Limpar a Casa
O Brasil mais parece a casa da mãe Joana, onde tdo mundo faz o que quer, e tdo mundo mete o bedelho.
Antes se lavava a roupa suja em casa, agora é nas redes sociais. A coisa anda tão feia que até pessoas que se dizem "celebridades" (rs), estão lavando suas roupas íntimas nos vídeos do Instagram. É a internet desmascarando o encanto: o ídolo tbm faz barraco😭
O quão rápido o mundo pode girar?
Num dia eu tinha tudo, esposa, filhos, carro, casa, dinheiro, muito dinheiro
Mas de repente, ela quis me deixar, até hoje não me disse exatamente o motivo
Nosso quarto, agora é quarto de despejo
Mesmo que eu não aceite isso com facilidade
Todos os dias vejo nossa cama, os lençóis ainda estão dispostos da maneira que você os deixou quando partiu
Senhora, voltes, ainda há espaço na casa, tanto desde que me deixastes…
Hoje já não me restou nada, nem dinheiro, tu levaste os filhos, o carro, tenho no máximo uma casa. Não serei modesto, uma mansão
Uma mansão grande demais pra mim
Por isso, senhora, eu aceito sua presença
Quando quiser voltar, será bem vinda
Mesmo que em meu coração já não exista chão para pisares.
Não perca seu precioso tempo
Existem avaliações e escolhas
Em casa ato você concluirá
Se deves ir ou ficar.
Velha casa de meus pais,
Eu não te esqueço jamais
Por esta existência em fora,
Só porque tu me retratas
As fantasias mais gratas
Daqueles tempos de outrora!...
Mamoeiro! Bananeira!
Joazeiro! Goiabeira!
- Que cinema sem igual!
Jogando sobre as alfombras
Um rendilhado de sombras
Na tela do teu quintal!
E aquela batida longa
Da cantiga da araponga
Que entre os rasgos do concriz
E os estalos do canário
Ia formando o cenário
Daquela quadra feliz!
Mas o tempo - este malvado!
Para matar o meu passado,
Numa explosão de arrogância,
Jogou de encontro ao mistério
Toda a beleza do império
Dos sonhos de minha infância!
Árvores, pássaros, tudo
Rolou para o poço mudo
Do abismo do nunca-mais!...
Enquanto a sonoridade
Dos gorjeios da saudade
Se esparrama em teus beirais...
Por isso em tuas janelas,
Em tuas portas singelas
E em cada vidro quebrado,
Onde a tristeza se deita,
Vejo uma réstia perfeita
Das estórias do passado!...
Ai velha casa sombria
Quem, nesta vida, diria
Que aquele céu sucumbisse,
Que aquela fase passasse,
Que aquela ilusão fugisse
E que não mais voltasse!...
Na festa descolorida
Da paisagem destruída,
Aos olhos da Natureza,
Só tu ficaste de pé
Confortando a minha fé!
Matando a minha tristeza!
Velha casa desolada
Guardas na tua fachada
Uma indelével lembrança
Dos meus dias de quimera,
Das rosas da primavera
Que plantei quando era criança!
E agora que o sol se pôs
E a bruma envolve nós dois
Na sua atroz densidade
Enfrentemos a incerteza
Tu - conduzindo tristeza!
Eu - transportando saudade!
Lições da Natureza e a Jornada de Volta para Casa
A natureza é perfeita, mesmo em sua aparente imperfeição. Tudo nela acontece com calma, seguindo o ritmo que deve ter. Tentar apressar o tempo para alcançar aquilo que se deseja é em vão; se não houver uma essência pacífica e serena, nada chegará até você, e aquilo que não for merecido jamais será conquistado.
Antes de buscar a beleza que agrada aos olhos, aprenda a enxergar a perfeição que existe em tudo o que a natureza nos oferece, mesmo naquilo que parece imperfeito. A perfeição não é ditada por você, nem por regras artificiais da sociedade que impõem padrões insanos de beleza e separação. Criam-se ilusões de dualidade, onde há julgamentos entre o bem e o mal. A humanidade insiste em definir papéis distintos entre homem e mulher, atribuindo força ao masculino e fragilidade ao feminino, mas a verdade está além dessas imposições. É preciso ampliar a visão, olhar com os olhos da alma e enxergar além da superfície.
Assim como cada flor exibe cores e perfumes distintos, cada erva carrega seu próprio sabor e propriedades medicinais, podendo curar ou matar. A natureza não foi criada para comparar, mas para equilibrar, como o veneno da cobra, que também guarda seu próprio antídoto. Frutas, verduras, legumes e raízes existem em abundância para nutrir os mais diversos corpos e paladares. O que alimenta um pode ser fatal para outro; aquilo que para alguns é um deleite pode ser indiferente para outros. A diversidade é a essência da vida, promovendo cura e bem-estar sem discriminação.
Não podemos compreender outro ser sem antes entender a nós mesmos. Se nossa alimentação seguir aquilo que a natureza nos oferece, na justa medida para nosso corpo, então basta nos conhecer, experimentar e refinar nosso paladar. Esse processo pode levar tempo, pois o homem, ao desejar se sobrepor à natureza, modificou tudo em busca do lucro. Com egoísmo, criou ilusões de prazer à custa da saúde, fazendo com que seu corpo não reconheça mais o que é verdadeiro, gerando doenças sem fim. E então, de que adianta clamar por Deus, que se manifesta na própria natureza, e pedir cura, se continuamos a buscar nosso alimento nas prateleiras do mercado? A natureza não fabrica embalagens.
A vida, assim como as fases da lua e as estações do ano, é feita de ciclos, onde cada mudança se revela necessária para nossa evolução. Se nos acomodamos, acreditando ter construído impérios indestrutíveis, a maré vem e nos ensina que nada é permanente. Os ventos sopram, as ondas se erguem e desfazem tudo, para que possamos recomeçar. A natureza nos lembra constantemente que não há fim: apenas novos começos. Tudo se abre e se fecha, assim como a própria existência.
Não existe certo ou errado, pecado ou pecador, nem castigo de Deus. Tudo é aprendizado, e a dor não vem para punir, mas para ensinar. Cada desafio, cada erro, cada obstáculo são apenas lições que nos guiam de volta à nossa essência. O universo não julga, apenas equilibra; não castiga, apenas ajusta. O que hoje parece sofrimento amanhã pode ser revelação, e o que ontem foi erro hoje pode ser compreensão. A chave está em perceber, aceitar e restabelecer a conexão com o fluxo natural da vida, deixando de lado a ilusão da separação.
Assim como o figo esconde suas flores no lado de dentro, nossa verdadeira beleza só florescerá quando buscarmos dentro de nós. Como a árvore mais frondosa que se sustenta sobre raízes profundas, aquele que mergulha no próprio ser encontra fortaleza na fé e uma visão além das aparências. Se colocarmos água de coco em uma embalagem de refrigerante, ela continuará sendo água pura. Mas se colocarmos refrigerante dentro de um coco, jamais voltará a ser água de coco. A essência não se engana.
Viver com saúde e bem-estar em um mundo capitalista é privilégio de quem compreendeu que entregar a vida nas mãos de Deus é aceitar os padrões de conduta e pensamento que o Criador estabeleceu. Quem abre os olhos para essa verdade reconhece o brilho genuíno de tudo o que é natural.
A Manipulação Disfarçada de Cuidado
Naquele dia, entrei na casa com o propósito de ajudar. A senhora de 85 anos me recebeu com ternura, como sempre. Seu corpo era frágil, mas os olhos ainda transbordavam vida. Ao seu lado, sua filha de 66 anos — cabelos brancos como os da mãe, quase idênticas, como se o tempo as tivesse moldado de forma espelhada. Mas havia algo ali que não se percebia à primeira vista.
A filha parecia aflita, respirava de forma entrecortada, como se lutasse contra uma crise de asma. No entanto, minha experiência como agente de saúde, tendo testemunhado inúmeras vezes esse tipo de cena, alertou-me: aquilo não era uma crise genuína. O gesto, o olhar, o drama velado nos detalhes… tudo indicava algo além da doença.
Observei o desenrolar da cena com cautela e permaneci em silêncio, permitindo que a intuição guiasse minha ação. Ofereci hortelã, uma alternativa simples e natural para alívio imediato, mas o desinteresse veio rápido: "Não gosto do cheiro do hortelã." Em seu lugar, ela escolheu uma erva qualquer, sem relação alguma com seu suposto problema. Seu comportamento parecia mais uma encenação do que um pedido genuíno de ajuda. Uma pessoa em crise aceita qualquer coisa para respirar.
E então, a revelação. Com a mesma expressão de sofrimento, voltou-se à mãe e, num tom quase inocente, soltou: "Mãe, você pode me dar dinheiro pra eu ir ver minha amiga? Tô com saudades dela."
Ali, diante de mim, o verdadeiro quadro se revelou. A fragilidade era ferramenta; a doença, um artifício. O cuidado materno, que deveria ser fonte de amor e apoio, tornava-se um jogo onde o sofrimento era usado como moeda de troca.
A manipulação dentro dos laços familiares pode ser sutil. Às vezes, veste-se de preocupação, esconde-se sob gestos de carinho e se disfarça no discurso da fragilidade. Mas há um limite tênue entre dependência emocional e controle, entre pedir ajuda e manipular para obter vantagens. Naquele instante, percebi que a relação entre aquelas duas senhoras não era apenas um vínculo de mãe e filha, mas um cenário onde a doença se tornava um instrumento.
E assim seguia a filha, envolta em sua estratégia delicada. Em cada visita, não faltavam palavras doces. Com voz suave, repetia sempre à mãe: "Eu te amo, mãe", reforçando laços que pareciam genuínos. A senhora de 85 anos, com o coração envolto na ternura daquelas palavras, acreditava sem hesitar. Afinal, quando o afeto é reafirmado, torna-se difícil duvidar de sua autenticidade. Mas o amor, quando usado como ferramenta, pode ser apenas mais um fio invisível na trama da manipulação.
Oração para a Benção da Casa
Deus Pai, de bondade e amor,
Pedimos que entre em nosso lar e abençoe todos os que aqui habitam. Afaste todo espírito mal-intencionado e envie seus amparadores para nos proteger e defender. Senhor, repreenda as forças que não contribuem para nossa evolução. Que esta casa seja preservada de roubos e assaltos, defendida contra incêndios e tempestades, e protegida de tudo que possa perturbar a paz das noites.
Que a sua proteção esteja presente, dia e noite, nesta casa, e que sua infinita bondade permeie os corações de todos os moradores. Que aqui reine a paz duradoura, a tranquilidade benfazeja e a caridade que une nossos corações.
Desejamos que a saúde, a compreensão e a alegria sejam permanentes neste lar. Que nunca falte o pão em nossa mesa, o alimento que energiza nosso corpo e fortalece nossos ânimos, para que possamos resolver todos os problemas, superar dificuldades e cumprir com as nossas obrigações diárias.
Que esta casa seja abençoada pela energia da Sagrada Família de Nazaré. Que assim seja, e assim se faça.
O Sistemático Senhor da Casa Lisboa
Desde sempre, ele era uma alma meticulosamente organizada, um arquiteto de sua própria rotina. Cada minuto de seu dia era encaixado com precisão em um relógio invisível. Todas as manhãs, sem exceção, ele enfrentava a água gelada do chuveiro como se fosse um renascimento diário, uma reafirmação de sua disciplina férrea. Depois disso, ele preparava seu café com pão, um desjejum simples, mas sagrado, antes de seguir para sua loja, um pequeno império construído com esforço e dedicação.
Sua loja, Casa Lisboa, era seu reino. Lá, cada objeto tinha seu lugar e propósito. Ao final de cada dia, ele voltava para casa, preparava um lanche e assistia TV antes de se entregar ao sono, pronto para repetir o ritual no dia seguinte. A vida era um ciclo previsível, um refúgio seguro na constância. Ele acreditava ter o controle absoluto sobre a própria vida, como um maestro conduzindo uma sinfonia perfeita.
Anos se passaram como folhas levadas pelo vento. Agora, ele está velho e doente. A loja, outrora vibrante com a energia dos clientes, agora se encontra vazia, um eco dos dias de glória. Ele não compra mais nada, não vende mais nada, mas insiste em ir até lá todos os dias, agarrando-se ao que resta de sua rotina.
A demência, insidiosa, começou a roubar-lhe a percepção do tempo. No meio da madrugada, acorda confuso, olha para o velho relógio que só marca AM e PM, e acredita que já é manhã. Levanta-se, toma um banho acreditando ser o início de um novo dia e prepara seu desjejum habitual, sem perceber que ainda é madrugada.
Seu filho, preocupado, tenta trazê-lo de volta à realidade, mas ele, teimoso como sempre, repete a frase que se tornou seu lema: "Mas não é possível!". Agora, uma bolsa de plástico substitui sua bexiga, que há anos deixou de funcionar, tornando sua fragilidade física ainda mais evidente.
Parece preso em um ciclo interminável. O controle que acreditava ter sobre a vida se revelou uma grande ilusão. A verdade é que a vida não pode ser controlada; é uma escola cheia de desafios e lições a serem aprendidas. O Senhor da Casa Lisboa focou apenas nos fenômenos que podem ser medidos e expressos através de fórmulas, sem perceber que a verdadeira essência da vida está nas pequenas imperfeições e surpresas que compõem o todo.
E assim, ele continua vivendo do mesmo jeito, sem notar que a magia da vida reside justamente nas pequenas imperfeições e nas surpresas que ela nos reserva.
Agora, como um maestro sem sua orquestra, ele encara o vazio de sua loja e de sua vida com a mesma teimosia de sempre. Talvez, no fundo de sua mente confusa, haja um lampejo de entendimento de que a verdadeira beleza da vida está além do controle, nas nuances e nos imprevistos que ele nunca soube abraçar. E, enquanto o Senhor da Casa Lisboa luta para manter o equilíbrio em um mundo que escapa de suas mãos, somos lembrados de que a vida é uma dança entre ordem e caos, e que às vezes é nas rachaduras da nossa rotina que a luz consegue entrar.
“Há quem não tenha sapatos e viva com os pés no chão, há quem não tenha casa e viva vendo as estrelas, há quem não tenha carro e viva sempre viajando, há quem não tenha celular e viva conectado, há quem não tenha comida e viva se alimentando de sonhos e fé."
A regra é clara; não se tem regra em casa sem porta, sem janela, sem telhado, e sem a existência de um dono.
A saúde mental é a casa, que não se pode viver sem regras.
É lindo ver um pai de família adormecer enquanto está no sofá de sua casa, depois de uma longa jornada de trabalho.
