Lugar

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Não importa como seja a sua casa; tendo nela conforto, fartura e paz, não haverá lugar melhor para ser feliz."
(Cleide Rodrigues)

Quando Deus sai do centro, algo errado assume o lugar.

Fui arrumar minha casa.
Mudei os móveis de lugar
Lavei o chão
Tirei a poeira
Separei os objetos que eu não usava mais.
Lavei a louça
Limpei a varanda
Sequei minhas lágrimas
Deixei de lado dores que não precisavam mais ser sentidas.
Resolvi voltar meu controle emocional para o lugar, pra perto de mim.
Decidi abandonar de vez hábitos
antigos.
O autocuidado deixei em um lugar visível, para não esquecer.
Ele ficou perto da autoestima.
A versão do medo, que alerta, coloquei na primeira gaveta
da estante. As vezes, preciso.
Já as outras versões que prejudicam joguei fora.
A coragem ficou à mostra, em cima do meu criado-mudo.
Os pensamentos desorganizados?
Hoje, eu consegui deixá-los cada um em seu devido lugar.
No novo tapete da entrada, está escrito:


Área sob proteção.


Quando terminei a faxina, sentei na varanda da casa
para sentir o vento no rosto.


Alivio.⁠

Cobrar atitude é bem mais fácil, sabe.
Porém se colocar no lugar do outro e ver que uma simples palavra pode curar, atrás de uma palavra a atitude se torna tão simples mas não ter empatia pela dor por palavras fácil mas se colocar no lugar não julgar sempre julgar que a dor do próximo e mínima diante da sua....


R & F Perazza .'.

Foi-se o mês de maio, mês do amor, da doçura das noivas e mães. Passou para dar lugar ao mês de junho, mês paixão, cheio de cores, sabores, sons, luzes no céu e no chão. Não sei se é o calor da fogueira. Não sei se é o amendoim torrado, o coco ralado, quadrilhas, barraquinhas o forró, o quentão. Não sei se é o frio que pede abraço e dengo, se é o dia dos namorados que espalha romance no vento, ou é o arrasta-pé, coladinho no salão, que faz todo mundo lembrar que ser casal é arretado. Em junho, quem tem xodó fica muito mais apaixonado. E quem não tem, se anima a procurar um amor para se alegrar e quem sabe fazer um casamento...
Mesmo que seja só pelo tempo de uma quadrilha.

A felicidade não está em uma vida perfeita, mas sim em ter um lugar onde o coração consegue descansar...


R & F Perazza .'.

Outsider no amor


Eu cheguei no teu mundo
sem mapa nem lugar,
aprendi teus gestos,
teus silêncios,
decorei teu nome
como quem treina em segredo.
Eu estava ali…
mas nunca fui dali.


Te amei com cuidado,
sabendo que não podia ficar,
sorri carregando um adeus
que já morava em mim.
Enquanto outros pertenciam,
eu apenas atravessava.


Fui inteiro no que senti,
mesmo sendo passagem.
Porque ser outsider no amor
não é amar menos,
é amar sem posse, sem abrigo.


Eu fui teu quase,
teu entre, teu silêncio.
E se perguntarem por que não fiquei,
responda sem culpa:
eu não parti
— eu nunca pertenci.

E talvez amar de verdade seja isso:
aceitar que certas dores não pedem cura, apenas pedem um lugar seguro no peito, onde a esperança possa, enfim, descansar.

Sua voz fica


Quero ouvir a sua voz,
porque nela existe um lugar
onde descanso.
Quando o mundo pesa,
é o som dela que
me lembraquem eu sou.


Eu me sinto mais
próximaquando ouço ela,
como se a distância se
encolhesse em silêncio,
como se cada palavra sua
tocasse onde ninguém mais alcança.


Mesmo quando você
não está aqui, sua voz fica
— eco suave dentro de mim.
E enquanto eu puder ouvi-la,
sei que nunca estarei realmente longe de você.

Não perdi porque amei pouco,
perdi porque amar não garante lugar.
O coração não premia quem insiste,
ele só decide quem vai ficar.

A Delicadeza do Agora


Existe um instante raro em que tudo silencia,
um lugar secreto entre nós,
onde o sentir é mais forte que a pressa,
e o presente aprende a respirar.


É ali que acontece a delicadeza do agora,
quando o tempo aprende a amar,
despido de urgência, sem cobranças,
apenas ficando.


Nesse espaço invisível, onde o tempo se curva,
os gestos falam mais que promessas,
e cada olhar é uma escolha calma
de permanecer.


Então fazemos uma pausa,
não para fugir do mundo,
mas para existir juntos,
como se o amor fosse exatamente isso.

Há um lugar



Carrego uma terra inteira dentro do peito, não feita de mapas,
mas de lembranças que
insistem em voltar.
Há um lugar onde tudo soa mais vivo, onde o vento sabe meu nome
e o silêncio não pesa.


Aqui, as coisas existem,
mas não me reconhecem.
O céu é o mesmo, dizem,
mas não brilha igual ao
que mora em mim.
Sinto falta até do que nunca toquei,
porque a ausência também aprende a criar raízes.


Que eu não me perca antes de voltar,
nem desaprenda o caminho daquilo que me forma.
Que eu ainda veja,
nem que seja por dentro,
o lugar onde meu coração repousa.
Porque há saudades que não pedem distância —
pedem reencontro.

A dona dos meus dias


A dona dos meus dias chega sem aviso, faz do tempo um lugar
mais lento e bonito.
Quando sorri,
o mundo aprende a respirar,
e tudo em mim encontra
um motivo pra ficar.


Ela mora nos detalhes
que ninguém vê:
no silêncio que conforta,
no jeito de entender.
É porto seguro em meio à confusão,
é calma vestida de amor,
batendo no meu coração.


Se um dia eu me perder nas curvas da vida, que seja nos braços dela, minha direção escolhida.
Porque amar assim
não é acaso ou poesia:
é destino escrito
— ela, a dona dos meus dias.

Se um dia você perceber meu silêncio mais fundo ou meus olhos perdidos em algum lugar distante, não pense que é frieza. É só meu coração tentando sobreviver ao que sente. Então, se puder… não pergunte muito. Apenas fique. Às vezes a presença já salva o que as palavras não conseguem.

Entre Linhas


Se eu pudesse escolher
um lugar pra morar,
não seria casa, rua ou cidade…
eu moraria no intervalo do teu riso,
onde o mundo esquece de doer.


Teu olhar tem algo de horizonte,
quanto mais eu olho,
mais longe quero ir.
E no silêncio entre um segundo e outro é teu nome que meu coração aprende a repetir.


Há em você uma calma rara,
tipo mar quando o vento decide descansar.
E quando tua mão encontra a minha,
até o destino parece parar pra olhar.


Se amor fosse tinta,
eu pintaria o tempo inteiro com você.
Porque desde que teu sorriso me encontrou, minha vida virou poesia
que só faz sentido…
quando rima com você.

Ela chega como quem
não faz barulho, mas muda o clima inteiro do lugar.
No olhar, um universo tranquilo e profundo, onde até o caos
aprende a descansar.
Seus cachos dançam como versos soltos, e cada detalhe nela parece poesia querendo se revelar.


Há um mistério suave no jeito que sorri, como se guardasse segredos bonitos demais pra contar.
O mundo pode ser duro lá fora, eu sei, mas nela existe um refúgio raro de se encontrar.
E até o tempo, quando cruza seu caminho, parece diminuir o passo só pra poder admirar.


Se eu fosse escrever tudo que ela desperta, faltaria papel, sobraria sentir.
Porque tem gente que não se explica, se vive
— e ela é dessas que a alma escolhe sem pedir.
E no silêncio entre um olhar e outro,
é onde o amor começa, sem precisar existir.

Título:
Onde o Amor Começa em Silêncio


Nos teus olhos encontrei um abrigo calmo,
um lugar onde o mundo desacelera sem avisar,
como se cada batida do meu coração
aprendesse um novo jeito de te amar.


Teu sorriso nasce leve, quase tímido,
mas carrega um universo inteiro de luz,
e mesmo nos dias mais cinzentos da vida,
é ele quem me guia, quem me conduz.


Se o amor tem origem, eu descobri a minha:
foi no instante simples em que te reconheci,
não como um acaso perdido no tempo,
mas como o destino que sempre esteve aqui.


Origem: Autoral ✍️

A paternidade é o lugar onde o ego aprende a morrer para que o amor comece a viver.

ASFALTO NA SOLA

Eu vim de lugar onde ninguém pergunta o que aconteceu.

Só olha pra tua cara, vê se você aguenta e manda seguir.

Aprendi cedo que a rua não tem paciência pra quem precisa entender tudo antes de continuar. Você tropeça, levanta, limpa a poeira na própria roupa e vai. Sem discurso. Sem trilha sonora. Sem ninguém batendo palma.

Tem gente que conhece a minha versão arrumada.

Poucos conheceram a que voltava pra casa com a cabeça cheia, o bolso quase vazio e aquele silêncio estranho de quem passou o dia inteiro fingindo que tava tudo certo.

Essa versão não posta nada.

Não explica nada.

Só chega.

Joga a chave em qualquer canto, acende a luz e encara o próprio reflexo como se estivesse cobrando alguma coisa de alguém que já não sabe mais quem é.

Eu já quis muito parecer diferente do que sou.

Hoje eu prefiro parecer exatamente o que a vida fez comigo.

Tem marca que não precisa esconder.

Tem história que perde a graça quando você tenta contar bonito.

Então deixa torto.

Deixa áspero.

Deixa com gosto de madrugada e conversa na calçada.

Porque foi assim que muita coisa aconteceu.

Sem planejamento.

Sem final elegante.

Só decisão errada, amizade improvável, amor mal resolvido, orgulho demais e aquela mania idiota de continuar andando mesmo quando ninguém sabe exatamente pra onde.

Talvez seja isso que chamam de vivência.

Não é ter resposta.

É ter passado por coisa suficiente pra parar de acreditar que toda pergunta precisa de uma.

Hoje eu não quero parecer invencível.

Invencível é personagem.

Eu quero ser real o bastante pra admitir que algumas coisas ainda pesam, mas leve o suficiente pra não carregar todas elas comigo.

O mundo continua sujo.

A rua continua acordada.

E eu ainda tenho asfalto na sola.

Só que agora eu sei voltar pra casa.

under sujão p.

Às vezes,
precisamos nos tornar
uma biblioteca —

um lugar
de silêncio profundo,
consciência
e sabedoria.