Lembranças
Dia 02 de novembro, dia de finados, uma data para rememorar pessoas que passaram pela nossa vida e partiram como é da natureza, ela dá e ela tira.
Mas eu como romântica incurável, que sente com a pele antes do coração mandar, não consigo me conformar com esta data, pois o choro de saudade, a lembrança rememorada, e os sonhos sem fim de momentos não vividos, não se reduzem a uma data, é infinito.
Ao som da chuva e balançar das árvores, me pego pensando em todos os nossos momentos juntos...
... Aqueles sorrisos inocentes que ninguém jamais imaginaria onde acabaria.
Tudo isso por que fui um garoto bobo
Bobo pelo seu sorriso,
Bobo pela sua personalidade,
Bobo pelo seu jeito de me persuadir,
Bobo por pensar que um dia isso daria certo.
Bobo por imaginar um futuro;
Entendo que tenho uma boa parte em não conseguir fazer isso acontecer,
Por não te escutar,
Por não aceitar a sua ajuda,
Por ser esse, cara orgulhoso e teimoso,
Por não ser o suficiente para você.
E eu sinto muito por isso...
Mas eu não me arrependo de nada, e se tivesse oportunidade voltaria desde o início e aproveitaria cada segundo perdido.
Porque a verdade é nunca me senti tão bem em minha vida.
Mas aqui estou eu nesta madrugada chuvosa, lembrando daquele seu belo sorriso, aqueles seus curtos, porém cheios cabelos cacheados, aquela pele morena e macia.
Pensamentos que me atingem de uma maneira agressiva e o máximo que posso fazer é aprender conviver com eles.
Ah, o amor, esse sentimento ricamente cantado em verso e prosa por poetas de todos os tempos!
Amor que permeia e sustenta todos os tipos de relações humanas. Amor que traz em si a vida, mas também a morte, a doença e a cura. Amor que é a força propulsora da vida. Tão fácil falar de amor quando só o conhecemos na vitrine da poesia e tão difícil falar dele quando já tivemos o peito rasgado por ele e nossos melhores sentimentos saqueados. De qualquer forma o amor continua por aí fazendo vítimas, saqueando almas, rasgando corações e deixando como consolo dias permeados de lembranças e memoráveis lembranças
Às vezes esquecemos, ou não damos o devido valor às pequenas coisas no nosso cotidiano, sendo que, por menores que sejam, fazem parte de nossa história e estão impregnadas de significado.
Nunca, em hipótese alguma, desperdice seu tempo antecipando o luto, por mais que ele pareça iminente; ao contrário, invista seu tempo colecionando lembranças, por mais que a vida pareça estar por um fio.
O QUE CEROL DE NÓS?
Eu, menino, mirinzinho ainda, voinha me levou para conhecer o Rio de Janeiro.
A gente ficou no bairro de Duque de Caxias, na casa de uma amiga dela, D. Arcanja, que aliás fazia jus ao nome (e sobre quem no futuro contarei algo).
Ocorre que fiquei na frente da casa vendo os meninos empinarem arraias naquela rua de barro.
De repente, um monte de carioquinha veio correndo em minha direção, e - súbito - uma pipa caiu no meu colo.
Tentaram tomar de mim. Aí segurei a arraia com cara de medo e gritei:
- Oxe, oxe, oxe, oxe! Nada! É minha!!!
Aí um deles falou:
- Vc é baiano?
- Sou!
- Oi! Eu sou Arimam!
- Luís.
- A gente vai te liberar, baiano, mas vc vai ter que empinar essa arraia!
Nos dias seguintes, fiquei vendo os meninos temperando a linha - o cerol - para a batalha aérea que aconteceria no dia outro.
Era fascinante ver a algazarra mitológica que a gurizada empolgada fazia. E, quando uma linha era cortada, pequenos troianos fluminenses corriam para ver quem pegava o prêmio. Uma espécie de alegre agressividade coloria o evento... Rsrsrs
Eu não tinha linha nem aprendi a receita do tal cerol. Mal sabia empinar, a não ser o meu nariz, como blefe de valentia (rsrsrs). Então, numa atitude criativa e desesperada (às vezes o desespero é um start para a criatividade...), fui catando um monte de resto de linha velha que via pelo caminho, fui remendando uma na outra e fiz o meu carretel "frankenstein".
Na véspera do retorno à minha Bahia, fiz a arraia ganhar o espaço com as linhas de bagaço.
Arimam já era o meu melhor amigo e me orientava no combate espacial.
- Vai, baiano! Vai, baiano! Puxa! Solta! Vai!!!
Os outros davam risada, pois entendiam que linha remendada, velha, usada, desgastada não garante nada.
Eles entenderam errado...
Consegui cortar a arraia dos meninos da outra rua!
Fui carregado como herói da meninada!
No dia seguinte, a despedida... Ia chover, mas Arimam desenhou um sol no meio da rua de barro... As nuvens respeitaram a majestade solar...
Todos fizeram uma vaquinha e compraram geladinho com broa de milho. Foi uma das melhores festas da minha vida.
Voltei à minha Bahia com a minha voinha.
Isso aconteceu há 39 anos...
Hj não mais menino, lembro essa história e percebo que minha vida é um carretel de linhas remendadas cuja arraia ainda está no céu...
Ainda está no céu...
Sobre o que virá depois?
Não sei mais nada.
A única certeza é que, embora forte e imprevisível, chegará a hora em que a linha será cortada...
E eu correrei em alguma rua do infinito da memória com a meninada.
Obrigado, Arimam!
Três anos se passaram minha pequena e ainda acordo sonhando com nosso reencontro.
Eu quero seguir, mas meu coração me chama pra você todos os dias.
Esperança
Aprendo enfim a enxergar
Ouvindo notícias do passado,
Quase sempre amargurado e quebrado,
Em vozes vizinhas às minhas,
Mas, me deixo embalar,
Em um sonho de lembranças de novos amores,
Que virão...sorrindo.
Não sei bem de onde,
Minha esperança de cores e flores,
Onde eu sei...
Não há na vida, nem seus atores,
Inefável e indolores.
Ah! Que saudades
da minha infância
cheiro de bolo e café
mamãe na cozinha
e papai lendo Jornal
eu e meus irmãos
correndo pelo quintal
não sabia nada de política
muito menos de inflação
não me preocupava com doenças
e muito menos com religião
e quando algo doía
mamãe dava colo e carinho
papai comprava um remedinho
era tudo tão simples
tão puro e sincero
que saudades sem fim
de um tempo que passou
mas em meu coração ficou.
------------ Juliana Rossi Cordeiro
Indubitavelmente, a minha atual configuração ontológica não permite que minha presença resplandeça perante cada indivíduo, contudo, é-me peculiar rogar que, em tempos ulteriores ao meu momento presente, caso eu transponha à outra esfera, a única manifestação remanescente da minha existência seja a minha imagem; imploro, enfaticamente, que não permitam que ela desapareça ao tempo.
CARTA DO PASSADO AO FUTURO
Um convite me foi dado anos atrás, na época, eu não conseguia perceber tamanha dimensão do que estava sendo proposto a mim. Nunca me imaginei vivendo tudo isso que estou vivendo hoje. No fundo no fundo, eu sentia que algo incrível estava por vir. Algo me falava isso. Eu já conseguia sentir as entrelinhas que eu poderia viver um dia. Do interior, vim! Do interior, me vi! Enxerguei potencial suficiente para conseguir tudo aquilo que eu queria ser, para viver tudo aquilo que me foi convidado. Eu não sabia o que me esperava e o que estava preparado para mim, vivia numa corda bamba. Outrora balançava muito, me questionava como pessoa e se eu seria capaz de viver um dia os meus sonhos. Outrora, do outro lado da corda, eu conseguia sentir a sensação do que é viver tudo àquilo que sonhei um dia. Quando me foi dado o convite, velejava à deriva, à medida que o convite foi tomando forma, encontrei a minha bússola, o meu norte. Comecei a vislumbrar os horizontes. Algo me fascinava à medida que eu me aproximava do horizonte, comecei a perceber que eu nunca iria alcançá-lo, isso me dava mais força para desbravar o que estava reservado para mim! Quando fui convidado a viver o que sonhei um dia, muitas coisas se passaram em minha cabeça! Mantive o foco em pensar vivendo tudo aquilo que me esperava. Deu certo! Eu consegui! O convite foi entregue com sucesso ao destinatário. O destino do convite? É lindo! Único! Mágico! Surreal! Como dragões imaginários... sim! Não existem! Eu quem construí para poder existir! E o destino é o horizonte! O horizonte me mostra que quanto mais me aproximo dele, mais eu preciso sonhar para chegar onde nunca cheguei. Isso me fascina!
O vento
O vento forte e o vento sereno
É assim que vejo os momentos
Os momentos da sua ausência e da sua presença
Que me ausenta em pensamentos
E enlaça em lapços de memórias e lembranças
que muitas vezes eu mesma os criei
Calmaria nos piores dias
Vento que arrepia quando chega mais próximo
Ó vento só não me leve pra tão longe
pois é capaz de nunca mais querer voltar...
Tem dias que a gente se sente sozinho
Mesmo na multidão
Tem horas que a gente só quer chorar escondido
Pensando não ter solução
Lembranças do passado vêm
Recordações que trazem dor
Nessa hora a gente pensa que tudo se acabou
Quando parece que é o fim
E que tudo não tem mais jeito
Eu oro, eu clamo a Deus, eu dobro os meus joelhos
Sonhei com você, mais logo que acordei e vi que minha realidade nem chegava perto, mas mesmo assim dei um sorriso sincero, lembranças percorrem minha mente, saudade meu peito, mais uma pergunta ressoava na minha mente, quando te verei de novo, mas até esse dia chegar, só posso ansiar pelo meu próximo sonho.
Nos confins do coração, onde as memórias dançam como folhas ao vento, a dor da perda se entrelaça com os ecos do que um dia foi. Cada lembrança é um fio que costura a saudade, mas, mesmo no vazio da distância, anseio que escolhas o caminho que te chama. Saiba que, em cada estrela que brilha, reside um desejo meu de que encontres tudo o que a tua alma almeja, pois a essência daquilo que somos permanecerá em cada batida do teu coração.
Como expressar sua essência, seu sorriso a me guiar
Como não amar esse pedacinho do meu mundo a brilhar
Meu sonho, minha vida
Meu filho, Ícaro, é minha vida, meu existir, minha fortaleza, meu caminhar, nessa vida sempre irei te amar
Ícaro
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