Logo ali na Proxima Esquina
Posso estar andando por aí, fingindo que já te esqueci, mas a verdade é que a cada esquina estou desesperada a procura de algo que não me faça pensar em ti.
Amiga não cai do céu não se encontra em qualquer esquina. As palavras são preciosas, ditas com sentimentos, às vezes querem nos divertir às vezes acabar com um sofrimento. Amiga não tem preço, ela é conquistada, às vezes com um sorriso, às vezes em uma conversa fiada. Os olhos de uma amiga dizem tudo, às vezes tristes e confusos, às vezes com o brilho mais fascinante do mundo. Dela qualquer coisa pode se esperar, pois amiga é aquela que chora pôr te ver chorar. Ela te dá segurança, é a pessoa em quem você mais deve confiar. Testemunha dos seus erros e acertos. Verdadeira amiga não te diz somente SIM, mas também sabe dizer NÃO quando precisa. Ela te deixa seguir caminho, mas nunca sozinho. Ela estende sua mão quando a gente mais precisa. por isso que amiga é tão dificil de se encontrar. Sobre amiga não tem como se falar, somente guardar..
🎹 Pó e Promessa 🇵🇹🙏🇵🇸
Rua quebrada, esquina sem luz,
Sonho pendurado num fio que reluz.
Mão calejada segura esperança,
Enquanto a elite brinda com bonança.
Grito abafado, mas ecoa no beco,
Cada verso é mural, cada som é protesto.
Vidas contadas por código de barra,
Paz vendida na vitrine mais cara.
[Refrão]
Pó e promessa, chão rachado em fé,
Mesmo com fome, o povo ainda é.
Entre ruína e voz que não cessa,
Nasce resistência do pó e promessa.
Chuva ácida cai sobre papelão,
Criança desenha o sol com carvão.
Sistema engole quem tenta sonhar,
Mas quem rimou dor, aprendeu a voar.
Microfone vira cruz e bandeira,
Beat vira arma, lírica certeira.
Nem sempre justiça vem do tribunal,
Às vezes vem rimada, direto do local.
[Refrão]
Pó e promessa, chão rachado em fé,
Mesmo com fome, o povo ainda é.
Entre ruína e voz que não cessa,
Nasce resistência do pó e promessa.
“Não calem o som — ele é cura e sentença.”
“Cada rima é memória, cada verso, presença.”
Na quebrada ou no campo em ruína,
A dor tem cor, mas também rima fina.
O medo é velho, mas o sonho é novo,
Cada batida reacende o povo.
Se a história mente, a rima corrige,
E se o mundo apaga, o som revide.
Do pó nasce flor, da perda, promessa,
Do boom bap nasce a voz que atravessa.
Nem santo, nem mártir, só humano e real,
Entre o caos e a rima, nasce o ritual.
Pó e promessa — batida imortal,
Ritmo de rua, poder natural.
“Freedom for the people — not the politics.”
“Justice ain’t a trend — it’s a promise."
-
Necessidade, Vontade e Desejo
Numa esquina movimentada da cidade, durante o sinal vermelho, um menino vendia bombons aos motoristas. Ao ver um entregador parado numa moto, suspirou:
— Ah, se eu tivesse uma moto como essa... ia ganhar dinheiro mais rápido e ainda andar com o vento no rosto.
O entregador, suado e cansado do dia de trabalho, olhou para o lado e viu um jipe moderno, com tração nas quatro rodas. Pensou alto:
— Num jipe desses, agora eu estaria era nas dunas, curtindo a praia, não nesse trânsito maluco.
No jipe, uma jovem bem-vestida, aflita com o relógio, olhava para o carro à sua frente — um luxuoso Mercedes. Sussurrou, irritada:
— Se eu estivesse naquele Mercedes, com motorista, já teria chegado ao meu exame. Assim, vou perder a consulta.
No banco de trás do Mercedes, sentada em silêncio, estava uma menina. Ela tinha um motorista à disposição, conforto de sobra, mas não podia mover os braços nem as pernas.
Com o olhar perdido no menino da calçada, que vendia bombons e corria entre os carros, ela pensou:
— Se ao menos eu pudesse andar como ele… Não precisaria de nada mais.
Noite escura, noite fria, o silêncio se esconde em cada esquina, nada se move, até parece que o mundo parou. Sigo nessa estrada chamada vida, sigo sorrindo, mais dentro de mim, meu coração chora com soluços profundo, convulsionando minha alma. Tenho algumas idéias insanas, acredito que as vezes é necessário enganar o coração, e deixar a mente mentalizar que já não quero mais, que já não é mais tão preciso, que você não me faz falta alguma. A necessidade da aceitação pode levar o ser humano a tristes viagens. Pois a felicidade é como uma gota de orvalho em uma pétala de flor, brilha tranqüila depois de leve oscila e cai, como uma lágrima de amor. Boa noite.
Lucro Selvagem
Alguém na esquina ainda rir,
apesar do espanto e desconsolo
na selva, onde o leão ruge faminto
com sua enorme boca aberta e com seus dentes afiados almejando tudo
em torno de si,
no solo sufocado sob
os pés de uma criança talvez ainda esconda a mais bela planta, que não
germina diante de olhos perversos,
do olhar obscuro da fera eclodiu a
violência à velocidade do caos,
e da pureza do pulso puro e inocente
entre os dentes dos leões e dos vampiros sedentos, pinga a mancha vermelha no asfalto quente dos dias de confusão,
na selva o silêncio é aspecto fúnebre, apesar do luto triste de outros bichos na cidade, à hora seguinte o que conta é o menosprezo à vida, diante do famigerado lucro a qualquer custo,
ao ínfimo luto à morte.
Uma certa noite eu andava, sem nada muito programado. De repente em uma esquina um vulto de mulher, cabelos longos uma saia comprida e rodada, me aproximei um pouco mais, sem dúvida era uma belíssima mulher. Me aproximei mais um pouco, estava receoso, era um lugar meio deserto pra uma linda mulher estar sozinha! Como uma mágica, abriu-se a minha frente algo luminoso, como um portal. Ela, com duas taças de vinho, me convidou a entrar. Confesso que tive medo, mas não resisti, peguei uma taça, entramos, dançamos, bebemos, rimos muito, sua risada era contagiante, então ela me disse: tenho que ir. Amanhã você verá que tudo isso valeu a pena, cada passo, e toda nossa caminhada. Mas não espere do hoje o que está no amanhã. Pra que eu volte você precisa me chamar. Boa noite.
Não! Em cada esquina não existe um príncipe, mas existe uma princesa em cada espelho que olhares. E isso só depende de ti.
Que eu seja capaz de enxergar o amor em cada esquina, que eu possa sentir cada sentimento, que eu possa viver com toda intensidade. Que eu seja capaz de superar todas as dores, capaz de enxergar o melhor enquanto estiver vivendo o pior, que possa sorrir sem temer, que eu possa confiar sem ser traído, que eu possa sonhar e realizar. Que eu possa esperar de um novo amanhã melhor que o surgir do hoje e para todo o sempre saber que percorro o caminho que meu coração trilhou junto ao meu destino.
Manifesto dos Colarinhos
Sem o varejo da esquina, os colarinhos não brilhariam.
Precisam do primo pobre sujando as mãos,
exposto, caçado, condenado...
Enquanto isso, lá em cima,
os colarinhos se banham em alvejante.
- Brancos.
- Engomados.
-Respeitáveis.
Mas o brilho deles não é pureza —
é o reflexo da miséria de quem sustenta a base.
Que dó do primo pobre...
Nunca mais irá para a esquina,
incansavelmente esperando a carta do judiciário.
Eu não sei muito sobre ser, pois a cada esquina têm uma versão para a criação do que somos, ligo nos tornamos e só então paramos sem saber qual melhor ser? Como saber que meu melhor é o ponto de vista correto para minha realidade? Quem definiu que tem o melhor/Pior e não uma alternativa de ser? Como saber o lado que daria certo ou o que daria errado pra depois da certo? Como saber?
A Árvore Que Caiu na Rua de Olavo Bilac
Na esquina da Rua Olavo Bilac
morava uma árvore sem pressa.
Tinha quase meio século de existência,
galhos como braços de mãe,
sombra de abrigo,
e folhas que falavam com o vento
em língua de antigamente.
Os meninos a escalavam
como quem sobe a infância,
os velhos se encostavam nela
como quem repousa a memória.
Pardais faziam festa entre seus ramos,
e um sabiá cantava no fim da tarde,
pontualmente, como um sino natural.
Mas vieram os homens.
Sem nome, sem rosto.
Vieram à noite,
no dia 31 de dezembro de 2024,
quando a cidade brindava o novo ano
sem saber que perdia o que era eterno.
Vieram com motosserras
e um caminhão grande
para levar as galhadas
como quem apaga um traço da história.
Destruíam um legado inteiro
ambiental, urbanístico, afetivo
quando a polícia chegou.
Foi flagrante.
Foram presos.
Mas o crime já estava consumado.
A árvore símbolo de resistência,
de paz, de memória
jazia no chão.
Na rua que leva o nome de Bilac,
poeta da pátria e da civilidade,
a pátria verde tombou
sem discurso,
sem flor,
sem justiça.
As crianças acordaram sem sombra.
O sabiá partiu em silêncio.
E o novo ano nasceu mais seco,
mais quente, mais triste.
No lugar da árvore,
ficou o vazio
e uma placa: Estacionamento.
É primavera em toda esquina
A primavera coloriu os quadrantes,
Com um sinestésico crepúsculo carmim.
Tramas trazidas, trançadas por encanto,
espalhadas pelo vento, estrelas-de-anis.
Em todas as esquinas, poesias,
Celebramos um dezembro com flores,
serenos espaços, aumentam os laços
e encontros possíveis com todas as cores.
E, na emoção de todo dia
e na invenção de cada eu,
a melodia da primavera inspira
tudo aquilo que ainda não aconteceu.
Nos dias de hoje, o que não falta, a cada esquina das redes sociais, são orientadores, influenciadores e doutrinadores, pretensos paladinos da verdade e supostos condutores para o sucesso, ávidos por likes e compartilhamentos, que se materializam em grana, e grana fácil, sem suor.
Quando a internet era ficção, as pessoas conversavam mais. O contato físico emanava melhor percepção, seja pela sensibilidade e intuição do que se ouvia, seja até pelas expressões faciais.
O livro físico cumpre papel essencial. O autor de uma obra, seja ela assertiva ou disfuncional, faz com que a leitura e a releitura exijam do cérebro maior atenção, crítica, avaliação e, sobretudo, filtro pelo pensar, sem condicionamentos por likes, compartilhamentos e comentários; ou seja, apenas você e o autor.
Concluindo: sou do time do filtro, do pensar e do raciocinar e, em alguns casos, da meditação sobre o que é divulgado nas redes sociais, antes de emitir juízo de valor e construir uma opinião.
UM PRETEXTO CHAMADO LIVRO
A casa de esquina parecia abandonada, mas não estava. Apenas vamos chamar de silêncio aquilo que sobra quando as pessoas vão embora. Foi ali que Lázaro, aos trinta anos, parou o carro num sábado de sol em brasa, em Cuiabá. Vendedor da Barsa, trazia na mala enciclopédias e, sem saber, também carregava destinos alheios. Tocou a campainha com cuidado, como quem não queria acordar lembranças. O homem que abriu a porta era viúvo. A solidão morava nele sem pedir licença. Não havia brinquedos no quintal, nem vozes nos corredores, nem pressa alguma para o futuro. Tudo indicava que aquela casa não precisava de livros. Ainda assim, Lázaro entrou. Falou da Barsa como quem fala de permanência. Disse que ali estavam respostas para perguntas que nem sempre eram feitas. Que os livros resistiam ao tempo, às ausências, à poeira dos dias. O senhor escutava em silêncio, olhos pousados em um ponto distante da sala, talvez no passado. A venda aconteceu sem celebração. Apenas aconteceu. Como acontecem as decisões importantes. Depois, o suco de caju. Doce, fresco, quase uma gentileza antiga. Entre um gole e outro, o senhor confessou o motivo da compra. Tinha netos, mas os via pouco. Talvez, disse ele, os livros servissem de pretexto. Um motivo legítimo para que eles voltassem. Para que a casa voltasse a ter passos, perguntas, risos espalhados pelo chão. A Barsa não era sobre pesquisa. Era um chamado.
Lázaro saiu entendendo que a solidão faz as pessoas criarem armadilhas delicadas para o amor: uma coleção de livros, uma mesa posta, uma desculpa bonita para não desaparecer sozinhas.
A solidão ensina que pessoas não compram coisas por necessidade material, mas por esperança, criando gestos e pretextos para trazer de volta quem o tempo afastou, tentando transformar silêncio em presença.
