Mais que uma Mao Estendida
Eterno Vergel
Sente-se bem?
Ganhou com o que fez?
A adrenalina deixou o seu sorriso mais sarcástico?
Falou para os amigos e família o que você fez?
Sentiu prazer em pisotear o meu vergel?
O meu vergel é de bits
Ele é apenas a minha arte em fotografia
O meu sentimento em código
O meu delírio mental
É incumbência do tempo fazer desaparecer
o que é material
Vamos cair no esquecimento
Só o meu vergel não irá sumir
E você, lá na sua cerração em ostracismo
Atributos levados da terra, inveja e ciúme
Assistirá o meu vergel brilhando na nuvem.
Porto Maior
O meu éden
O meu lugar de ócio, criativo.
O menor mundo
O mais vasto.
O que não atormenta
Não lamenta
Que sustenta a alma
Que faz viajar ao paraíso.
A cada segundo uma cor
Com as suas nuances loucas.
Histórias que nunca se repetem
Num movimento contínuo
Dando a cada instante
O início à felicidade.
E como melhor privilégio
Todos os caminhos levam
Ao Porto Maior.
Novos tempos
Não estamos mais no tempo dos coronéis
Naquele tempo que o homem tudo podia
Em que as mulheres escravizadas
Aceitavam as regras por intimidação,
As pobres Amélias consumidas.
Ainda existe por aí, homens coronéis,
Que vivem no passado
Achando que indo aos bordéis
Ainda serão reverenciados.
Pobres ignorantes do planeta
Irão ficar somente embriagados.
E agora?
O que devo fazer agora?
Lutar pelo que foi perdido?
Ficar mais pobre de espírito?
Jogar um jogo de cartas?
Empinar pipas na praça?
Movimentar a pedra no xadrez?
Olhar para a calopsita na gaiola?
Ficar por mais tempo livre?
Ler um livro em português?
Dominar a fúria que me consome?
Mirar o míssel para além do horizonte?
Colocar mais dinheiro no cofre?
Mandar flores por e-mail?
Escrever cartas românticas?
Ridicularizar as instâncias?
Fazer mágicas?
Beber uma bebida forte?
Olhar para o teto sem concentração?
Sentir aversão por tudo isso?
Enfrentar a flecha do inimigo?
Com muita coragem
Ficar na forca de frente para a multidão
Sem reverenciar os aplausos e risos à agonia
Que estão a festejar
Com o semblante mais brando
Escutando os risos e aplausos silenciando
Na minha mais sublime sensação
O ápice que se agiganta para minha bem-aventuraça
Que estou a desfrutar.
Diálogo aos celulares a brasileira que ouço todos os dias e, é mais ou menos assim:
Tô no culto falando cum pastô
Cê num vem não?
Tem de vim, ora pra Jesus.
Ai! Só Jesus, pra intender ocê.
Mas se ocê vim, fecha a porta com treta chave
Aí tem muito ladrão drogado.
Dispois, meu namorado vem buscá nóis.
Então nóis vai até ao shopem.
Agente podemos olhá as vitrini.
Dispois ele leva nóis imbora.
Ispera, to ouvindo minha patroa.
- Num sei não onde tá-
Já que ce num sabe se vem
Coloca a comida pra esquentá
E o fango no fono.
Tem cuidado num si quemá.
Aí quando eu chegá
Posso cumê
Lá no shopem e é tudo caro
E nóis num tem dinheiro pra gastá.
Chá
Bebo chá de todos os tipos
Chás para ficar mais calma
Chás para as dores
Chás para tudo,
Mas sempre bastante cética
Da certeza sobre os chás.
Um belo dia resolvi beber um Xá
A partir de então aprendi literalmente,
Que chás são imprescindíveis
Para aliviar todos os males
Dos erros imprevisíveis.
Impecável loucura
O meu lado louco é o mais afável
o mais sincero e enlevado
isento de disfarces;
No meu lado louco
encontra-se a minha sagacidade
distante da loucura normal;
O meu lado louco
não reflete no espelho
é a essência íntima, intangível
uma imagem de mim e que,
pessoas ao ar como fantasmas
tentam alcançar;
O meu lado louco, não domesticável
desobrigado do crivo social
é o enigma que fascina
tornando-me um ícone impecável
que atrai infames iconoclastas.
Saudade II
Sinto muita saudade
das mentiras que me contava
elas me divertiam mais que novas piadas
eu conseguia passar horas e horas a ouvi-las
eram por demais, engraçadas
eu engolia a satisfação, não ria.
Pode me chamar de louca
louca sempre fui um pouco
mas sabendo toda a verdade
e poder ouvir as estórias mais tresloucadas
durante anos a fio da sua boca
era fruição de graça.
Sinto muita saudade
saudade das sua mentiras.
Esquecimento
Não me lembro mais das aventuras que tive
O cheiro não chega mais com o soprar do vento
Tento através de um esforço hercúleo
relembrar dos sorrisos, dos gestos
e dos sons das palavras ditas
e não me lembro
Tentei eternizar o efêmero
foi a minha mais pura tolice
Nasci com inclinação para o imortal sentimento,
me traí, mas não me repreendo.
O vazio do Jeca
Vai lá neguinha
esquentar os pezinhos
é a estação mais propícia
para tomar chá e tirar a cortiça
Vai lá neguinha
seja ao menos coadjuvante
para esse triste cenário
solitário, invernal
leve o seu calor no abraço
nem só de outono
vivem os palhaços.
Na primeira oportunidade que tive em ter
segurei e tive
Tivesse tido antes, teria tido ainda mais que tive
Cultive o que sobrou daquilo que não obtive
me contive.
É triste lembrar da quantidade de idiotas que existem no mundo. Mais triste ainda é saber que do nosso lado existe alguém que não faz parte da exceção.
Meu amor as pessoas são totalmente diferente
dos contos de fadas. mais faça, me ame igual o amor dos
contos de fadas . porque o amor deles nunca acabaram.
" Não encha demais o seu candeeiro
Para mostrar que a sua luz
É a mais forte, mais brilhante.
Lembre-se: A pureza
É o que torna precioso
O diamante."
Maria do Socorro Domingos
O céu de Tupã
já não é mais o mesmo.
Morrem as florestas...
Olhamos a esmo,
Estragos causados
Por devastação.
Adeus, ,passarinhos,
Adeus, fauna e flora!
Toda a natureza
Emudece... Chora!
Preço muito alto,
O da evolução.
EQUIVALÊNCIA.
O teu raciocínio não é mais privilegiado que o meu, apenas pensamos diferente num mundo plural. Há algo mais natural?
Tuas referências são muito importantes, afinal dão parâmetros ao teu posicionamento, as minhas são outras bem preparadas e bem fundamentadas numa coerência que talvez não vejas, mas que está lá. Quem pode julgar quais são mais refinadas? Nem eu, nem tu. Afinal, ainda não podemos ver o todo com toda clareza.
Há muitos homens e mulheres de todos os níveis de instrução, alguns que nunca frequentaram uma sala de aula e outros extraordinariamente eruditos, que defendem o mesmo que defendes. Da mesma forma, há indivíduos bem medíocres e outros da mais alta distinção, doutos e sábios, que pensam parecido comigo.
A partir do momento que um de nós passa a desmerecer o outro, colocando-se como detentor do supra sumo da razão e afastando (de si mesmo, ainda que não perceba) o respeito e a ponderação, este revela quem realmente é e quão rasteiro e pequeno é o próprio raciocínio, pois nele não se encontra valor.
Seja eu ou sejas tu, caboclo ou cientista, tenhais tu ou tenha eu, o ensino primário ou o título de PHD, quando um de nós defende um ponto de vista diminuindo a dignidade do outro, quem revela-se menor é aquele que assim se posiciona.
Somos iguais graças às nossas diferenças, a balança desta equivalência só desnivela-se quando nos desmerecemos e não nos reconhecemos como seres parelhos e limitados, capazes de ver apenas uma fração ou outra do todo.
A paz entre pares só se constrói quando fundamentada no respeito mútuo e na consideração que as divergências nos fazem crescer, desde que alheias a rudeza.
Não é preciso falar ou escrever bonito para expor a própria a verdade, palavras sem sobriedade não agregam e não asseguram congruência. Mais importante que querer falar, é querer falar com temperança.
Viva os pacificadores!
Sei que eles estão entre os que pensam parecido comigo e os que pensam parecido contigo, sejamos como eles.
Desistir, às vezes é a tomada de decisão mais sábia que há!
Desistir de sofrer.
Desistir de amar que não faz questão de ser amado.
E desistir de ser infeliz para buscar a felicidade verdadeira.
De que você precisa desistir?
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