Luz Conhecimento
Eu só queria um punhado de felicidade,
Um átomo de luz nesta treva imunda.
Mas a alma, ferida, clama em vão por paz,
Em meio a este caos, a dor me consome.
A vida, um labirinto sem saída,
Um abismo negro, onde a esperança se afoga.
A carne, prisão da alma atormentada,
Em decomposição lenta, feito folha seca.
O cosmos, indiferente, gira em seu eixo,
Enquanto a Terra geme, em sofrimento eterno.
A ciência, impotente, não cura a dor,
E a fé, um véu frágil, que se desfaz ao vento.
A morte, alívio cruel, me chama a si,
Um sono profundo, sem pesadelos e aflições.
Mas a vida insiste, em sua crueldade,
E eu sigo, arrastando meus passos, em direção ao fim.
Um punhado de cinzas, tudo que restará,
Quando a alma se libertar desta prisão carnal.
E no silêncio do nada, encontrarei a paz,
Que em vida, me foi negada.
Na cripta poeirenta, onde a luz hesita,
Sob arcos quebrados que o tempo medita,
Um homem aguarda, de alma trespassada,
A dama da noite, a espectral amada.
Não carne mortal, mas sombra e desejo,
Com asas de couro e um frio cortejo
De sussurros lascivos que o vento conduz,
Ela emerge das trevas, banhada em não-luz.
Seus olhos são poços de estrelas extintas,
Promessas de gozos e dores infindas.
A pele é alabastro tocado por gelo,
Mas queima o mortal num profano apelo.
Ele busca o toque que a vida abomina,
A garra suave que a carne combina
Com a dor extasiante, o arrepio letal,
Um beijo que rouba a centelha vital.
Entrelaçam-se os corpos em dança sombria,
O mármore frio, a febre que arrepia.
Seu hálito é enxofre e jasmim decadente,
Um vinho amargo que o embriaga e mente.
Mordidas que marcam, não só pele, mas ser,
Um pacto selado no impuro prazer.
O sangue que escorre, um rubro detalhe,
Na tela macabra onde o amor não falhe.
É um amor de abismo, de fim iminente,
Nutrido na ânsia do que é diferente.
Ele, prisioneiro do encanto infernal,
Ela, demônia achando um gozo mortal.
E quando a penumbra reclama seu vulto,
Deixando-o vazio, sozinho, inulto,
Resta a marca na alma, o frio do além,
Do amor proibido com quem não convém.
À LUZ DE LAMPARINA
Tem uma mensagem expressa no neon do outdoor,
O mundo se acaba na Europa,
Horizontes em chamas também na Califórnia,
Eu tento, à luz de lamparina uma frase de amor...
Eu acho que pirei completo,
Não sou poeta muito menos arquiteto,
Talvez uma loucura me sustente;
Talvez o que sustenta esta loucura
O suave perfume das flores,
A brisa e acreditar que deus sou eu...
Ah, meu amor, os loucos bebem o orvalho da madrugada
E a minha sede é de sorrisos estampados,
O ódio se alimenta de carnificina
E a minha rima nasce santa
Porque até as cicatrizes indeléveis trazem ensinamentos.
Eu nunca fui sozinho assim, eu sempre fui solitário;
Mas meu amor, esta ternura de falar sozinho
Talvez seja influencia do meu signo sagitário,
Eu olho estrelas...
Constelações me deixam consternado;
Quantos mundos, quantos Raimundos e Edmundos, tantos otários
E a solidão universal dos nossos olhares
Dói muito menos que a inanição da África
Mas as insignificâncias nada significam,
As insignificâncias não significam nada
o mundo se acaba e o que teremos sido
uns sozinhos, muitos sós e outros solitários...
• Eles chegaram verdes, numa luz esverdeada, esverdeando a caatinga; reverenciaram o rio numa espécie de dança; a noite ficou tão fria ou uma febre aqueceu meu corpo de sustos e ansiedade. Choviam pedaços de luzes de todas as tonalidades e só caiam no leito do rio, a noite estava fantasmagórica alem da assustadora presença de Jupira num longo branco sob o cajueiro centenário: "as mentirinhas morrem afogadas no estio, as verdades florescem as margens do rio..." era uma espécie de ciranda que parecia envolver os invasores; atrás de uma pedra eu observava todo sibilar da nave que derramava luzes a um raio de trinta metros. Nuvens cobriram a lua e as estrelas e começou uma neblina; arrastei-me entre as vegetações até uma cabana próxima onde eu estava enquanto a chuva se tornava mais densa; percebi na cabana Jupira sob a chuva entre os extraterrestres, percebi que ela passava por uma verdadeira metamorfose e também ia ficando esverdeada, os traços do seu rosto, sua pele... jupira dançava com os verdes enquanto uma mangueira com um ruído diferente provavelmente abastecia a nave com a água do rio. Comunicavam-se de uma forma que eu não entendia. mas dava pra perceber: Jupira era um deles, eu só a reconhecia porque ainda estava sob o longo branco . cessou o ritual de dança, cessou também a chuva e o vento; os verdes adentraram a nave enquanto jupira se afastava ouvi então um zumbido ensurdecedor que me obrigou a tapar os ouvidos com os indicadores, por alguns instantes me afastei da porta e quando voltei percebi apenas jupira com o seu longo branco, sob o cajueiro com a sua ciranda esquisita:
•
• "as mentirinhas morrem afogadas no estio
• as verdades florescem às margens do rio..."
Você se foi com a chuva de verão levando o sol e a luz
Pra mim paixão não foi e jamais será aquilo que seduz
Assim eu me pergunto o que é isso então que nada apraz
Sinto saudade e a felicidade eu penso nunca mais
Ficaram sim lembranças doces e jamais esquecerei
Nossos momentos e a cumplicidade que tinhamos em comum
O que vivemos juntos, a dimensão não sei
Mas algo igual jamais encontrei em sentimento algum
Sigo mais triste e mais sozinho embaraçado em meu viver
Tentando acreditar no amor ou algo similar
Eu sou teimoso, leigo e insisto nessa insensatez
O que de nós persiste ainda dá prazer
E isso me intriga e me faz acreditar
Que a chuva de verão que um dia te levou te trará outra vez
GÊNESIS
Deus disse haja luz e a luz se fez...
e Ele separou os dias das noites
nas primeiras manhãs cheias de orvalho, pássaros de flores e de luz,
aquele sentimento de êxtase
diante do tinha criado invadiu seu espírito...
e Ele quis que o homem se sentisse assim
e criou a mulher...
Deus estava apaixonado.
Curvo sob a penumbra ante a luz da lamparina
tateando as emoções tecendo o soneto
meus versos desfilam com clareza alpina
sentimentos que eu julgava obsoletos
a noite me conduz sob uma bruma
a estrofe é o meu próprio dissolver-se
em cada verso minhalma espuma
no rubro sangue de mim faz verter-se
A noite me conduz
o mar é muito mais que luz
é um cancioneiro
cantando uma canção de amor eterno
e nesse mar de imensidão
tem tantos mares a cantar o amor
Beira-Mar
A lua submissa
Mergulha no lago de prata,
Afoga a noite como um espelho;
Traz a luz do firmamento,
Narciso de sentimento,
Passeio nessa praia,
Pisando em estrelas,
Passeio na via láctea
Mais anjo que trovador,
Mais cangaceiro que pirata,
A cidade é adorno de luzes duplicadas,
Pelo espelho da praia
E o satélite me conduz
Como um deus da brisa,
Ou como um ateu sobre o cometa
Soprando a saia da diva
A me fazer sonhar...
TADEU MEMÓRIA
Um dia
Um dia um olhar me atravessou
E o que era lúcido
O que era translúcido
Vadiou na luz da noite,
Partículas de água marinha
Brincaram nos pingos de opalas,
Chovia rubis e cristais,
No orvalhar da matina
E a transparência do amor
Mostrou tons de turmalinas,
Um dia um olhar me atravessou na manhã,
E a luz desse olhar inundou o meu ser
E me fez transparente de felicidade...
A POESIA FAZ O MUNDO GIRAR
A lua minguava no quarto,
No quarto minguante
E antes da luz da aurora
Minha estrofe dizia
Que a poesia faz o mundo girar
A poesia faz o mundo girar
A poesia faz o mundo girar
Respire fundo,
Pise firme,
Morda forte,
Amarre a estrofe,
A trova,
O verso e o reverso
O universo é tão pequeno,
Tão pequeno
Que peno ,
No eixo do mundo
Mal cabe uma estrofe...
A poesia faz o mundo girar,
Faz o mundo girar
O sol nasce todo dia
E a via láctea amamenta seus planetas
E na insolência da tarde
Ardem tezes mais claras
E minha poesia dizia
Que qualquer ausência
Arde mais que qualquer raio de sol
A poesia faz a terra girar
Faz as fases da lua
Só menstrua em anos bissextos
Produzindo mais tempo pra nossa existência...
Nunca essa luz
por ver-me assim tão verme
por desfazer-me
assim neblina,
por conduzir-me sem rima,
mudo acalanto
nina esta ausência
este fazer ruir
nesta desgravidez
neste desencanto,
ausência...
ESTIO
Curvo me sob a penumbra,
Tateando á luz da lamparina,
Este quase prazer literário
De ser só, este quase desejo de sofrer,
Confeccionando da tristeza a rima...
Meus desejos murmuram sob a tumba,
Jaz inerte e plácido no ataúde,
Um soneto lúgubre de agonia,
Morcegos a debater-se nesta treva,
A corroer o inimaginável rei das trovas...
Este desencanto com a vida,
Este dessentir-se extraordinário,
Este estio, árido, literário,
Que me faz ruir à cova...
ARTESÃO
Curvo-me sob a penumbra, ante a luz da lamparina,
Tateando as emoções tecendo o soneto,
Meus versos desfilam com clareza alpina,
Sentimentos que eu julgava obsoletos.
A noite me conduz sob uma bruma,
A estrofe é o meu próprio dissover-se,
Em cada verso minhalma espuma,
No rubro sangue de mim faz verter-se.
O que tenho de mim, o que já tive,
O que vivi, o que já é passado,
O que foi belo e o que já não existe...
Como um artesão componho o poema
Do que se foi, e do que em ainda vive,
Do que amei e do que fui odiado...
PARTES
A minha parte triste nunca parte,
A minha parte alegre é deserta,
Aminha parte de luz povoa a triste,
A minha parte alegre inexiste...
O que eu tenho de todo as vezes se parte,
Tem parte que as vezes se encorpora,
E sentimentos estranhos apavoram
Dividindo o meu ser em muitas partes
A parte boa de mim alaga desertos
No nordesre do meu ser tem secas iminentes
Gente morrendo de fome, muitos espectros
Arrogantes e outros subservientes...
A LUZ DA MANHÃ SEGUINTE
Tanta coisa aconteceu,
Circunstâncias drásticas, adversas
Sinto-me assim um sobrevivente...
Mas este filme continua, um outro cenário...
Poeira e teias de aranhas,
Algo sinistro e envolvente
Algo que nunca passou pela minha cabeça...
Os zumbis, vampiros e os bruxos dançam sob os astros,
Bruxos, vampiros e zumbis bailam nojentos
Sobre o lodo de seus instintos...
Administro bem os meus temores,
Me desvencilho de grandes amores,
Me penitencio sob a lua cheia,
Cama e mesa ficam fartas a meia noite e meia...
A ternura dos meus olhos lacrimeja sangue
Por tempo e amores perdidos,
Mas tenho este privilégio, sou um sobrevivente...
Sem sonhos não se contempla a luz da manhã seguinte
E eu conheço os tons dourados desse alvorecer;
Os vampiros, bruxos e zumbis dançam sob as estrelas
Mas ofuscam-se com os primeiros raios do nascente
A dor é o primeiro passo para a felicidade,
A queda é o primeiro passo pro equilíbrio,
O frio é a ausência do calor
Vampiros, zumbis e bruxos dançam sob a tênue luz das estrelas
E a solidão é a ausência do amor
povoa, povoa o meu olhar
a índia na lagoa
o menino na canoa
um barco nos conduz
a luz vermelha cor de telha nos cabelos ,
laranja nas unhas,
quantas testemunhas,
parece uma coisa à toa
mas há paz,
há paz...
a paz na turbulência
comportada do meu peito,
é um semi-leito,
é uma canoa,
eu não sei...não sei o que é isso
amo Messejana com suas mangueiras
e viadutos, José de Alencar e todos os seus índios
amo Messejana....
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