Lisboa
Existe uma distância entre sentir falta e sentir saudade.
Se sinto falta, há substituição
Já a saudade, Ah! Essa não.
Não desista de um amor verdadeiro, de um emprego novo, de um amigo distante, da família bagunçada, de enviar aquela mensagem de "Bom dia" só porque o outro não está online, de superar os medos, de lutar pelos sonhos, de viver.
Se tem 1% de chance, só vai!
Que os ventos desta nova estação nos traga a leveza de um olhar sincero, e leve a agonia do coração.
Me curei de dores sem anestesia
No silêncio de uma quarentena
Em plena pandemia
Dores que nenhum outro remédio curaria
A não ser o tempo de revelar
Quem realmente me queria.
Pousar
Quando chegar o momento de pousar, não procure apenas uma casa, e sim um lar para se abrigar.
Não procure apenas um corpo bonito, e sim um coração para amar.
Não apenas os rolês do final de semana, e sim todos os dias para celebrar.
Não apenas a palavra de incentivo, e sim a mão que segura a sua para te acompanhar.
Não apenas a música da playlist, e sim quem canta para você, sem nenhum receio de desafinar.
Não apenas quem exalte suas qualidades, e sim quem mesmo conhecendo todos os seus defeitos, decide ficar.
Não apenas quem converse sobre tudo, e sim quem te decifre somente com um olhar.
Não apenas quem te oferte um abraço quente, e sim quem te despe sem, se quer, te tocar.
Não apenas quem te ame, e sim quem te lembre que o amor próprio vem em primeiro lugar.
Não apenas quem encoraje seus planos, e sim quem esteja contigo mesmo quando não acertar.
Não procure a perfeição, e sim a vontade de fazer do imperfeito o seu melhor lugar.
Se fosse um apêndice supurado, também disso se poderia ser curado, mas de um coração partido não há medicamento que possa ser prescrito!
Pessoas são galáxias e, perdão pelo óbvio ululante, galáxias têm estrelas. Acontece que também têm outros corpos celestes, matéria escura, buracos, planetas, poeira, gás cósmico.
Tudo coexistindo, de modo perfeitamente confuso, orgulhosamente caótico.
Tipo gente.
Que de vez em quando ri de nervoso, fala o que não pensou, silencia o que deveria ser dito, hiperventila de medo, vai embora porque não sabe existir quando a vida faz o que sabe fazer de melhor: gargalhar dos nossos planos cheios de certezas.
Gosto de amor fácil. Que saiba: percepção requer envolvimento, juízo bom é pouco, assunto importa. Prefiro amor aparente. Em que feriados são inventados, atos falem delícias, exista perfeito acolhimento de convites ao silêncio. Quero amor sem ornatos. Com fomes primitivas, espantos ofertados de vez em quando, ventos deslinhavador de certezas. Espero amor visível. Capaz de transtornos em relógios, desperdiçar-se em fantasias, cair em precipícios, domesticar vendavais. No entanto, terei o desconhecido, inesperado, arrebatador amor que é teu. Sorte minha.
Sem um abismo de vez em quando, graça alguma tem a vida, amor.
Nunca conheceu as estrelas quem ouviu a razão.
Aprendi diversos tipos e uma só regra: fazer pão é como se apaixonar. É preciso sentir os ingredientes. A cócega que a farinha provoca na palma da mão, o deslizar da manteiga, o fermento que é fino mas pesa um pouco e gruda nas linhas das mãos. Depois, dedicar atenção à sova, ao amassar vigoroso. O repouso da massa aproxima os cozinheiros dos escritores. Assim como um texto precisa descansar as palavras por um tempo antes de ser apreciado por olhos alheios, a massa pálida do pão precisa ficar só para se fazer magia. Estufada, com o dobro do tamanho e uma textura areada está quase pronta. Dependendo do forno, dá para fazer até dois tipos de milagre ao mesmo tempo.
Falar em saudade dói, mas viver de saudade é como viver no pretérito do passado imperfeito, procurando corrigir um futuro mais que imperfeito. Alego em mim verdades que além de não serem sórdidas, são irreais até pra mim, busco nelas refúgio de algo que não vejo e nem sei oque se trata, pois ainda vivo na grande complexidade da mente de uma criança que um dia sonhou em ser adulto. Pro muleque que queria ser polícia, vive hoje como refém, refém da própria mente preso em uma grande chacina chamada estatística.
A imensidão do teu olhar, causa estrelas no firmamento do amor, dissipando a minha solidão! (Solange Lisboa- 16/03/2024)
Viver é o presente mais lindo e terno que poderíamos receber de Deus, e todos os dias o ganhamos, repleto de delicadeza, exuberante em detalhes singelos.
- Relacionados
- Poemas de Henriqueta Lisboa
