Limpar a Casa
Ao menos farto de anos
comemoro os melhores dias nesta vida. Até que eu pisque um olho, acordado quem é já nasce pronto!
Sem deixar cair
o orgulho e a alegria de um brinde,
com vinho do Porto debaixo da ponte, outro brinde
a vida
que vivemos juntos!
A frase que criou o paradigma que diz: “Cada um por si Deus por todos”. Deve ser trocado pela: “Cada um por todos, cuidando de todos e juntos caminhando de volta para a casa do Pai”.
Trabalhando em hospital em época de pandemia: Covid-19
Quem chega as 8h, tem a sensação de ser 2 horas da tarde, devido a movimentação.
Não há isolamento; não há quarentena;
Há tensão, que só aumenta na medida que os números são atualizados.
O quadro de avisos que antes informava a data de aniversário dos colegas, hoje informa o número de óbitos.
A pergunta diária se resume a "quantos novos casos temos?"
Nos corredores máscaras nos rostos e distanciamento recomendado.
Elevadores são evitados; a não ser que você vá do 10º andar pra cima.
A cada 3 metros dispensadores com álcool em gel abastecidos.
Evite PS e UTI, existe a chance clara de contaminação.
Antes a biometria que era obrigatória para registro de ponto, foi substituída, afim de precaução de contato.
Quando surge a notícia de um colega infectado, há tristeza.
A morte de um médico: luto profundo!
Olhares angustiados e sorrisos escondidos.
Hora de ir pra casa, rever a família, descansar e se preparar pra mais um dia no hospital.
CONFIANTE
Tenho pavor de todo país
De A a Z, o que escapar é por um triz
Tenho pavor do mundo
E também de todo mundo
Ouço muito fato fementido
Tenho pavor, pavor do desconhecido
Tenho pavor de abrir a janela
Ou de quem passa perto dela
Na rua até se escuta um oi
Entrei na sala e dela sai
Pensamento inquietante, coração acelerado.
Nenhum vizinho para dividir um segredo
Um monstro sem tamanho
Alvoroço estranho
Garatujo poema, conto, haicai...
O pavor até que se esvai
O vírus fez um tufão de revolução
Mas, a solidariedade invadiu nosso coração
Como uma grande explosão
Anjos labutam por mim, por nós. Momento de reflexão!
Aperto o botão: vírus da molesta
Eu tenho pavor de abrir a fresta
Que dá para o agreste da minha inquietação
Enxergo a placa certa indicando a contramão
Constato em Isaías: "Não temas, pois eu sou contigo;
Não te assombres, pois Eu sou o teu Deus.
Eu te fortalecerei, e te ajudarei,
Eu te sustentarei com a destra da minha justiça".
Um vírus incompreensível ao homem
Até compreensível ao cientista homem
As normas adotadas são essenciais
Vamos ficar em casa porque o nosso Deus é mais
"O trabalho enobrece
E a saúde agradece
Mais é o estudo
Aprofundado no espírito
Que fortalecem
Essas duas relações.
Obrigado meu espírito
E que jamais me esqueça
Que só você me levará
As descobertas
De novos conhecimentos
De novas vidas
E de novos
Mundos".
Namastê.
Todo lar é uma casa, mas nem toda casa é um lar e que triste é uma casa que dentro dela não brinca um gato ou um cão de estimação.
Intimidade demais só serve pra fazer filho, brigar, diminuir o respeito e fortalecer a expressão “Santo de casa não faz milagre.”
Até um vira-lata que faz cocô em tudo acha que tem classe quando o deixamos correr pela casa.
Lar
Se a casa é onde nos sentimos bem,
Faço ao seu lado minha morada.
Jamais passarei fome ou frio, além
De estar no coração de minha amada.
E pelo seu feitiço deveria ser queimada,
Tal qual as bruxas há anos atrás.
Fez-me um servo em sua jornada
Sou um escravo, mas vivo em paz.
Quando quiser me assassinar, se despeça
Não consigo viver sem teu carinho.
Mas me mate, e que não seja depressa,
Prefiro ser torturado, que estar sozinho.
Tua casa é onde tá teu sangue. Onde estão tuas irmãs. Aí é onde é tua casa.
Terra, casa e trabalho são direitos sagrados. Que ninguém lhes retire essa convicção, que ninguém os prive dessa esperança, que ninguém apague seus sonhos.
O ano que vem passou ontem lá em casa e disse que o futuro vai ser melhor. Disse que o presente é bom, que é também doído, que o passado pode ter sido ruim mas que também, certamente, foi bom. Que foi tudo uma mistura. Disse também que o futuro assim exatamente o será, alternando as horas duras com as horas doces, os dias de subida pedra acima e os dias de descida e de sombra, de horas de alegria, de muitas horas de tédio – mas sempre um pouquinho mais de tédio do que de emoção. E tudo isso, de novo e pra sempre com a diferença de que, no futuro, nós mesmos seremos uma versão mais melhorada de nós mesmos. Os nossos defeitos sempre um pouquinho mais despiorados.
O futuro disse ontem que ano que vem a vida virá com menos partículas de feiura porque a gente vai tá mais experiente. Que no futuro, a gente vai tá mais preparado para a beleza já bonita que existe. O ano que vem tomou um cafezinho com a gente, sentou no sofá, perguntou da família, ficou sabendo das notícias… Disse que é preciso prestar atenção pro presente porque o presente é tudo o que a gente tem. Disse que, bem dizer, o presente é o melhor presente que só ganha quem tá vivo.
Sentado num tamborete na varada, depois de um silêncio de tanto falar, disse que cuidemos da casa porque a casa é uma das melhores coisas que temos. Que se dê atenção pro jardim, que se ria na cozinha, se enfeite o quarto e se tome muito banho bom no banheiro, consciente de que o chuveiro é o maior luxo do nosso tempo.
Saiu lá de casa era boca da noite. Findou a visita ontem dizendo que a casa é pro nosso corpo o que o nosso corpo é pra nossa alma: reveladora de quem somos, de quem podemos ou de quem conseguimos ser. E que pra tudo tem uma esperança, ainda que a esperança seja fazer as pazes com tudo que a vida nos dá. De modo que o ano que vem saiu ontem lá de casa rindo, dizendo que o futuro está quase presente e que se deve conciliar com o passado. E que no fim do ano ele chega, e que vai estar feliz de nos ver.
Tenho o hábito de enfeitar janelas: as da casa onde mora meu corpo eu as enfeito com flores, as da casa onde mora minha alma eu as enfeito com sentimentos floridos.
