Lembrança
"Quando alguém lembrar de ti
que seja com um sorriso,que uma lágrima doce banhe a face serena de quem falar teu nome.Uma saudade boa seja sentida por
jovens, velhos e crianças que em tua vida tenham vivido. Você perfuma o mundo
enquanto vive, lembre-se disso enquanto puder lembrar..."
Suspiro-dos-jardins
Tira-me toda a angustia inquietante
Nesse labirinto, não encontro o caminho
E eu ei de vaguear por entre as estações sozinho
Bem vindo ao lar, com a dor causticante.
A flor-de-viúva há de brotar em mim
Formando suas raízes, que nada intera
O exórdio do nosso viridário de jasmim
Ao auge de minha quimera.
E toda a reminiscência, e o estigma por ti deixado
Lembrarei por toda a eternidade, o seu partir sem razão
Sinto que meus sentimentos precipitados, nada foi adiantado
Aos pensamentos sem fim, aos dias que não voltarão
O vestígio de ti, seu eflúvio atrativo, ainda me lança
“O passado se torna o presente na lembrança”.
A fotografia da alma
E quem dera poder te guardar em minhas fotografias, registrar a alegria da sua alma perante meu sorriso bobo e largo, diante da beleza dos seus olhos; janela que me encanta com brilhos intensos, olhos famintos e insaciáveis.
Sede da alma que a fotografia não sentiu, mas era de ti o meu desespero em saciar essa vontade que me consumia; queria, ao menos, uma gota poder te guardar; registrar em um único lugar tudo que eu queria ter para a eternidade.
Sou fotografo amador, como amar não dispensa dor; da alma não sou excelência, apenas aprendi a ser aprendiz nessa existência.
Minha foto favorita é a que me faz companhia.
Saudade Eterna
A saudade é um sentimento
Que preenche o espaço deixado por alguém
Que palpita a todo momento
E é maior do que outras sensações, vai além
Só quem perde um uma pessoa especial
Sabe o tamanho dessa dor
Mas por vezes trás lembranças do que foi real
E o sofrimento é sentido com amor
Um ser humano muito querido
Deixa lembranças boas e felizes
O que conforta um coração ferido
E sentimos que foi um prazer ao lado dele ter vivido
Com certeza os que partiram dessa vida
Querem nos ver bem, querem nosso sorriso
Que no nosso coração cicatrize a ferida
E as boas lembranças sejam nosso abrigo
Natais de minha infância
Lembro-me com saudades dos natais de minha infância,
Das vésperas do grande Dia, a grande tolerância,
Devagar passavam os dias, quase parecendo que iriam parar,
Na cassa as preparações para a data mais linda do ano, o nascimento do Menino Jesus.
Naquela época, era por Ele que eu esperava,
Era Ele que, além de ser o maior dos Presentes, ainda nos trazia presentes,
Era Ele o Motivo dos preparativos da festança,
Quanta alegria e esperança no coração daquela criança!
A véspera chegou. Era noite do dia vinte e quatro de vários e longínquos dezembros,
Meus pais, felizes a cantar músicas natalinas, que até hoje me lembro,
“Natal, Natal da crianças, Natal da noite de luz, Natal da estrela guia, Natal do Menino Jesus...”
Quanta alegria havia em tão poucas palavras, no coração da criança que fui.
Hoje, boas lembranças invadem minha mente, mesmo que aquelas pessoas que tanto amei aqui não mais estejam.
Os presentes, que eram entregues somente no dia de Natal, não mais assim o serão.
Os preparativos, ainda, fazem parte da família, mas somente por tradição.
As crianças que hoje aguardam esse dia tão especial, não entendem o verdadeiro motivo dessa agitação.
Mas eu, que hoje sou, daquelas mágicas noites um saudoso ancião,
Não permito deixar morrer em mim tão lindas lembranças, de paz e esperança,
Tento, com muito esforço, fazer que minhas netinhas saibam, um pouquinho que seja,
Que o avô delas, um dia, também foi criança.
A. Cardoso
O piado da coruja
Quase meia noite.
Quando criança, essa era uma hora de arrepiar,
Hoje, sinto saudades daquelas noites de arrepios, ouvindo uma coruja piar.
Agora, homem feito, barba na cara, brancos cabelos e pelos,
As lembranças das fases anteriores me fazem sentir com vitalidade de criança.
Sentir saudades me faz sentir vivo, talvez até mais ativo,
Não é ser saudosista, muito menos um escritor ou um artista,
Mas a certeza que valeu a pena da minha vida ser o próprio autor.
A. Cardoso
"E ENTÃO REFLETINDO SOBRE EXPERIÊNCIAS SENSORIAIS
PASSADAS, PERCEBO QUE EU AINDA TRAGO COMIGO LEMBRANÇAS DE BEIJOS, AROMAS E SABORES. A MIM OFERTADOS EM AMORES PASSADOS."
Quem ama de verdade não deixa o amor ir-se igual uma nuvem que passa soprada pelo vento... quem ama de verdade sempre sentira no rosto a brisa a recordar como era a nuvem que ele um dia trouxe... O amor não é a nuvem, mas a brisa.
Àquilo que lembramos falta o traço duro do fato. Para nos ajudarmos, criamos pequenas ficções, cenários altamente sutis e individuais que possam esclarecer e moldar nossa vivência. O acontecimento recordado torna-se ficção, uma estrutura feita para acomodar certos sentimentos. A mim, isso se torna evidente. Não fora por essas estruturas, a arte seria pessoal demais para que o artista a criasse, mais ainda para que a plateia a compreendesse. Até o cinema, a mais literal de todas as artes, é editado.
O vento balança bandeiras e árvores; arrasta papéis e pode até arrancar o telhado das casas. Mas não leva o cheiro da cidade e nem o cheiro do próprio vento. Também não leva as coisas mais leves como o pensamento.
Somos cidades ambulantes; as emoções são casas que precisam de asseio e luz. E, claro, cuidados para acolher as almas solitárias que se esgotam na folia.
Deixe a porta entreaberta,
para por uma fresta,
eu entrar.
Tenho ideias saudáveis,
na hora,
você vai gostar.
E não adianta tentar
adivinhar o pensar.
Pois a mente é fértil,
você não vai superar.
Mas te afirmo uma coisa,
elas surgem sem ninguém esperar.
E independente se goste,
futuro nenhum
irá apagar.
ass.: Saudade
O peso do silêncio
Dizem que nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Dizem isso como se fosse uma verdade fria, científica, quase um aviso. E talvez seja. O que ninguém diz, ou talvez finjam não perceber, é que, entre o começo e o fim, a solidão também aparece. E não é aquela que se resolve com companhia, é outra, a que mora dentro.
Chega uma hora em que o tempo desacelera. As visitas ficam mais raras, os telefonemas cessam, e a casa vai ficando grande demais para quem já viveu nela cheia de vida. Os móveis guardam mais memórias do que utilidade, e a alma, essa danada, começa a tropeçar em lembranças que insistem em não morrer.
Sinto-me como um velho pilão esquecido no canto de uma varanda. Já fui força, já fui utilidade, já fui indispensável. Hoje sou história que quase ninguém pergunta, silêncio que quase ninguém ouve.
As mãos tremem, a visão falha, a juventude se foi, mas o que mais dói é o espaço vazio na rotina, como se o mundo seguisse em frente e eu tivesse ficado preso em algum ontem que não volta.
Conto os dias, sim. Não com tristeza, mas com certa dignidade de quem sabe que ainda está aqui. E se ainda posso escrever, lembrar e sentir, então ainda sou. Mesmo que meio apagado, mesmo que decorativo, ainda sou.
E quem ainda é, ainda pode ser. Nem que seja só abrigo para uma saudade, ou um canto sereno onde a vida, mesmo em silêncio, continua a respirar.
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