Lucidez

Cerca de 994 frases e pensamentos: Lucidez

Não te quero mais.
Não é fingimento, nem soberba.
É lucidez depois do cansaço.
Não te quero mais.
Não é lembrança, nem dor tardia.


É silêncio onde antes doía.
Não te quero mais.
Não é aparência, nem mentira ensaiada.
É a verdade cansada de se explicar.


Não quero mais é.
Ter a certeza de de liberdade.
Não quero mais é.
Sabe que estou bem.
Mesmo estando longe e só.


Não te quero mais.
Não é engano, nem jogo emocional.
É o fim do teatro onde eu sempre fui plateia.


Não quero mais verdades que não existem,
nem memórias que nunca viraram saudade.


Não quero a paz que não é amor,
nem o abraço que não carrega confiança.


Não te quero mais.
E, dessa vez,
é definitivo como quem se encontra
e não volta atrás.

A lucidez da mente te faz não sentir mais amor.

“A lucidez não consola; apenas revela o preço de existir.” — Leonardo Azevedo.

A humildade é a fortaleza dos sábios. Mais que uma virtude, é um ato de lucidez. Jeremias suplicava ao rei Zedequias: "Seja humilde, ou Nabucodonosor virá." Mas o orgulho cega. A arrogância sela destinos e, no fim, a última imagem pode ser a devastação do que se mais ama: os próprios filhos. A lição é atemporal. Ser humilde é ter a coragem de enxergar a verdade, de ouvir avisos, de dobrar-se para não quebrar. É o antídoto contra a ruína autoinfligida. Pois quem se levanta demais, cai mais fundo. Escolher a humildade é optar pela preservação, pela vida e por um futuro que não seja definido pela perda irreparável.

⁠A tradicional lucidez dos depressivos, quase sempre descrita como um desinteresse radical pelas preocupações humanas, revela-se, em primeiríssimo lugar, como falta de interesse pelas questões de fato pouco interessantes.

Eu odeio a lucidez.

Todo pensador, cedo ou tarde, percebe que, para manter a lucidez, precisa de algum tipo de anestésico.

Os momentos de maior lucidez do ser encontram-se na profunda reflexão do próprio eu. Todas as experiências vividas habitam o consciente e o inconsciente.

Anaïs Nin, nascida no início do século passado, afirmou com a lucidez de quem desafiou sua época: “É errado a mulher aguardar que lhe construam o mundo almejado; compete-lhe criá-lo por conta própria”.

A Lucidez do Paraíso é o Instante do Devaneio


O Paraíso não é um jardim que nos espera,
com portões de pérola e árvores de ouro estático.
Não é uma recompensa por uma vida finda,
mas uma suspensão lúcida do tempo presente.
Ele reside naqueles instantes-limite,
em que a consciência se afina e a imaginação se liberta.
A lucidez é a navalha que corta o ruído do mundo,
reconhecendo o peso exato de cada elo da corrente.
Ela sabe: o muro é muro, a dor é dor, o efêmero é a regra.
Não há ilusão que resista à sua luz fria.
Mas a alma, cansada da geometria do real,
não aceita a clausura do que é apenas "fato".
Então, o devaneio se apresenta.
Não como uma fuga cega ou uma negação covarde,
mas como a afirmação mais alta da potência do ser.
O devaneio é o arquiteto que refaz o mapa da realidade,
desenhando rios onde antes havia deserto,
dando voz ao silêncio que a rotina impõe.
É a permissão para que o possível
se sobreponha à tirania do presente.
E o Paraíso, finalmente, não é a terra de ninguém,
mas o ponto exato de interseção:
É a lucidez que reconhece a precariedade da vida
(sabe que o tempo vai passar, que a beleza é breve)
e, por isso mesmo, usa o devaneio
para saturar o momento com uma perfeição temporária.
É o piscar de olhos onde a razão e o desejo conspiram:
"Isto não é real, mas é tudo o que importa."
Naquele instante de flutuação, a mente está desperta
(lúcida de sua própria criação),
e a alma está em êxtase
(devaneando um mundo que ela mesma sustenta).
O Paraíso, portanto, é a plena consciência da nossa capacidade de ser feliz, mesmo que seja apenas um pensamento. É o gozo da ilusão assumida.
É quando a mente, lúcida e livre, se permite voar.

Eu ficaria parado por horas a fio, imerso na contemplação de cada traço teu, se a lucidez não me trouxesse o receio de parecer insano ante a tamanho sentimento por você. É um fascínio que me paralisa, uma hipnose consentida.


Vejo em ti uma deusa despida de vaidades terrenas.
Teus cabelos esmerados moldam um semblante onde a própria arte encontra o seu limite. Não se trata apenas da harmonia do teu rosto, mas da luz terna e quase melancólica que emana de ti. És a materialização da calmaria, o refúgio onde uma alma exausta como a minha ansiaria repousar.


E, no entanto, a cruel geografia ri do meu desespero.
Quilômetros e horizontes se estendem como um abismo infinito entre o bater do meu peito e a suavidade da tua pele. A matéria me aprisiona neste canto do mundo, enquanto o meu pensamento, rebelde e desesperado, já habita o teu espaço. É a mais sublime das torturas: ter o universo inteiro diante dos meus olhos através de uma imagem, e ao mesmo tempo ter as mãos atadas pela tirania da distância.


Nessa agonia do inalcançável, porém, encontro a minha mais pura certeza.
Minha essência, antes peregrina, cega e trôpega, reconhece na tua imagem o fim da sua busca. Não anseio mais pela abstração do ideal, pois o meu sentido encontrou pouso na tua existência.


Sinto, com a força de um paradoxo indomável, que és o encerramento da minha jornada. A mulher que desenhei nos meus delírios mais lúcidos, aquela a quem eu entregaria não apenas o meu amor, mas a eternidade dos meus dias. Estás tão fisicamente longe, mas, de alguma forma inexplicável, nunca alguém esteve tão perto de ser o tudo que me falta.

A acuidade revela o mundo;
a lucidez revela
o custo de vê-lo.

"Em tempos de ignorância premiada, a lucidez é vista como ameaça."

Ser estranho é uma forma sofisticada de lucidez. Uma consciência em carne viva que sente o mundo com excesso de precisão. Não é excentricidade, é viver em descompasso com o consenso, ouvir o ruído no meio da música, perceber o vazio por trás das certezas.

A dor vem da dissonância entre o que se vê e o que se finge não ver. Enquanto a maioria se protege com ignorância conveniente, o estranho sofre de clareza. Nietzsche chamaria de “doença do espírito elevado”.
E ainda assim, amar. Amar o humano mesmo quando o entende demais.

Ser estranho é viver tonto de liberdade, duvidar até da própria dúvida. Os outros chamam de “confusão”, mas é só alma demais.O estranho é o herege das convenções, o que “rompe tratados e trai os ritos”.

Há delícia também: ser inclassificável, ver poesia no que escapa ao óbvio, rir de si mesmo enquanto o mundo desaba. Perceber o padrão invisível que Jung chamaria de sincronicidade.

O estranho sente o tempo de outro modo: lento por dentro, rápido por fora. Sente o amor como místico, o tédio como luto. Nada é raso, tudo fere, tudo ilumina. E quando o chamam de “intenso”, ele sorri — intensidade é só estar vivo demais num tempo de gente anestesiada.

Ser estranho é viver num exílio fértil, criar, refletir, desobedecer. Estranheza é antecipação do que o mundo ainda não está pronto pra entender. Ser estranho é ser o rascunho do que ainda não tem nome e sorrir, discretamente, sabendo que a habilidade de lidar com o desconforto é um puro sinal de autenticidade e um atestado de maturidade.

(Douglas Duarte de Almeida)

Mudar não nasce do desespero, nasce da lucidez. Quando percebemos que o conforto tornou-se anestesia.

Reconheço, com serena lucidez, que minhas escolhas e inclinações muitas vezes não se submetem ao crivo das convenções ordinárias; são, antes, expressão legítima de minha própria idiossincrasia, esse traço singular que delineia a arquitetura íntima do meu ser.

Quando o ódio político fala mais alto que a verdade, a lucidez vira artigo de luxo.
Janice F. Rocha

Se a existência, quando sorvida com a serenidade da leveza e a lucidez de espírito, revela-se tão prodigiosamente bela e harmoniosa, por qual insondável motivo tantos insistem em sobrecarregar os dias com inquietações vãs, permitindo que a ansiedade e o desassossego conspirem contra a própria arte de viver?


________Dedy Dú Alecrim

“Aceitação não é desistência nem condescendência, mas a lucidez de abandonar resistências que interrompem o fluxo da vida.”

O querer não some só porque a cabeça entendeu o “não dá”. A lucidez reconhece o limite,
mas o afeto… ele continua lá, quieto, latejando no canto. Genuíno é isso: sentir mesmo quando não compensa.


Compensável é o que devolve paz depois do caos.
O que te tira um pedaço, mas te devolve inteiro.
O resto é investimento emocional
em terreno alagado, bonito de longe, mas afunda quem insiste em morar lá.