Lira dos vinte anos
Vidraças da Memória
Digo que a saudade em si não é tristeza.
Ela nos devolve por instantes os momentos por nós vividos.
Tem dias e noites que ela me traz o passado
de forma que eu nem gostaria de abrir os olhos para ver o presente.
Feito as águas da chuva que vem lavando toda poeira que ao vento ficou,
vem a saudade em forma de lágrimas lavar os meus olhos!
Vidraças de minha memória e de meu coração.
Uma Estrela a Mais!!!
Meus olhos te procuram ansiosos
e te buscam por todos lugares
São tantas luzes na madrugada, tantas pessoas
mas meus olhos não te vêem em outros olhares.
Num dado momento eu me perco
entre a realidade e a louca ilusão
de acreditar que é você quem está comigo
degustando o aliciante vinho da paixão.
Revolta-me ver o sol outra vez
se desenhando no horizonte
para apagar o brilho que na escura noite
de minha inspiração fôra a única fonte.
As horas vazias com a esperança plena
enfim passam, tem fim os meus ais
me entrego de novo à noite serena
à buscar noutro céu uma estrela a mais.
W. Lira
Canteiro de Obras
A mentira tem pernas curtas e as trevas que ela gera podem até nos envolver pela vida inteira.
Portanto sejamos transparentes e verdadeiros em todas situações da vida, para que mais tarde nossas próprias consciências não nos acuse e nem nos condene.
É certo que todos já erramos um dia. Certo é também que ainda temos a oportunidade de nos redimir , começar outra vez, construirmos um novo final para a nossa história. No entanto os débitos contraídos no passado, esses sim são como sementes que espalhamos no canteiro de nossas obras e que em hora oportuna delas haveremos de colher os frutos.
Depois desta colheita obrigatória, fica o solo à espera de boas sementes que ele acolherá com carinho em seu ventre fértil a fim de que as transforme em frutos de honestidade, luz , amor e paz.
Depende de cada um de nós escolhermos as sementes que queremos plantar.
Um Beijo No Quadro
Sonhei acordado com um beijo molhado,
que foi dado com muito amor e desejo
Pela sala eu caminhava sozinho
nas mãos uma taça de vinho
era como seu carinho naquele ensejo
Seu sorriso clamava meus lábios
e eu um bobo, no amor nunca fui sábio
me entreguei mais uma vez à ilusão
De-repente a chuva no telhado
me despertou, me vi em frente ao quadro
onde sua imagem sempre destrói, apaga minha solidão.
23/11/2014 W. Lira Franca
Habitat
Do trigo trago a marca do que sou
num trago me entrego ao ser que sonho ser
entorpece-me o mel que do favo não se extrai
alimenta-me para a vida que quero viver
Nos Celsius graus me mantenho "Quente"
e "vivo", vivo existo enquanto durar a temperatura ambiente!!!08/11/2014 Wagner Lira Franca
A Irmã de Cecília
Em tenra idade um vulcão ativo
ilude-me, faz-me cativo e hipnotizado
Fazendo com que as lavas incandescentes de mais uma fantasia
paralisassem-me, tornando os meus dias
em uma eternidade destruindo as lembranças do passado
Meiga, doce, encantadora
se torna assim uma traidora
aos olhos dos homens, aos olhos do mundo!
Uma traição perdoável
pois Cecília se tornou tão instável após sucessivas estações
Abduzi o espírito de Emília
rasgando seu peito, e em seu ventre
fiz jorrar o mar de minhas emoções
Óh! quão culpado me julgo
por desfazer mil sonhos mas não me culpo
quando em meus lábios sinto os beijos de Emília
que colocou sua vaidade
unida à todas vontades
na alcova que agora não mais é de Cecília!!!01/02/2014
W. Lira Franca
Venceslau
Com o carrinho cheio de frutas,
nas ruas, nas portas das casas das freiras
ele sonha em vender tudo o que colheu de manhã
Passam-se as horas e o carrinho "inda" cheio
o faz pensar que o meio é entregar tudo
na barraca do hortelã
Ele acha que o hortelã não é muito certo
mas não sabe que dele perto, muito perto
também impera uma certa insanidade
É que ele nunca viu seu corpo ao chão estendido
numa convulsão que o faz perder o sentido
e até esquecer , anular sua identidade.
Mas sua mãe lhe espera
na janela daquela tapera que não abriga sonhos , somente realidade
Thereza, louca, chamada por muitos
ama, sente que o filho se esforça e seu intuito
é provar que ele sim é capaz de ser homem de verdade
Venceslau sentiu medo do hortelã
por isso andou muito, perdeu as sandálias logo de manhã
ao correr com seu carrinho pelas ruas e calçadas
Venceslau só não sabe
que o dinheiro das frutas entregue na volta às casas das freiras
é bem menos, muito menos do que pagariam as pessoas desvairadas.
20/04/2014 W. Lira Franca
Você é a minha escolha. E eu nunca acertei tanto como quando eu disse “sim”. E eu nunca quis tanto continuar dizendo “sim” todos os dias, para a mesma pessoa, o resto da minha vida.
Eu amo a chuva
Adoro sair de casa para o trabalho embaixo de uma chuvarada. Ela tem a capacidade de inserir em mim a essência do beija-flor. E nos dias de chuva, saio de casa cheia daquela energia que impulsiona o coração a bater mais rápido, para realizar o milagre do bater acelerado de asas, dos rodopios incessantes e estáticos no ar, no ofício da coleta do néctar para minha subsistência.
Junto com a sombrinha companheira, subo a ladeira do Fabrício sem sentir. Aproveito o prazer dos respingos d’água que fazem a minha pele arrepiar, enquanto respiro fundo o ar úmido da manhã. Deixo que ele entre e umidifique as partes de mim ressecadas pelo tempo, principalmente a vagina e o coração.
O barulho da enxurrada me remete aos dias felizes da infância, quando junto com a esquistossomose e a ingenuidade, explorava todas as poças de água da minha rua. As lembranças provocam um princípio de tempestade em mim, e algumas lágrimas teimam em desaguar junto com a chuva desta manhã, mas, são lágrimas de felicidades.
Enquanto se fortalece em mim a certeza que amo a chuva, eu digo em pensamento: Vem vida, que hoje o amor com você será selvagem e mais que satisfatório.
sem riscos, não há ganhos.
É possível que você perca? Sim, perder faz parte. Mas se você agir
com sabedoria, para cada pequena derrota, virá uma grande vitória.
Fortaleça-se, marujo(a)!
É tão relativo e contraditório o amor. Quando meus pensamentos perdidos se encontram em teu ser, meu coração não se contenta apenas em bater freneticamente e me fazer perder todos os meus, nao muito bons, sentidos. Faz o sangue esquentar e passar rápido pelas minhas frias e rigidas veias, borbulhando como agua fervente, fazendo meu rosto ficar avermelhado e quente. A insanidade consome completamente a minha mente, fazendo-me querer mergulhar em qualquer uma das minhas inesqueciveis lembranças em que você me roubou ao ar, comprimiu todo o seu amor em meus labios em que me fez prometer que essa maravilhosa utopia sera para sempre. à sua frente, meus orgãos se comportam de uma maneira diferente, inconstante. é até vergonhoso admitir que isto aqui parece ser o inferno, é tão puro e sublime o que sinto, que foge da lei da realidade.
Descendo a rua das dores, ela não conseguia frear mais seus sentimentos agonizantes que teimavam em transbordar pelos seus olhos. Ela podia se fazer de forte e indestrutível, porém por dentro só ela sabia o que habitava há muito tempo seu velho coração. Não era algo que ela pudesse fugir – ela já tentara. Não era algo que ela pudesse enfrentar no momento, era algo que ela empurrava com os dias monótonos. Vivia como se fosse extremamente terrível, era como se ela apenas esperasse o dia seguinte e o outro e o outro... Num ciclo vicioso de manias estranhas que ela criara para passar o tempo. Seu sorriso já não chegavam aos seus olhos, as cores já não pareciam-lhe vibrantes, as pessoas não eram mais interessantes. Viver doía intensamente. Era até engraçado, como viver podia doer? A vida não lhe implicara nenhuma dor diretamente, e sim, suas próprias escolhas. Será que ela era a culpada de tudo aquilo que estava sentindo? Será que era ela a única culpada? As perguntas a faziam querer de alguma forma parar com tudo naquele exato momento, se não conseguia fazer algo certo, que pelo menos parasse de fazer errado. Era simples, e indolor. Porém, ela não entendia bem o porquê, mas o aroma das flores a entorpeciam, o barulho dos carros a faziam sentir-se viva, o céu estrelado a fazia sorrir verdadeiramente. Havia coisas, que não a deixavam partir por completo. Uma parte sua podia estar morta, mas a outra continuava pulsando. Pulsando por vida. Talvez seja por isso que ela nunca desistira de tentar, mesmo errando e sofrendo depois, as tentativas já não eram tão frustradas como antes, ela estava aprendendo a viver lentamente. Aprendendo a dar um paço do tamanho que sua perna permitia, um de cada vez.
Tomar decisões é sempre difícil ,então tome aquela que acha que vai lhe fazer Feliz e não importa o que os outros dizem,
Sua Felicidade não depende das escolhas dos outros e sim das suas.
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