Logo ali na Proxima Esquina
"Não engaiole-me, deixe-me sempre solta,
estarei sempre aqui, sempre ali, sempre aí, sempre com você. Prenda-me sim, para sempre, no seu coração, dentro de você."
Flávia Abib
17 anos.
Ah… meus 17 anos.
Foi ali que algo em mim despertou. Não como um grito, mas como um sussurro insistente dizendo quem eu era — e, com ainda mais clareza, quem eu jamais seria.
O mundo parecia pequeno e infinito ao mesmo tempo. A escola seguia seu ritmo previsível, enquanto eu me perdia em risadas altas com amigas insanas, em novos rumos improvisados, em horizontes que surgiam sem pedir licença.
Fugíamos para a Floresta da Tijuca como quem foge do destino traçado, inventávamos aventuras dentro de ônibus em movimento e dividíamos lanches simples, sempre banhados em Natasha com limão, como se aquilo fosse um ritual secreto da juventude.
Meu primeiro emprego veio com cheiro de essência. Numa fábrica de sabonetes artesanais, meus dias eram feitos de lauril, flores esmagadas, ervas secas e mãos úmidas de criação.
Eu já carregava a natureza entranhada na alma, mas ali ela me atravessou de vez. Quis saber os nomes das plantas, seus segredos, suas curas invisíveis. Algo em mim se abriu. Meu lado espiritual floresceu sem pedir permissão, e mergulhei inteira em uma tenda espírita, como quem retorna a uma casa esquecida.
Dois anos passaram como um rito de passagem. Foram anos de aprendizado, de quedas e renascimentos silenciosos. Crescia em mim uma urgência quase dolorida de viver segundo meus próprios ideais — ideais que batiam de frente com o mundo que me havia sido dado.
Minha mãe vivia uma vida de Amélia: mãos ocupadas, coração devoto, fé firme em Nossa Senhora… em todas elas. Cuidava da casa, das filhas, do marido, como quem se anula por amor e tradição.
Meu pai era feito de samba e ausência. Sambista nato, mulherengo incurável, espalhava traições como quem espalha confetes pelas madrugadas, uma mulher diferente a cada roda de samba.
E eu… eu não cabia naquele cenário.
Minha alma era livre demais, sonhadora demais, inquieta demais para suportar aquele cotidiano repetido. Eu precisava de direção, mas não de limites.
Precisava de caminho, mas não de cercas. Ainda não sabia o que queria ser, porque eu não queria ser apenas uma coisa.
Eu queria o mundo inteiro.
Eu queria tudo.
O RODO
Me vende um rodo?
Eu rodo por aí, vou ali, mas gosto é daqui, onde o pão de queijo é quente e o café bem docinho.... e o preço? Vixe só, bem baratinho... Vende cerveja, cachaça, café, leite e pudim, falar em pudim... quer um pedacinho?
E o hoje, o café tava quente, o frio faz bater os dentes... é um entra e sai de gente, uns cumprimentam, outros fingem nem ver a gente e isso te surpreende? Se fosse um cachorro, me dava um cheiro, mas tenho medo de ser mordido por gente que se diz inteligente...
Ah... mas o que eu rodo por aí, não tem nada a ver com o rodo, de modo grosso, que puxa sem ser o saco sem dar enrosco, mas é um sufoco, coisa de louco, vou contar só um pedaço e não é pouco....
Já falei que quero comprar um rodo?
Que mundo bom, mas não é bombom... quem quer o rodo emprestado é o camburão...
Com esse nome de cão, cão peão, conheci a história do Camburão...
Era apenas pra ser o rodo emprestado, mas ele precisava do combustível no seu gargalo, e feito um estalo, 2 contos no seu copo nem faz estrago, meu café com cheiro de 51 nem fica amargo, e o camburão, depois de beber começa a encher o saco e eu tiro um barato... dou ouvido, imagino um livro do apressado....
E matou em um gargalo e não era de esperar diferente, são coisas normais, são coisas de gente... uns bebem café, outros seu café é uma água ardente! .... Que é bem quente, se tiver frio para de bater os dentes dessa gente que não surpreende... essas são as coisas mais frequentes para quem você aqui nesse presente, camburão já se faz até ausente, foi carpir um quintal pra girar um capital para não ficar mal na padaria dos pães de queijo quentes!
E o dono é bem maluco
Dá risada do que não tem graça, andando em um espaço pequeno, uma volta no mundo
É um absurdo, mas não me iludo, logo cedo encosto aqui e o jacaré eu escuto, que foi mecânico, torneiro, funileiro, chapeiro, dá até um desespero, o pior é ele contando os seus segredos
E o Paulinho, nunca tá sozinho, sua cãopanhia não são só os pãezinhos, também tem os docinhos...
Mas o melhor é quando ele está ouvindo seus Hinos, e indo assim vive sorrindo, maior luta, maior correria, mas nunca deprimido, tem que assumir o piloto logo cedo, porque tem compromisso, é um cara hoje de se admirar e poucos enxergam isso, mas tudo tem o seu preço e sabemos disso.
O que é melhor? Você não sabe ainda na entrada está escrito boas-vindas
Entenda!
Era só um café e um pão de queijo... boas vendas...
Ali inerte, nas águas limpídas do mar.
Invadida de silêncio, buscando um significado para a palavra amar.
Existem muitas pessoas no mundo, e a maioria fica ali, naquele canto qualquer onde vejo, desvejo, esqueço. Muitas, não todas, porque algumas poucas e raras, são cheias de uma coisa cheia demais para serem qualquer coisa. E se eu digo que gosto, não é figura de linguagem: é a constatação de que aquilo realmente é importante para mim
Eu te li nas entrelinhas, onde o silêncio fala mais do que as palavras.
E ali, no espaço vazio entre um gesto e outro, descobri verdades que você tentou esconder.
Nada era bonito.
O que parecia brilho era apenas verniz, o que soava doce tinha gosto de amargura.
A sutileza dos detalhes me mostrou que a beleza que eu via era só reflexo, e não essência.
Às vezes, o amor engana os olhos, mas nunca engana a alma.
E a minha, ao decifrar o não-dito, percebeu que a beleza que restava era só cansaço e desengano, e que o encanto se quebrou no silêncio que você deixou.
Rapidinho ali a água ferveu, e fui coar um café.
Enquanto o pó descia pelo filtro, meus pensamentos subiam em espiral, misturados com o aroma do café fresco.
Caramba… a semana voou!
Nem vi passar, e já é sexta.
Que dia feio, chato… tomara que não chova.
Será que amanhã faz sol?
O final do ano já piscando na esquina…
Os dias estão passando rápido demais.
Nossa, preciso voltar a correr… olha essa pochete!
O que será que minha amiga vai fazer hoje?
Será que eu desliguei o ferro de passar?
Preciso marcar a consulta com o endócrino.
Ah, preciso revisar minha agenda da semana que vem.. é o trabalho está ficando puxado.
Tomara que aquele evento de moto chegue logo… vai ser massa!
Aff, esqueci de responder à mensagem da minha mãe... dois dias já!
Como será que ela tá?
Putz, marquei drenagem mais tarde, vou colocar um alarme.
Ainda falta comprar o presente pro aniversário do meu afilhado domingo.
Não posso esquecer de pegar o vestido na lavanderia. Uma semana já!
Quando será que chega aquela minha encomenda da Shopee?
Acabou o sabonete líquido.
Preciso arrumar tempo pra ir ao mercado.
Quantos anos será que meu afilhado vai fazer?
Nove ou dez?
Meu Deus, parece que ele nasceu ontem!
Lembrei que hoje tenho reunião na primeira hora... não posso me atrasar.
Enquanto isso, o café terminava de coar:
calmo, paciente, no seu tempo...
o oposto de mim.
E foi aí que percebi:
talvez o café saiba de algo que a gente esqueceu.
Ele não se apressa,
não pula etapas,
não tenta resolver tudo de uma vez.
Só passa.
Quente, perfumado e presente.
Talvez a vida fosse mais leve se a gente aprendesse com o café:
filtrar o que importa, deixar o resto escorrer...
e aproveitar o aroma do agora.
Um vento me venta e um intento eu invento.
Aqui e ali sou apenas um momento.
Se vier, vai me levar pra lá, longe me prender.
Lá onde me calam e não podem me socorrer.
Se for assim, então que minha voz logo se espalhe,
antes que venham e tinjam de preto a mortalha
que cobre minha nobre elegância, que mataram quando ainda era criança.
Antropometria, uma baixaria esculpida e despida, a pobre Luzia.
Preço bem baixo, essa mercadoria.
Quem olhou decidiu que não mais pagaria.
Sem valor, a obra sofre calada, desnuda.
Feita para alegrar os olhos, porém tudo muda
quando aquele que vê já desvaloriza a alma da arte que fora esculpida.
Um andar pela rua que não é segura faz "té" fraquejar,
coração confinado num peito sem espaço quer bombear.
Oprimido de vício, chorar é preciso para se salvar.
Mas se for bem de noite, só pede socorro se alguém quiser te ajudar.
Saudade é como o fim do caminho no horizonte onde se sabe que não termina ali, mas também não se encontra ali. É bom e da vontade e angústia não matar a sede. Esta ali, logo ali, lá, depois de lá. É o saber esperar e a dor do não saber o que. É a expectativa do próximo segundo que pode tornar-se infinito. Saudade é assim uma vontade que sacia e uma fome infinita.
Observe uma folha presa ao galho.
Ela ainda está ali,
mas já não é mais parte do agora.
O vento passa, toca, insiste.
Não a empurra com violência,
apenas lembra que o tempo segue.
A folha não resiste por medo,
nem cai por fraqueza.
Ela apenas escuta o instante certo.
Há momentos em que permanecer
é apenas atraso disfarçado de fidelidade.
E há quedas que não são perdas,
são conclusão.
A folha não decide quando o vento vem,
assim como nós não decidimos tudo o que nos atravessa.
Mas decide não lutar contra aquilo
que já cumpriu seu sentido.
Cair, às vezes,
é o gesto mais lúcido de quem compreendeu.
Nem tudo que se solta é abandono.
Algumas partidas são apenas maturidade.
“Entre o eco da nossa dor e a resposta que nunca chega, Ele está — calado, mas ali.”
— Douglas Santos, em O Deus Silencioso
"Entre o eco da nossa dor e a resposta que nunca chega, Ele está — calado, mas ali."
Douglas Santos - O Deus Silencioso e a Obsessão do Homem por Atenção
— Olha a felicidade ali.
— Onde?
— Ali, onde você deixou de prestar atenção...
Bem ali no cantinho das oportunidades, do respeito, do olhar
com amor e solidariedade nos momentos de desgosto e
desapontamentos.
Ali, onde por perdoar uma vez, duas vezes, não quis mais
perdoar.
Ali, onde era exigida uma experiência espiritual e você
deixou de ir.
Ali, quando chateado deixou de expressar seu sorriso e
bondade mesmo diante de alguém muito difícil.
Ali, onde condicionamos os pensamentos positivos que
produzem saúde e modificam a vida e nos fazem recriadores
deste mundo incrível.
Ali, onde podemos ser instrumentos e produtos da felicidade.
Ali, onde esqueceu de agradecer e continuar...
Aos pés da jaqueira pedi perdão.
Naquele momento senti a magia; a ancestralidade ali surgia,
diante de uma lágrima que na minha face escorria.
Olhei para o céu e uma voz sombria dizia:
— Levanta a cabeça, meu filho, chegará o grande dia.
Fiz a minha saudação, três nomes na mente surgiam:
Mepere, Bokolo e Iyá Bambá.
Inocentemente, foram louvadas nesse dia.
Novamente a voz sombria surgia:
— Siga em frente e acredite, chegará o seu grande dia.
Bom dia!
Não plante em sua mente a semente do mal, pois quando ali plantada ela cresce e te faz doente e tudo parece não acontecer para o bem-estar. Oremos, peça a Deus força, coragem e fé... Boa semana, feliz segunda-feira 🍀🙌🌹🌹
"Caminho por dentro de mim, recolhendo fragmentos que o tempo deixou cair — e é ali que descubro o que nunca soube dizer em voz alta."
a solidão confronta.
É ali que descobrimos, no fundo, quem realmente somos.
É ali que as máscaras caem
e o nosso “eu” verdadeiro se revela.
Plano B
Ela não quer ser seu plano B, nem muito menos C.
Ela quer que você esteja presente ali,
Ela quer que você seja real com ela,
Ela só quer verdades,
De planos já basta o que ela planejou ter: você perto dela.
