Lucidez
Em tempos complexos, a lucidez e a resiliência são essenciais; não podemos mais nos dar o luxo de ignorar as asperezas do caminho.
A BÊNÇÃO E O CASTIGO DA LUCIDEZ
Viver sem fantasia é ver o mundo sem vaidades e sentimentalismo.
É existir sem o consolo das imagens mentais,sem os espelhos do passado,
sem o teatro das lembranças e seus ideais inalcançáveis de futuro.
Caminho entre silêncio e fatos, presente e gratidão.
Não sonho.
Não recordo.
Reconheço.
A realidade me atravessa crua.
Sem filtros.
Sem refúgio.
Chamam de deficiência o que é clareza.
Chamam de vazio o que é consciência.
O mundo vive do que inventa para suportar o império restrito da hiperfantasia de poucos egoístas.
Eu sobrevivo do que é real.
Ser lúcido é morar entre abismos.
É saber demais e sentir o necessário.
É compreender o todo e ainda carregar o silêncio ao observar o absurdo.
A solidão é real, mas também é o preço da verdade.Quem vê sem ilusão sustenta o peso do céu com as próprias mãos.
A lucidez é um exílio.
Mas é também o lugar da liberdade.
Abençoado quem suporta ver o mundo como ele é e ainda escolhe não se corromper.
Que se entrega ao dever do bem não sofre nas mãos do egoísta vaidoso.
A mente viaja por territórios obscuros, onde a lucidez perde o freio.
É profana, inquieta, devassa de pensamentos que não pedem permissão.
Cria, destrói, refaz — fértil em excessos e verdades nuas.
Explora encantos proibidos, não por prazer vazio, mas por fome de existir.
Há nela uma força indomável, uma tensão que não aceita jaulas.
Cada ideia é um risco, cada desejo uma ruptura.
Quando desperta, não sussurra — explode.
É vulcão em erupção:
queima o que é fraco, transforma o que resiste
e deixa cinzas onde antes havia medo.
Não é pureza.
É potência.
E quem tenta contê-la, inevitavelmente, será engolido.
Não te quero mais.
Não é fingimento, nem soberba.
É lucidez depois do cansaço.
Não te quero mais.
Não é lembrança, nem dor tardia.
É silêncio onde antes doía.
Não te quero mais.
Não é aparência, nem mentira ensaiada.
É a verdade cansada de se explicar.
Não quero mais é.
Ter a certeza de de liberdade.
Não quero mais é.
Sabe que estou bem.
Mesmo estando longe e só.
Não te quero mais.
Não é engano, nem jogo emocional.
É o fim do teatro onde eu sempre fui plateia.
Não quero mais verdades que não existem,
nem memórias que nunca viraram saudade.
Não quero a paz que não é amor,
nem o abraço que não carrega confiança.
Não te quero mais.
E, dessa vez,
é definitivo como quem se encontra
e não volta atrás.
A humildade é a fortaleza dos sábios. Mais que uma virtude, é um ato de lucidez. Jeremias suplicava ao rei Zedequias: "Seja humilde, ou Nabucodonosor virá." Mas o orgulho cega. A arrogância sela destinos e, no fim, a última imagem pode ser a devastação do que se mais ama: os próprios filhos. A lição é atemporal. Ser humilde é ter a coragem de enxergar a verdade, de ouvir avisos, de dobrar-se para não quebrar. É o antídoto contra a ruína autoinfligida. Pois quem se levanta demais, cai mais fundo. Escolher a humildade é optar pela preservação, pela vida e por um futuro que não seja definido pela perda irreparável.
Ser estranho é uma forma sofisticada de lucidez. Uma consciência em carne viva que sente o mundo com excesso de precisão. Não é excentricidade, é viver em descompasso com o consenso, ouvir o ruído no meio da música, perceber o vazio por trás das certezas.
A dor vem da dissonância entre o que se vê e o que se finge não ver. Enquanto a maioria se protege com ignorância conveniente, o estranho sofre de clareza. Nietzsche chamaria de “doença do espírito elevado”.
E ainda assim, amar. Amar o humano mesmo quando o entende demais.
Ser estranho é viver tonto de liberdade, duvidar até da própria dúvida. Os outros chamam de “confusão”, mas é só alma demais.O estranho é o herege das convenções, o que “rompe tratados e trai os ritos”.
Há delícia também: ser inclassificável, ver poesia no que escapa ao óbvio, rir de si mesmo enquanto o mundo desaba. Perceber o padrão invisível que Jung chamaria de sincronicidade.
O estranho sente o tempo de outro modo: lento por dentro, rápido por fora. Sente o amor como místico, o tédio como luto. Nada é raso, tudo fere, tudo ilumina. E quando o chamam de “intenso”, ele sorri — intensidade é só estar vivo demais num tempo de gente anestesiada.
Ser estranho é viver num exílio fértil, criar, refletir, desobedecer. Estranheza é antecipação do que o mundo ainda não está pronto pra entender. Ser estranho é ser o rascunho do que ainda não tem nome e sorrir, discretamente, sabendo que a habilidade de lidar com o desconforto é um puro sinal de autenticidade e um atestado de maturidade.
(Douglas Duarte de Almeida)
Mudar não nasce do desespero, nasce da lucidez. Quando percebemos que o conforto tornou-se anestesia.
Reconheço, com serena lucidez, que minhas escolhas e inclinações muitas vezes não se submetem ao crivo das convenções ordinárias; são, antes, expressão legítima de minha própria idiossincrasia, esse traço singular que delineia a arquitetura íntima do meu ser.
Se a existência, quando sorvida com a serenidade da leveza e a lucidez de espírito, revela-se tão prodigiosamente bela e harmoniosa, por qual insondável motivo tantos insistem em sobrecarregar os dias com inquietações vãs, permitindo que a ansiedade e o desassossego conspirem contra a própria arte de viver?
________Dedy Dú Alecrim
Otimismo sem medida cega; pessimismo em excesso retrai. A virtude exige serenidade e lucidez diante do real.
“Há regiões da mente onde a razão não falha por fraqueza, mas por excesso de lucidez; é ali que o homem se confronta com aquilo que prefere chamar de loucura.” - Leonardo Azevedo.
“O ódio nasce onde a alma se obscurece. É a virtude, guiada pela lucidez, que nos ensina a romper esse ciclo.”
“Aceitação não é desistência nem condescendência, mas a lucidez de abandonar resistências que interrompem o fluxo da vida.”
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