Lobo
Minha filha diz que eu sou uma cocadinha de sal.
Não sabe ela que até o lobo mau tem seu lado romântico.
"Sou um Lobo correndo pela escuridão em busca de um mundo iluminado. Quando o encontrar, lá descansarei."
Como o lobo que chora pela lua, eu também anseio por um amor distante... Como se fosse uma lua escondida em tempos nublados."
Solitário sou como um lobo sem alcatéia, vivo sozinho na escuridão dos meus pensamentos talvez seja melhor assim sozinho não machuco ninguém.
Big Bad Wolf
Lobo em pele de cordeiro
Homem Instinto animal
Seria triste a chapeuzinho
Se não existisse o lobo mau
Moça pura na floresta
Logo o dia escureceu
Não foge ingênua dama
Hoje o bicho já comeu
A fera invadiu a casa
Todos escutam a gritaria
Xiado e uivados longos
Vozes roucas de ousadia
Garota do capuz vermelho
Não atiça bicho feroz
Na cabana da vovozinha
Donzela e lobo estão sós
Que se passas nesse quarto
Faz até a alma chorar
A mulher atraiu o lobo
Até sua cama pra matar.
O LOBO E A LUA
.
.
A Lua, de tão bela,
luminosa e clara,
entristece o lobo,
que por isso chora
seus uivos na madrugada.
.
Uiva a melancolia
que emana da consciência
de se saber irremediavelmente distante
do resplandecente objeto amado.
.
Uiva porque sabe que a Lua é inatingível
e que seus clamores por ela
sequer serão ouvidos.
.
Uiva porque é da natureza da Lua
ignorar o Lobo,
que, no entanto, a ama.
(e é precisamente este amor
que lhe arde
como uma chama).
.
Até hoje não se explica
porque o Lobo entoa
tão solitário e doloroso canto...
.
? Mas será mesmo um canto
esse que, vertido em vento,
percorre a madrugada
sem nunca atingir destino,
– sem consumar momento –,
e que, profundamente triste,
não se define, contudo, em pranto?
.
? Será mesmo um canto
esta ponta de sabre branco
que, ao invadi-las por dentro,
corta as almas em dois instantes?
.
Ou quem sabe este uivo, que nos assombra,
será mesmo um grito...
desses que, do alto de uma ponte,
e de dentro de um quadro
(sem precisar de som),
estende-se ao infinito?
.
? Mas como será um grito
esse que todas as noites se repete
insistente como um rito?
.
? Não será então uma senha
oculta em Lobo,
para que todos saibam
do seu devotado amor
por tão irresistível objeto
– por esta eterna fonte
luminosa de desencanto?
.
Canto, grito ou senha
(pranto, rito ou chama),
não é o Lobo que faz o uivo,
mas é o uivo que faz o Lobo;
e quem faz o uivo é a magia
que lhe revolve o oceano
(a mesma que, na maré que dentro mexe,
o coração lhe deixa insano).
.
Mas se o Lobo se transfigura
na dor, que é seu próprio canto,
a Lua permanece a mesma:
branca, perene, eterna
– amada em seu congelado encanto.
.
Há de pairar como um poema
sobre os mares que então remexe,
sobre os amores que não governa
– lado escuro do seu mistério –,
sobre os lobos que lhe pressentem.
.
Enquanto isso os cientistas a observam;
os astronautas pousam nas suas montanhas.
Percorrem as suas crateras
– a Lua se faz notícia –.
Guardam amostras do seu branco:
invadem seu doce ventre,
conquistam-lhe as entranhas.
.
Depois se vão, saciados,
singrando os sete céus,
sem saber que sequer tocaram
sua alma de sete véus.
.
Somente o Lobo talvez entenda
seus mais íntimos segredos
e a natureza do seu branco.
Mas prossegue, noturno e triste,
sem que saibam por quem chama.
.
Aqui, do meu confortável canto,
cresce a vontade de sair à floresta
para me solidarizar com o Lobo:
Amigo, eu o compreendo!
Também eu tenho a minha Lua
por quem sonho e por quem canto...
Também eu sei que nunca atingirei
seu tão precioso encanto.
.
E, no segredo deste instante,
eu e o Lobo somos irmãos
de todos os que amam.
A mesma floresta, o mesmo oceano,
formam este amor que agora arde
e que nos corta como uma chama.
.
Eterna Amada,
de tão bela,
luminosa e clara,
você me entristece...
.
[BARROS, José D'Assunção. Publicado em Letras Raras, vol.11, nª1, 2022]
A Dança da Lua e do Lobo
1. A Mulher que Teceu o Mundo
Era uma vez uma mulher que vivia no alto de uma montanha, onde o vento cantava histórias antigas e as estrelas pareciam tão próximas que ela podia quase tocá-las. Ela era conhecida como a Tecelã, pois passava seus dias criando tapetes tão intrincados que pareciam capturar o próprio universo em seus fios. Cada linha, cada nó, era cuidadosamente planejado. Ela acreditava que, se pudesse controlar cada detalhe, nada daria errado.
Mas, nas noites de lua cheia, um uivo ecoava pelo vale. Era o Lobo, uma criatura selvagem e indomável, que parecia rir de seus tapetes perfeitos. "Por que você não desce da montanha e dança comigo?", ele perguntava, sua voz ecoando como um desafio. A Tecelã ignorava o chamado, apertando os nós com ainda mais força.
2. A Tempestade
Um dia, uma tempestade furiosa varreu a montanha. O vento arrancou os tapetes das paredes, desfazendo os fios que ela havia tecido com tanto cuidado. A Tecelã correu para salvá-los, mas quanto mais tentava consertar, mais os fios escapavam de suas mãos. Desesperada, ela olhou para o céu e gritou: "Por que isso está acontecendo? Eu fiz tudo certo!"
Foi então que o Lobo apareceu, sua pelagem prateada brilhando sob a luz da lua. "Você não controla a tempestade", ele disse, seus olhos dourados fixos nela. "Mas pode dançar com ela."
3. A Dança
Relutante, a Tecelã deixou o Lobo guiá-la para uma clareira. A tempestade ainda rugia, mas ele começou a dançar, movendo-se com uma graça selvagem que parecia desafiar o caos. "Solta-se", ele sussurrou. "A vida não é um tapete que você pode tecer. É uma dança que você precisa sentir."
Aos poucos, ela começou a seguir seus movimentos. Primeiro com hesitação, depois com uma risada que brotou de algum lugar profundo dentro dela. A chuva molhou seu rosto, o vento bagunçou seus cabelos, e pela primeira vez em anos, ela se sentiu viva.
4. O Novo Tapete
Quando a tempestade passou, a Tecelã voltou para sua cabana. Os tapetes estavam desfeitos, mas ela não se apressou em consertá-los. Em vez disso, começou um novo, desta vez deixando espaços entre os fios, como se convidasse o vento e a luz da lua a fazerem parte da obra.
O Lobo aparecia todas as noites de lua cheia, e juntos dançavam na clareira. Ela aprendeu que a vida não precisa ser controlada para ser bela às vezes, é no caos que encontramos nossa verdadeira força.
Epílogo: A Tecelã Selvagem
Anos depois, os viajantes que passavam pela montanha contavam histórias de uma mulher que tecia tapetes como ninguém. Diziam que suas obras eram vivas, cheias de movimento e luz. E, se você olhasse de perto, podia ver os rastros de patas de lobo entre os fios, como uma lembrança de que a beleza nasce quando soltamos o controle e abraçamos a dança da vida.
Nota do Conto:
A Tecelã representa a mulher que tenta controlar tudo, enquanto o Lobo simboliza a força instintiva que nos convida a confiar no fluxo da vida. A mensagem é clara: o controle excessivo pode nos proteger do caos, mas também nos impede de viver plenamente. Às vezes, é preciso dançar com a incerteza para encontrar nossa verdadeira liberdade.
A sociedade
A sociedade exerce um poder
Como um lobo faminto
Tão rígido ao ponto de estraçalhar
Tão severo ao punir
Corpos ocos
Mentes sombrias
Infância dolorosa e fria
De quem só queria sonhar
Vivo sozinho a pensar
Como um lobo solitário
Vivo sozinho a pensar no amor que se foi e não a de voltar.
Vivo sozinho em total solidão esperando que vc volte e devolva o meu coração.
Mais enquanto esse dia não chega vivo a pensar no amor que se foi e não a de voltar.
De homem a lobo
Nas noites de lua cheia, eu me transformo
De homem a lobo, o instinto aflora
A sede de liberdade me consome
E eu me entrego à natureza selvagem afora
A cidade me sufoca, me aprisiona
Mas nas florestas, encontro meu lugar
O vento uiva unindo nossa canção
E no coração da selva, sou livre para me expressar
De homem a lobo, eu sigo a lua
Abraçando o lado selvagem da vida
Correndo livre pelas matas escuras
Libertando a fera adormecida
Os olhos amarelos brilham na escuridão
Me guiam pelos caminhos desconhecidos
O instinto de caça domina a razão
E eu me sinto vivo, em harmonia com os sentidos
Nas noites de luar, eu caço sem piedade
Mas não sou um monstro, apenas um predador
A força da natureza corre em minhas veias
E eu abraço o lado selvagem, sem temor
A civilização tenta me domesticar
Mas meu espírito selvagem não pode ser controlado
Eu sou o lobo solitário a uivar
Em busca da liberdade e do meu verdadeiro legado
De homem a lobo, eu sigo a lua
Abraçando o lado selvagem da vida
Correndo livre pelas matas escuras
Libertando a fera adormecida
Então deixe-me correr livremente sob a luz da lua
Sem correntes, sem limites, apenas com a natureza para me guiar
Pois é na pele do lobo que eu encontro a verdade crua
E abraço o meu lado selvagem, sem medo de me libertar
De homem a lobo, eu sigo a lua
Abraçando o lado selvagem da vida
Correndo livre pelas matas escuras
Libertando a fera adormecida
Eu abraço o lado selvagem da vida/ De homem a lobo, eu sigo a lua
Entre força bruta e poder sutil: Qual lobo você escolhe alimentar? Sua escolha define o caminho que irá percorrer.
