
vivendo em geografias diferentes.
É estranho amar assim.
Ter alguém tão perto do pensamento
e tão longe da pele.
Saber o caminho até os olhos,
mas não poder percorrê-lo.
Conhecer a curva do sorriso,
mas não poder guardar o rosto entre as mãos.
Querer dizer fica
quando tudo ao redor insiste em dizer longe.
E talvez seja por isso
que nosso amor pareça tão pequeno por fora
e tão imenso por dentro.
Porque aquilo que poderia ser vivido
precisa ser imaginado.
O beijo se torna hipótese.
O abraço, memória de um futuro.
O toque, uma espécie de oração
que ambos fazemos em silêncio.
Mas há uma coisa que a distância não conseguiu levar
a vontade.
Ela permanece.
Permanece quando conversamos,
quando nos despedimos,
quando fingimos que certas palavras
não carregam segundas intenções.
Permanece naquela fração de segundo
em que nossos olhos se encontram
e ninguém sabe muito bem
quem desviou primeiro.
E se um dia a distância ceder,
se o acaso for gentil conosco,
se as estradas finalmente resolverem
terminar no mesmo lugar,
não haverá muito o que explicar.
Talvez apenas silêncio.
Porque depois de tanto tempo
reprimindo o que sentimos,
o primeiro toque dirá tudo.
E haverá nos nossos corpos
a estranha familiaridade
de quem esperou demais
por algo que sempre soube reconhecer.
Então talvez descubriremos
que não era exagero,
nem carência,
nem fantasia.
Era somente amor
sem espaço suficiente para acontecer.
E quando houver espaço,
quando não houver mais quilômetros
entre a tua mão e a minha,
não haverá pressa.
Haverá fome de presença.
Haverá o abraço demorado
de quem finalmente pode tocar
aquilo que passou tanto tempo
amando de longe.
E talvez seja essa a nossa tragédia
não nos falta amor.
Se ele tenta ser um navio? Sonhador, você está concretado. Se ele tenta ser uma onda? você não tem força para isso farol volte a me orientar
Há caminhos que não escolhemos conscientemente.
Acreditamos estar seguindo uma direção porque decidimos, porque planejamos, porque desejamos chegar a algum lugar. Mas, em silêncio, existem passos sendo dados muito antes de compreendermos para onde estamos indo.
Talvez o destino não esteja à frente.
Talvez ele esteja escondido naquilo que repetimos sem perceber.
Nos encontros que evitamos. Nas pessoas que nos despertam. Nas portas que se fecham. Nas perdas que nos obrigam a abandonar versões antigas de nós mesmos.
O buscador aprende, depois de muito caminhar, que nem tudo o que parece desvio é afastamento.
Às vezes, perder o caminho conhecido é a única maneira de encontrar aquilo que sempre nos encontrou em silêncio.
Existe uma inteligência misteriosa nos ciclos que insistem em retornar.
A vida repete a lição até que a consciência pare de chamar destino aquilo que ainda é escolha inconsciente.
E talvez seja exatamente nesse ponto que algo desperta.
Quando percebemos que não estamos apenas caminhando por uma estrada.
A estrada também está caminhando através de nós.
Há decisões que tomamos com a mente, mas existem outras que parecem nascer de um lugar mais profundo um lugar sem nome, anterior às palavras, onde a alma talvez reconheça aquilo que o pensamento ainda não consegue compreender.
Por isso, nem sempre saber para onde ir é sabedoria.
Às vezes, sabedoria é perceber o que dentro de você está conduzindo seus passos.
Porque aquele que busca apenas chegar pode atravessar a vida inteira sem perceber quem está caminhando.
Mas aquele que silencia e observa começa a enxergar os sinais.
E então entende:
Talvez eu não esteja perdido.
Talvez eu esteja sendo desconstruído da pessoa que precisava acreditar que sabia o caminho.
E, no momento em que deixamos de exigir respostas para todas as perguntas, algo invisível começa a se revelar.
Não como certeza.
Mas como presença.
E somente quem já se perdeu dentro de si compreenderá que existem caminhos que não levam a lugares.
Levam a despertares.
E talvez você já esteja exatamente onde precisava estar...
Mesmo sem saber.
Tenho medo...De que o que eu pensei que era verdade, seja apenas uma alucinação passageira...
Oh céus! Me dê seu amor, mesmo que só por um instante...
Como posso estar tão ciente de que isso não ocorrerá?
De que nunca terei sua atenção?
Óh, céus! Me quebro em pedaços,
Sinto algo que não pode ser correspondido,
Uma carta enviada de volta...sem resposta...
Me desespero e procuro me acalmar de baixo dos alámos, que tentam me consolar...
Mas suas ações não colaboram...
Me vejo em um campo de Jacintos amarelos...
Com o céu estendendo seu véu nebulosoe se desperando junto de mim...
Posso estar exagerando,
Atordoada com a esperança de estar realmente alucinando.
Enquanto isso, vago pelo campo de rosas amarelas, procurando resposta em minhas próprias lembranças e reflexões, mas aparentemente essa neblina em meu caminho não vai sair tão cedo e irei me perder nele, me juntando ao vazio de não saber
UMA DICA DO JAZZ
"O que há de belo na velhice é a poesia da inutilidade." É claro que esta ideia ou ponto de vista não é de um velho, mas pode bem ser de uma jovem que tenta interagir com um velho em profunda decadência física e mental...
Contudo, o velho tem a seu favor a experiência, conhece os atalhos por onde teve que passar, atalhos estes que certamente um jovem ainda não trilhou e nem conhece...
Sempre há uma justificativa para o absurdo, uma causa, um efeito e, a despeito do que podem pensar o velho e o jovem, ambos estão trilhando a mesma estrada, escrita pelo caos. Todavia, como no Jazz, aproveita melhor a falta de harmônia aquele que souber improvisar. A propósito, sou velho e toco jazz.
Evan do Carmo 14/12/2016
"Senhores, não façam da sua vida privada uma um espetáculo público... As redes sociais não são redes de esgoto."
UMA PORTA
uma porta
aberta
ou fechada
é uma porta
não sabe de nada
de pessoa viva
ou de pessoa morta
uma porta calada
fechada pro mundo
segredos ocultos
de vidas passadas
pegadas nas sombras
não revela o futuro
dos rastros do homem
que por ela passou
a porta de bronze
de ouro ou de prata
sisuda, não fala
que o tempo acabou.
a porta, entreaberta
de longe nos acena
uma fresta de luz
de sol ou de lua
mas o povo na rua
a porta esqueceu.
Evan do Carmo - 06/09/2017
VIDA DE PASSARINHO
Pobre do homem que leva uma vida de passarinho. Apenas preocupado com seu deitar e com seu levantar, com seu cansaço e com seu descanso, que vive preocupado em produzir ou caçar como um animal, seu alimento diário, mas que nesta rotina enfadonha e neste trabalho de Sísifo, encontra algum sentido para continuar vivendo.
Que deidade perversa, como Hades, que libertou o homem para voltar a viver em busca da felicidade, representada pela mulher amada, ou como Zeus, que o puniu por enganar a morte mais uma vez, teria submetido o homem comum a tal sofrimento e vida inútil?
Os poetas, contudo, para fugir desta vida vã e deste trabalho de Sísifo, forjaram do nada a possibilidade da vida útil e criativa, inventaram a ilusão e a beleza do abstrato, o prazer eterno nos braços da musa, e a ideia de imortalidade, para no final da vida breve invejar os passarinhos, que não sonham com recompensas metafisicas nem têm delírios de eternidades.
Evan do Carmo
HIPOCRISIA SOCIAL
A palavra hipocrisia, em sua origem, denota a representação de uma personalidade diferente de quem a representa. Em cena, cômica ou trágica, atores mascarados desempenham bem ou mal um papel, fingem ser outra pessoa, contra sua própria natureza.
O fato é que todos nós vivemos em um grande, porem medíocre teatro, e a representação perfeita de quem realmente somos é proibida.
Ao nascer neste palco de loucos, somos convidados a representar, com máscara de hipocrisia aquilo que agrada ao mundo.. Então aceitamos, uns menos convencidos que outros do papel que terá que representar, outros afoitos vão além do enredo, do texto escrito pela circunstância histórico-cultural.
Se do nada, nada pode sair, penso que tudo que criamos poderia ser de outra matéria, caso este destino fosse escrito e encenado de outra maneira.
Texto diário para o blog evandocarmo.com
Foi ontem, quando começou nossa eternidade! Quando nos reconhecemos, assim o amor se fez, de uma vez para nunca mais se repetir igual e tão perfeito!
"O amor tem duas fases, uma é espanto e a outra é saudade...." O amor nunca é conclusão, por ser perfeito, sempre nos tira o sossego e a liberdade."
"A vida poderia ser uma eterna Noite na Taverna, onde os homens contariam seus feitos, reais e imaginários, entre um gole e outro, para entreter e aliviar seus pares das dores do mundo, que se agigantam ao amanhecer."
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