Lembre se que um dia eu te Amei
Pensamento do dia:
Se a sua estrela não brilha, vai se fudê pra lá e não enche o meu saco.
Edson Ricardo Paiva.
Era oito e quarenta e oito
Clareou meio afoito
Aquele dia
Era mais uma chance
Outra tentativa
Daquela, que sempre se esquiva
E de novo se tenta entender a vida
O vizinho estava vivo ainda
E martelava
Quase oito e cinquenta e quatro
e, naquela fase
O teatro da vida abria as cortinas
Martelava
Hoje, essa era a hora do inicio
Pois sempre tem hora pra iniciar
e recomeçar
Mas ninguém
Nunca sabe quando termina
Mas tem horas que a gente percebe
O indício de ser
um pouco daquilo
Que sempre termina
Pra depois germinar de novo
Na loucura de falar com luz
E de ouvir a voz do silêncio
Hoje ela quis me falar
De alegria e de tristeza
de terra e de água, de areia e de magma
E essa voz me falava
e martelava
e fazia perguntas
e respostas juntas me dava
Me dizia daquilo que nos define
Pois a lágrima mais triste
Ela é seca, desbotada
E ninguém nunca viu
Porque desistiu
de ser chorada...e não caiu
E também que a melhor risada
Aquela que todos querem
Também não foi dada
Ela vem, quando não se quer nada
Mas que a gente a insiste em querer
e martelava
da mesma maneira que um dia
desistiu de querer chorar
E passou a querer
Entender a vida
A empatia
Num gesto de gentileza
A verdade, o egoísmo
a mentira, o cinismo, a efemeridade
e martelava e martelava
Sobre uma suposta felicidade
Escondida lá nas estrelas
e falava de flores
e cores e asas de borboletas
e morte e de norte e de oeste
e pinturas rupestres
e de cores escuras
e de águas puras
e cores primárias
e capítulos
e espadas e plexos e marteladas
e complexos e escápulas
estátuas, sobre os peixes que nadam
e de novo a felicidade
Que não pode ser explicada
Talvez ela seja um elo
Com o Deus que a tudo criou
e que sempre o recria de novo
e outro e outro dia
Pode ser que seja aquele
e seja belo
Veja o vizinho lá fora
Que nesta mesma hora
Desatento e alheio ao agora
Faz bem mais que meia hora
Que ele empunha o martelo
...e martelava!
Edson Ricardo Paiva.
Difícil!
E tem sido a cada dia
Mais difícil vislumbrar
Vida inteligente nesta vida
Salvo parcos resquícios
De quem queira ver
E quando olhar no espelho
Iníquo
Ver-se
Tendo em vista
Ser todo sentido da vida
Avesso a qualquer conquista
Pois a lista de batalhas a vencer-se
Resume-se a si mesmo
Porque é este o motivo de estar aqui
E vivo
Porquanto é o mais duro oponente
O próprio orgulho
Que uma vez vencido
Por si mesmo
O ego
Fatalmente haverá perdido
Anular-se
Sem jamais aniquilar-se por completo
Vida, batalha perdida
Uma vez que se perdeu
Vencida
Porém
Conforme o poema discorria
Por um momento observou-se
Inócuo
A quantidade de pronomes oblíquos
Em detrimento aos do caso reto
Nem mesmo o poema
Tampouco o poeta
O dito pelo não dito
Movimento inerte
Inertes qual suas conquistas
Contemplando seus espelhos
Sem jamais serem vistos.
Edson Ricardo Paiva.
Cerro meus olhos todo dia
Na esperança de guardar aqui
A toda fantasia
E poesia que se encerra
No final de cada olhar ao longe
E também cada alegria não vivida
Que eu dividi comigo mesmo
Nos tempos mal vividos
Que o caminho abrange
Pois a sorte desta vida
Não consiste em deparar
Com o diamante bruto
Que a cada um de nós
Há de esperar pelo caminho
E, sim, reconhecê-lo
Agradecer-lhe, com o devido zelo
Pois cada um de nós
Um dia há de encontrá-lo
Mas, nem sempre
Vê-lo
E lapidá-lo
Longe de toda malícia
Distante de qualquer olhar astuto
Somente a mansa gratidão
Que qualquer criança
Encerra dentro de si mesma
Quando tem na mão
Um brinquedo de papel
Um desenho que ficou bonito
E um coração escrito
E cerra os olhos
Na esperança de guardar ali
A sensação de fantasia
Que todo dia finge em reviver
No final de cada olhar ao longe
Que o tempo não deixou guardar.
Edson Ricardo Paiva.
Bom dia
Amigo passarinho
Que, talvez esteja
Entregue à própria sorte
Bom dia, amiguinho
Bom dia
Pra todo mundo
Que qual passarinho
Não vive pela lei da mais valia
E que mesmo assim
Reina em seu reino
Sem nenhuma garantia
Bom dia
A todo passarinho que não tem ninguém
Que vive cada manhã
Assim que ela vem
Porque sabe que o canto é em coro
E que o choro é sozinho
Bom dia pássaro sem casa
Cujas asas
Não lhe pertencem também
Voando de cara pro vento
A vida inteira
Não se ocupa em pensar
Se a vida
Ela é boa ou não é
A vida é só voo
O voar é momento
Que se vive à toa
À luz da lua
Um luar de leoa
Um pássaro qualquer
Sem ramo, semente, sem chão
Diferente de gente
Porque gente pensa
Pensamento ecoa
E gente diz que pensamento voa
O pássaro jamais
Nem pensar ele quis
Não faz questão
E se gente não voa
Inventa ventania
E mente
Passarinho, não.
Edson Ricardo Paiva.
Ventania
Era dia de vento lento
Até que soprou
Soprou até
Sobrou até pro pé de ipê
Levou até não sei o quê
Que não se vê
Ventou até
Levou a paz e o pensamento
O tanto faz e eu tô atento
E eu tô à toa e eu vou até
Até que eu não fosse mais
Não dá mais pé
Assim, de momento
Levou-me a fé num pé de vento
Deixou-me aqui, por enquanto
De tanto que trouxe o vento
Pelo tanto que ele levou
Hoje é doce o desencanto
Surge um pranto que doeu
Doeu-me um tanto
e eu sozinho
Sentado ao pé do caminho
Parado
Procurando espinho. ou mais
e foi-se...foi-se até
Foi-se até não ser esquecida
Depois de ensinar a vida
Doer, sem mostrar onde é.
Edson Ricardo Paiva,
Às vezes rosa
Às vezes chumbo
Às vezes mar
Às vezes mundo
Todo dia vida
Às vezes prosa
Às vezes verso
Às vezes má
Outras o inverso
Sempre vida
Às vezes isso
Às vezes disso
Às vezes esse
Às vezes desse
Eis a vida
Às vezes queima
Às vezes arde
Às vezes longe
Às vezes tarde
Sempre, todo dia
Vida mesmo
Só de vez em quando
Edson Ricardo Paiva.
Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia
Pode ser que elas voltem
E que nos contem por um momento
O que era que estava escrito
Numa manhã de Sol qualquer
Poder ser manhã de um Sol que se sente só
Sentindo um nó na garganta
Por ver-se só, lá acima da tempestade
Numa tarde de chuva que nos invade
Só que é aquela chuva que não chove
Poesia de quê?
Poesia de tarde, poesia que vem de cima
Que não faz chorar e nem sentir
Poesia de nuvem, que não comove
E esconde o Sol que nos olha
Sem nada nos olhos, nem no olhar
Cada dia é outro dia
Pode ser que hoje, ainda
Elas chovam sobre nós por um momento
Trazendo uma noite estrelada, uma noite linda
Dia de esperar, não era
Era dia de espera só
De olhar o Sol detrás da nuvem, igual criança
Com o todo nos olhos, tendo estrelas no olhar
Escrevendo poesia de esperança.
Edson Ricardo Paiva.
"Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia"
Edson Ricardo Paiva
Hoje é dia de juntar as folhas
De fazer o pão, de consertar telhados
Ou talvez de só ficar olhando o céu
Sentar-me no chão da calçada
Arrancar as ervas que crescem nos vãos
Pensar na vida é não pensar em nada
Nada além de esperar que ela aconteça
Hoje é outro dia
E todo dia tem sido assim
Dia de olhar a pluma passar flutuando
Fazer bolhas de espuma, buscar borboletas
De pensar nos medos que foram tolos
Em outros que ainda são
E deixar que eles cresçam
Assim, que nem contar segredo ao beija-flor
E mais uma vez fazer um pedido à estrela que cai
Hoje é dia de ficar à toa, enquanto come o pão
Fazer tocaia pra noite é o que nos resta
Olhar entre as frestas dos olhos
E esperar que outra estrela caia
De pedir ao tempo que ele pare
E aguardar que não seja atendido
Porque ele não para
Tomara, então, que seja bela a tarde
Que o vento traga uma boa mensagem
E que o coração esteja atento e a guarde
Enviar um convite à propria alma
Aguardar que ela apareça
dasabroche e floresça
Como a mais pura e bela verdade
Aquela, pela qual se espera uma vida
E que jamais se escuta, não pela sua ausência
Pedir que permaneça e nunca mais nos deixe
Quando o coração se nega a ouvi-la
E não a procura
A voz da alma se oculta
A mão conserta o telhado
Não deixa passar luz de lua
Mas a verdade insistente
Ela cresce entre os vãos da calçada
Como um sonho de luz que valsa no céu na noite
E prepara outro dia de acalmar o coração
Pra tudo que a Deus pertence
Deixa o tempo passar com a balsa
Como a alma descalça na areia de algum lugar
Não existe o mar do impossível
Hoje é dia de quebrar telhados
De espalhar as folhas
Fazer bolhas de sabão pra botar poesia
Sentar na calçada e dividir o pão dessa vida
Podia ser hoje esse dia.
Edson Ricardo Paiva.
Nasce o dia na janela
Bela luz que resplandece
Cresce o canto de pássaros lá fora
Poesia infinita pra olhares falantes
Olha o ar com olhar de ouvinte
Um certo manto vem cobrir-me a alma
O momento, o instante, o segundo seguinte
Um mágico nascer de dia
A magia sobrepõe-se à lógica
Transcende ao frio caminhar das horas
Põe as coisas onde estão
Aquece o caminho
Navega o mar sem pressa
Atravessa bem devagarinho todo o ar que me permeia
Se compõe, se sobrepõe, vagueia e aquece
Nasce o dia como a prece que agradece a poesia primeira
Tem que ver como é bonito
Quando o espírito da gente
Volta lá na primeira manhã
Relembra o quente que era
Cada sol que alvorecia e mostrava
Toda gota brilhante
Cada instante percorria a nova primavera
Vivida ou vindoura
Cada lágrima chorada
Pois a vida é nada, se a gente não chora também
Se são elas que douram as lembranças
De todas as dores e alegrias
Noites bem ou maldormidas
Manhãs orvalhadas
São as horas da vida e há de sempre faltar
Vamos sempre carecer daquele mero instante
Irmãos e irmãs, um olhar aos ponteiros
Corre o tempo, passa tudo
O nada, a saudade, a solidão, um sorriso e a gratidão
Nasce o dia na janela, é preciso viver
E se a vida é bela ainda
Cada um de nós precisa ouvir
A voz que tem o coração
Só ela pode dizer.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje amanheceu chovendo
O pássaro dormia, ele partiu
Meu dia amanheceu calor
Olhando o mesmo mundo
O vejo mais distante
Desejo ao pássaro
Uma boa viajem somente
Não tem como sentir
A dor de fazer tudo igual, diferente
Meu dia amanheceu
Tão quente
Sem motivo pra calar
Não faz mal estar tudo bem
Quando estar tudo bem
Não é, nem de longe, importante
O ar quente do balão
O vento forte contra a asa do avião
O tempo breve, cuja vida abrange
A grandeza do anjo
A beleza do jardim lá fora
O pássaro que há muito adormecido
Fez uma curva no céu
Acenou-me um adeus
Era a hora de partir
A corda do violão
Arrebentou, quando eu não estava perto
Se fez algum ruído ou não
Não sei
Somente o anjo, coração deserto
Decerto estava lá pra ouvir.
Edson Ricardo Paiva.
Há quem se arraste pela vida morta.
Tem dia que amanhece antes de clarear
Coração se despe
e se despede de toda agonia
Pra que nosso espírito se apresse
Ditos se fazem não ditos
Olhos se comprazem olhar a rua
E não tem nada diferente
Coração bate apressado
Segura, d'álma nua as mãos aflitas
Ambos se entreolham
Compreendem, de repente
Quem mudou foi a gente
A vida fica mais bonita assim
Há quem creia isso desimportante
Meu compromisso é comigo
Olhos, almas, mãos, meu peito, abrigo
Há quem queira abreviar o fim
E há quem queira olhar a noite
Saber que o sol se levante
Quero só me despedir do mal que houver em mim
Tem vida que termina igual
Numa esquina de um momento
Um vento frio de agosto
Tem dia que começa igual
Luz do dia vem vazia de algum modo
e nada muda
Não tem sonho bom que nos acuda
Não existe ilusão que, por melhor que seja, iluda
Até que um dia alguma coisa...tudo
Há quem julgue que isso pouco importa
Vai, se arrasta pela vida e arrasta a vida morta
Sem o olhar que lhes convide a perceber
A vida abandonou-lhe um dia
Chão sem céu, sem luz de estrela-guia
Vida voa, vai no vento e corta e volta
Vem, se despe de tanta agonia
Então, depois se apresse
Tem dia que amanhece antes de clarear
Mesmo que pareça tudo igual eternamente
Alguma coisa não amanheceu
Isso torna tudo muito diferente.
Edson Ricardo Paiva.
Infância.
E se a gente pudesse
Voltar lá, praquele dia
O dia que caiu da árvore
O dia que pisou num prego
O dia que minha mãe falou
Que me batia
Pois não gosta de criança que desobedece
Se pudesse, juro que eu ia
Se voltasse aquele momento
Em que um vento carregou meus sonhos de criança
E que eu vi perdidas todas esperanças
Chorei, pois criança pode chorar, então ela chora
Se Deus me permitisse voltar lá, eu ia agora
Pro dia em que tirei o mais redondo zero
Levei bronca da professora, fui parar na diretoria
e minha mãe foi chamada na escola
Se você me perguntar agora, eu ainda respondo que quero.
Nem que eu fique meses de castigo
Se aquele tempo voltasse, eu queria
A viver somente a minha vida
O dia corrente...sem ter que pensar no amanhã
Pois o dia de amanhã, ainda nem nasceu
Se o tempo perguntasse quem
Eu diria que eu.
Edson Ricardo Paiva
A cada dia que passa, o tempo diminui, mas cada dia passado, é o mesmo somado, desde anos passados, e de outros a serem amados estando sempre ao seu lado!
"103 Dias de Gratidão"
Ao meu primeiro dia em devoção, devido a tua palavra senhor, tu tocastes o meu coração, me fizestes ver o amor que tenho por ti, e nunca me abandonastes.
"Apenas gratidão"
Querido,
Fomos casados, e com a noite, esta mesma que me assombrou durante muitos dias, os meus dias.
E hoje eu apenas quero te lembrar que eu te esqueço todos os dias. Você foi mal pra mim, não é? - Marcou-me com o seu mais suave veneno. E eu me entreguei aos prazeres do seu sabor. Com uma poção unica, chamada "amor".
(O filho de Uni-Latero)
Que dia "sacrificoso" hoje!
O meu amor se foi e nenhum navio o trará de volta.
Sinto o luto naufragando com o sentimento mais bonito que já pode existir.
E assim, afogo-me de vez em quando em lágrimas de diamantes.
Eu desejo que no seu jardim tenha todas as flores mais lindas do mundo, e que em apenas uma delas, seja lembrada com o poder da cor, da ternura e do amor.
A Náufraga;
Mãe, hoje é dia nove de Junho, há exatos nove dias... tú partiu e me partiu ao meio... não estou sabendo recomeçar...
Mãe, sinto sua falta, só gostaria que soubesse que, no dia que partiu, levou-me contigo. Em mim sobrou o resto do que nem sei mais quem sou.
Viver sem você é pior do que nunca amanhecer...
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