Lembrança

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⁠O peso do silêncio

Dizem que nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Dizem isso como se fosse uma verdade fria, científica, quase um aviso. E talvez seja. O que ninguém diz, ou talvez finjam não perceber, é que, entre o começo e o fim, a solidão também aparece. E não é aquela que se resolve com companhia, é outra, a que mora dentro.

Chega uma hora em que o tempo desacelera. As visitas ficam mais raras, os telefonemas cessam, e a casa vai ficando grande demais para quem já viveu nela cheia de vida. Os móveis guardam mais memórias do que utilidade, e a alma, essa danada, começa a tropeçar em lembranças que insistem em não morrer.

Sinto-me como um velho pilão esquecido no canto de uma varanda. Já fui força, já fui utilidade, já fui indispensável. Hoje sou história que quase ninguém pergunta, silêncio que quase ninguém ouve.

As mãos tremem, a visão falha, a juventude se foi, mas o que mais dói é o espaço vazio na rotina, como se o mundo seguisse em frente e eu tivesse ficado preso em algum ontem que não volta.

Conto os dias, sim. Não com tristeza, mas com certa dignidade de quem sabe que ainda está aqui. E se ainda posso escrever, lembrar e sentir, então ainda sou. Mesmo que meio apagado, mesmo que decorativo, ainda sou.

E quem ainda é, ainda pode ser. Nem que seja só abrigo para uma saudade, ou um canto sereno onde a vida, mesmo em silêncio, continua a respirar.

Inserida por Itamaratyap

⁠A nossa imagem deixada nas memórias das pessoas é o que prevalece a respeito do que nós somos de verdade.

Inserida por ricardo_souza_5

Monólogo em J

Jamais pensei que o júbilo pudesse se transformar em júbilo ferido,
em junção quebrada entre o que foi e o que nunca mais será.

Janelas se fecharam lentamente,
sem gemido, sem gesto,
apenas o jazer silencioso
do que antes era jardim.

Jazem as palavras que não disse,
jazem os abraços que não dei,
jaz, sobretudo, a alegria que um dia me justificou.

Jornada interrompida,
jamais concluída,
mas sempre revivida,
nos labirintos da memória onde só eu caminho.

Julgaria ser forte ao seguir adiante,
mas julgo ser mais sincero ao permanecer neste lugar,
onde o juízo vacila,
e só a saudade é justa.

Jardins secos se espalham por dentro,
flores que murcharam antes da primavera,
mas cujas raízes,
ainda assim,
persistem em doer.

Jogo-me, às vezes, na esperança
de que, em algum tempo além do tempo,
as janelas se abram outra vez,
e a jornada recomece,
mas sei…
já sei…

Junto ao que fomos,
resta apenas a sombra do que poderia ter sido.

Jorro lágrimas que ninguém vê,
junção líquida de um amor que jaz,
mas que, estranhamente,
jamais morreu.

Inserida por Zanatinha

⁠“Eu amo quando Deus me envia pequenos sinais para o meu coração, apenas para que eu saiba que Ele não esqueceu de mim.”

Inserida por andreafreire

⁠O céu está pálido, nem nublado, nem limpo, o ar está parado, nem frio, nem calor, ontem à noite choveu um pouco, o dia amanheceu estranho, triste, esquisito, a vida amanheceu de luto.
Houve um tempo em que as cadeiras enchiam as calçadas ao entardecer, e as pessoas donas dessas cadeiras ali se sentavam, não havia celular, a vida tinha outro ritmo.
Era ali, naquelas calçadas, naquelas rodinhas de amigos, que a vida se atualizava, ali se falava sobre tudo, quando o tudo valia alguma coisa, ali se lembrava de um tempo que todos tinham vivido no verdadeiro sentido da palavra viver.
Viver era se emocionar, lembrar os que se foram, os que estavam chegando, dos problemas que todos tínhamos, que todos temos; Bicho humano gosta de sentir saudades apesar de ela machucar, doer, e então as calçadas amanheceram vazias, tristes pela falta de alguém.
E agora? Aonde vamos com nossas cadeiras? Matar as saudades de um tempo que nunca mais vai voltar?
Sou saudosista, gosto de lágrima que brota e foge do olho, do nariz escorrendo, do nó na garganta, de ouvir histórias, de um tempo que não vivi e nunca viverei, a não ser pelas histórias.
Estou triste, Cidinha se foi, sem se despedir, foi mansa, em paz, vai deixar saudades, deixou saudades, Maria Aparecida Gomes Rodrigues, a Cidinha do "Zé Luiz"; Não sou um cara de rodinhas, de calçadas, de cadeiras, mas gosto e muito de falar, conversar, e com ela era bom, sempre tinha algo de bom pra dizer, sabia ouvir, sábia quando o assunto era vida, quando tinha um história para ser contada.
Conhecia o bairro, todos que por ali passaram, aprendi muito com ela; A vida foi fanfarrona com a gente, egoísta, levou Cidinha sem aviso prévio, de sopetão, e tudo ficou triste, ficamos tristes, o passado visitava constantemente a esquina da Saldanha Marinho com a Primeiro de Março, e agora naquela esquina tá faltando ela e a saudade dela está doendo em mim.
Como a vida leva à morte, a única certeza da vida, que sempre tentamos adiar e evitar, mas nunca conseguimos fugir, é fato, mas e se lá do outro lado existir vida?o outro lado está em festa, vão ter muito o que comemorar, relembrar, certamente desde ontem as nuvens estão cheias de cadeiras, e todos que antes sentavam aqui estão reunidos lá, e dentre eles Cidinha e terão muito o que falar, relembrar, e aqui a calçada ficou vazia.
Todo caminho leva a Roma, todo caminho levava até aquela esquina quando se precisava pôr o assunto em dia, dirão as más línguas que tá falando? Você nem ia lá!
E te respondo: É verdade, mas isso não torna aquela esquina menos importante, aquela amizade menos marcante.
Caraca! É foda envelhecer, ver todos indo embora e saber que nunca mais os verá, infelizmente é assim, todos um dia partiremos.
E o dia amanheceu estranho, parece que falta algo, creio que esta sensação seja sintoma do luto, da perda de alguém, e de repente as palavras começam fugir, saudades de algo, não sei o que, possivelmente a certeza de não ter mais ninguém para tirar aquela dúvida de como era tal coisa, ou onde alguém morava.
Cidinha se foi, vai em paz minha amiga,todos aqueles que você sentia falta estarão lá do outro lado de esperando, felizes, de braços abertos, te esperando.
Tomara que lá não tenha celular, mas tenha cadeira, morro de saudades do tempo das cadeiras nas calçadas, das crianças correndo nas ruas, das bolas furadas cheias de jornal, dos bons tempos idos que não voltam nunca mais.
Toda vez que sentir saudades do passado lembrarei, a partir de agora, das cadeiras nas calçadas e de todos que ali habitavam, lamento os celulares, se por um lado abriram as janelas para o mundo, por outro fecharam - nos cada qual no seu mundo.
As pessoas não se falam mais, se fecharam em seu mundinho,em sua telinha, ali o tempo passa mais rápido e quando vemos tudo acabou.
Continuamos nas cadeiras, mas elas saíram das calçadas, nos isolamos, ficamos mais tristes, mais ansiosos, menos solidários, menos próximos, não falamos mais do passado,nosso bom dia é robótico, automático, em grupo, com figurinha, florzinha, desejamos que seja um bom dia simplesmente por conveniência, por ser necessário dizer "bom dia".
Aquela cadeira, naquela esquina, agora vazias, vão deixar muitas saudades, não tem mais pra onde ir quando quiser jogar conversa fora, fofocar, tricotar, matar as saudades, ali a vida passava e parava, era impossível passar sem parar, era um pote de doce grátis que quem quisesse poderia se servir.
E amanhã doerá menos, mas não fará menos falta, e a vida seguirá, agora sem cadeiras nas calçadas, ou rodinha de bate-papo, pena, tudo se acomoda, gostando ou não, querendo ou não, é a vida, um Adeus infinito, onde a vida é hoje, agora, e o agora só dura um segundo.

Inserida por jodejau

⁠Algumas promessas são feitas só com os olhos — e essas são as que mais doem.

Inserida por NaicanEscobar

⁠PARA CANTAR NO ESPELHO

Um dia você não vai estar aqui,
Não vai chorar, nem vai sorrir
Nem vai sentir tudo o que sente.

Um dia você não mais se ocupará
Com coisas bobas, nem com as inquietações da sua mente.

Um dia você não mais acordará
Para trabalhar ou estudar,
Tomar café ou conversar...

Porque um dia você não mais existirá
E será só uma lembrança
Isso... se alguém lembrar!

Um dia você vai desaparecer!
Serás só uma lembrança até deixares de ser!

Um dia, suas ideias e seus feitos,
Seus amores, seus defeitos
Serão todos esquecidos!

Um dia o mundo vai seguir em frente
Sem você estar presente como se nunca existido!

Já dizia o velho Salomão:
- Tudo aqui é passageiro;
Faça o que vier-te à mão!

Porque um dia você não mais existirá
E será só uma lembrança
Isso, se alguém lembrar!

Um dia você vai desaparecer!
Serás só uma lembrança até deixares de ser!

E, se acaso, em outra vida for viver
Podes disso ter certeza:
Que já não mais serás Você!

Inserida por maria_beserra

⁠TRAZER-TE À POESIA (soneto)

Quando te evoco, a poesia apaixonada
Provê dum emotivo ardor que imagina
Cada versar: cheio de amor, ah! divina
Emoção. Sussurra a paixão, enamorada
Vejo ventura, ó sensação, tão doirada
Do olhar, afago, que a poética ilumina
Tirando a inspiração duma dura rotina
Alumiando o vale da alma arrebatada

Ouço a tua voz no meu pensamento
E o peito que, no sentimento ungido
Modula o soneto de ternuras cheia
E sinto, do teu beijo o encantamento
Na metrificação cada arrepio sentido:
Contenta... realiza... ocupa... devaneia.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 junho, 2025, 14’52” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

A Tarde no Morro

⁠Nos segurávamos
em cima do morro.

O sol se disfarçava na chuva,
a chuva, se dispersava no vento,
o vento, desordenava seus cabelos,
e o seu abraço
me fez amar aquele momento.

A tarde em que eu brilhei no morro.

Inserida por Henriquequeiroz

⁠A gente por mais que tente, não esquece o desagradável quando se esforça pra esquecer, e quando chega um certo dia e lembra do que era pra ter esquecido.

Inserida por Frasessk

Cada foto do nosso passado relembra uma vivência que nos proporcionaram experiências, sejam elas boas ou ruins mas o importante é o que estamos vivenciando no presente...

Inserida por IlzimarDantas

Não existem dias especiais, todos são especiais, o que existem são ocasiões especiais pois viver é algo sublime e especial. Viva, e na sua bagagem carregue apenas o que tem que ser guardado: boas lembranças, sorrisos, poemas, cheiros, saudades, amor... e faça dos seus momentos felizes , especiais e duradouros.
Profª Lourdes Duarte

Inserida por lourdesduarte

Como a gente muda, meu Deus. Como os sonhos mudam. Alguns foram embora, me deixaram. Outros cresceram juntinho comigo e estão envelhecendo. Alguns sonhos, impacientes, fizeram as malas e se foram sem ao menos deixar algo como lembrança, um pequeno detalhe. E eu fico aqui, um pouco saudosa, tentando lembrar o que um dia sonhei e não consegui ir a luta para que se realizasse. Outras vezes me pego pensando que não tenho mais sonhos, mas uma força interior me fala mais alto: QUANDO O HOMEM DEIXAR DE SONHAR É SINAL QUE JÁ MORREU. Estou viva, os sonhos continuam.
Profª Lourdes Duarte

Inserida por lourdesduarte

A vida é uma viagem cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, alegrias, desapontamentos, embarques e desembarques. Uma viagem que não tem volta, por isso devemos aproveitar ao máximo essa viagem, deixar e levar boas lembranças por onde passamos, seguir sempre em frente e lutar para que nas próximas paragens encontremos a felicidade. E quando chegar o momento de parar, que seja com dignidade. Lembre-se, “O tempo passa tão depressa que nem tempo temos de parar para pensar
Em como a vida é curta”.
Profª Lourdes Duarte

Inserida por lourdesduarte

Deixe um belo legado por onde você passar, pois legado é tudo o que vão lembrar de você quando você partir. ⁠

Inserida por julianokimura

⁠Nunca se esqueça que sua vida foi poupada para que você possa se lembrar.

Richard Zimler
O Último Cabalista de Lisboa. Porto: Porto Editora, 2013.
Inserida por pensador

⁠As memórias não mudam, e a mudança é a lei da existência.

Inserida por pensador

⁠Há sempre um silêncio dentro de mim! Mas às vezes somente o silêncio para entender o nosso sorriso mudo,as lágrimas escondidas,as lembranças doloridas,os gestos de despedidas...

Inserida por WendelBonatti

⁠Não dormir nos trás tantos pensamentos,e hoje vendo uma pequenina dormir estou aqui pensando queremos aprender a andar,falar,depois ser criança, adolescente adulta e queremos voltar atrás e concertar os erros aí caímos em uma realidade em q pedimos para voltar de novo na terra,mas esquecemos q quando voltamos não nos lembramos quais foram os erros.... Sabe hoje tenho uma certeza o melhor lugar é o ventre da sua mãe aonde temos tudo q precisamos e ainda estamos protegidos....hoje me bateu saudade dos natais da minha infância,andar de cavalinho nas costa de um irmão de alma, dos cadernos de pergunta da sala de aula,do sinal da escola e sairmos correndo quando a tia do portão gritava vou fecha,da tia da laranjinha, dos pães de batata com molho de mortadela, da ida para a escola de carrinho de mão,de brincar na praça mesmo sabendo q a mãe iria chegar com a cinta,do copo de leite,do caminhão verde,das dores de ouvido(rsrs),da coxinha no caldeirão levada na hora do recreio pelo biso...O tempo passa e enquanto vai passando nunca nos preocupamos em curtir o máximo pq sentiremos saudades,queremos q passe rápido para sermos donos do nosso nariz,mas a verdade é q nunca seremos donos dele só. Hoje fui perto de onde trabalhei a metade da minha vida e descobri o quanto já fui guerreira e mesmo acompanhada de tantos colegas fui só.... Viver ali de novo acho q nos meus 42 não consigo mais,saber q se tivesse ouvido minha mãe estaria aposentada curtindo um pouco mais. E aí me pergunto queres voltar de novo e conserta? Minha resposta é não, não quero voltar mais pois sei q voltar sem saber de nada terei outro erros. Enquanto isso o sono não vêm pq a mente não desliga....1:37💖🌃

Inserida por Glauciana

⁠E ela saiu por aí afora sem levar coisa alguma nas mãos, apenas uma névoa de tristeza no olhar, um punhado de saudades no bolso e algumas lembranças bonitas na memória.

Inserida por ednafrigato