Luis Fernando Verissimo poemas Sonhos

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EM SEU OLHAR

Eu viajei em seu olhar
Em meio a esse marrom peculiar
A cor que se expressa o romance
Com você, eu teria alguma chance?

Uma história a criar
Sonhos a dividir
E o amor a sentir

Um amor que seria intenso
Verdadeiro e leal,
Por que na real,
Mecheste com minha cabeça de uma forma
Fenomenal!

Um amor
Duas pessoas
Um sentimento
Duas pessoas em fragmento.⁠

QUADRO DE OFÉLIA

Em você não canso de pensar
Minha mente, você está a iluminar
A melhor sensação existente,
É te amar

Mais bela do que o quadro de Ofélia
Mais profunda que os poemas de Bukowski
Meu amor por você é mais intenso do que o amor
De Van Gogh pelos quadros

Uma deusa grega? Ou uma princesa de quadrinhos?
Não sabemos o que você é, mas a perfeição
A tempo te segue.⁠

⁠Inteligência e Sabedoria

Pedro era explosivo, mas não era perigoso. O perigo estava em Judas, que abraçava e beijava.

⁠Seja via só de passagem.
Não plante futuros entre as pedras,
nem abane adeuses em cais,
em momentos sombrios.
Melhor ouvirmos o vento declamar
redemoinho-de-poesias
que enchem de alegrias,
mesmo que fúteis e vazias.
Sem medo de decepções,
mantendo o sonho bem vivo
e a felicidade em nossas mãos.

⁠Nada
Há promessas
de eternidade,
mas...
- Nada resiste -
(Há falácias em tudo),
nem o corpo,
nem a alma,
nem a mente resiste.
Ante o corpo nu,
o desejo aflora
e vai embora.
Tudo
(À força da marreta)
sucumbe,
desanda,
desmonta.
Ao demolir-se,
ou se perde,
ou renasce,
em cinzas,
sobre as águas salgadas.

⁠Visão
Vi a lua
entre árvores,
entre montes,
entre névoas.
Tão alta!
Não há pontes,
só o horizonte
vazio.
Quisera poder alcançá-la
e deixar marcas de pés
para marcar o caminho.
Tão distante!
Mas a vejo
e tocá-la
é um devaneio,
nada mais do que
um mero desejo.

Amor, com a esperança já perdida
o teu sagrado templo visitei;
por sinal do naufrágio que passei,
em lugar dos vestidos, pus a vida.

Que queres mais de mi, que destruída
me tens a glória toda que alcancei?
Não cures de forçar-me, que não sei
tornar a entrar onde não há saída.

Vês aqui a alma, a vida e a esperança,
despojos doces do meu bem passado,
emquanto quis aquela que eu adoro.

Neles podes tomar de mi vingança:
e, se ainda não estás de mi vingado,
contenta-te com as lágrimas que choro.

Luís de Camões
Melhores poemas de Luís de Camões. São Paulo: Global, 2012.

Que poderei do mundo já querer,
que, naquilo em que pus tamanho amor,
não vi senão desgosto e desamor,
e morte, enfim; que mais não pude ver!

Pois vida me não farto de viver,
pois já sei que não mata grande dor,
se cousa há que mágoa dê maior,
eu a verei; que tudo posso ver,

A morte, a meu pesar, me assegurou
de quanto mal me vinha; já perdi
o que perder o medo me ensinou.

Na vida desamor somente vi,
na morte a grande dor que me ficou;
parece que para isto só nasci.

⁠Lembranças, que lembrais meu bem passado

Lembranças, que lembrais meu bem passado,
Pera que sinta mais o mal presente,
Deixai-me, se quereis, viver contente,
Não me deixeis morrer em tal estado.

Mas se também de tudo está ordenado
Viver, como se vê, tão descontente,
Venha, se vier, o bem por acidente,
E dê a morte fim a meu cuidado.

Que muito melhor é perder a vida,
Perdendo-se as lembranças da memória,
Pois fazem tanto dano ao pensamento.

Assim que nada perde quem perdida
A esperança traz de sua glória,
Se esta vida há-de ser sempre em tormento.

"Constrói-se um Aluno. Constrói-se um Homem."

Constrói-se um aluno quando acreditamos que aprender é para a vida, não apenas para os testes.
Quando ouvimos a sua voz, respeitamos o seu ritmo e valorizamos a sua curiosidade.
Quando acolhemos quem chega com medo ou dúvida e lhe dizemos: “Tu consegues. Tu tens futuro”.
Quando transformamos "falhas e erros" em aprendizagens e educamos com respeito e exemplo.
Constrói-se um aluno e, com ele, floresce um sonho de vida:
um sonho real de ser homem.

E, a partir desse aluno, constrói-se um homem.

Um homem que se conhece a si mesmo e reconhece o valor do seu esforço.
Que transforma sonhos em metas e aprende com cada obstáculo.
Que mantém a coragem frente ao medo e a honestidade frente à tentação.
Que sabe ouvir, compreender e agir com responsabilidade.
Constrói-se um homem e, com ele, floresce a sua liberdade:
uma liberdade de ser íntegro, consciente e capaz de construir o seu próprio caminho, sem as muletas dos pais.

@ 15 ago.2025 | Luís Filipe Ribães Monteiro

DESEJO-TE.

Quando digo que te amo.
Talvez nem devesse dizer.
Na verdade não te amo.
Eu vivo em você.

Quando digo que te quero.
É só força de expressão.
Na verdade não te quero.
Já moras em meu coração.

Quando digo que te desejo.
É porque te desejo.
Não tem nada de mentira.

Quando digo que serás minha.
É porque serás minha.
Meu querer muito te admira.

FINJA
Se não é real. Finja.
Se há muitos iguais. Minta.
Diga que sou demais,
Você sabe como se faz.

Diga que nunca foi tão intenso.
Que ninguém faz como eu faço.
Diga que o prazer é imenso.
Que te mato no cansaço.

Inventa que beijo bem.
Que tenho bela pegada.
Que te satisfaço como ninguém.
Que nunca se sentiu mais desejada.

Que estava morta de saudade.
Que sentia um calorão.
Que sou tua felicidade.
Que por mim morre de excitação.

Eu finjo que acredito.
Vendo teu olho brilhar,
Que esse amor é infinito,
Até o instante em que acabar.

A escola não pode continuar a ser uma fábrica de adaptações curriculares; precisa de se tornar num laboratório de possibilidades,onde o erro é a ferramenta,o diálogo a ponte e o aluno o protagonista.



© 22 out.2025 | Luís Filipe Ribães Monteiro

Educar não é adaptar o aluno ao mundo que existe; é ajudá-lo a imaginar o mundo que ainda não nasceu.



© 22 out.2025 | Luís Filipe Ribães Monteiro

Pela estrada


No banco do carona,
a térmica na mateira,
o cheiro da erva úmida
preenchendo a manhã inteira.


No rádio, uma canção
regional - quase lembrança -
e a serra se abre lenta,
como estrada da infância.


Nuvens passam sem destino,
vento sopra sem razão,
e eu sigo esse caminho
desenhado na palma da mão.


Sou viajante sem parada,
estrada traçada no terreno.
Entre Deus e o horizonte,
me descubro tão pequeno.


Acendo as luzes - já é noite,
os reflexos brilham no chão;
a estrada fala em silêncio,
como quem decora os tachões.


Peço ao anjo que me guie
no escuro da madrugada,
porque a vida nunca espera:
segue sempre, sem parada.


Entre o céu e o horizonte,
sigo frágil, mas sigo bem:
sou viajante sem descanso,
e a vida dirige por mim.


Sempre há um recomeço
quando o dia chega ao fim.

O desabafo
Não falo, tentei-me calar na vontade de simplismente olhar e Deixar as coisas andar
Andar de patas ao ar sem rumo
Nem um futuro a projetar
Ver o futuro de uma criança a estragar
Por falta de dinheiro para pagar em um colégio para se formar
Vejam seus sonhos como contos de fadas sem a esperança de um dia as concretizar que azar
Ver uma criança no lixos da cidade de Luanda a coletar um pouco de ferro para pesar
Um pouco de comida para se alimentar
E um papelão para se deitar
E cada dia a passar, ver mais uma gangue a se formar
Quem os vai ajudar?


⁠

Metáfora da Aprendizagem


Cada aluno tem o seu tempo para romper a casca.
Alguns aprendem rápido; outros amadurecem em silêncio.
O importante não é chegar primeiro, mas nunca desistir de chegar.
Todo ovo, um dia, transforma-se em voo.


Por isso, no fundo, é tudo uma questão de perspetivas.


© 11 nov.2025 | Luís Filipe Ribães Monteiro

A comunidade "O Pensador" é intrigante e paradoxal, tão fértil no bom quanto vulnerável ao fraco.
Por vezes questiono que pensadores ali habitam, se quem pensa com método ou quem opina sem saber pensar.

©11 ago.2023 | Luís Filipe Ribães Monteiro

Sem propósito, glória é ruído e fortuna é entulho; com propósito, tornam-se alavancas para um futuro coletivo melhor.

© 04 mai.1998 | Luís Filipe Ribães Monteiro

O melhor uso da fortuna é comprar liberdade para dizer não; o melhor uso da glória é dar voz a quem não a tem.

© 04 mai.1998 | Luís Filipe Ribães Monteiro